5 curiosidades sobre o homem que salvou Woodstock

Reprodução web

Max Yasgur, o fazendeiro que alugou a fazenda para
a realização do festival

Alguns posts atrás, ao comentar sobre a leitura do livro “Woodstock – quarenta anos depois, o festival dia a dia, show a show, contado por quem esteve lá” (Peter Fornatale, editora Agir), disse que voltaria ao tema. E aqui está. O personagem agora é Max Yasgur, um pacato fazendeiro de 49 anos que alugou a fazenda que abrigou o festival.

Yasgur entrou para a história de Woodstock por um desses acasos do destino, e de forma dramática.

“Seja qual for a versão, não fosse a gentileza do fazendeiro de leite Max Yasgur não teria havido Woodstock”, escreve Fornatale em seu livro.

O que está escrito abaixo foi retirado da obra de Fornatale.

1-Desespero - Quatro semanas antes abertura do festival, a licença para a realização do evento no local original, numa região chamada Wallkill, foi retirada – é necessário lembrar que, naqueles tempos, essa história de sexo, drogas e rock and roll arrepiava os cabelos das boas famílias e autoridades, sejam elas quais fossem.

“Pânico é a palavra para o que sentimos”, afirmou Michael Lang, produtor executivo do festival.

Site de Woodstock

Lang e Yasgur

2-O salvador da pátria – Quem livrou os produtores do desastre foi um fazendeiro de leite chamado Max Yasgur, um dos heróis (quase) anônimos de Woodstock. Dono de uma fazenda de 240 hectares na cidade de Bethel que reunia as condições necessárias para abrigar o festival, ele foi descoberto, depois de muita procura, pelos produtores. Resolveu então alugar o espaço, mesmo com as reações nervosas de membros da comunidade local, que queriam a todo o custo impedir os shows.

3- Preço salgado - Ok, Yasgur não era uma alma caridosa disposta a contribuir de graça com a felicidade dos hippies. Ele cobrou uma fortuna para ceder a fazenda. “Em vez de US$ 7,5 mil (proposta inicial dos organizadores), pagamos a ele US$ 75 mil”, disse John Roberts, fundador de Woodstock que financiou o festival, sobre o valor inflacionado que Yasgur cobrou pelo aluguel.

Reprodução web

Estima-se em 500 mil pessoas o público de Woodstock

Mas, fechado o negócio, Yasgur segurou a bronca, que foi forte, e deu de ouvidos para as vozes contrárias à realização de Woodstock. “Vocês foram prejudicados – acho uma besteira essa guerra de gerações que está acontecendo. Posso ajudá-los, porém sou um homem de negócios e isso vai ter um custo para vocês”, falou Max Yasgur aos produtores.

Divulgação

Eugene Levy interpretou Yasgur
em “Aconteceu em Woodstock” (Ang Lee)

4 – Deixa os garotos se divertirem - Eis o que diz Sam Yasgur, filho de Max, sobre a postura do pai: “… alguns vizinhos tiveram uma postura extremada contra os assim chamados hippies que vieram à parte oriental do condado de Sullivan. E aquilo aborreceu papai.

Lembro de dizerem que não gostavam do pessoal por causa da aparência e meu pai respondia que também não gostava do visual deles, mas que isso não era o mais importante – eles estavam protestando contra a guerra e milhares de soldados haviam morrido para que aqueles jovens pudessem fazer exatamente o que eles estavam fazendo, e essa era a essência da América”.

Reprodução web

Max Yasgur em Woodstock

5 – Falando para meio milhão – No festival, aquele que para alguns poderia não passar de um caipira desengonçado, fez um discurso marcante no palco, para meio de milhão de pessoas.

Eu sou um fazendeiro. Eu não sei – eu não sei como falar para vinte pessoas ao mesmo tempo, o que dizer de uma multidão dessas. Mas acho que vocês, jovens, provaram uma coisa ao mundo. Não apenas à cidade de Bethel ou ao condado de Sullivan. Vocês provaram algo ao mundo.

Este é o maior grupo de pessoas já reunido num lugar. Não tínhamos ideia de que iria haver um grupo desse tamanho e, por causa disso, vocês tiveram alguma inconveniência com água, comida e outras coisas. Os produtores fizeram um esforço monumental para tomar conta de vocês. Eles apreciariam um obrigado.

Mas acima disso, a coisa mais importante é que vocês provaram ao mundo que meio milhão de garotos – eu chamo vocês de garotos porque tenho filhos mais velhos que vocês. Meio milhão de jovens podem ficar juntos e não vai haver nada além de diversão e música. Deus abençoe vocês”.

Veja o trecho do documentário sobre Woodstock, dirigido por Michael Wadleigh, com o discurso de Max Yasgur.

