Mais umas palavrinhas sobre Truffaut. Vem comigo, vale a pena.

François Truffaut e a urgência do amor
Uma das coisas que aprendi na vida é respeitar os sentimentos, os nossos e os dos outros. Mas não aprendi assim, de pronto. Foram necessárias algumas derrapadas pelo caminho, algo que, no fundo, me trouxe mais ganhos que perdas. Seguramente. Assim crescemos e podemos olhar a estrada com mais alegria e esperança. Quando vejo um Truffaut, essas coisas me vêm à cabeça, e percebo mais uma vez a capacidade do cinema – e da Arte – de nos ensinar um pouquinho mais sobre nós mesmos.

Léaud, Bisset e Truffaut: filmagens de A Noite Americana
Truffaut mostrava a vida sob o signo do afeto e do amor, talvez pelo fato de que, em sua infância e adolescência, ele próprio não tenha experimentado plenamente esses sentimentos. Sentia-se abandonado por pai e mãe. Só no mundo, no sentido existencial do termo. E, talvez por não se sentir amado, exaltava nas telas o amor com tamanha força e beleza.
Seus personagens pareciam gritar: “diga que me ama, eu quero ser amado!” Truffaut é a busca do amor, não apenas o da paixão, mas também o de viver. O amor urgente. Personagens em busca da paixão, da entrega, do sabor de uma nova história. Caiam e se levantavam, choravam e logo sorriam.

O Homem que Amava as Mullheres
Vejamos Fanny Ardant e Gérard Depardieu em A Mulher do Lado; Catherine Deneuve e de novo Depardieu em O Último Metrô; Jeanne Moreau e os dois amantes em Jules e Jim; o triângulo amoroso em As Duas Inglesas e o Amor. O Homem que Amava as Mulheres.

O Último Metrô
E vejamos Doinel, da criança de Os Incompreendidos ao menino-adulto-pai de Domicílio Conjugal e O Amor em Fuga – sim, um tanto imaturo, um eterno menino, faltava-lhe encarar a vida como um homem feito. Mas isso não tornava menor. Pelo contrário. Como personagem, forjava-se aí sua riqueza e ambigüidade, o traço humano que nos faz ver nele alguns de nossos temores, inseguranças, anseios juvenis por um braço, um colo, um cafuné.
Doinel, e isso é o que importa pra valer, era movido pela paixão, vivia como se fora o último momento. Doinel é a certeza de que, com amor, é possível suportar a crueza da vida.

Léaud, imortalizado como Antoine Doinel

Que prazer ver dois artigos sobre um dos meus diretores de cinema favoritos de todos os tempos. François Trauffaut marcou minha vida assim como Godard. Godard foi um prazer cerebral e Truffaut tudo que você tão bem descreveu.
Valeu esta visita tarde da noite daqui.
Tina, minha amiga. Saudades de ti, que de longe tecla aqui.
Pois é, também adoro Godard – Viver a Vida, Acossado, Alpaville e tantos outros estão no meu coração para vida toda. Ah, Anna Karina…
E a duplinha Godard-Truffaut, que início de nouvelle vague, não? Depois brigaram, mas tudo bem. Vale a obra.
Beijão
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