Quem não cometeria um só pecado por Françoise Dorléac?
Quem não cometeria um só pecado por Françoise Dorléac?

Cartaz de “Uma mulher tão bela como eu”
Camille Bliss é o pior tipo de sedutora pela qual um homem pode se derreter. Que o diga o pobre sociólogo Stanislas Previne (André Dussollier) que, a despeito de entrevistas para seu doutorado sobre mulheres criminosas, trava longas conversas com essa irresistível criatura que está atrás das grades acusada de matar o amante.
Camille Bliss é Bernadette Lafont, musa da nouvelle vague.
Veja nesta cena como Camille sabia provocar os marmanjos
Poderosa e desbocada, Camille comanda o jogo do amor e faz gato e sapato do coitado da vez.
É capaz de enfeitiçar pelas curvas e pelo olhar penetrante – ceder aos seus encantos é como entornar o veneno sem sentir o gosto de fel.
- Não se divorciou? – perguntou Stanislas.
- Não se pode divorciar-se de um asno com 27 fraturas. Não seria elegante – respondeu, sobre seu marido, que estava todo quebrado no hospital.

De tanto entrevistá-la, Stanislas se complicou
Ela quer esmagar o macho, humilhá-lo, deixá-lo prostrado à mercê de seus caprichos. Quer fazê-lo babar, fazer juras de amor e, por fim, deixá-lo de mãos abanando. Vai ao limite do seu poder de sedução. Por quê?
- A princípio, sua relação com Golden era puramente profissional. Quando foi que se interessou por ele?
- Esse é o problema de ir para a cama com alguém e depois falar de negócios.
Seria Camille Bliss, a anti-dama, a estonteante desbocada de “Uma Mulher tão bela como eu”, de François Truffaut, uma criatura sem coração? Uma fêmea movida pelo ódio?
- É uma ninfomaníaca que vai com todos! – indigna-se a digitadora lourinha que transcreve as entrevistas e é apaixonada Stanislas.
Claro que não. Ou é?
Camille seria tão somente uma mulher que desenvolveu uma forma peculiar de reagir às cruezas da vida?
Elucubrações à parte, lembremo-nos de que, num filme de Truffaut, nunca se verá alguém guiado por um sentimento que não seja o amor - ou pela emergência de reparar a dor de um dia ter sentido o vento gelado do desamparo
Gérard Depardieu e Fanny Ardant , em A Mulher do Lado (Truffaut, 1981)
Livre delírio deste blogueiro feito a partir de A Mulher do Lado, de Truffaut.
“Você sempre vai me amar, vai me proteger?”, perguntou ela. Seu medo era o de sempre: o amor que acaba, as juras perdidas entre cartas, fotos e lembranças amareladas. Havia anos que não se viam, até que se mudou para a casa vizinha à dele. “Pra onde vão todos esses carros?” Ele não falou nada – quieto, tentava descobrir por que o passado retorna.
“Quanto mais estúpidas, mais verdadeiras são as músicas”, disse ele. Ela não entendeu. “O que importa”, emendou ele, “é que as histórias de amor precisam ter um início, um meio e um fim”. Ela continuou sem compreender. E então puxou o gatilho. Foram dois disparos.
Bertrand Morane (Charles Denner) é o homem que amava as mulheres. O solitário rodeado de damas gentis e solícitas em busca de prazer e afeto – assim como ele. “A verdade é que elas querem o mesmo que eu: elas querem amor. Todo mundo quer amor, todos os tipos de amor”.
Seu fetiche eram as pernas. Pernas magras, esguias, esbeltas, ou também roliças. “As pernas das mulheres são compassos que percorrem o globo terrestre em todos os sentidos dando-lhe equilíbrio e harmonia”, dizia Morane.

Truffaut dizia que Charles Denner era perfeito
para o papel por não ser galã
Sempre sozinho, ia a restaurantes inspecionar o mulherio. “Você acha que gosta de amar, mas é só o conceito que você ama. Você é um tolo, mas quando me acaricia, penso em você”, afirmou uma tantas que lhe preencheram noites de solidão e ausência. Talvez Bertrand Morane fosse um homem impossibilitado para o amor. Para a entrega do amor. Um homem que sonhava amar e ser amado, mas impedido de exercer a plenitude amorosa. Um coração interditado.