“Minha denúncia é a minha alegria”

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Vídeo com o poeta Miró da Muribeca agora está no YouTube e no Ponto de Fuga

Agora, sim: o vídeo Miró da Muribeca em São Paulo, que eu e Daniel A. Rubio fizemos (veja detalhes no post anterior ), está no YouTube. Para facilitar, replico-o neste post. Para que o YouTube comportasse o material, tivemos de dividi-lo em dois: Parte 1 e Parte 2. Sugiro assisti-los na seqüência.

Eis algumas frases de Miró frases extraídas do curta:

Sou poeta pernambucano, tenho 48 anos, oito livros publicados e nasci no bairro da Encruzilhada. Aí já começou a tragédia: nascer na Encruzilhada”

A poesia me deu a oportunidade de conhecer o País”

“Quando estava na oitava série, uma professora pediu para fazer uma redação. Então disse: ‘Chove um sol lá fora’. Ela falou: ‘Meu filho, como pode chover um sol lá fora?’. E respondi: ‘A senhora já ouviu falar em metáfora?’”

“Tenho um poema que diz: “Jesus não vem: prepara-te”. Porque todo mundo diz ‘Jesus vem’. E se não vier?

“Minha denúncia é a minha alegria”

“Sou ‘Alegrista’, gosto de pessoas simpáticas, que riem. A maior frase do Alegrismo é da minha mãe. Ela diz sempre: “Meu filho, fuja de gente que não ri. Gente que não ri é perigosa”.

PARTE 1

PARTE 2

Palavras de Sabato

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Cartier Bresson

Do livro A Resistência, de Ernesto Sabato, companheiro a quem recorro nas horas cruciais.

“Negar a morte, não visitar os cemitérios, não vestir o luto, tudo isso parecia uma afirmação da vida, e de fato o foi em certa medida. Mas, paradoxalmente, acabou se transformando numa armadilha, mais uma das muitas que a sociedade moderna fabricou para que o homem não sinta as situações-limite, aquelas em que nosso mundo desaba, as únicas capazes de nos despertar desta inércia que nos move.

Dizia Donne que ninguém dorme no carro que o leva da masmorra ao patíbulo, mas que todos dormimos no percurso do berço à sepultura; ou não estamos inteiramente acordados”

A aventura trágica do Endurance e os olhos do repórter

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Fotos do navio preso na geleira feitas por Frank Hurley

Em 1914, o navio Endurance partia rumo à Antártida em busca daquela que seria uma das últimas grandes conquistas possíveis aos exploradores de nosso tempo: a travessia a pé do continente antártico. Alcançar o feito era quase uma obsessão para Sir Ernest Shackleton, notável explorador irlandês do início do século XX.

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Endurance à noite, condenado pela geleira

Não vou me alongar aqui na descrição da epopeia – apenas direi que a expedição entrou para a história como uma das mais dramáticas, heróicas e improváveis aventuras humanas de que se tem notícia. Delicio-me com os detalhes da história ao ler Endurance – A Lendária Expedição de Shackleton à Antártica (Companhia das Letras), de Caroline Alexander. Dica de meu amigo Jaime Soares.

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Shackleton, o explorador que queria a Antártida

Em poucas palavras: em meio a uma temperatura que podia chegar a 75º negativos e rajadas de vento de até quase 300 quilômetros por hora, o Endurance ficou aprisionado entre um vasto banco de gelo espalhado no mar e o continente antártico. Meses depois acabou afundando, quebrado pela pressão do gelo.

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Navio ficou preso meses entre blocos de gelo

Sem navio, 28 homens empurraram três barcos salva-vidas e depois esperaram meses até o gelo se despedaçar e, assim, poderem seguir pelo mar até uma ilha. Há muito, muito mais a contar, mas ficarei por aqui encerrando com uma última observação.

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Frank Hurley, o responsável pelas fotos históricas

Graças a um fotógrafo chamado Frank Hurley, que acompanhou a expedição, hoje temos à disposição um documento valioso sobre o caso. Para preservar as fotos, Hurley foi capaz de mergulhar nas águas geladas que inundavam o interior do Endurance para salvar as latas lacradas onde estavam os negativos.

Hurley tinha veia, jugular, olhos e coração do repórter. Conto mais nos próximos posts.

Grandes amigos

O poeta Miró da Muribeca, durante uma performance entre goles de cervejas e boas risadas

Miró é um desses cabras porretas que encontramos pela vida. Sujeito bacana, agradável e muito, muito talentoso. Camarada que fica feliz em viver a vida ao lado dos amigos. E da poesia.

Poeta recifense com uma íntima relação com Sampa, Miro é um cronista das cidades, um repórter da poesia. Seus versos brotam das esquinas, dos bares, dos becos, das veias esburacadas vestidas de asfalto.

Miró é um velho-novo amigo que me foi apresentado por outro amigo do peito, o Dom Pixote Edson Lima, do Autor na Praça (da Benedito Calixto, em Pinheiros).

Edson Lima, uma grande figura

>Produtor cultural dos bons, Edson é um apaixonado por literatura. É daqueles que nadam contra a corrente não por achar bonito ser do contra, mas por insistir em seguir o coração, no que ele faz muito bem.

