Podcast na CBN com este blogueiro sobre Apple e iPad

Comentários deste missivista 2.0 na rádio CBN sobre como funciona a estratégia de rumores para a promoção de produtos da Apple. E o papel de Steve Jobs em tudo isso.

Acesse por aqui: CBN – A rádio que toca notícia – CBN Tecnologia da Informação.

Bod Woodward e “Todos os homens do presidente”

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Em cena Dustin Hoffman (Carl Berstein), Robert Redford (Bob Woodward)

Sábado comprei por acaso num sebo da Augusta o livro “Bush em Guerra”,do jornalista Bob Woodward, parceiro de Carl Berstein na série de reportagens que desmascarou o escândalo de Watergate, responsável pelo impeachment de Richard Nixon. Louco para lê-lo.

Assim me lembrei, claro, do ótimo “Todos os homens do presidente‘, filme de 1976 de Alan Pakula. O longa tem Robert Redford e Dustin Hoffman nos papéis, respectivamente, de Woodward e Berstein. A cena final é esplêndida, esplêndida!

Mas separo aqui trecho em que Woodward se encontra com o Deep Throat, a fonte que mostra onde estão os ovos de ouro dessa história cabeluda. Na cena – os encontros sempre se dão num estacionamento, tarde da noite-, Woooward perde apaciência com os “joguinhos” do Garganta Profunda, que passa as dicas em pílulas.

Reparem na atmosfera angustiante e na tensão da cena, presente no diálogo, nos sinais corporais e na fotografia obscura. Ouve-se até o barulho da saliva que percorre o Garganta Profunda.

Um dos grandes filmes sobre jornalismo. Vencedor de quatro estatuetas do Oscars. Memorável.

O longa mereceu um homenagem bem bacana. Bacana, não: nota dez!

Embalado pela eletrizante “Sabotage”, dos nova-iorquinos do Beast Boys – a música é uma de minhas preferidas da banda -, esse filmete praticamente resume o longa, ou pelo menos faz uma leitura em ritmo de videoclipe da obra. Edição caprichada, alucinada. Vejam:

Exemplo da cultura do fá de que fala Henry Jenkins. No mais alto nível.

Eles foram pra lá de Marrakech e contam o que viram

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Monte Atlas no álbum de fotos do UOL Viagem

Arnaldo Comin e Iris Jönck, grandes amigos que colocaram a mochila nas costas e estão há cerca de um ano na Europa, estiveram pra lá de Marrakech e resolveram contar – e mostrar – o que viram. Suas aventuras na lendária cidade marroquina podem ser conferidas no Guia UOL Viagem. Com belas fotos e serviço detalhado, eles relatam que Marrakech, localizada no centro-sul do país africano e fundada no século 11, é uma boa opção para conhecer a cultura islâmica de modo seguro e confortável.

O guia conta que a cidade, alvo de diversas guerras e ocupações, recebeu até 1950 forte influência de colonizadores espanhóis e franceses. E que os tempos de glória muçulmana podem ser relembrados em belos palácios e mesquitas, como a Kutubiyya.

Vale a pena ler.

Como os dois gastaram sola por diversos países, a parceria bem que poderia render outros guias. Que tal, Arnaldo e Iris?

Parabéns aos dois.

Confira aqui.

Paulo Henrique Amorim: “Quero ser um portal”

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O blogueiro Paulo Henrique Amorim (foto retirada da internet)

Ele chega à porta do auditório da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing), em São Paulo, e para por alguns instantes. Seu terno é bem cortado; sua postura, alinhada. O penteado não ostenta nem um fio fora do lugar.  

Enquanto passeia os olhos pela platéia, ergue a cabeça e abre ligeiramente a boca. Parece admirado e curioso. Praticamente lotada, a sala recebe cerca de 70 pessoas, que estão confortavelmente sentadas em cadeiras estofadas que se localizam em um nível inferior e de costas para quem adentra o ambiente.

Os instantes de observação são breves, porque logo ele é chamado por Gil Giardelli, seu anfitrião, para ocupar o lugar de destaque da noite.  Paulo Henrique Amorim está preocupado. O relógio já crava 20h, trinta minutos além do horário marcado para iniciar sua palestra no curso de Ações Inovadoras em Comunicação Digital, na ESPM.

Paulo Henrique Amorim, o jornalista veterano, vai contar suas aventuras num universo que ainda deixa desbaratado um bocado de gente com muitas primaveras a menos, incluindo vários coleguinhas da imprensa.  Vai relatar sua experiência de blogueiro. Contará como é ser jornalista na era digital.

 “Olá, tudo bem?”, ele diz.

Ele começa pelo cumprimento peculiar, a marca registrada que todos se acostumaram a ouvir em seus programas de TV. Claro, claro: com a mesma entonação característica, a voz anasalada, rouca, inconfundível.

 

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Ele não se furta a falar de web e jornalismo em palestras país afora

Vai logo pedindo desculpas pelo atraso. Ele odeia se atrasar. Culpa o trânsito e faz troça dos tucanos. Diz que os engarrafamentos colossais de São Paulo têm o bico dessa espécie de ave política que se mostra incapaz de dar um jeito no problema ( ele gravou um buzinaço feito por motoristas irritados e transformou em podcast em seu blog).

Com um humor que vai da ironia ao sarcasmo num piscar de olhos, Paulo Henrique  falou de tudo e mais um pouco. Falou que sua experiência profissional na internet começou há um punhado de anos, com projetos de web TV no UOL. Contou que um dia teve uma ideia sensacional, que mudaria o mundo e poderia enriquecê-lo. Algo de gênio, que ninguém nunca antes neste país havia pensado: fazer um chat sobre mercado financeiro assim que a Bolsa encerrasse o pregão. Um programa para que as pessoas entendessem a temperatura das finanças.  

