Bastidores da entrevista com Helena Ignez

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 Capa do caderno Fim de Semana, com O Bandido

Como de praxe, Ponto de Fuga tarda, mas não falha – quer dizer, nem sempre. Disse que escreveria mais detalhes a respeito da matéria sobre o Bandido da Luz Vermelha, publicada em 18 de abril na Gazeta Mercantil. E aqui estou. Falemos dos bastidores.

Exceção óbvia feita às imagens de filmes arrebanhadas na web, as fotos deste post foram feitas durante a entrevista com a atriz e diretora Helena Ignez, viúva de Rogério Sganzerla, diretor de O Bandido e um dos grandes da história do cinema nacional. Quem bateu as fotos com a atriz e eu foi Vani Fátima, produtora de Helena.

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“Por que está respingando água em nós?” Era o pessoal da limpeza em ação

Em março, Heleza me recebeu em seu escritório no centro de São Paulo. Na verdade, a entrevista foi feita numa área livre do edifício, porque o escritório de Helena estava em reforma, como se pode ver em um das fotos deste post.

Em dado momento, eu e o Leonardo Soares, fotógrafo da Gazeta Mercantil, subimos para fazer as fotos. Ao final da sessão, Helena me perguntou se eu poderia ajudar a restabelecer a conexão da internet. Ajudei então o rapaz que trabalha com ela (cometo a gafe de não ter o nome aqui neste momento). Mexemos em alguma coisa lá e o santo que zela pela conexões teve piedade de nós. Deu certo.

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Eu e Helena

Helena é uma mulher que fala  pausadamente, com a suavidade baiana a embalar as palavras – ela nasceu em Salvador. Transparece ser uma mulher convicta, de posições fortes. Para ela, cinema e teatro não são passatempos, não rimam com pipoca. São expressões da Arte.

A história de Helena está intimamente ligada ao período de ouro do cinema nacional, na década de 1960. Na vasta carreira constam filmes de Glauber Rocha, com quem foi casada (fez O Pátio, primeiro filme de Glauber) e outros do Cinema Novo, sem falar nos tantos de Sganzerla – para citar alguns, os ótimos A Mulher de Todos e Copacana Mon Amour.

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 A foto do Leonardo, que ilustrou a matéria, ficou bem bacana

O teatro também ocupa lugar de destaque na vida de Helena. A propósito, veja o que diz a respeito das peculiaridades de interpretação em um e outro.  

“Não faço distinção entre cinema e teatro. O que se pode dizer é que no cinema  a interpretação deve ser mais econômica. O ator tem de pensar na câmera. Já o teatro é para o público. O prazer de estar no palco é insubstituível”, disse a atriz.  

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 Leonardo me flagra tentando fazer a internet funcionar 

 

E por aí foi. Veja agora um pouco mais sobre as idéias de Helena.  

- “As pessoas que trabalhavam em O Bandido tinham consciência, no momento da realização, de que se tratava de um grande filme” 

- “O Rogério (Sganzerla) às vezes era nervoso. Era ágil, fazia o trabalho com amor”

- “O cinema nacional tem um problema: somos copiadores, não há personalidade (para impor uma linguagem própria)”

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Helena, Stênio Garcia e Antonio Pitanga, em A Mulher de Todos

 

“Estou empenhada empenhada em preservar e divulgar  a obra de Rogério Sganzerla, que é muito pouco conhecida no Brasil”“Vamos tentar lançar este Luz nas Trevas – A Revolta de Luz Vermelha, continuação de O Bandido, cujo roteiro foi escrito por Rogério”  

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Rogério Sganzerla, diretor de O Bandido

Por hora, é isso. Para ver mais sobre Sganzerla/Helena, no lado esquerdo da tela, em Assuntos, clique nas categorias Cinema-Sganzerla e Cinema – Bandido .

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 Essa foto com Helena parece ser de a Mulher de Todos ou Copacanaba

Se também quiser ler a reportagem sobre o Bandido, neste site é possível ler o começo da matéria.  

 

Mais Sganzerla, direto do YouTube

Homenagem: Rogério Sganzerla – curta metragem Documentário e trecho de Abismu No dia 9 de janeiro, fará quatro anos que Sganzerla morreu. Continuando a série de homenagens a esse grande cineasta, do baú do YouTube trago duas preciosidades.  

Trecho de “O Abismu” – Longa-metragem lançado em 1977. Cena antológica com Zé Bonitinho ( Jorge Loredo), imperdível, assim  como o filme ( disponível em VHS).  