Edson é um devoto da cultura. Uma formiga cujo trabalho – por vezes sutil, que poucos vêem – produz frutos poderosos. Frutos para a cultura, por fomentar atividades vitais que se alastram subversivamente nos corações; para os amigos, por ser sincero e leal.
Mais que isso, Edson é um apaixonado por pessoas. Sua especialidade é conectar uns aos outros. Fazer com que gente interessante se conheça, tornando a vida uma jornada mais saborosa.


Poeta Miró – Ataque Cardíaco from Pedro Bayeux on Vimeo.

E assim conheci, de fato, Miró, com quem tomei contato rápido pela primeira vez há um ano, durante uma tarde sábado em que Edson o levou para um almoço organizado por outro amigo, o Cordeiro.

Um ano depois, Edson me “escala” – é isso mesmo, escalou – para um almoço com Miró. “Ele vai estar aí, vocês vão bater um papo muito legal”. Dito e feito.

Na Benedito, depois de algumas cervejas e bolinhos de bacalhau na barraca da Vera, esposa do Edson (outra pessoa iluminada), segui com Miró para o Museu da Língua Portuguesa, onde ele participaria de um encontro de poesia.

Mais tarde, foi a vez de Miro me apresentar outras grandes figuras – Ricardo, Mile e Silvana. Resumo da ópera: às 4 da manhã, sanduíche no Bar do Estadão, no centro, e a certeza de ter feito novos grandes amigos.

Feliz Natal!


Poeta Miró – São Paulo from Pedro Bayeux on Vimeo.

O que fazemos de nossos dias?

Mudei-me recentemente e, por isso, caixas e mais caixas tomam conta do meu apartamento. Elas já deveriam ter sido desfeitas, mas continuam lá. Um dos resultados disso é que não acho meus CDs direito. Mas eis que, revirando uma das caixas, deparo com um CD de poesias de Fernando Pessoa recitado por Paulo Autran.

Um de meus prediletos. Tenho-o há muitos anos. Ele é meu companheiro de muitas jornadas. Passagens tristes, felizes, de descobertas e angústias – um amigo com quem há algum tempo não conversava. Peguei-o, e assim voltei em minha vida. Retornei uns dez anos, e de lá fui votando em direção ao presente.

Relembrei quando morava com meus queridos pais e dormia ao som desse e de outros CDs de poesias. Uma doce nostalgia do futuro tomou conta de mim.

Ouvi novamente um dos poemas mais belos que conheço e que me faz recuperar novamente a suavidade que, desapercebidamente, pode escapar pelos dedos na correria dos dias ( lembro-me sempre de Pessoa na voz do grande ator; perdi a conta das noites em que, regado a vinho, me entreguei à audição e dormi escutando Pessoa ou Drummond).

O poema é “Vem sentar-te comigo, Lídia”, de Ricardo Reis. Houve uma época em que eu o recitava de cor e salteado.

“Vem sentar-te comigo Lídia, à beira do rio/ Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos/ Que a vida passa – e não estamos de mãos enlaçadas/ (enlacemos as mãos)”

A vida passa, ele diz, a vida passa…O que fazemos de nossos dias?

O Túnel, de Ernesto Sabato

Sabato lançou O Túnel em 1948

Estou lendo O Túnel, do argentino Ernesto Sabato (Companhia das Letras). Ótimo livro. Narrado em primeira pessoa pelo protagonista Juan Pablo Castel, a obra é o relato de um pintor que matou uma mulher pela qual ficou obcecado. A partir daí, decompõe um crime, ou melhor, as motivações de um crime. Dessa maneira, Sabato nos convida à investigação de uma alma perturbada, entregue à obsessão, em completo estado de reclusão e incomunicabilidade.

Em seu relato, o personagem analisa a razão de ter ficado obcecado (não vejo outra palavra para descrever, por isso a repetição) pela mulher – a única pessoa – que realmente observou aquilo que ele, o autor, considerava o ponto-chave de A Maternidade, uma de suas grandes telas: uma cena, no alto e à esquerda da tela, sobre uma praia solitária com uma mulher fitando o mar. “A cena sugeria, na minha opinião, uma solidão ansiosa e absoluta”, diz Castel.

Sabato diz, nas páginas de apresentação, que sua intenção inicial com o livro era escrever um conto sobre um pintor que enlouquecia ao não conseguir se comunicar com ninguém, nem mesmo com a mulher. Um indivíduo em estado de isolamento metafísico, ou existencial, se assim o quisermos. Mas eis que a obra ganhou vida própria, e vejam então que coisa interessantíssima diz Sabato:

“Ao acompanhar o personagem, porém, constatei que ele se distanciava consideravelmente desse tema metafísico para ‘descer’ a problemas quase triviais do sexo, ciúmes e crimes (…) Mais tarde compreendi a origem do fenômeno. É que os seres de carne e osso não podem jamais representar as angústias metafísicas sob o estado de idéias puras: fazem-no sempre encarnando essas idéias, obscurecendo-as com sentimentos e paixões. Os seres carnais são essencialmente misteriosos e se movem em impulsos imprevisíveis, mesmo para o próprio escritor que serve de intermediário entre esse estranho mundo da ficção, irreal mas verdadeiro, e o leitor, que acompanha seus dramas”.