“Conversei com o Marcelo Lacerda, fundador do Zaz (que posteriormente virou o Terra). Ele adorou”. Buscaram patrocinadores, o produto foi ao ar e, embora certa vez tenha tido a audiência do ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga  (“Era o único na sala de bate-papo no dia!”), teve desconectar o projeto de sua vida. “Foi um retumbante fracasso”

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Blog dá audiência, mas o ganha-pão mesmo vem do trabalho na Rede Record 

A transformação da mídia em função da tecnologia digital é um dos temas sobre os quais dedica atenção. Perguntei  se ele concordava com a ideia de que o noticiário factual tenderia a ficar nas mãos de pouquíssimas agências de notícias (notícia como commodity), enquanto a demanda por conteúdo contextualizado e analítico abriria brechas para microempresas digitais criadas por jornalistas, como o seu Conversa Afiada, blog independente responsável por uma audiência mensal de 3 milhões de usuários únicos. Ele concordou.

“Está todo mundo buscando um novo modelo de negócios na área de mídia”, disse. E ressaltou a importância de investir em bom conteúdo. “Mandar quatro correspondentes para Bagdá custa caro. Quem vai pagar por isso?”

Sistemas de financiamento baseados no filantropismo de entidades ou investidores, que sustentariam coberturas ou projetos jornalísticos especiais, podem ser uma alternativa viável. “Esse é um caminho estudado agora nos EUA”.

 
YouTube tem vídeos com suas opiniões sobre a blogosfera

Sua aposta no meio digital é tamanha que ele quer transformar o Conversa Fiada em um produto bem mais amplo. A inspiração vem do bem-sucedido e balalado The Huffington Post, blog político americano que recebeu, em 2008, investimento de US$ 25 milhões – aplicado pela Oak Investment Partners, de Palo Alto, na Califórnia- , o que fez a empresa alcançar o valor de US$ 100 milhões.
O valor supera o de várias empresas de jornalismo impresso dos Estados Unidos. “Quero ser a Ariana Huffington. O blog dela, que é agressivo politicamente, se transformou em um portal”, afirma, taxativo. Ele se refere à fundadora do The Huffington Post. E completa, para não deixar dúvidas: “Quero se um portal!”.

A conexão digital do DJ Kid Vinil

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Kid Vinil, de herói do Brasil a desbravador cibernértico

No dia 11 de maio, foi publicada na Gazeta Mercantil uma entrevista que fiz com o Kid Vinil, músico, pesquisador musical e DJ. Profissional com mais de 30 anos de carreira e líder da banda Magazine, sucesso nos anos 1980, Kid analisa a nova face da música na era digital, com o avanço de equipamentos como iPod e MP3. E, claro, fala de sua paixão por discos vinil e CDs, intocável mesmo entre mil e um downloads que ele faz ao pesquisar tendências.

Veja mais no site do Kid, que atualmente escreve para o Yahoo e o Portal MTV.

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O número do telefone já não é o mesmo, mas de vez em quando Kid tem um ter tic tic nervoso
com a banda Magazine


A conexão digital do DJ Kid Vinil

Gazeta Mercantil
Clayton Melo

São Paulo, 11 de Maio de 2009 – Em 1978, um rapaz chamado Antonio Carlos, funcionário da gravadora Continental, esteve pela primeira vez em Londres. Ficou fascinado com a efervescência da cena punk inglesa, embalada por bandas como The Clash e Sex Pistols. Ao voltar para São Paulo, seguiu o lema dos punks (“faça você mesmo”) e montou um grupo. Foi por essa época que adotou o nome Kid Vinil e passou a comandar um programa de rock alternativo na rádio Excelsior. Suas andanças pelo underground resultaram, em 1983, num dos conjuntos mais divertidos do rock nacional: o Magazine, que estourou nas paradas com os hits “Eu sou boy” e “Tic Tic Nervoso”.

Embora sem os mesmos holofotes daqueles tempos, a banda continua na ativa, movida pelo prazer de tocar. Prazer que Kid Vinil sempre cultivou pelo estudo da história da música, especialmente do rock, o que fez dele uma referência quando o assunto é a evolução do cenário pop.

É com base nessa vivência que Kid Vinil, atualmente blogueiro contratado do Yahoo e do Portal MTV, analisa nesta entrevista as transformações na indústria fonográfica e os reflexos dos novos formatos de distribuição nos hábitos de consumo. “Acho que o independente sobreviverá. Para as grandes gravadoras, a situação é mais complicada, porque ela não pode mais pensar em milhões de cópias”, afirma Kid, que, amante da chiadeira das vitrolas, também se aventura pelos mares agora navegados de iPods, blogs e podcasts.

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Foto da primeira visita a Londres, em 1979, fonte de referências sonoras

Gazeta Mercantil – Além de ter uma longa trajetória como DJ, músico e pesquisador, você é responsável por uma das maiores coleções do Brasil, com cerca de dez mil CDs e dez mil discos de vinil. Qual sua opinião sobre a digitalização da música?

Nunca tive nada contra. Adaptei-me a essa realidade. Faço podcasts, vou ao MySpace e tenho iPod. Não sou um radical. Todos os formatos são válidos. A mudança tecnológica faz parte da vida do ser humano.
Gazeta Mercantil – Você acredita que hoje, com a digitalização, a música tenha se tornado descartável?
Exato. Há coisas que entram por um ouvido e saem pelo outro. Eu mesmo me questiono. Puxa vida, ouvi tal banda, era tão legal, mas aí já passei para outra. Não existe uma longevidade. O disco do ano não será mais lembrado no ano que vem. A internet, com a possibilidade de as pessoas fazerem download de tudo, acelerou esse processo. Antes, havia a luta para conseguir um disco. Então ele era ouvido várias vezes, degustava-se o disco. Hoje, você baixa, coloca no iPod e pronto.

