
Monica Vitti e Alain Delon em cena do filme Eclipse
Como a vida – ou seria a morte? – faz umas sacanagens com a gente de vez quando, não? Se ontem veio a notícia da morte de Bergman, aos 89 anos, hoje está na internet que nesta segunda-feira também morreu, à noite, aos 94, Antonioni… Tudo bem, os dois já estavam bem velhinhos e certamente viveram tudo o que tinham direito. Mas a questão é que, numa tacada só, lá se vão dois dos homens cujos filmes mais me emocionam e intrigam e com os quais tenho aprendido – ontem, hoje e amanhã – um pouquinho mais que sobre o que seja essa coisa complicada chamada ser humano.
Com Antonioni, descobri que se deve lutar para evitar o arrefecimento das paixões, o esvaziamento das relações e que no fundo do peito, aflito, há sempre um coração pedindo socorro. Para dar um exemplo, conforme relembrou um crítico certa vez, veja o que Antonioni disse, durante as filmagens de Eclipse, bonito filme de 1962: “Tudo o que consigo pensar é que, durante o eclipse, provavelmente até os sentimentos ficarão parados”.
Já com Bergman, o questionamento e as conseqüências do que fizemos ou deixamos de fazer de nossas vidas. Em ambos, os conflitos do homem moderno, um sujeito deslocado e perdido, que tenta reencontrar sua essência em meio aos escombros do passado.