Que tal?

Voltarei ao assunto.

O que a veia bailarina tem a nos ensinar

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Foto Martin Munkacsi

Certas passagens da vida nos levam a um questionamento vital: o que fazemos de nossos dias? O que motiva nossas atitudes? Qual o papel do trabalho, da família, dos amores, dos amigos? Para onde conduzimos nossa vida? Ou não conduzimos e somos barco à deriva, ao sabor dos ventos?

Na maioria das vezes, são as circunstâncias adversas que disparam esse olhar interior. À parte o sofrimento do primeiro instante, é  por meio desse movimento – o de olhar para si, investigar-se em meio ao turbilhão e se perguntar o que queremos para nossa vida – que podemos recobrar o valor daquilo que realmente importa e faz sentido. Assim os dias podem ser mais coloridos e saborosos. 

 

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Foto da web

Uma das coisas mais tocantes que li a esse respeito foi escrita por Ignácio de Loyola Brandão em A Veia Balarina (Global Editora), livro de 1997. Li-o há uns quatro, cinco anos, mas não me esqueço. No livro, o grande escritor narra como foi descobrir que uma artéria em seu cérebro poderia explodir a qualquer momento: ele tinha um aneurisma cerebral. A veia bailarina do título bela metáfora para aquela pequenina veia que se esquiva da agulhada, tem vontade própria a  e diz “comigo não” Trata-se de um livro sobre a dor, o medo, as perdas acumuladas ao longo da vida, mas também sobre o recomeço, a redescoberta da existência

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Cartier-Bresson

Vejam o seguinte trecho:

“De um episódio em que convivi com a possibilidade da morte, tirei uma lição das mais elementares. Descobri o essencial: a minha vida é esta, deste jeito. Vou vivê-la assim, com o que tem de bom e ruim, com alegrias e inquietações, sofrimento e felicidade, encargos, chatices, encontros e desencontros.

Ser contemplativo, sem perder a agressividade que me estimula a produzir, criar, andar em busca do sonho. Tentar não me deixar envolver pela mecanicidade, olhar para os outros, medir a intensidade do problema deles e a dos meus.

Viver a vida minha maneira e não ficar preocupado em mostrar apenas meu lado bom, a minha face fotogênica, porque isso acaba gerando uma tensão constante, uma preocupação em não me deixar apanhar desprevenido.

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Cartier-Bresson

Não ter medo de me mostrar frágil. Fazer o que posso e tenho capacidade para fazer, não tentar corresponder a imagens ou realizações que esperam de mim. Devo saber o que esperar de mim, conhecer meus limites e minhas possibilidades.”Para encerrar: Loyola Brandão superou o problema de saúde e  continua a nos presentear com belas crônicas e romances.

 

O cheiro da alma

Busquei na prateleira um livro que me acompanha desde 2001 e ao qual recorro de tempos em tempos. De Pierre Lévy ( ele mesmo, o filósofo da cibercultura), O Fogo Liberador (Iluminuras). Ótimo. Uma espécie de coleção de memórias filosóficas, aforismos existenciais, reflexões. “Um diário de bordo de um início de viagem, da descoberta do viajante. No meu caso, a viagem certamente não terminou”, diz Lévy no prefácio.

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Tamanha a identificação com o que sinto atualmente, essas palavras poderiam ser minhas.                      

Vejam esse trecho escrito por Lévy:

“Que atmosfera reina no seu íntimo? O ódio? A agressividade? O ressentimento? A falta? A voracidade? A cobiça? O medo? A culpa? A autocrítica? A auto-satisfação? A hipocrisia? O recalque? A serenidade de fachada? Ou antes a honestidade, o amor, a abertura ao instante? Observe sem tréguas. Sinta o cheiro de sua alma. 

Rapidinhas sobre a leitura

1. De Paul Valéry, citado por W.H Auden no livro A Mão do Artista:

“Só se lê aquilo que é lido com algum propósito pessoal. Pode ser até com a intenção de adquirir poder. Pode ser até mesmo com ódio ao autor”.

2. Mais sobre a leitura, agora do próprio Auden:

“Ler é traduzir, pois a experiência de cada pessoa com o texto é exclusiva. Um mau leitor é como um mau tradutor: interpreta literalmente quando deveria parafrasear, e adota a paráfrase quando deveria interpretar literalmente. Para aprendermos a ler de uma forma mais crítica, a erudição, embora bastante útil, é menos importante que o instinto; há grandes eruditos que, como tradutores, mostram-se fracos”.