Gazeta Mercantil – O CD e o vinil tinham o poder de tornar a música perene?

Por causa do fenômeno do download, outro dia me perguntaram qual a importância, no futuro, de um disco com doze faixas. O artista continuará a lançar uma obra completa, baseada num conceito, como sempre foi feito? É esse conceito de um trabalho contido no disco que está se perdendo. Mas ele é importante.

Refiro-me ao pensamento que vai desde a capa, o enredo, as doze faixas guardam uma relação entre elas. Há uma história por trás daquilo. Com a era do download, quando as pessoas não valorizam mais com o conceito, como será no futuro? Essa é uma questão que está na minha cabeça. Até agora, tudo bem. As bandas ainda se preocupam com isso. Não sei se no futuro será assim. Acho isso meio perigoso, porque vai tornar a música mais descartável.

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Pose para o clique promocional do do LP “Magazine” (1983)

Gazeta Mercantil – Quais são as perspectivas para as gravadoras?

Acredito muito no mercado independente. No exterior, tudo parece que correu para esse segmento, principalmente as bandas independentes que estavam nas grandes gravadoras. É o caso do Sonic Youth (dos EUA), que deixou a gravadora Geffen e foi para o selo Matador Records. Esse povo independente tem noção de que a venda de discos, para eles, não significa tanto. Ele faz prensagem limitada, de mil cópias, e pensa de um modo diferente da grande gravadora. Para essas bandas, o disco é um cartão de visitas. Não é ali que elas ganham, mas sim nos shows.

Por isso acho que o independente sobreviverá. Para as grandes gravadoras, a situação é mais complicada, porque elas não podem mais pensar em milhões de cópias. Ainda existem exceções, como os EUA, um mercado relativamente aquecido, embora não se saiba até quando. Há quem ainda venda bem por lá. Como o poder aquisitivo é alto, o americano pode se dar ao luxo de comprar CD. Mas as gravadoras grandes enfrentam esse problema, principalmente no Brasil.

Gazeta Mercantil – Como você avalia a parceria das gravadoras com operadoras de telefonia, para que os álbuns sejam lançados pelo celular?

É uma forma para as gravadoras ganharem grana. Como a venda de discos não é mais como era antes, elas precisam encontrar caminhos alternativos. Hoje o dinheiro está na mão das empresas de telefonia, e as gravadoras vão atrás. Há companhias que têm rádio, como a Oi. Nota-se que a programação é feita com as gravadoras. Tudo o que toca ali é dinheiro da indústria fonográfica. É uma forma também de ampliação de receitas para as empresas de telecomunicações.

Gazeta Mercantil – Com o enfraquecimento do modelo tradicional da indústria fonográfica, que alternativa de negócios pode surgir no lugar? Os selos menores podem ser favorecidos?

Sim. A tendência é pensar pequeno em termos de gravadoras. Como está tudo liberado para downloads, a pessoa não adquire mais tantos discos como tenho aqui em casa (rs).

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Com o grupo Heróis Do Brasil, ao lado de André Cristovam, ao vivo no SESC
Pompéia em 1988

Gazeta Mercantil – A cultura do colecionador pode ser o combustível para o mercado de discos, ainda que de modo bem segmentado?

É essa cultura dos independentes que está salvando a indústria lá fora. Mesmo esse resgate do vinil é algo para apreciadores, fãs.

Gazeta Mercantil – Num ambiente em que as pessoas têm acesso a todo o tipo de música quando e da forma que quiserem, como ficam as emissoras musicais de FMs?

Com as mudanças provocadas pelos novos formatos – podcasts, rádios on-line -, elas perdem terreno. O número de ouvintes de rádio caiu muito. Não escuto mais ninguém falar “estou ouvindo determinada canção no rádio”. Antes, havia essa referência. Hoje, elas ouvem no MySpace, baixam da rede. Daí é possível concluir que o rádio já não tem o papel de divulgar.

Ele está aí, mas também corre o risco de acabar. Quer dizer, acabar não vai. O rádio se segmentou. As pessoas ouvem as emissoras especializadas em notícias, como CBN e BandNews – essa foi uma bela sacada. Musicalmente, pode-se ouvir no carro. Mas a FM perdeu muito porque hoje há outras opções.

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Trocando figurinhas com apresentador de TV e rádio Barros de Alencar,
que abriu espaço para novas bandas na década de 1980

Gazeta Mercantil – Você participou, como jornalista e vocalista da banda Magazine, da chamada geração anos 1980 no Brasil, que culminou na explosão do rock nacional. Qual sua avaliação sobre aquele período?

O punk e a new wave tinham chegado aqui, e assim tivemos uma geração interessante na década de 1980. As gravadoras e a mídia abriram as portas. Caso contrário, não teria havido movimento nenhum. As gravadoras perceberam que havia uma juventude que poderia comprar discos. O setor enfrentava dificuldades na época, porque a MPB havia ficado estranha, velha e sofisticada demais. Não gerava a receita que as empresas precisavam. A indústria fonográfica buscava uma música imediata, que tocasse no rádio, fosse para a TV e vendesse discos.

O rock que aparecia naquele momento proporcionava isso. E vinha a calhar para uma juventude pós-ditadura que queria se divertir e não era engajada. Assim surgiram várias danceterias, todo mundo querendo viver um pouco mais a vida e esquecer os anos ruins do militarismo.