Brigitte Fossey faz a editora e amante que publica o livro de Betrand
“Bertrand pensava que em quantidade encontraria a felicidade. Por que sentimos que temos de procurar em tantas pessoas o que nos foi ensinado que pode ser encontrado em uma única?”, diz no filme Brigitte Fossey, que interpreta uma das amantes, a editora responsável pela publicação de seu livro de memórias. Em tempo: Brigitte Fossey é a menininha de Brinquedo Proibido, de René Clement.
Trata-se, na verdade, de um menino escondido atrás do homem. E que não conseguiu se libertar do fantasma da ausência e desprezo da mãe durante a infância. “Cadê o bebê?”, perguntou a babá que contratou certa vez. “O bebê…sou eu”.

Truffaut não traçou o perfil de um conquistador barato
Diz Truffaut,

Geneviéve Fontanel, na pela da amante de cabeleiras ruivas
A despeito da vocação para sedutor, não estamos falando de um Don Juan ou um Casanova. Bertrand Morane não era o machão típico; era, sim, um homem da modernidade. Da explosão do mundo pop, da sociedade de consumo, da era da libertação feminina. “Sabe como te vejo, apesar de jeito melancólico? Como um homem que não tenta provocar a sua virilidade. E sabe como vejo seu livro? Como um testemunho das relações homem-mulher no século XX”, diz a editora e amante.

Bertand era democrático: ia de morenas, garotinhas, maduras e louras
No fundo, Betrand Morane era um homem que carregava no peito a dor de uma terrível desilusão. “Um cena de reencontro com uma antiga relação indica claramente que outrora esse homem volúvel experimentou sentimentos de uma tal violência que adquiriu para sempre o medo doentio de senti-los novamente…Pois o paquerador é também alguém que tem medo do amor”, afirmou Truffaut, para quem o personagem não é tão autobiográfico como alguns seriam capazes de supor.
Com Bertrand Morane, Truffaut coloca em cena um certo tipo de homem moderno, que expõe fraquezas, sofrimentos e desejos, embora continue na pele do caçador. Mas é um caçador de si mesmo, ainda que para isso precise da figura feminina, na esperança de um afago que torne a vida um pouco menos dolorosa.
Veja este trecho que intreressante:
Mais umas palavrinhas sobre Truffaut. Vem comigo, vale a pena.

François Truffaut e a urgência do amor
Uma das coisas que aprendi na vida é respeitar os sentimentos, os nossos e os dos outros. Mas não aprendi assim, de pronto. Foram necessárias algumas derrapadas pelo caminho, algo que, no fundo, me trouxe mais ganhos que perdas. Seguramente. Assim crescemos e podemos olhar a estrada com mais alegria e esperança. Quando vejo um Truffaut, essas coisas me vêm à cabeça, e percebo mais uma vez a capacidade do cinema – e da Arte – de nos ensinar um pouquinho mais sobre nós mesmos.

Léaud, Bisset e Truffaut: filmagens de A Noite Americana
Truffaut mostrava a vida sob o signo do afeto e do amor, talvez pelo fato de que, em sua infância e adolescência, ele próprio não tenha experimentado plenamente esses sentimentos. Sentia-se abandonado por pai e mãe. Só no mundo, no sentido existencial do termo. E, talvez por não se sentir amado, exaltava nas telas o amor com tamanha força e beleza.
Seus personagens pareciam gritar: “diga que me ama, eu quero ser amado!” Truffaut é a busca do amor, não apenas o da paixão, mas também o de viver. O amor urgente. Personagens em busca da paixão, da entrega, do sabor de uma nova história. Caiam e se levantavam, choravam e logo sorriam.

O Homem que Amava as Mullheres
Vejamos Fanny Ardant e Gérard Depardieu em A Mulher do Lado; Catherine Deneuve e de novo Depardieu em O Último Metrô; Jeanne Moreau e os dois amantes em Jules e Jim; o triângulo amoroso em As Duas Inglesas e o Amor. O Homem que Amava as Mulheres.