3. Eis que essas pílulas sobre o ato de ler me fizeram buscar na prateleira A Aventura do Livro – do leitor ao navegador, de Roger Chartier:

“A leitura é sempre apropriação, invenção, produção de significados. Segundo a bela imagem de Michel Certeau, o leitor é um caçador que percorre terras alheias. Apreendido pela leitura, o texto não tem de modo algum – ou ao menos totalmente – o sentido que lhe atribui seu autor, seu editor ou seus comentadores. Toda história da leitura supõe,em seu princípio, esta liberdade do leitor que desloca e subverte aquilo que o livro pretende lhe impor”

4. A minha visão sobre a leitura

Ler é se aventurar numa escuridão de delícias; é atravessar o abismo sem o risco da queda. É ver-se refletido nos outros que há em nós e vice-versa; é desdobrar-se em um, nenhum e cem mil. É conhecer a si mesmo olhando de dentro do inferno.

Bukowski na rede


Por um desses acasos da internet, encontrei um hot site sobre Charles Bukowski preparado pela Editora Conrad. Criado à época da divulgação do livro Charles Bukowski: vida e loucuras de um Velho Safado, biografia escrita por Howard Sounes, o espaço tem um resumo da vida do escritor, curiosidades, resenhas e uma série de links a respeito do autor.


Foi o que bastou para atiçar em mim novamente a vontade de mergulhar no universo vagabundo, boêmio e tresloucado de Bukowski.

Uma leitura de A Peste, de Albert Camus


Albert Camus

Escrevi este ensaio por ocasião do curso de pós-graduação em literatura de que participei. É um pouco longo. Mas, quem se interessar por literatura e tiver um tempinho, está aí. A Peste é um livro apaixonante.

A morte e o elogio da vida

Clayton Melo

O romance A Peste, de Albert Camus, foi interpretado por vários críticos como uma alegoria ao nazismo e, por extensão, a todo regime totalitário. O próprio autor admitia que o conteúdo evidente era a resistência européia a Hitler (1). Não bastasse ter sido preparado durante a Segunda Guerra Mundial e publicado em 1947, pela Gallimard, o livro contém alusões à Ocupação ou a ditaduras, como a decretação do estado de sítio na região onde se passa a história ou o fato – provocado justamente pela medida de exceção – de um dos personagens, o jornalista Raymond Rambert, ser proibido de sair da cidade, um símbolo do cerceamento da liberdade de imprensa.

Se o romance pode ler lido pela ótica da resistência política, também é verdade que abre espaço para uma interpretação de cunho filosófico-existencial. A Peste permite a reflexão, por exemplo, sobre como a iminência da morte relembra ao homem sua finitude e o faz agarrar com todas as forças a vida, que teme perder a qualquer momento. A dor, o medo e a solidão gerados pela doença podem resgatar sentimentos até então anestesiados pelo cotidiano, como solidariedade, amor e compaixão. Em outros termos, A Peste mostra que a perspectiva da morte modifica a postura do homem perante o mundo e a si próprio, redefinindo valores e crenças e gerando perdas e ganhos, como o resgate da essência das relações humanas. Além de trazer conceitos que permeiam toda a obra de Camus, o romance se relaciona com as teorias de Heidegger, como a angústia. A aproximação com o autor de Ser e Tempo se estende também à concepção de morte, tema recorrente à filosofia heideggeriana.

A Peste se passa em Oran, pequena cidade da Argélia cuja vida é monótona. Os habitantes vivem para o trabalho e para o acúmulo de riquezas. Seguem meticulosamente a rotina, inclusive nas questões do coração, com casais que vivem juntos por força do hábito. Não há espaço para devaneios amorosos. “Em Oran, como no resto do mundo, por falta de tempo ou reflexão, somos obrigados a amar sem saber” (2)
Subitamente, a normalidade cai por terra quando ratos agonizam por toda a cidade. Logo depois, a morte alcança também os moradores. No início, há um estranhamento com o fenômeno cuja causa ou explicação é desconhecida. Mas com o avanço da doença, o que era uma simples preocupação torna-se motivo de horror generalizado. Ninguém está livre desse inimigo cuja identidade só é reconhecida depois muitos cadáveres: peste bubônica.


Trata-se de um romance que coloca o homem frente à situação-limite que mais o assusta: a morte, não como resultado do ciclo da existência, o que é natural, mas trágica, dolorosa, com sofrimento. E mais: gratuita, um capricho cruel que surge repentinamente, impondo um fim gradual e pavoroso. Dada sua onipresença e força simbólica, a morte é uma personagem nesse livro da separação e da esperança.