Gazeta Mercantil – E hoje? Você identifica algum movimento de juventude?

Se formos comparar, não existe nenhum. Hoje o movimento é a molecada ligada na era digital. É o movimento do iPod (rs).

A crise da imprensa e a nova mídia

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Foto de Genésio
Marcelo Coutinho é doutor em sociologia e pesquisa
o impacto da tecnologia na indústria da comunicação

Um mês antes do fim da Gazeta Mercantil, publicamos, ne editora de Comunicação, uma entrevista concedida a mim por Marcelo Coutinho, um dos principais pesquisadores de mídias interativas e negócios da comunicação no País. Essa foi uma das tantas entrevistas que fiz com Coutinho ao longo dos oito ou nove anos em que nos conhecemos. Todas instigantes e elucidativas.

Como o assunto está quente – futuro da imprensa diante da tecnologia digital e novo modelo de negócios da mídia -, a matéria gerou um bom interesse na rede e foi replicada em vários blogs, entre eles o do Paulo Henrique Amorim e Luis Nassif , com uma intensa troca de comentários.

Nova cultura da mídia muda valor do conteúdo

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Gazeta Mercantil/Caderno C – página 8
Clayton Melo

São Paulo, 27 de Abril de 2009 – Doutor em sociologia pela Universidade de São Paulo e professor da pós-graduação da Faculdade Cásper Líbero, na capital paulista, Marcelo Coutinho é um estudioso do impacto da tecnologia na economia e na comunicação. Além da experiência acadêmica, seu olhar sobre as mudanças na mídia é lapidado pelo trabalho como diretor de análise de mercado do Ibope Inteligência. Nos últimos anos, tem se dedicado a estudar dois campos que, entre tapas e beijos, parecem fadados a um casamento inadiável: a internet e o setor de mídia. Enquanto a primeira avança e transforma a sociedade, o segundo tenta adaptar seu modelo de negócios aos novos tempos. “O que as empresas de comunicação pensam ser uma ameaça, na verdade é uma oportunidade”, diz Coutinho. “Elas têm a possibilidade de repensar um modelo de negócios no qual o conteúdo desempenha um papel central e que leva a sociedade a se mobilizar em torno disso”, reforça o pesquisador, que prefere não ter web em casa para que, aos finais de semana, possa se dedicar a livros, jornais revistas – todos impressos, que fique bem claro.

Gazeta Mercantil – O senhor já afirmou em outra ocasião acreditar que a profundidade das transformações provocadas pelo digital será maior nos próximos dez anos do que o foram na última década. Por quê?

Isso se deve, por um lado, a aspectos quantitativos. Embora não tenha as estatísticas precisas aqui, é fato que o número de usuários de internet no final dos anos 1990 era muito menor. Vamos chegar ao final desta década numa situação muito diferente no mundo. No caso do Brasil, dados do Comitê Gestor e de institutos como o Ibope e o Datafolha apontam para algo entre 60 milhões e 65 milhões de usuários. Algo como 30% da população brasileira. Já é um fenômeno numericamente expressivo. Só que muito mais importante é o fator qualitativo. Estamos assistindo, com o surgimento da economia colaborativa, à possibilidade de uma nova cultura midiática. Embora a cultura da mídia ainda seja muito passiva, com a maior parte dos consumidores recebendo passivamente o conteúdo, vemos nos jornais, na TV e na própria web que as pessoas querem interferir e interagir com o conteúdo de alguma maneira. Há um fenômeno que o pesquisador Henry Jenkins, do MIT, chama de a cultura do fã. O que é isso? É a possibilidade de as pessoas interagirem e rediscutirem aquele conteúdo. É a ideia da calda longa trazida para o mundo do conteúdo. Explico: milhões de pessoas serão impactadas pela série Lost na TV, e alguns milhares de espectadores vão prolongar a vida desse conteúdo por semanas ou até meses, na medida em que discutem esse material. Veja – e por isso digo que provavelmente as transformações serão mais acentuadas nos próximos dez anos – que o controle do conteúdo e das marcas publicitárias começa a sair da mão das grandes organizações produtoras de conteúdo. Não acho que o modelo “broadcast” – conteúdo feito por grandes grupos econômicos para atrair audiência e, assim, gerar receita publicitária – vá desaparecer, é bom destacar. Mas, se esse sistema reinou sozinho praticamente durante toda a segunda metade do século XX, agora ele vai ter de conviver com outro modelo, que é o de produção de conteúdo na “calda longa dos fãs”. Ou seja, o conteúdo que uma organização produz também tem de ser pensado como um produto que pode ser trabalhado, recriado e rediscutido por pessoas que tenham alguma relação com uma marca.

Gazeta Mercantil – O que o senhor descreve é exemplo da narrativa transmidiática da qual fala Jenkins, experimentada por séries de TV como Heroes e Lost ou Matrix, no cinema.

Exatamente. Esses são bons exemplos. Talvez mais importante que impactar uma grande massa de pessoas, será se aproximar daquele grupo que tem uma relação profunda com o conteúdo que sua empresa torna disponível. Isso nos faz pensar numa outra coisa: o que as empresas de mídia pensam ser uma grande ameaça, na verdade pode ser uma grande oportunidade, que talvez só tenhamos visto na época do aparecimento da televisão.

Gazeta Mercantil – Que oportunidade é essa?

