Mais de “História sexual da MPB“. Eis uma pérola do cancioneiro libidinoso: ‘Tenho’, de Sidney Magal. Abstraindo a estética brega e o festival de clichês – que, à distância, têm seu valor ou, pelo menos, são engraçadíssimos -, a música é ótima. O trecho abaixo é do filme Amante Latino (1979). Olha a letra sacana: ‘Tenho um mundo de sensações/Um mundo de vibrações/Que posso te oferecer’.
Comecei a ler o ‘História sexual da MPB‘ O livro parece muito bom: a pesquisa vai da malícia do lundu até hoje. Nossa música tem machismo, mulheres fatais, libido, romances com açúcar e com afeto e entre tapas e beijos. É um olhar diferente sobre a canção brasileira. Tem também o programa, no Canal Brasil. O vídeo aí discute a libertação feminina. É, cá entre nós, a nossa música é bem sacana, hein?
Compartilho um projeto do qual tenho orgulho de ter dado uma ajudinha: o videoclipe “Nada mais que cinema”, música do meu grande amigo Thiago Pimentel. No vídeo, ele e outro grande chapa, Tuco Oliveira, interpretam essa bela música. A direção do vídeo é do grande brother Daniel Rubio. Fiz a seleção de imagens. Está repleta de filmes com os quais chorei, me emocionei, sorri e que, penso, traduzem o clima da música.
Gosto dessa liberdade que a web estimula: violão, uma boa voz e uma câmera no terraço. E com vigor, emoção, simplicidade. A ótima Amy Macdonald em versão acústica de This is the life.
Easy Rider (Sem Destino) foi lançado em 14 de julho de 1969, num cinema chamado Beekman, em Nova York. A administração do local nunca tinha visto uma cena parecida por aquelas bandas: espectadores cabeludos e rebeldes sentavam-se na calçada, sem sapatos, e fumavam maconha nos banheiros, diz Peter Biskind no livro “Como a geração sexo, drogas e rock and roll salvou Hollywood” (Editora Intrínseca).
“Sem Destino deixou a contracultura estatelada com o choque do reconhecimento”, diz Biskind.
Filme contou com Hopper, Fonda e Nicholson
Road movie que conquistou seu espaço na história do cinema, especialmente como um dos que provocaram a derrocada na Velha Hollywood, na transição das décadas de 1960 e 1970, Easy Rider conta a história de dois caras (Dennis Hooper, também diretor do longa, e Peter Fonda, produtor; Jack Nicholson também atua) que cruzam o sul e o sudoeste dos EUA em suas motocicletas.
Talvez tenha sido o primeiro filme a captar as vísceras da contracultura – basta lembrar que Woodstock foi realizado no mesmo ano. A trilha é fantástica, com Steppenwolf e Jimi Hendrix, por exemplo).
Personalidade difícil de Hooper complicou produção
O filme causou barulho em seu lançamento tanto quanto durante sua própria produção. O período de filmagens foi uma tormenta, uma confusão atrás da outra. Depois de maluquices mil de Hopper – um sujeito difícil de lidar -, a equipe começou a debandar no meio das filmagens. Para piorar, Hopper e Fonda tiveram uma briga feia.
Hopper queria trazer à tona a carga emocional da morte da mãe de Fonda, que havia se suicidado, para uma cena em que o parceiro faria uma série de reclamações para uma estátua de Nossa Senhora. Depois de ingerir várias bolinhas e ficar doidão, Hopper falou para Fonda:
- Eu quero que você vá lá se sente no colo dela, essa é a versão italiana da Estátua da Liberdade, bicho, eu quero que você se sente no colo dela e pergunte à sua mãe porque ela abandonou você.
- Hoppy, você não pode fazer isso. Você está se aproveitando da situação – disse, irado, Peter Fonda.
- Ninguém vai saber, bicho. Tem que fazer isso, bicho.
- Todo mundo vai saber, todo mundo sabe o que aconteceu.
A tensão entre ambos chegou a tal ponto que os olhos de Hopper se encheram de lágrimas. Então Fonda subiu na Estátua e, com esforço, falou:
- Você é uma boba, mãe. Eu te odeio tanto.
“Essa foi a primeira vez que vocalizei alguma coisa desse assunto”, disse Fonda posteriormente. “Na verdade, eu também comecei a sucumbir. Estava aos soluços”.