Romance e filosofia

Um dos caminhos para melhor entender o ficcionista Camus é analisar o pensamento filosófico do escritor franco-argelino, relacionando as idéias do texto estudado ao restante de sua obra. O ponto de partida dessa investigação é saber que Camus se servia da ficção como meio para expressar reflexões, que exercitou sob a verve do ensaísta – seus dois maiores testamentos filosóficos são O Mito de Sísifo e O Homem revoltado. “Um romance nunca passa de uma filosofia posta em imagens. Em um bom romance, toda a filosofia passa pelas imagens.” (3)
Duas idéias centrais norteiam a obra de Camus, o absurdo e a revolta. Para ele, o absurdo surge pelo fato de o homem procurar no mundo ordem e racionalidade, mas encontrar somente o irracional e a desordem. Em outras palavras, o

absurdo consiste na incompatibilidade entre um anseio humano de explicação para o mundo e o mistério essencial desse mundo inexplicável, entre a consciência da morte e o desejo de uma impossível eternidade, entre o sonho de felicidade e a existência do sofrimento, entre o amor e a separação dos amantes. (4)

Em Camus, a morte surge como um dos pólos do absurdo, como observa Jean Paul Sartre na introdução de O Estrangeiro, de Camus:

O absurdo fundamental manifesta antes de tudo um divórcio: o divórcio entre as aspirações do homem à unidade e o dualismo intransponível do espírito e da natureza, entre o impulso do homem em direção ao eterno e o caráter finito de sua existência, entre a “preocupação” que é a sua própria essência e inutilidade de seus esforços. (5)

Sartre
Não é outra coisa o que ocorre em A Peste. Os infortúnios de Oran lançam os personagens numa roleta da russa. As ações preventivas parecem não frear a doença e, assim, preservar a vida. Além disso, há um descompasso entre a busca da felicidade e o sofrimento real, o desejo de amar e a solidão da doença, o sopro de vida e o odor sufocante dos cadáveres.

No outro grande romance de Camus, O Estrangeiro, o absurdo da existência é a mola-mestra que conduz a história de Meursault. Indiferente à ordem do mundo, ele mata, sem justificativa, dois árabes numa praia. Condenado, declara apenas que cometeu os assassinatos “por causa do sol”. Não tenta provar inocência, pois se defender representaria aceitar as regras de um jogo que recusa. É um estrangeiro entre os próprios homens, “um desses terríveis inocentes que constituem o escândalo de uma sociedade porque não aceitam as regras do jogo.”(6)

Se em O Estrangeiro Camus concentra o absurdo no indivíduo, em A Peste ele transpõe as lentes para o absurdo coletivo. Mas em ambos os casos manifestam-se as marcas do absurdo, como a gratuidade – da vida, da morte, dos acontecimentos – e a irracionalidade do mundo.

O homem do absurdo não se suicidará. Pôr fim à própria vida eliminaria o divórcio com o mundo, mas não resolveria o absurdo, pois este é uma condição – e aqui entramos no outro grande tema de Camus, a revolta. A Peste é o exemplo da revolta metafísica de que fala O Homem revoltado, livro que sistematiza o pensamento político do autor. A revolta metafísica é definida por Camus como o movimento pelo qual um homem se insurge contra a sua condição e contra toda a criação; é a cumplicidade no absurdo. “O mal que apenas um homem sentia torna-se uma peste coletiva” (7). Manifesta-se assim a contradição entre desejo de durar e o destino de morte do homem, como aponta Manuel da Costa Pinto:

Assimilando a revolta ao absurdo, Camus afasta-se de saída de qualquer solução para o impasse. Pois, assim como o homem absurdo rola sua pedra pela encosta da montanha, o revoltado retira de seu próprio sentimento as condições de vivê-lo sem trair essa existência que tragicamente deverá aceitar.(8)

Para Camus, o sentimento de revolta estreita os laços de fraternidade:

A solidariedade dos homens se fundamenta no movimento de revolta e esta, por sua vez, só encontra justificação nessa cumplicidade. (…) Para existir, o homem deve revoltar-se, mas sua revolta deve respeitar o limite que ela descobre em si própria e no qual os homens, ao se unirem, começam a existir. (9)

Alguns personagens d’A Peste ilustram a comunhão na revolta. A começar pelo protagonista, o médico Bernard Rieux, narrador da história. É um homem preocupado com o próximo. Não mede esforços para conter a doença, mesmo sabendo das limitações de uma luta inglória. Privilegia o bem comum e a coletividade, a ponto de suportar calado o drama pessoal de se manter à distância da esposa, que, enferma – não pela peste –, é tratada em outra cidade.

À volta de Rieux forma-se um pequeno grupo de colaboradores, como Rambert, Tarrou e Grand, homens unidos pele peste e que aprenderam a compartilhar angústias, desejos e temores. É em torno de personagens como esses que o médico conduz sua crônica, como ele mesmo define o relato.