O Último Metrô
E vejamos Doinel, da criança de Os Incompreendidos ao menino-adulto-pai de Domicílio Conjugal e O Amor em Fuga – sim, um tanto imaturo, um eterno menino, faltava-lhe encarar a vida como um homem feito. Mas isso não tornava menor. Pelo contrário. Como personagem, forjava-se aí sua riqueza e ambigüidade, o traço humano que nos faz ver nele alguns de nossos temores, inseguranças, anseios juvenis por um braço, um colo, um cafuné.
Doinel, e isso é o que importa pra valer, era movido pela paixão, vivia como se fora o último momento. Doinel é a certeza de que, com amor, é possível suportar a crueza da vida.

Léaud, imortalizado como Antoine Doinel

Beijos Proibidos, um Truffaut de 1968
Nova onda Truffaut no Ponto de Fuga. Festival de posts, fotos e imagens, porque o amor pede passagem. Sempre – por que não? François filmava o amor com esmero de poeta e uma pitada de molecagem. Falemos de Truffaut porque falar de amor com leveza e simplicidade, e ao mesmo tempo calar fundo no sentido da emoção, não é para qualquer um. É para Truffaut. Por meio de suas lentes, o amor é urgente; a paixão, um eterno recomeço capaz de revigorar corações entristecidos.
E vamos de Antoine Doinel, claro. Vamos de Beijos Proibidos. Segundo o próprio cineasta, em texto reunido em O Cinema Segundo Truffaut (Editora Nova Fronteira), esse longa-metragem – o terceiro da série Antoine Doinel, seu alter ego encarnado por Jean Pierre Léaud – é um “filme galhofeiro”. “É a primeira vez que fizemos um filme com pretensões cômicas”.

Claude Jade e Léaud, amores da juventude
Tem Doinel como desastrado porteiro noturno de hotel, como detetive incapaz de investigar. Pastiche dos detetives do cinema policial americano do tipo B, recurso comum à nouvelle vague e que Godard, ao seu modo, também parodiou em Alphaville e em Acossado.

Léaud, alter ego de Truffaut, personagem inesquecível
Tem também um homem misterioso que segue Christine (Claude Jade) por onde ela vai.
“A meu ver, ele não é tão misterioso assim. A idéia me ocorreu num restaurante. Havia um casal numa mesa e, na outra, um homem que não parava de olhar para a mulher, como se ela não estivesse acompanhada. Para mim, o tipo do filme é louco, mas, como todos os loucos, diz coisas importantes. Diz que os sentimentos são passageiros, que todo mundo trai todo mundo. Ele é louco porque se acredita diferente. O filme inteiro é baseado no provisório e, de repente, aparece alguém que se pretende definitivo”, afirmou Truffaut.

Com Truffaut, o amor tinha desilusões, e também leveza
Ele continua:
“Na verdade, Beijos Proibidos sugeria a cada espectador um tema. Para alguns, era a educação sentimental, para outros, a iniciação, enquanto outros ainda pensavam em aventuras picarescas. Cada um imaginava o que queria mas tudo estava dentro do filme. Tínhamos enchido o filme de tudo o que Balzac chama de ‘um começo de vida’”

Delphine Seyrig, como a fatal Sra Tabard
Para mim, não sai da memória Delphine Seyrig na pele da Sra Tabard, o charme da mulher fatal, impossível para o pobre Doinel – a não por uma manhã e nada mais. Também não me sai da retina a doce Claude Jade na flor dos anos, em seu primeiro filme. Bela, sutil, o olhar de menina-mulher que seduz pelo que não mostra, encanta pelas entrelinhas do olhar.
Agora, um trecho do filme. Está apenas com tradução em inglês, o que não impede sacar o jogo de sedução de Sra Tabard, esposa do “chefe” de Doinel. Resumo da ópera: ela propõe a ele algumas horas de regozijo carnal e estamos conversados. Reparem no jeito aturdido, aparvalhado dele diante da proposta indecente deste mulherão.
Jean-Pierre Léaud (Doinel) e Dorothée (Sabine)
Com Antoine Doinel, o amor em fuga. “Toda a minha vida é correr atrás de coisas que escapam/Jovens perfumadas, buquês de lágrimas de rosas”. Escapam pelos dedos, mas não do coração – um eterno menino em busca do amor. E tem Colette, Christine, Sabine. “Rápido feito em pedaços/ que cortam e sangram/ E, veja, sobre o piso a porcelana/ Nós não conseguimos segurar a onda”.
Entre beijos proibidos e domicílios conjugais, Doinel carrega no peito a tinta vermelha da decepção, mas também a chama da esperança.

