
Capa do álbum Kind of Blue
Bill Evans, pianista de jazz que bebeu da fonte de Debussy, Ravel e Chopin, disse que em Kind of Blue, talvez a maior obra-prima de Miles Davis, “você irá escutar algo que está próximo da pura espontaneidade”.

Davis tocou Charlie Parker ( à esquerda) no início da carreira
“O grupo nunca havia tocado estas peças antes da gravação, e creio que, sem exceção, a primeira interpretação completa de cada uma foi tomada como um take”, escreve Evans no prefácio do livro “Kind of Blue: a História da Obra-Prima de Miles Davis” (Barracuda), de Ashley Kahn. Tenho o prazer de ter este livro, importado, que comprei por volta de 2002 – a edição em português veio alguns anos depois.

John Coltrane, Cannonball Adderley, Miles Davis e Bill Evans durante
as gravações de Kind of Blue
Integrante do grupo Davis no período, Evans participou de Kind of Blue ao lado de John Coltrane (sax tenor), Julian “Cannonball” Adderley (sax alto), Paul Chambers (contrabaixo) e Jimmy Cobb (bateria).

Último trabalho de Davis, Doo-Bop
é tido como precursor do acid jazz
Mais palavras e Evans:
“A improvisação em grupo coloca um desafio a mais. À parte o problema técnico de pensar coletivamente de modo coerente, existe a necessidade muito humana, social até, de que a simpatia por parte de todos os integrantes se coadune em prol de um resultado comum. Penso que esse difícil problema é lindamente abordado e solucionado nesta gravação”.
É deste álbum a música So What (veja aqui, rolando a tela para baixo), um de seus grandes sucessos, com participação marcante de Coltrane.
O vídeo abaixo traz performance de All Blues, presente no álbum. Mas trata-se de uma apresentação da década de 1960 e com uma formação na banda diferente da que tocou em Kind of Blue. Tem Ron Carter no baixo, Herbie Hancock no piano e Wayne Shorter no sax. Em todo caso, é uma ótima peça para degustação sonora coletiva.