É a possibilidade de repensar um modelo de negócios no qual o conteúdo desempenha um papel central e que leva a sociedade a se mobilizar em torno disso. Aqui entramos no terreno das redes sociais: para que serve o conteúdo, a informação? Para gerar prestígio social. Por que uma notícia de jornal ou um filme visto na TV, na web, são importantes? A importância vai além do fator econômico, é também social. As pessoas conversam sobre o conteúdo. Ao conversarem sobre ele, contribuem com o mercado social – reforçar os laços de amizade, prestígio dentro de um determinado grupo. Tudo isso já ocorre muito antes da web. Mas a digitalização possibilita às empresas produtoras de conteúdo rastrear esse conteúdo, coisa que não podiam fazer antes. O que veremos nos próximos dez anos é o rastreamento e a mensurabilidade desse marketing viral. E a possibilidade de medir como isso impacta no comportamento das pessoas. Este é o desafio das empresas de mídia e das agências de publicidade: sair de um modelo de negócio baseado exclusividade na exposição do conteúdo para um calcado no impacto do conteúdo. Em outras palavras, na circulação do conteúdo nas diversas redes sociais.

Gazeta Mercantil – Pode dar um exemplo adequado ao contexto de um jornal ou revista?

Gosto de citar o The New York Times. Se você perguntar para qualquer pessoa da minha geração, de 40 anos para cima, qual é o slogan do NYT, ela dirá “all the that´s fit to print”, ou seja, tudo o que um grupo de editores julgou adequado ser impresso. E qual o slogan do NYT na internet? “Onde as conversas começam”. Isso é muito bem sacado e demonstra a compreensão dos mecanismos que estão diante da mídia. Mais que algum conteúdo para ser impresso e distribuído, busca-se um material que circule entre as pessoas. Como isso pode ser feito e medido? Esse é o Santo Graal que todo mundo persegue. Temos de um lado um mercado de conteúdo produzido por grandes corporações. De outro, um mercado social (os Orkuts, os LinkdIns, os Twitters da vida) no qual os conteúdos circulam. O desafio é fazer com que o conteúdo produzido no mercado econômico também seja medido no mercado social e passe a ter um valor financeiro dentro desse mercado social. Exemplo: existe alguma maneira de gerar receita com uma notícia da interessante da Gazeta Mercantil que eu leve para meu Orkut, Facebook ou Twitter? Acho que existe, mas ainda não conseguimos encontrá-la. A indústria da mídia se encontra diante da mesma oportunidade que surgiu com o aparecimento da televisão. Mas ficar demonizando as mudanças não resolve. Tem de encontrar uma solução.

Gazeta Mercantil – Por que as transformações provocadas pelo digital são tão poderosas?

Porque elas vêm do consumidor. O Ibope Inteligência divulgou duas pesquisas. Uma foi feita no evento de tecnologia Campus Party, em janeiro, e outra agora, sobre a relação dos jovens das classes ABC com as marcas de material esportivo. Esses estudos mostram que, para esse público (que não está na média dos consumidores brasileiros, pois são adolescentes e fissurados em tecnologia), a importância da opinião de outros consumidores é mais importante que a comunicação de massa dos meios tradicionais, como a publicidade em TV, rádio etc. Isso como fonte de informação para decisão de compra. Você pode dizer que hoje eles são adolescentes. Mas, durante a próxima década, esse pessoal vai ingressar com tudo no mercado de consumo.

Gazeta Mercantil – O senhor falou que o conteúdo continuará a ser um item muito importante no cenário que se desenha para o mercado da comunicação. Mas que tipo de conteúdo é esse que será valorado? Quais as perspectivas para a produção jornalística?

O conteúdo tem relevância na medida em que ele é uma moeda social. É o fato de ter acesso a um material interessante, diferente e reproduzi-lo em uma rede, que pode ser digital ou não – é preciso entender que há as redes sociais que não são digitais. As pessoas falam das redes sociais como se elas tivessem surgido com a internet. Mas a sociologia começou a estudá-las por volta de 1890. A novidade é que elas passaram a ser mensuráveis a partir da digitalização. Então, que conteúdo é importante? Claramente percebemos que é aquele que vai além da instantaneidade. De que me vale ver na capa de um jornal a seguinte manchete “Obama é eleito”. Não faz sentido. Vamos analisar o assunto por partes. Pense no jornalismo hard news (notícias factuais), que pode ter alto impacto, mas tem vida útil curta. Esse tipo de conteúdo será comercializado talvez por um grupo muito restrito de organizações internacionais com escala para uma produção global. Estamos falando de dois, talvez três grandes conglomerados. Esse tipo de produto vai morrer como suporte para comunicação publicitária, porque ninguém vai esperar 24 horas para ler a notícia num jornal. A hard news continuará importante, mas o valor percebido nela, no sentido de gerar um modelo de negócios, será cada vez menor. Minha impressão é que caminhamos para a valorização do conteúdo contextualizado. Assim, creio que teremos produtos de mídia na linha da The Economist, com análise e contextualização. Não acredito que as organizações de mídia terão um modelo economicamente viável baseado na exploração de hard news. Esse vai ser um jogo para duas ou três companhias globais, que fornecerão para todo mundo.

Gazeta Mercantil – O senhor se refere a agências de notícias como AFP e Reuters, entre outras?

Provavelmente haverá uma concentração ainda maior entre elas. Já houve a compra da Reuters pela Thomson, por exemplo. Se por um lado há a tendência de concentração no conteúdo hard news, de outro há uma tendência de “capilaridade” da interpretação desse material, algo que é proporcionado pelas tecnologias digitais. Ou seja, muitas vezes são grupos de mídia menores, com equipes compostas por uns dez analistas que contextualizam aquelas notícias. Um exemplo interessante disso – não digo que seja modelo, mas apenas um exemplo – é o blog Huffington Post, da Ariana Huffington, nos EUA. Ela tem uma equipe renomada de especialistas. Esse grupo analisa os fatos para o blog. No auge da crise, em setembro de 2008, um banco americano de investimentos comprou 25% do Huffington Post por US$ 25 milhões. Trata-se de um blog avaliado em US$ 100 milhões. No mesmo dia em que li essa notícia, vi a cotação de alguns grupos regionais de mídia dos EUA na Bolsa de Valores. Muitos valiam menos que o Huffington Post. Eram companhias com 16 jornais locais e estações de rádio valendo menos que um blog. E você poderia perguntar que empresa é essa que poderia se beneficiar desse cenário. Seria um aventureiro, o Zorro? Não. As organizações de mídia tradicional ainda estão repletas de profissionais talentosos, experientes e que entendem como ninguém a importância de um bom conteúdo.