Fonda atuou e produziu o longa
Easy Rider foi um sucesso: com um custo de U$S 501 mil, rendeu US$ 19,1 milhões e colocou Hooper na lista do grandes da contracultura, ao lado de John Lennon e Timothy Leary, relata Suskind, o que aguçou a megalomania do diretor.
“Sem Destino mostrava os rebeldes, os fora de lei e, por extensão, a contracultura como um todo, como vítimas. Estavam sendo exterminados pelo mundo careta, por Lyndon Jonhson, pela maioria silenciosa de Richard Nixon ou seus imitadores”, escreve Suskind.
A cena abaixo retrata bem o clima do filme – fotografia que explora a paisagem, a liberdade da estrada ao ritmo frenético de Born to be Wild.
Que começo de filme, não?
Leio em “Crônicas-Volume 1″, de Bob Dylan (Ed Planeta), ele relembrando que nasceu na Segunda Guerra, época de transformações profundas. “Se você tivesse nascido por volta dessa época ou estivesse vivo e antenado, poderia sentir o velho mundo acabando e o novo começando”.
E o que dizer de hoje, com as mentes alvoroçadas diante da revolução tecnológica, da contínua conexão de tudo e todos, com efeitos diretos em corações e mentes? Novas maneiras de criar, organizar e expressar ideias? Visões de mundo em 140 caracteres ?
Necessidade de reinventar as formas de participação política, cultural e de fazer relacionamentos? Ou tudo passaria apenas de mais uma jornada insana da humanidade, um delírio de início de milênio? Bom, se eu estiver devaneando demais, esqueça tudo. Apenas veja e ouça o velho Bob.(com Joan Baez, melhor ainda).
Para a ótima dupla franco-americana Pomplamoose, conceito de clipe é: você vê o que você ouve.
Repare como o vídeo é feito: os cortes seguem a lógica do som, o que cada instrumento faz e quem está em destaque – se Nataly Dawn, a vocalista, ou Jack Conte, o instrumentista, ou ambos.
E gosto das versões que eles fazem, como é o caso de Mrs Robinson (Simon and Garfunkel, abaixo), ou Beat it. Sem falar no espírito 2.0 (simples, feito em casa, mas com qualidade). Eles bombam noYouTube.
Adriana Calcanhoto, uma de minhas artistas minhas prediletas há muitos e muitos anos, disse que ficou chapada quando conheceu o poema Traduzir-se, de Ferreira Gullar, poeta que também admiro e leio de tempos em tempos.
E eu digo: ao tomar contato com o texto, fiquei não só chapado, mas completamente absorto, consumido, entregue.
O sentimento foi reforçado porque o conheci a partir da música de Adriana, também de uma beleza arrebatadora.
Isso aconteceu minutos antes de escrever este texto – como, sendo fã e me considerando um bom conhecedor do trabalho de Adriana, nunca tinha ouvido essa versão tão linda?
Embora leia Gullar, não o conheço em profundidade, o que não impede de pensar: como não conhecia um poema magistral como esse?
É isso o que se sente quando a Arte nos toca de modo tão profundo.
O texto – logo abaixo está o vídeo com a música.
“Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.
Uma parte de mim
alomoça e janta:
outra parte
se espanta.
Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.
Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.
Traduzir uma parte
na outra parte
_ que é uma questão
de vida ou morte _
será arte?
Yasgur entrou para a história de Woodstock por um desses acasos do destino, e de forma dramática.
“Seja qual for a versão, não fosse a gentileza do fazendeiro de leite Max Yasgur não teria havido Woodstock”, escreve Fornatale em seu livro.
O que está escrito abaixo foi retirado da obra de Fornatale.
1-Desespero - Quatro semanas antes abertura do festival, a licença para a realização do evento no local original, numa região chamada Wallkill, foi retirada – é necessário lembrar que, naqueles tempos, essa história de sexo, drogas e rock and roll arrepiava os cabelos das boas famílias e autoridades, sejam elas quais fossem.
“Pânico é a palavra para o que sentimos”, afirmou Michael Lang, produtor executivo do festival.