Doinel foi casado com Christine (Claude Jade)
Ele não desiste. Doinel cola a fotografia, vai atrás de seu amor, corre, pede perdão. Doinel quer Sabine. Doinel escreve cartas, escreve o livro. E pega Sabine nos braços, dança e sente mais uma vez como é bom o gosto da paixão.
Isabelle Adjani e François Truffaut
O que François Truffaut, que a dirigiu em A História de Adele H, diz sobre a atriz ( do livro O prazer dos olhos, de Truffaut; Jorge Zahar Editor):
“Às vezes digo a Isabelle Adjani: ‘Nossa vida é um muro, cada filme é uma pedra’. Ela dá sempre a mesma resposta: ‘Não é verdade, cada filme é o muro’”
“Ela é a única atriz que me fez chorar diante da tela da televisão e , por causa disso, quis filmar com ela, com toda a urgência, pois achava que podia, ao filmá-la, roubar-lhe coisas preciosas como, por exemplo, tudo que se passa num corpo e num rosto em plena transformação”.
O leitor e cinéfilo Carlos Pereira, de Porto Alegre, pediu; e aqui está o pôster da musa no filme de Truffaut que trago pendurado em minha casa.
Olha que beleza!
Recomeçaram ontem as aulas de história do cinema ministradas por Inácio Araújo, crítico da Folha de São Paulo, depois de um breve recesso para as férias de julho. Neste semestre, o curso ingressou no cinema moderno, com ponto de partida em Orson Welles. Como sempre, aula muito pertinente e esclarecedora. A análise do Inácio se concentrou, claro, em Cidadão Kane, filme que, a partir de 1940, influenciou “tudo que conta no cinema”, conforme prefácio de François Truffaut publicado no livro Orson Welles, de André Bazin (Jorge Zahar Editor).
Minha vontade era discorrer páginas e mais páginas sobre o que aprendi ontem. Mas serei sucinto, guardando algumas cartas na manga para quanto tiver mais tempo. Mas abordarei aqui algumas observações do Inácio que me clarearam mais o entendimento a respeito de Welles, cineasta de quem gosto muito.
O Inácio começou a aula contextualizando a transição do clássico para o moderno no cinema. Welles surge com Cidadão Kane (1941) quando o cinema “já se vê dotado uma história, com um passado, o que pressupõe um domínio da linguagem clássica”, disse Inácio. Isso não é pouca coisa: se do primeiro cinema – com os filminhos de Lumière e Méliès –, passando por Griffith, pelas escolas dinamarquesa e alemã e John Ford o cinema forjou sua linguagem, Welles foi um dos que ajudaram a sintetizar esse percurso de formação cinematográfica e delinearam a modernidade.
Ponto importante nesse trajeto é a mudança na percepção, a partir do moderno, de como o cinema vê o mundo. Se no clássico o espectador pisava num chão firme (ele sabia como a história começaria e terminaria, havia uma ordem clara no universo, as coisas – após um breve desequilíbrio – geralmente se acertavam no final do filme), com a modernidade esse sistema torna-se complexo. O mundo é feito de ambigüidades, é precário, instável. Mais importante do que a intervenção do artista é o fato em si. Como diz Inácio, valendo-se da teoria de Bazin, no moderno o fato não deixa de ser fato, mas vem envolto em abstração.
É justamente aí que entra Welles. Uma das principais inovações que surgem com o diretor de A marca da maldade – ou ganham contornos mais precisos pelas suas mãos – é que o espectador adquire autonomia para organizar o próprio olhar. A contrário do clássico, cujo enquadramento dirige o olhar do espectador para onde o diretor deseja, em Welles os enquadramentos ampliam a experiência da observação. Exemplo: ele explora com mestria a profundidade de campo, com foco na frente e no fundo da cena, o que permite ao espectador escolher o que acompanhar, e não só aquilo que o diretor focaliza. Em resumo, conforme Inácio: com Welles, o espectador torna-se parte ativa na construção do filmes.
Profundidade de campo permite espectador olhar a cena em toda a sua amplitude
Além dos aspectos técnicos, Inácio mostrou que, para Welles, a grande pergunta é “o que é o homem?”. Questão para a qual não há resposta ou, no mínimo, cuja resposta se esvai como fumaça.
Sei que esse post pode ter ficado meio viajandão ou etéreo demais. Portanto, uma dica: a melhor solução é ir à locadora hoje e alugar Cidadão Kane. Uma ótima companhia nessa empreitada é ler o livro de Bazin, que comentei acima. Leitura agradável e iluminadora.
Além do prefácio de Truffaut e dos ensaios de Bazin, no final do livro há a filmografia e uma entrevista feita pelo autor – ao lado de Charles Bitsch e Jean Domarchi – com o Orson Welles. Para aguçar a curiosidade, transcrevo aqui um pedacinho do depoimento do diretor de A dama de Shangai.
– Mas vou lhes fazer uma confidência mais terrível: só gosto de cinema quando estou filmando; então é preciso saber não ser muito tímido com a câmera, violentá-la, acuá-la em suas últimas trincheiras, pois não passa de vil mecanismo. O que conta é a poesia”.