 


Com a benção do Bandido

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Texto e fotos: Clayton Melo

Helena Ignez durante a tarde de autógrafos na Benedito Calixto

A tarde de autógrafos com a atriz e diretora de cinema e teatro Helena Ignez – na Praça Benedito Calixto, em São Paulo, no sábado dia 22 de dezembro – teve o sabor de uma grande roda de cultura. Pais com crianças e seus picolés, rapazes de bermuda e boné, garotas metidas em vestidinhos floridos e grandes óculos de mosca: a praça era um mosaico multicolorido às vésperas do Natal. Apinhado de gente, o Espaço Plínio Marcos recebia velhos e novos amigos, que conversavam sobre a peça que vai estrear, o livro que vai ser escrito, aquela cervejada que precisa acontecer. Todos diziam pelos olhos como era bom estar ali e homenagear a obra de uma grande atriz e seu cineasta, Rogério Sganzerla, de quem foi esposa até a morte dele, em 2004. 

A tarde também contou com a participação do cartunista Júnior Lopes e do escritor e dramaturgo Austregésilo Carrano Bueno, cuja história inspirou o filme Bicho de Sete Cabeças (de Laís Bodansky).    

Serena e paciente, Helena autografou livros e DVDs durante cerca de cinco horas e ainda conversou com a platéia que rumou para o Espaço Cultural Alberico Rodrigues, ali mesmo na Benedito, para assistir ao documentário Brasil, dirigido por Sganzerla em 1981.   

A empreitada terminou com um jantar no restaurante Consulado Mineiro, lá por volta das 20h. Sim, a jornada foi longa, mas Helena parecia nem ligar. Poderia até estar cansada, mas em vez disso seu olhar transparecia uma imensa satisfação por ter mais uma vez – a exemplo do que faz há anos – ter trabalhado para colocar em destaque a obra de Sganzerla, um cineasta que abraçou a vanguarda e cujo nome está definitivamente gravado na história do cinema brasileiro.   

Acompanhe pelas fotos um pouco da  tarde com Helena Ignez, organizada por Edson Lima, de O Autor na Praça, e pela produtora cultural  Vani Fátima. 

Com a óbvia exceção das fotos em que o missivista que vos fala está presente, todas as demais fotos são de autoria do editor de Ponto de Fuga.  

Para saber mais sobre Helena e Sganzerla, veja alguns posts anteriores neste blog. 

A cantora Fernanda Abreu passou por lá e levou o “Bandido” para casa

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…E  posou para foto ao lado de Carrano

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Como parecia tudo uma grande família, as irmãs Suzana (à esquerda) e Julianna Santos, “tias” de Helena Ignez, passaram a tarde inteira lá. Explico o “tias”: a sobrinha delas se chama Helena Ignez 

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O cartunista Júnior Lopes perdeu a conta de quantos desenhos fez

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Um deles foi inspirado neste missivista  2.0

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Edson Lima, figuraça, e Vani, pessoa bacanérrima, arregaçam as mangas pela cultura

  

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A encantadora atriz Carolina Mesquita “dá uma lidinha”, enquanto Carrano dá uma geral no movimento

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Charlão, vulgo Charlie Brown, amigão de anos, bateu um longo papo com Carrano 

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Repare na satisfação do Edson…

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…É que ele estava lendo a nota sobre o evento publicada no Caderno 2

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Helena também reservou uns minutinhos para folhear o jornal 

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O livro com a reunião de entrevistas concedidas por Sganzerla já está na minha “cabeça”

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Helena assinou o banner dos autores, assim como todos os demais que já passaram pelos eventos de O Autor na Praça

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Para a posteridade: Júnior Lopes, Edson, Carrano, Vani, Alberico Rodrigues e Helena 

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Depois da praça, foram todos para o Espaço Cultural Alberico Rodrigues, onde foi veiculado o filme Brasil, de Sganzerla, seguido de bate-papo com Helena

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Platéia escuta atentamente as histórias Janete Jane e Ângela Carne e Osso

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Edson deu de presente para Helena a faixa do evento. Agora, foi a vez dos convidados fazerem dedicatórias à atriz 

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O clique final, com a turma reunida no Consulado Mineiro

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O dvd

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DVD de o Bandido da Luz Vermelha já está lá em casa.

Com direito à dedicatória  de Helena Ignez.

Uma tarde com Helena Ignez, na praça

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O nome de Helena Ignez ocupa lugar de destaque na história do cinema nacional. Atriz e diretora de cinema e teatro, ela participou de filmes  capitais em nossa cinematografia, como O Bandido da Luz Vermelha, A Mulher de Todos e Copacabana Mon Amour – todos de Rogério Sganzerla, de quem é viúva -, além de ter atuado em O Pátio, curta de estréia de Glauber Rocha, entre tantos outros filmes.  