Site de Woodstock Lang e Yasgur
2-O salvador da pátria – Quem livrou os produtores do desastre foi um fazendeiro de leite chamado Max Yasgur, um dos heróis (quase) anônimos de Woodstock. Dono de uma fazenda de 240 hectares na cidade de Bethel que reunia as condições necessárias para abrigar o festival, ele foi descoberto, depois de muita procura, pelos produtores. Resolveu então alugar o espaço, mesmo com as reações nervosas de membros da comunidade local, que queriam a todo o custo impedir os shows.
3- Preço salgado - Ok, Yasgur não era uma alma caridosa disposta a contribuir de graça com a felicidade dos hippies. Ele cobrou uma fortuna para ceder a fazenda. “Em vez de US$ 7,5 mil (proposta inicial dos organizadores), pagamos a ele US$ 75 mil”, disse John Roberts, fundador de Woodstock que financiou o festival, sobre o valor inflacionado que Yasgur cobrou pelo aluguel.
Reprodução web Estima-se em 500 mil pessoas o público de Woodstock
Mas, fechado o negócio, Yasgur segurou a bronca, que foi forte, e deu de ouvidos para as vozes contrárias à realização de Woodstock. “Vocês foram prejudicados – acho uma besteira essa guerra de gerações que está acontecendo. Posso ajudá-los, porém sou um homem de negócios e isso vai ter um custo para vocês”, falou Max Yasgur aos produtores.
Divulgação Eugene Levy interpretou Yasgur
em “Aconteceu em Woodstock” (Ang Lee)
4 – Deixa os garotos se divertirem - Eis o que diz Sam Yasgur, filho de Max, sobre a postura do pai: “… alguns vizinhos tiveram uma postura extremada contra os assim chamados hippies que vieram à parte oriental do condado de Sullivan. E aquilo aborreceu papai.
Lembro de dizerem que não gostavam do pessoal por causa da aparência e meu pai respondia que também não gostava do visual deles, mas que isso não era o mais importante – eles estavam protestando contra a guerra e milhares de soldados haviam morrido para que aqueles jovens pudessem fazer exatamente o que eles estavam fazendo, e essa era a essência da América”.
Reprodução web Max Yasgur em Woodstock
5 – Falando para meio milhão – No festival, aquele que para alguns poderia não passar de um caipira desengonçado, fez um discurso marcante no palco, para meio de milhão de pessoas.
“Eu sou um fazendeiro. Eu não sei – eu não sei como falar para vinte pessoas ao mesmo tempo, o que dizer de uma multidão dessas. Mas acho que vocês, jovens, provaram uma coisa ao mundo. Não apenas à cidade de Bethel ou ao condado de Sullivan. Vocês provaram algo ao mundo.
Este é o maior grupo de pessoas já reunido num lugar. Não tínhamos ideia de que iria haver um grupo desse tamanho e, por causa disso, vocês tiveram alguma inconveniência com água, comida e outras coisas. Os produtores fizeram um esforço monumental para tomar conta de vocês. Eles apreciariam um obrigado.
Mas acima disso, a coisa mais importante é que vocês provaram ao mundo que meio milhão de garotos – eu chamo vocês de garotos porque tenho filhos mais velhos que vocês. Meio milhão de jovens podem ficar juntos e não vai haver nada além de diversão e música. Deus abençoe vocês”.
Veja o trecho do documentário sobre Woodstock, dirigido por Michael Wadleigh, com o discurso de Max Yasgur.
Ponto de Fuga mantém com o maior prazer a tradição deste blog: a cada 8 de janeiro, uma homenagem, por mais simples, aos aniversariantes ilustres cujos sons, personas, ideias, loucuras me fazem a cabeça. Viva Bowie e Elvis!
Ponto de Fuga está de volta. O blogueiro deixou esse recanto de lado por excesso de trabalho nos últimos meses. Uma pouca vergonha, sei. Mas, como diria o Frejat, “agora o rock and roll vai rolar aí e vai direto”.
Ano novo, blog renovado. Comecemos por reativar os posts. Nos próximos dias haverá novidades no visual do PdF. E assim vamos.
É hora de Woodstock
Primeiro post do ano vem em ritmo de sexo, drogas e rock and roll, motivado que estou pela leitura do livro “Woodstock- 40 anos depois, o festival dia a dia, show a show, contado por quem esteve lá”, de Peter Fornatale (Editora Agir).