Gazeta Mercantil – Qual o papel dos jornalistas nessa nova configuração?

Respondo a essa pergunta com uma historinha comum nos anos 1990. Na época, dizia-se o “conteúdo é rei, ninguém entende mais de conteúdo que as empresas de mídia, então dominaremos o século XXI”. Mas nos esquecemos do seguinte: para as pessoas terem acesso ao conteúdo, elas precisam chegar a ele. E a forma como elas o alcançam não é só mais o caminhão que entrega o jornal e a revista, mas também os softwares e hardwares de grandes grupos de telecomunicações. Isso mostra que novos integrantes entraram na cadeia da informação, o que provoca um rearranjo de valor. Além desse aspecto, houve uma explosão de conteúdo disponível. E aqui vale a lei da economia: quanto maior a disponibilidade de um bem, menor o seu preço. Há um deslocamento da geração de valor. Quando vivíamos num mundo de conteúdo escasso, todo a informação produzida era consumida. A lógica hoje é outra. Como vivemos num mundo de conteúdo abundante, as pessoas consumirão aquilo que for organizado de uma maneira lógica para elas, consumidoras. O valor do conteúdo deixa de estar totalmente concentrado na produção e distribuição – as receitas das empresas de mídia vinham daí – para a ser gerado também na organização dele. Pelo sistema tradicional, as companhias cobravam um preço para criar e distribuir, algo que era pago pelos anunciantes, que queriam falar com os respectivos consumidores. Todo o valor vinha daí. Num mundo de explosão do conteúdo, o consumidor não dá conta de tudo isso. Assim, ele começa a ver valor em quem organiza a informação para ele. Os blogs tentam se firmar com um agente nesse processo. Como não temos tempo de dar conta de filtrar tudo o que acontece e chegar a uma conclusão sobre o que é socialmente valioso para nossa rede de relacionamentos, vamos aos blogs de fulano e beltrano, que podem tanto ser jornalistas de mídia tradicional como comentadores independentes. Por confiar na capacidade de filtro de determinado blogueiro, a pessoa lê o que ele escreve. E leva as informações para a sua rede social – para o Twitter, por exemplo.

Gazeta Mercantil – A maior demanda por análise decorreria disso?

Sim. Está no poder da filtragem.

Gazeta Mercantil – E como os veículos podem gerar receita nesse cenário?

Essa é a grande questão. A indústria não sabe muito bem como fazer isso. O mercado busca no momento métricas para mostrar para quem sustenta o processo – os anunciantes – que a “filtragem” dá retorno. As empresas de mídia ainda não conseguiram isso. Mas essa transformação virá, porque vem de pressão do consumidor. Tudo o que lemos sobre a situação dos grupos de mídia, especialmente nos EUA, com fechamento de jornais ou migração para o on-line, é motivado por essa realidade. Esse processo não é como um tsunami, mas sim uma maré que vai subindo, subindo. Não há como fazê-la recuar.

Gazeta Mercantil – Diante desse contexto, qual deve ser o perfil de um jornal impresso?

Também caminha para a análise.

Gazeta Mercantil – Aproximaria-se assim do perfil de revista?

Bom, ingressamos agora num terreno complexo. Não sei se o jornal diário – distribuído todos os dias, é bom salientar – fará muito sentido daqui a dez anos. Talvez passem a ser distribuídos dia sim, dia não. Mas veja que a notícia hard news continuará importante. Basta ver os jornais gratuitos. As pessoas colocam a mão para fora do ônibus para pegar o exemplar. Mas elas não estão mais dispostas a pagar por isso. Se os jornais pagos se tornarem mais analíticos, será necessário um novo perfil de jornalista e uma nova maneira de garantir a viabilidade econômica dessa operação. Talvez seja o caso de cobrar mais caro do anunciante, porque o jornal conseguirá atingir um grupo pessoas cujo envolvimento com o conteúdo será muito maior.

Caia no Gandara

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Foto feita pelo Nicola Turdo. Da esquerda para a direita: Iolanda Nascimento, Costábile Nicoletta, Luciana Collet, Ana Saito, Cleide, Sérgio, Jaime Soares, Marcel Salim e este escriba digital. Ao fundo, contando estrelas no teto, Ronaldo Eleutério (camisa azul e gola vermelha)

Um clique da despedida na sexta-feita no Gandara, o nosso Bar Esperança (chama o Hugo Carvana).

Porque, como diria o Rei, “o importante é emoções eu vivi”.

Valeu a pena, Gazeta

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Mosaico de uma redação em seus últimos instantes

Nesta segunda-feira, dia 1º de julho, (correto é 1º de junho) não receberemos mais o exemplar da Gazeta Mercantil em nossas casas. Não chegaremos à redação, ligaremos os computadores e acompanharemos as primeiras notícias do dia com um copo de café nas mãos. Não preparemos pautas. Não pediremos entrevistas. Não teremos dezenas, centenas de sugestões de matérias em nossas caixas de e-mails. Não ouviremos o telefone tocar insistentemente.

