careca-bola.jpg

Tinha certeza de que as coisas seriam diferentes. Passou no jornal, no reclame, o Lula falou. Não tinha dúvidas. É a era desse tal de  Investment Grade. O Brasil tá bombando. Parcelamento em 60 X sem juros, sem entrada, sem saída, crédito consignado. Mas só com carteira.  

Mas quem tem carteira? A Le Postiche tem. E no camelô também. No Largo Treze, o templo das quinquilharias. Eu jogava bola lá, no Centro Educacional. 

Diziam que o técnico, o Eliseu – um cinquentão de meia idade metido a Telê – jogava do lado de lá. Vai saber. Foi no Largo Treze que comprei o disco do Gueto. G-U-E-T-O, uahahhhhhh! O Gueto achava que, nos anos 90, era misturando que a gente inventa. Não é solução, mas é uma bela rima. 

Que importa? Importa que eu queria ser o Zico, Zé Sérgio, Pitta. Ou quem sabe o Careca. Me lembro do gol dele contra o Guarani, no final da prorrogação. O brinco de ouro despencou da orelha de princesa.  

Eu queria ser o Careca. Fazer gol e imitar o Sinhozinho Malta, no Morumbi, eletrizar as multidões. Eu queria ser o Careca! Sei lá de onde surgiu essa conversa cabeluda, mas o fato é que o Careca é amigo do Maradona. E não se fala mais nisso.