“Sueña. Sí se puede”?

A vitória acachapante sobre los hermanos me fez lembrar um comercial da DDB México.
Os argentinos poderiam aproveitar a ideia. Que tal um filme com a seleção brasileira vestindo a camisa da Argentina e o slogan “Sueña. Sí se puede”? Confira.

O menino, o futebol e a vida


Foto: autor desconhecido

Na hora do apito final, o peito explodiu e as lágrimas escorreram. Não foram apenas umas gotinhas, dessas que pedem licença – foi um choro desbragado, de soluçar, de lavar a alma. Um choro que de tão alegre me fez voltar até um tempo feliz que guardo na memória: a recordação das épocas de menino em que brincava de astro de futebol, driblando a solidão de filho caçula que desenhava jogadas que só eu sabia como eram belas e mágicas.

Nos jogos imaginários na garagem de casa, eu sempre vestia a camisa do time do coração. Eram bordadas à mão pela minha mãe, que unia em vermelho, branco e preto os sentimentos mais valiosos que um ser humano pode dedicar ao outro. As camisas eram de algodão grosso, como não se fazem mais.

As partidas eram disputadas enquanto meu pai e sua Brasília laranja estavam fora, o que significava campo aberto para cobranças de falta na forquilha, cruzamentos de trivela, lançamentos em profundidade.


Foto: Araquém Alcântara

A camisa trazia invariavelmente o 11 às costas – o número do primeiro ídolo do futebol de minha vida. “Ele gosta do Zé Sérgio”, dizia minha mãe, referindo-se a um dos mais habilidosos e ágeis pontas-esquerdas que o futebol brasileiro produziu. Ainda hoje, se o assunto vier à tona, ela certamente se lembrará de tudo isso – e me fará sorrir.

Antes mesmo do apito final soar na partida entre São Paulo e Goiás, lá em Brasília, no Bezerrão, eu também me lembrava das primeiras vezes em que fui ao estádio. Meu pai querido, os três irmãos, mais velhos, cada um ao seu modo um espelho para mim.

Eu tinha cinco anos, mas me lembro bem daquele domingo de sol – que terminou com uma baita chuva – em que a festa deu lugar à desilusão e em que pela primeira vez vi uma multidão chorar. O Tricolor perdera a final do Brasileiro para um outro tricolor, o do Sul – o mesmo que agora disputou com o meu São Paulo o título de 2008.

Enrolado numa bandeira gigante – para mim tudo era gigante -, eu não entendia direito, mas sabia que alguma coisa muito triste havia acontecido diante de meus olhos. Por isso também chorei. Foi assim que aprendi aquilo que depois soube se chamar cumplicidade.


Foto: Caio Murilo

E assim também conheci a tristeza, que tinha um nome – Baltazar, o centroavante do inimigo – e bateu em nossos corações depois de uma matada no peito e um tirambaço da entrada da área. Uma tristeza classuda, de categoria, mas nem por isso menos dolorosa.

Foi ao sabor dessas reminiscências que comemorei o título de campeão brasileiro de 2008 pelo meu São Paulo – campeonato que teve como rival na reta de chegada o mesmo tricolor gaúcho que há 27 anos me apresentou a tristeza. Se naquele domingo de 1981 eu experimentava um dos sentimentos mais marcantes da vida, ao ver o nosso capitão Rogério erguer a taça tive a impressão de descobrir alguma coisa a mais sobre mim.

E assim me senti, pelo menos por breves instantes, como o menino que fazia jogadas incríveis com bolas de meia e tabelava com os próprios sonhos diante de um futuro que se desenhava a cada drible, a cada grito de gol.

Esse time só me dá alegrias!

Vamos, São Paulo!

Na terra de Los Hermanos

Cheguei nesta quarta-feira a Buenos Aires, para cobrir o Festival de Publicidade El Ojo de Iberoamerica. Dia de trabalho muito puxado. Nos próximos posts comento mais a respeito.
Agora quero passar as primeiras impressões sobre a estada nesta bela cidade, que tenho a oportunidade de visitar novamente.

Começo pela grande notícia hoje na terra de Los Hermanos: Maradona é o novo técnico da seleção argentina. Peguei um dos jornais daqui, o El Cronista Comercial, de economia, negócios e política. E lá está em El Pibe (veja foto).

Logo nas primeiras linhas, diz o colega jornalista que “el mejor jugador de fútbol de todos los tiempos, trono para muchos compartido con Pelé…” (grifo meu)

Vejam só: citam o Rei Pelé assim, como quem faz uma concessão. Porque, claro, o Rei é Maradona.

No mais, El Cronista se orgulha de ter antecipado a notícia há uma semana. E se derrama de novo para Maradona.

Mas o Juan Carlos, taxista que me levou do aeroporto para o hotel, fez cara de muxoxo quando lhe perguntei o que ele achou da novidade. “Como jogador é uma coisa, como técnico…”. Para consolá-lo e demonstrar minha solidariedade, lembrei-o de que Dunga é o técnico do Brasil.

E perguntei mais para ele:
- “Como vai a Cristina Kirchner?”

Juan Carlos fez outra cara de muxoxo e um sinal de “mais ou menos”.

- E a crise financeira mundial?

Outra careta, seguido de um “a coisa tá feia”.

O fantasma está por todos os lados.

Até breve.

O amigo do Maradona

careca-bola.jpg

Tinha certeza de que as coisas seriam diferentes. Passou no jornal, no reclame, o Lula falou. Não tinha dúvidas. É a era desse tal de  Investment Grade. O Brasil tá bombando. Parcelamento em 60 X sem juros, sem entrada, sem saída, crédito consignado. Mas só com carteira.  

Mas quem tem carteira? A Le Postiche tem. E no camelô também. No Largo Treze, o templo das quinquilharias. Eu jogava bola lá, no Centro Educacional. 

Diziam que o técnico, o Eliseu – um cinquentão de meia idade metido a Telê – jogava do lado de lá. Vai saber. Foi no Largo Treze que comprei o disco do Gueto. G-U-E-T-O, uahahhhhhh! O Gueto achava que, nos anos 90, era misturando que a gente inventa. Não é solução, mas é uma bela rima. 

Que importa? Importa que eu queria ser o Zico, Zé Sérgio, Pitta. Ou quem sabe o Careca. Me lembro do gol dele contra o Guarani, no final da prorrogação. O brinco de ouro despencou da orelha de princesa.  

Eu queria ser o Careca. Fazer gol e imitar o Sinhozinho Malta, no Morumbi, eletrizar as multidões. Eu queria ser o Careca! Sei lá de onde surgiu essa conversa cabeluda, mas o fato é que o Careca é amigo do Maradona. E não se fala mais nisso.    

 

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