Falar em Woodstock pode parecer a coisa mais batida, mais surrada, mais bicho grilo que se imagina.
Bom, talvez seja mesmo – ou não. O festival de música mais marcante de todos os tempos sem dúvida já foi muito repisado. Mas, debaixo da cortina de fumaça (juro que não é trocadilho), há ótimas histórias e personagens.
Jornalistas se revoltaram no NYT
Para começar a brincadeira, selecionei uma curiosidade sobre Woodstock que todo amante do rock – e também quem passa longe dos três acordes – vai gostar de saber. Está no livro que citei acima.
Houve uma batalha nos bastidores do The New York Times em relação à cobertura do festival feita pelo jornal.
Assustador para o establishment americano, o que inclui a grande imprensa, o festival foi alvo de um editorial nervoso do jornal. O título diz tudo: “Pesadelo em Catskills”, referindo-se ao evento. “Que tipo de cultura pode provocar uma confusão colossal dessas?”
Os repórteres que cobriam Woodstock pelo Times protestaram contra a direção do jornal. Os jornalistas foram à sala de Arthur Sulzberger, o manda-chuva do Times, e não pestanejaram: “Estamos pedindo demissão”.
Eles diziam que o editorial distorceu o espírito de Woodstock e foi diferente das informações que eles produziam sobre o festival. O Times fez então um segundo editorial, desta vez bem diferente.
“Eles foram (o público), ao que parece, para desfrutar sua própria sociedade, livres para exultar no estilo de vida que é sua própria declaração de independência”, dizia o novo editorial.
Aguardem novas doses de paz e amor enquanto eu ouço “Soul Sacrifice”, com Santana.
Quando avistou John Lennon em frente ao edifício Dakota, no dia 8 de dezembro de 1980, Mark David Chapman chamou baixinho “senhor Lennon” e então disparou cinco tiros contra o músico.
Yoko veio gritando “Atiraram em John”. O porteiro tentou socorrer. Inútil. Ele próprio tirou os óculos de John e cobriu o astro com uma jaqueta.
Chapman não saiu correndo nem se matou. Encostado à parede do Dakota, calmamente lia “O Apanhador no Campo de Centeios”, de J.D. Salinger.
O marinheiro Alf e a cantora diletante Julia fizeram amor no chão da cozinha de casa. Foi em algum dia de janeiro de 1940, em plena guerra. A gravidez, inesperada, foi desalentadora para o casal. “Noventa por cento das pessoas da minha geração nascer…am da garrafa de uísque numa noite de sábado, e não havia nenhuma intenção de se ter um filho”, diria muitos anos depois o fruto dessa relação – um homem chamado John Winston Lennon. Na primeira noite após seu nascimento, um mina terrestre explodiu perto da maternidade, e a mãe o colocou debaixo da cama por medida de segurança.
Essas histórias estão no livro “John Lennon – a vida” (Companhias das Letras), de Philip Norman. Vale a pena enfrentar o catatau de 839 páginas.
Dois exemplos clássicos (seriam os únicos?) de “rooftop concert”.
Há 40 anos, no dia 30 de janeiro de 1969, os Beatles subiam ao terraço do prédio de sua gravadora, a Apple, para aquele que seria o show de despedida da banda.
A histórica apresentação no terraço do prédio da gravadora Apple
Embora as pessoas costumem lembrar dos Beatles quando o assunto é rock no telhado, justiça seja feita: nosso glorioso Robertão realizou a proeza antes dos garotos de Liverpool. Foi em 1968, com o lançamento de “Roberto Carlos em Ritmo de Aventura”. O hit foi a sensacional “Quando”. Com direção de Roberto Farias, que também assina o roteiro ao lado de Paulo Mendes, o longa traz Reginaldo Faria e José Lewgoy no elenco.
Show intimista de Cat Power combinou com a noite chuvosa de São Paulo
Sob luzes azuis e roxas, ela subiu ao palco pouco depois das 22h. Nada de telões e fotos com flashes – colocado sobre um dos amplificadores, um incenso espalhava fumaça por entre os instrumentos. Havia um clima intimista e aconchegante no ar.
Enquanto ajeitava o microfone, a saudação tímida e carinhosa. “Oi”, disse baixinho e em português, com um sorriso. Olhava para baixo, como se fora aquela menina nova do colégio com quem trocávamos as primeiras conversas e nos apaixonávamos em seguida. Foram suas únicas palavras dirigidas ao público durante o show.