Capa da revista francesa Cahiers du Cinéma, sobre Jules e Jim,
com Jeanne Moreau em grande estilo
Um dos grandes momentos da história do cinema, Jules e Jim, terceiro longa-metragem de François Truffaut, é o sentido amoroso levado ao limite. É a revelação do amor na linha tênue entre o efêmero e o perene – entre a liberdade e a posse, a euforia e a perda. Jules e Jim nos mostra que não se brinca com a vida e que erguer o amor a partir de uma nova moral tem um preço a pagar– por vezes, alto demais.“É bonito redescobrir as leis humanas, mas é mais prático seguir as leis antigas. Nós brincamos com a vida. E perdemos”, afirma Jim, em trecho do filme, que conta os descaminhos do triângulo amoroso entre Jim, o amigo Jules e Catherine, interpretada por Jeanne Moreau.

Da esquerda para a direita, Jim (Henri Serre),
Catherine (Jeanne Moreau) e Jules (Oskar Werner)
Disse Truffaut a respeito da obra: “Jules e Jim é um sonho: todos nós sofremos diante do aspecto provisório de nossos amores e esse filme nos leva justamente a sonhar com amores definitivos”.A canção Le Tourbillon de la vie (O turbilhão da vida) ajuda a compreender esse intricado jogo de relações, como observou certa vez o próprio Truffaut. Segundo ele, a música “marca o tom para o filme e é a sua chave”. Em uma das cenas (veja o vídeo abaixo), Catherine canta a música, acompanhada por Albert, um de seus outros amantes, e assistida por Jules e Jim.Diz a letra: “Temos de nos conhecer uma vez, e depois uma segunda vez/ perdemos contato uma vez e depois outra vez/ voltamos a nos encontrar e trouxemos calor um ao outro/ depois nos separamos, cada um, sozinho, partindo de novo no turbilhão da vida”.
Quando estão terminados, apercebo-me que os meus filmes meus filmes são sempre mais tristes do que eu pretendia (François Truffaut)

*Jean-Pierre Léaud (em destaque), o Antonie Doinel de Os Incompreendidos, o primeiro longa-metragem de François Truffaut
Desamparado, sozinho no mundo, lá vai Antoine Doinel para o cinema, seu refúgio. Ver cinejornal. Sua fuga e sua liberdade. Lá vai Antoine cabular aula com o René, o único amigo que tem na vida. Lá vai Truffaut, e nós com ele, com a certeza de que o mundo em, Os Incompreendidos, tem um pedaço de todos nós.
*O trailler do filme
*Agora, uma das passagens mais lindas de Os Incompreendidos: a cena flagra o encanto das crianças com o teatro de marionetes. Magia pura.
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