Relato que não esconde os momentos de dúvidas e fraquezas do protagonista, mas também demonstra a lucidez de Rieux ao observar a desordem do mundo. Ele sabe que estão que todos mergulhados no absurdo coletivo e que é preciso aceitar a condição do absurdo, para então suportá-lo. Mas aceitar não significa jogar a toalha, pois devemos viver intensamente a vida que nos é reservada. “O homem revoltado é aquele que enfrenta seu próprio absurdo”. (10)

Muitos moralistas novos de nossa cidade diziam então que nada servia para nada e que era preciso cair de joelhos. E Tarrou, Rieux e os amigos podiam responder isto ou aquilo, mas a conclusão era sempre o que eles sabiam: era preciso lutar, desta ou daquela maneira e não cair de joelhos. Toda a questão residia em impedir o maior número possível de homens de morrerem e de conhecerem a separação definitiva. Para isso, havia um único meio – combater a peste. Esta verdade não era admirável, era apenas conseqüente. (11)

Nessa luta não há heróis. Mais importante que atos de bravura está a felicidade, que deve ser buscada a todo custo. Para realçar literariamente essa posição, Camus serve-se de um anti-herói, o já citado Grand, um modesto funcionário municipal que se satisfazia em ser útil nas batalhas miúdas do dia-a-dia.

Sim, se é verdade que os homens insistem em propor-se exemplos e modelos a que chamam heróis, e se é absolutamente necessário que haja um nessa história, o narrador propõe este herói insignificante e apagado (Grand) que só tinha um pouco de bondade no coração e um dilema aparentemente ridículo. Isso dará à verdade o que é devido, à adição de dois e dois o seu total de quatro, e ao heroísmo o lugar secundário que lhe cabe, logo depois, e nunca antes, da exigência generosa da felicidade. Isto dará

também a esta crônica seu caráter, que deve ser o de uma relação feita com bons sentimentos, isto é, sentimentos que nem são ostensivamente maus nem exaltadores do espetáculo. (12)

Personagem onipresente

A exaltação da felicidade dá a chave para se compreender o peso simbólico da morte em A Peste. Insuperável e em diferentes formas, como a velhice ou a doença, a morte impede a felicidade integral do ser humano. Não é só em A Peste que Camus aborda a questão. O medo de morrer é expresso em outros livros, como L’Envers et I’Endroit, coletânea de cinco textos que discorrem sobre velhice, religião e morte.

Alguns fatores explicam a correlação entre felicidade e morte em Camus. Em primeiro lugar, o fato de o escritor se situar no contexto da literatura existencialista da metade inicial do século passado. Esta vertente se dedicou a “descrever situações humanas em que mais se notam os traços da problematicidade radical do homem, sublinhando assim suas vicissitudes menos respeitáveis e mais tristes, pecaminosas ou dolorosas, e também a incerteza da ação humana” (13). Uma forte característica dessa linhagem é o ateísmo. E onde não há Deus, tudo se resume aos bens do mundo.

Isso explica a redescoberta da vida em A Peste e as transformações na forma como os habitantes de Oran se relacionam, fortalecendo os laços entre casais esquecidos do amor e entre aqueles que provaram na carne a dor da separação.

Na filosofia moderna, há reflexões sobre o impacto que o reconhecimento da morte provoca no ser humano. Isso aparece, por exemplo, na chamada filosofia da vida, particularmente com Dilthey. Para o pensador,

a relação que caracteriza de modo mais profundo e geral o sentido de nosso ser é a relação entre vida e morte porque a limitação de nossa existência pela morte é decisiva para a compreensão e avaliação da vida. (14)

Essa nova postura mediante a ameaça da morte também se relaciona com as teorias heideggerianas. Existencialista, o filósofo alemão considerou a morte como uma possibilidade existencial, como o fim do Dasen (“ser aí”), ou seja, do Ser no mundo, e não como término da existência como Ser. O Dasein está sujeito ao tempo (Zeit). A morte então é o fim do Ser no tempo. Dessa maneira, o homem como Ser no tempo é aniquilado com a morte, mas na condição de Ser em Si-Mesmo permanece Ser (Sein). Como aponta Abbagnano, ao comentar a posição de Heidegger, a morte

é a possibilidade absolutamente própria porque diz respeito ao próprio ser do homem(…) É apenas no reconhecer a possibilidade da morte, no assumila(sic) como decisão antecipadora que o homem encontra seu ser autêntico. (15)

Ao se entender a morte como possibilidade, a compreensão de seu significado advém de sua antecipação emocional, a angústia. Segundo Heidegger, a “angústia é a situação emotiva capaz de manter aberta a contínua e radical ameaça que sai do ser mais íntimo e isolado do homem.”(16)

Heidegger
Todas essas relações com Camus são factíveis. Em A Peste, no entanto, convive simultaneamente uma outra simbologia. Deixando de lado a análise existencial a respeito da morte concreta, o romance sugere também a visão da morte o término de um ciclo que permite o nascimento de outro. Perto do desfecho do livro, Camus faz referências ao anseio de recomeço que acalentava os moradores da cidade com o fim da peste. Uma passagem bem elucidativa dessa idéia – e também da valorização das relações humanas em meio ao terror – é o momento em que Rieux e Tarrou, já com a epidemia controlada, vão ao cais tomar um banho de mar em “prol da amizade” (17). A imagem do mar reforça a idéia de purificação depois da tempestade.