Nesta segunda-feira estaremos todos oficialmente de férias, seja lá o que signifique isso no atual contexto. A Gazeta Mercantil, o primeiro jornal de economia e negócios do Brasil, fundado em 1920, não circulará mais a partir desta data.

A última semana da Gazeta Mercantil renderia por si só um livro, em função da dramaticidade, tensão, reuniões, expectativas, risos e lágrimas que provocou.

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Não basta ser fotógrafo, tem que participar: eis o Daniel Teixeira e a galera

É muito difícil descrever o que significaram os dias compreendidos entre a segunda-feira passada (dia 25), quando foi publicado na capa o comunicado de que o jornal deixaria de circular, e a sexta-feira (29 de maio), quando nos despedimos de uma vez por todas da Gazeta. Um vendaval de boatos e rumores varreu a empresa. Peças desencontradas que tentávamos juntar para ver o que fazia sentido. Não ter o jornal não fazia sentido.

É muito triste e ao mesmo tempo marcante ter participado da equipe até o último suspiro da Gazeta. Senti-la sangrar foi muito doloroso. Mas a paixão e a certeza de que nós, funcionários, buscamos sempre fazer um bom jornal, a despeito de todos os problemas, é reconfortante.

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Um brinde aos aos 89 anos da Gazeta

E assim fomos até o último dia, quando bebemos, rimos, choramos. No último fechamento, brindamos o dever cumprido, mas sem disfarçar o nó na garganta.

Nesta segunda-feira vou repetir o ritual. Vou me levantar, tomar café na padaria, ler o primeiro jornal do dia e seguir a pé para a redação.

Mas cadê a redação?

ps: foi muito emocionante receber a visita de despedida, na sexta-feira passada, de diversos amigos que um dia também fizeram parte da história da Gazeta Mercantil

O Obama brasileiro gosta, é claro, de churrasquinho

 Já temos o nosso Barack Obama. É Rinaldo Gaudêncio Américo, de 36 anos, motorista da Rádio Globo do Rio de Janeiro.

 Veja mais aqui:

Na terra de Los Hermanos

Cheguei nesta quarta-feira a Buenos Aires, para cobrir o Festival de Publicidade El Ojo de Iberoamerica. Dia de trabalho muito puxado. Nos próximos posts comento mais a respeito.
Agora quero passar as primeiras impressões sobre a estada nesta bela cidade, que tenho a oportunidade de visitar novamente.

Começo pela grande notícia hoje na terra de Los Hermanos: Maradona é o novo técnico da seleção argentina. Peguei um dos jornais daqui, o El Cronista Comercial, de economia, negócios e política. E lá está em El Pibe (veja foto).

Logo nas primeiras linhas, diz o colega jornalista que “el mejor jugador de fútbol de todos los tiempos, trono para muchos compartido con Pelé…” (grifo meu)

Vejam só: citam o Rei Pelé assim, como quem faz uma concessão. Porque, claro, o Rei é Maradona.

No mais, El Cronista se orgulha de ter antecipado a notícia há uma semana. E se derrama de novo para Maradona.

Mas o Juan Carlos, taxista que me levou do aeroporto para o hotel, fez cara de muxoxo quando lhe perguntei o que ele achou da novidade. “Como jogador é uma coisa, como técnico…”. Para consolá-lo e demonstrar minha solidariedade, lembrei-o de que Dunga é o técnico do Brasil.

E perguntei mais para ele:
- “Como vai a Cristina Kirchner?”

Juan Carlos fez outra cara de muxoxo e um sinal de “mais ou menos”.

- E a crise financeira mundial?

Outra careta, seguido de um “a coisa tá feia”.

O fantasma está por todos os lados.

Até breve.

Festival de publicidade no embalo do rock

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Este camarada foi o mestre de cerimônias do D&AD 

Estive em Londres para cobrir, pela Gazeta Mercantil,  o D&AD, festival de publicidade e design realizado anualmente há 45 anos. Badalado na Ingleterra e na Europa, seus prêmios, chamados de Black e Yellow Pencil, são alvo de cobiça entre profissionais de criação de todo o mundo. A festa foi Royal Festival Hall, uma beleza de prédio, de uma amplitude e elegância só, à beira do rio Tâmisa e pertinho do London Eye. 

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Vários desenhos desses decoravam o espaço  

 

Aqui no Brasil o festival ainda não é tão conhecido fora dos círculos publicitários. Mas quem conhece sabe o que representa ganhar um lápis amarelo ou um preto, este o de valor máximo.  Minha matéria foi publicada na segunda-feira, dia 19 de maio, e um trecho do texto pode ser conferido aqui. A Gazeta é representante oficial do evento no Brasil.

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Essa aí dançou até não aguentar mais

 

  Dois brasileiros saíram de lá com um Yellow Pencil cada um – os arquitetos Isay Weinfeld e Márcio Kogan. O primeiro com trabalho de ambientação de loja desenvolvido para a Livraria Cultura e o segundo, com um projeto para o berçário Prime Time, no Morumbi. 

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Essa urma aí também… 

Conheci gente muito bacana, como a inglesa Maeve, gerente de comunicação do D&AD, e Nina, alemã, também da equipe do festival, entre outros. Simpáticas, sorridentes, foram muito gentis conosco. E revi Lucia Caldas, assessora de imprensa de conheço de outros carnavais e que agora trabalha no D&AD.

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                                             Maeve O’Sullivan, do D&AD, foi nossa interlocutora durante o trabalho  

Depois da cerimônia, que começou com cerca de uma hora de atraso (pontualidade britânica?), dá-lhe festa. Cinco atrações, entre elas a ótima  banda Cuban Brothers e o Hot Chip. Gente do mundo inteiro na pista, curtindo: o inglês era a língua predominante, claro, mas também se ouvia espanhol, italiano, alemão e até japonês.

