Bob Dylan, o Twitter e o futuro

Leio em “Crônicas-Volume 1″, de Bob Dylan (Ed Planeta), ele relembrando que nasceu na Segunda Guerra, época de transformações profundas. “Se você tivesse nascido por volta dessa época ou estivesse vivo e antenado, poderia sentir o velho mundo acabando e o novo começando”.

E o que dizer de hoje, com as mentes alvoroçadas diante da revolução tecnológica, da contínua conexão de tudo e todos, com efeitos diretos em corações e mentes? Novas maneiras de criar, organizar e expressar ideias? Visões de mundo em 140 caracteres ?

Necessidade de reinventar as formas de participação política, cultural e de fazer relacionamentos? Ou tudo passaria apenas de mais uma jornada insana da humanidade, um delírio de início de milênio? Bom, se eu estiver devaneando demais, esqueça tudo. Apenas veja e ouça o velho Bob.(com Joan Baez, melhor ainda).

Sujeito oculto

Aforismo da besta quadrada

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Complicar é fácil – difícil é ser simples. Eu que o diga.

Tattoo deixa Ilha da Fantasia e arrebenta na Coréia

Fabinho Reis, o branco-negão do swing digital, o mesmo que tirou uma onda com a Trufa de chocolate (veja post sobre Coltrane), mandou uma para Ponto de Fuga que é impagável.

O dileto camarada descobriu no blog Libera o Badaró que o melhor baterista do mundo está na Coréia, como se pode constatar no vídeo abaixo. O cara é um samurai das baquetas ( já o guitarrista parece personagem dos filmes do Bruce Lee – embora um pouco gordinho, é verdade).

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Tattoo deixou Sr Roarke na mão para fazer sucesso no show business coreano

Apenas completo observando que a criatura, na verdade, é o Tattoo, que fugiu da Ilha da Fantasia e correu para os braços da Miss Lantejoulas de Prata (seriam lantejoulas?)          

Paulicéia descabelada

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Do meu apê, num final de tarde quase etílico

Da minha janela: São Paulo. São. Somos: não-somos. Não-ser, sendo. Qualquer coisa, tudo e nada. Vira-latas puro sangue. 

Sampa vermelha, azul, amarela, preta, ferrugem, verde, verde musgo, tom pastel, prata, bijouteria, aço inox, tropa rosa-choque, ultravioleta. Cinza; em estado puro.  

São Paulo é o Borba Gato, o Deixa-que-eu-puxo (aquele, do Ibira), é o Largo Treze, Capão, Cidade Ademar, é o Largo da Batata. É a frescuraiada da Oscar Freire, nossa Beverly Hills, tão cafona e surreal quanto.   

- Vai uma balinha aí, tio?  

Somos camelôs de almas, de sonhos made in China, Paraguai. Viva os coreanos do Stand Center.    

- Pode dar uma olhadinha no carro aí, Dotô?  

São somos São Paulo. Descabelados, empinados, enjoados, alegres, rabugentos, porra-loucas, pero no mucho; decadentes avec elegance, certinhos engravatados.  

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Uma pausa, por favor

Estou trabalhando muito ultimamente, e isso explica o sumiço durante alguns dias aqui do Ponto de Fuga, que anda carente de posts novos. Muita correria para fechar edições de revistas, desenvolver projetos de novas publicações, pensar em pautas, prospecção etc.

Como se não bastasse o trabalho jornalístico propriamente dito, preciso também cuidar de aspectos administrativos da editora da qual sou sócio, a Toda Palavra. Afinal, parafraseando uma propaganda antiga (do quê mesmo?), “não basta ser empreendedor, tem de participar”.

Juro que não fiz esse preâmbulo para justificar a escassez de posts. Na verdade, foi o gancho que encontrei para falar da necessidade de, com uma certa freqüência, darmos uma paradinha no ritmo alucinante da vida cotidiana. Às vezes precisamos simplesmente não fazer nada: apenas respirar fundo e deixar o coração tranquilo.