Quando viram de longe a sentinela da peste, Rieux sabia que Tarrou dizia para si próprio, como ele, que a doença acabava de esquecê-los, que isso era bom, e que agora era preciso recomeçar (18)

Fazia-se mesmo necessário um novo começo, mas certamente não seria o último, porque o “bacilo da peste não morre” (19). Adormece, e então renasce. Não morre porque é o símbolo do absurdo, essa sensação de mal-estar que acompanha o homem ao longo da existência.
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Notas bibliográficas

1. Albert Camus, “Carta de Albert Camus a Roland Barthes”, em www.cadernosdecamus.blogspot.com
2. Albert Camus, A Peste, p.8.
3. Albert Camus, “A Náusea, de Jean Paul Sartre”, em A Inteligência e o cadafalso, p 133.
4. Abril Cultural, “Vida e obra”, em edição reunida de O Estrangeiro e O Estado de sítio, p.11.
5. Jean Paul Sartre, “Introdução” de O Estrangeiro, p. 7.
6. Idem, p.13.
7. O Homem revoltado, p. 35.
8. Manuel da Costa Pinto, Albert Camus – um elogio do ensaio, p. 182.
9. Albert Camus, O Homem revoltado, p. 34.
10. Vicente Barreto, Camus – vida e obra, p. 53.
11. Albert Camus, A Peste, p. 94.
12. Idem, p. 97.
13. Nicola Abbagnano, História da filosofia, volume 12, p. 47.
14. Abbagnano, Dicionário de Filosofia, p. 684.
15. Abbagnano, História da filosofia, p. 58 e 59.
16. Idem.
17. Albert Camus, A Peste, p.177.
18. Idem, p. 179.
19. Idem, p. 213.

Bibliografia

ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de Filosofia. São Paulo, Livraria Martins Fontes Editora, 2000.
____________. História da Filosofia, vol. 12. Lisboa, Editorial Presença, 2001.
BARRETO, Vicente. Camus – vida e obra. São Paulo, Paz e Terra, s/d.
CAMUS, Albert. “Carta de Albert Camus a Roland Barthes”, em
www.cadernosdecamus.blogspot.com. São Paulo, 24-01-2004.
____________. O Estrangeiro. Lisboa, Edição livros do Brasil, s/d.
____________. O Estrangeiro. São Paulo, Abril Cultural, 1982.
____________. O Homem revoltado. Rio de Janeiro, Record, 2003.
____________. A inteligência e o cadafalso e outros ensaios. Record, 2002.
____________. O Mito de Sísifo. Rio de Janeiro, Record, 2004.
____________. A Peste. Record. Rio de Janeiro, Record, s/d.
____________.A Queda. Record. Rio de Janeiro, Record, 2002.
MORA, José Ferrater. Dicionário de Filosofia. Martins Fontes, 1998.
ROLLEMBERG, Marcello. “A inteligência e a moral”. Jornal da USP. São Paulo, 7 a 13 de setembro de 1998.
SARTRE, Jean Paul. “Introdução” de O Estrangeiro. Lisboa, Livros do Brasil, s/d.
PINTO, Manuel da Costa. Albert Camus – um elogio do ensaio. São Paulo, Ateliê Editorial, 1998.

Paul Valéry e o ódio ao autor


“Só se lê aquilo que é lido com algum propósito pessoal. Pode ser até com a intenção de adquirir poder. Pode ser até mesmo com ódio ao autor” (Paul Valéry)

Palavras de Cioran

“A vida só é tolerável pelo grau de mistificação que se coloca nela” (Cioran)

Fazendo coro ao que diz Nietzsche (veja o post “Temos a Arte para que a Verdade não nos destrua”, publicado aqui dias atrás), Emil Michel Cioran também nos ajuda a refletir sobre o papel do indizível, daquilo que não se traduz verbalmente, daquilo que escapa ao real.

Estou lendo Cibercultura, de Pierre Lévy. Elucid…

Estou lendo Cibercultura, de Pierre Lévy. Elucidativo e inquietante, o livro é narrado com clareza e elegância. Vai aqui uma pequena dose para saborearmos coletivamente:

“O ciberespaço(que também chamarei de ‘rede’) é o novo meio de comunicação que surge com a interconexão mundial dos computadores. O termo especifica não apenas a infra-estrutura material da comunicação digital, mas também o universo oceânico de informações que ela abriga, assim como os seres humanos que navegam e alimentam esse universo. Quanto ao neologismo ‘cibercultura’, especifica aqui o conjunto de técnicas (materiais e intelectuais), de práticas, de atitudes, de modos de pensamento e de valores que se desenvolvem juntamente com o crescimento do ciberespaço”

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