Com uma vida tão entrelaçada à vida e à obra de Sganzerla, nada mais natural que ela estivesse na dianteira de novidades relacionadas ao nome desse que é um dos maiores e mais inventivos cineastas brasileiros.  Só nesta semana, por exemplo, dois eventos celebram Sganzerla, e em ambos Helena é protagonista.

O começo da conversa foi o lançamento do DVD de O Bandido da Luz Vermelha, no Espaço Unibanco, na última segunda-feira. Além da exibição do longa, a ocasião contou com debate com a presença, entre outros, de Helena,  do cineasta Carlos Reichenbach e do crítico Cléber Eduardo. No fim da noite, coquetel e sessão de autógrafos do DVD, com Helena.  

O segundo passo está marcado para o próximo sábado, dia 22 de dezembro. A partir das 14h, Helena vai estar na Praça Benedito Calixto, em Pinheiros, São Paulo. Ela vai autografar o livro Rogério Sganzerla – Encontros”, (Editora Azougue), além de dar continuidade à divulgação do DVD de O Bandido da Luz Vermelha, que conta versão restaurada e mais  de uma hora de extras.  

A tarde sganzerliana não pára por aí. Após a sessão de autógrafos, programada para o Espaço Plínio Marcos, ali mesmo na Praça, haverá a exibição do documentário Brasil, de Sganzerla, filmado em 1981 por ocasião do cinqüentenário do cantor e compositor João Gilberto. O filme foi realizado durante a gravação do disco “Brasil”, com a participação de Caetano Veloso, Gilberto Gil e Maria Bethania. A exibição será no Teatro do Espaço Cultural Alberico Rodrigues.  Toda essa jornada é assinada pelo Autor na Praça – projeto capitaneado há muitos anos por Edson Lima, produtor cultural, grande figura -, e Vani Fátima, produtora cultural. A Associação dos Amigos da Praça Benedito Calixto e a Mercúrio Produções  também figuram entre os realizadores da empreitada.   Minha torcida é para que as atividades como essas, relacionadas à obra de Sganzerla e à de Helena, estejam só no começo. E salve o Bandido da Luz Vermelha!  

Anote na agenda:   Local: Espaço Plínio Marcos – Tenda na Feira de Artes da Praça Benedito Calixto – Pinheiros, São Paulo.   Data: Dia 22 de dezembro de 2007 (sábado)Horário: a partir das 14h. Quanto: entrada franca. 

* A exibição do documentário Brasil será feita em duas sessões: às 18h30 e às 19h00, no Teatro do Espaço Cultural Alberico Rodrigues – Praça Benedito Calixto, 159 – Tel. 3064 3920. Informações: Edson Lima – Tel. 3746-6938

 

O Bandido da Luz Vermelha

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Elas não resistiam ao charme de Luz

O Bandido da Luz Vermelha está entre nós. Graças a Deus! E ao Diabo. Ele vive de roubo e de empréstimo dos amigos. Grandes óculos escuros, o lenço envolto no rosto – o angu de pólvora na boca da mocinha. “Eu sou um boçal”, diz. 

 Janete Jane tava lá também. A escandalosa. Um dia me contou o que Ângela Carne e Osso falou pra ela.  “Os homens são todos uns boçais”.  

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 Janete Jane arrebatou o coração de Luz

No Espaço Unibanco, eu vi O Bandido da Luz Vermelha. Ele se sentou ao meu lado, no chão, no meio da sala apinhada de gente. Um espantoso tarado sexual, um pobre diabo saído de Freud ou da Boca do Lixo.  “Terceiro mundo vai explodirrrrrr. Quem tiver de sapato não sobra!” O anão histérico, profeta: “Não pode sobrar, NÃO PODE SOBRAR. É O EXTERMÍNIO TOTAL, EXTERMÍNIO TOTAAAAAL!  

O Bandido está entre nós. “Traz um omelete, madame”.

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O terror da Boca do Lixo 

 A polícia continua caçando o Bandido. Mas o delegado Cabeção não tá com nada. Carlão tava lá também, todo mundo tava, todo mundo viu. E ninguém fez nada. “Se der um milhão eu passo fogo nesses carango todo. Taco fogo e me mando pra Acapulco, no México”; palavra do Bandido.   

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Janete Jane, escandalosa e irresistível

E o Bandido descabela a madame no tapete, enfia-lhe a mão entre as pernas, nos peitos – arranca-lhe a roupa no dente. Ela grita, esperneia, e se entrega com o fervor e gratidão. 

Janete Jane tava lá também, e contou tudo, tudinho pra polícia. 

 

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