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 The Cuban Brothers em ação

As baladas londrinas têm boa fama, e pude provar seu gostinho por ocasião do D&AD. De fato, a pista ficou lotada gente a fim de chacoalhar o esqueleto. E como. O Cuban Brothers é eletrizante – uma espécie de, digamos assim, rock and roll misturado com ritmos latinos e uma boa dose de irreverência.  

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Essa aí era uma das mais animadas – não parece inglesa, confere?

 

Os ingleses, lá pelas tantas, soltam-se ainda mais na pista de dança, enquanto as luzes coloridas giram a mil e conferem um ar especial à noite. Este foi o D&AD. Nos próximos posts, mais histórias do velho mundo.

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O que será que tinha no teto?   

Histórias no Velho Mundo

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Foto do editor deste blog: cara a cara com ela, majestosa

De volta ao Brasil, o doce cansaço da viagem. Cheguei nesta segunda-feira. Por hora, dou as caras para avisar que em breve o blog volta à ativa com histórias sobre Londres e Paris – também conheci a Cidade Luz.

Festival de publicidade na levada do rock dançante, uma balada multicultural na noite londrina; o encanto com a National Gallery e os tentáculos do metrô a nos laçar. Paris se abre ante os olhos e o coração. Emoção no Louvre e a Mona Lisa pop star.        

London calling

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 Big Ben avisa: é hora de pegar as malas

Aviso aos amigos que Ponto de Fuga só será atualizado novamente na semana que vem, porque viajo hoje para Londres, questões de trabalho. Quem sabe a rainha não aceita tomar um café, quer dizer, um chazinho.  

Até!

Bastidores da entrevista com Helena Ignez

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 Capa do caderno Fim de Semana, com O Bandido

Como de praxe, Ponto de Fuga tarda, mas não falha – quer dizer, nem sempre. Disse que escreveria mais detalhes a respeito da matéria sobre o Bandido da Luz Vermelha, publicada em 18 de abril na Gazeta Mercantil. E aqui estou. Falemos dos bastidores.

Exceção óbvia feita às imagens de filmes arrebanhadas na web, as fotos deste post foram feitas durante a entrevista com a atriz e diretora Helena Ignez, viúva de Rogério Sganzerla, diretor de O Bandido e um dos grandes da história do cinema nacional. Quem bateu as fotos com a atriz e eu foi Vani Fátima, produtora de Helena.

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“Por que está respingando água em nós?” Era o pessoal da limpeza em ação

Em março, Heleza me recebeu em seu escritório no centro de São Paulo. Na verdade, a entrevista foi feita numa área livre do edifício, porque o escritório de Helena estava em reforma, como se pode ver em um das fotos deste post.

Em dado momento, eu e o Leonardo Soares, fotógrafo da Gazeta Mercantil, subimos para fazer as fotos. Ao final da sessão, Helena me perguntou se eu poderia ajudar a restabelecer a conexão da internet. Ajudei então o rapaz que trabalha com ela (cometo a gafe de não ter o nome aqui neste momento). Mexemos em alguma coisa lá e o santo que zela pela conexões teve piedade de nós. Deu certo.

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Eu e Helena

Helena é uma mulher que fala  pausadamente, com a suavidade baiana a embalar as palavras – ela nasceu em Salvador. Transparece ser uma mulher convicta, de posições fortes. Para ela, cinema e teatro não são passatempos, não rimam com pipoca. São expressões da Arte.

A história de Helena está intimamente ligada ao período de ouro do cinema nacional, na década de 1960. Na vasta carreira constam filmes de Glauber Rocha, com quem foi casada (fez O Pátio, primeiro filme de Glauber) e outros do Cinema Novo, sem falar nos tantos de Sganzerla – para citar alguns, os ótimos A Mulher de Todos e Copacana Mon Amour.

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 A foto do Leonardo, que ilustrou a matéria, ficou bem bacana

O teatro também ocupa lugar de destaque na vida de Helena. A propósito, veja o que diz a respeito das peculiaridades de interpretação em um e outro.  

“Não faço distinção entre cinema e teatro. O que se pode dizer é que no cinema  a interpretação deve ser mais econômica. O ator tem de pensar na câmera. Já o teatro é para o público. O prazer de estar no palco é insubstituível”, disse a atriz.  

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 Leonardo me flagra tentando fazer a internet funcionar 

 

E por aí foi. Veja agora um pouco mais sobre as idéias de Helena.  

- “As pessoas que trabalhavam em O Bandido tinham consciência, no momento da realização, de que se tratava de um grande filme” 

- “O Rogério (Sganzerla) às vezes era nervoso. Era ágil, fazia o trabalho com amor”

- “O cinema nacional tem um problema: somos copiadores, não há personalidade (para impor uma linguagem própria)”

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Helena, Stênio Garcia e Antonio Pitanga, em A Mulher de Todos

 

“Estou empenhada empenhada em preservar e divulgar  a obra de Rogério Sganzerla, que é muito pouco conhecida no Brasil”“Vamos tentar lançar este Luz nas Trevas – A Revolta de Luz Vermelha, continuação de O Bandido, cujo roteiro foi escrito por Rogério”  

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Rogério Sganzerla, diretor de O Bandido

Por hora, é isso. Para ver mais sobre Sganzerla/Helena, no lado esquerdo da tela, em Assuntos, clique nas categorias Cinema-Sganzerla e Cinema – Bandido .

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 Essa foto com Helena parece ser de a Mulher de Todos ou Copacanaba

Se também quiser ler a reportagem sobre o Bandido, neste site é possível ler o começo da matéria.  

 

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