Vestia calça escura – seria jeans? -, camisa e uma gravatinha preta, afrouxada. Luvas que deixavam os dedos à mostra. Nada de grandes gestos, mas sim a sutileza dos detalhes.
Embora precário, esse vídeo captado por um expectador durante
o show de ontem serve como registro. A música é Metal Heart
Foi imerso nessa atmosfera de introspecção, cuidadosamente desenhada pela produção, que vi o show de Cat Power em São Paulo. E assim tive a sensação – é a minha viagem, nada mais – de que estava ouvindo Robert Johnson ou Bob Dylan na jukebox de um bar vagabundo ou perambulando por aí numa das tantas madrugadas.
Foi tudo um grande blues, posso dizer. Não necessariamente pelas músicas, porque não é apropriado dizer que o repertório de Cat seja feito pelo som do Mississipi ou o folk, embora sejam essas algumas de suas influências. Mas sim pelo espírito, pelo clima pé na lama, pelos gritos e sussurros capazes de aquecer a alma numa noite de frio.
O que mais poderia dizer depois de ouvir Don´t explain, marcada na voz Billie Holiday, ou Metal Heart, ambas presentes em Jukebox, o álbum mais recente de Cat?
E este vídeo aqui, também da lavra de algum fá, mostra a última música do show, Angelitos Negros, e a despedida calorosa da musa indie
A viagem terminou com uma Cat sorridente, feliz, distribuindo rosas brancas para a plateia, que, entregue, a aplaudiu de pé por vários minutos. Nesses instantes, nossa cantora já não estava apenas no canto do palco. Andando de um lado a outro para cumprimentar as pessoas, Cat Power, pelos menos naquele momento, era a perfeita tradução de uma pessoa feliz.
Charlyn Marie Marshall nasceu em Atlanta (EUA) em 21 de janeiro de 1972. No início da década de 1990, foi morar em Nova York, onde fez seu primeiro show – em um pub no Brooklin – e adotou o nome de Cat Power. Seu primeiro disco (Dear Sir) foi lançado em 1995. Assim começou uma carreira virtuosa que coleciona oito álbuns, dos quais Jukebox, de 2008, é o mais recente.
Clipe de Maybe Not
Este disco e The Greatest (2006) devem compor boa parte do repertório de Cat Power no show deste sábado, no Via Funchal, aqui em São Paulo. Show que aguardo com muita ansiedade. Cat Power é uma companhia inseparável para mim nos últimos três ou quatro anos, ao lado de Leslie Feist e Regina Spector. Companhia para momentos alegres, outros nem tanto ou para instantes em que desejo simplesmente parar e ouvir boa música.
Cat Power tocando Crying, Waiting, Hoping
Paradoxalmente, trata-se de uma mulher extramente tímida e exibicionista, segundo a jornalista Elizabeth Goodman, que escreveu A Good Woman, biografia não autorizada de Power – o título se refere à canção homônima de Cat, lançada no disco You Are Free (2003) . Cat não queria que seu passado de dependência do álcool fosse revirado.
No campo musical, John Coltrane, Billie Holiday e Robert Johnson estão entre as principais referências de Cat, que, eclética, transita entre o indie, rock, blues, jazz.
A música de Cat Power é simples e refinada. Emociona já nos primeiros acordes.
Lived in Bars, uma das mais belas da cantora americana
Feliz coincidência. Alguns post atrás falei do Fellini (basta rolar a tela para baixo um pouco para ler), grupo paulistano de rock dos anos 1980. E eis que agora fico sabendo pela Adelle que eles farão show do Studio SP, dia 22 de julho, às 22h.
Este é um post-homenagem: 13 de julho, Dia Mundial do Rock and Roll. Ok, ok, é só uma data.
Mas é um motivo a mais para que os três acordes invadam nossos ouvidos e, assim, tenhamos uma ótima semana.
Roubei o título do post do Frejat, que disse essa frase no histórico bolachão “Barão ao Vivo”. Entrou para o folclore do rock brazuca. Por mais simples que seja, diz muito sobre o espírito roqueiro.
Bom, agora dancemos com os demônios dos Stones: Sympathy For The Devil.