Foi o que fiz numa noite dessas. E o fiz com música, muita música. Esparramado no tapete da sala, a janela da varanda aberta, revirei o monte de CDs. Miles Davis, Chet Baker, The Doors, Chico Buarque, Rolling Stones, Sérgio Sampaio, Lobão, Cazuza, Legião Urbana, Jonh Lee Hooker, Gal Costa. Salada sonora. Do jeito que o diabo gosta.

Pensei de tudo um pouco. Pensei, por exemplo, que em minhas veias talvez corra um barquinho, de lá para cá, de cima para baixo, procurando alguma portinha que permita desbravar um horizonte novo dentro de mim mesmo.

Fiquei horas assim.

Da janela da varanda, a noite me lambia a cara, me chamando para a vida, dizendo que, sim, que a vida vale a pena – apesar de as notícias dos jornais ultimamente nos darem todas as razões para acreditar no contrário.

Tédio não é nosso problema


De Ferreira Gullar, no programa Retalhão, do Canal Brasil:

“De tédio o brasileiro não morre – só de susto”

Palavras de Dona Benedita 2

Sobre pessoas ruins: “Esse aí Deus criou, o Diabo juntou e o vento soprou”.

Palavras de Dona Benedita

“Cuidado na vida e sentido no tempo”

Blá blá blá egocêntrico

Pára de falar porra!


Estamos muito centrados em nossos próprios problemas, dilemas, desejos e não damos para a mínima para o que o outro tem a nos dizer. Não enxergamos o Outro como alguém com quem podemos aprender, enriquecer nossas experiências ou simplesmente nos divertir mutuamente. Olhamos apenas para o próprio umbigo

Poucas coisas são mais irritantes do que as pessoas que só falam de si mesmas. Mergulhadas no próprio umbigo, desandam a um palavrório que nada se assemelha a um diálogo, mas sim a um “monólogo com audiência”, se posso assim nomear esse que é um dos sintomas do desgaste das relações e do individualismo exacerbado dos dias atuais. Claro, há muitos que fogem a essa regra – graças a Deus! –, mas é comum depararmos com aqueles que só querem falar, falar, falar, e não trocam, não compartilham experiências. Em outras palavras, não reconhecem o Outro.

Para esses, o interlocutor nada mais é que uma extensão de si mesmo, uma múmia fadada a reverberar suas peripécias “maravilhosas” ou a aplaudir a mediocridade de sua existência. Sinal dos tempos: estamos muito centrados em nossos próprios problemas, dilemas, desejos e não damos para a mínima para o que o outro tem a nos dizer. Não enxergamos o outro como alguém com quem podemos aprender, enriquecer nossas experiências ou simplesmente nos divertir mutuamente. Olhamos apenas para o próprio umbigo.

A coisa acontece mais ou menos assim: o sujeito, ou a distinta – porque a praga acomete ambos os gêneros, embora se constate que o fenômeno ocorra em maior medida entre o sexo feminino –, começa timidamente a proferir umas palavrinhas amáveis, cordiais. Em seguida, solta o carro na ladeira e vâmo que vâmo.

“Porque EU fiz isso e aquilo; porque, de manhã, EU disse pro fulano de tal que etc e tal e depois ME aconteceu isso e aquilo e aquilo outro; sabe, EU gosto de amarelo, vermelho, roxo, azul, abóbora. Não, não, EU NÃO GOSTO DE ABÓBORA, TÁ ENTENDENDO?. Na verdade, EU gosto é de mamão papaia ou então maçã com pão integral. Mas a bem da verdade, não queria te dizer, mas EU gosto de sair à noite com meus amigos, e sabe que na balada de ontem à noite EU fiz e aconteci. Tudo bem que teve uma hora, que para pagar a conta, foi um horror e blá,blá,blá”

E mais blá blá, blá, bla.

Em outros tempos, era mais paciente e tolerava situações como essas. Ficava ouvindo, tentava mudar o rumo da “conversa”, deixava entrar por um ouvido e sair pelo outro, na esperança de que a criatura se tocasse e começasse a dialogar. Mas percebi que isso é besteira: quem age assim normalmente não tem a sensibilidade de perceber os sinais lançados pelo outro.

É por essas e outras que agora acho que só Ctrl + Del Salva.


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