Cena do filme Terra Vermelha, que abriu a Mostra

Gente com guia cultural na mão, andar apressado pelas cercanias da avenida Paulista, comentários sobre a próxima sessão. Às vezes filas bem grandes, outras um pouco menores – com sorte, nas sessões vespertinas, apenas uns gatos pingados atrás de ingressos para as sessões da Mostra Internacional de Cinema. São Paulo é mesmo saborosa nos dias de jornada cinéfila. Adquire um clima diferente, uma empolgação a mais.

Festa de arromba

E a loucura começou já na festa de lançamento, na quinta-feira semana passada. Depois de exibição do bom Terra Vermelha, obra ítalo-brasileira dirigida pelo italiano Marco Bechis e produzido pela Gullane Filmes e a Classic SRL, festa de arromba na casa The Week, na Lapa. Gente pelos borbotões até alta madrugada. Creio não ser exagero falar em mais de mil pessoas. Estava lotado. Em meio a uns birinaites, a pista pegava fogo embalada por remix de clássicos da MPB, como Lulu Santos, Tim, Marina etc. Eu e minha querida Elzinha nos divertimos a beça.

No domingo passado, eu e meu grande comparsa de boemia e blogofilia (boa essa, não?) Márcio “Prefeito de Bloganvile” Dal Rio encaramos um Bergman no Cinesesc: sei que o nome do filme é piada pronta, mas vamos lá: “Chove em nosso Amor”. Bom filme, do início de carreira do cineasta, assim com os demais do diretor sueco em exibição na Mostra. Mas prefiro o “Crise”, seu primeiro longa, que assisti no dia anterior com a Elza.

“Chove em nosso amor” é um dos primeiros longas do mestre sueco

 

Bergman e o clássico paulista

Depois do filme, mais uma demonstração da delícia que é São Paulo – e o Brasil. No boteco que fica na esquina de cima do Cinesesc, tradicional das sessões “sescianas”, uma turma assistia a São Paulo x Palmeiras. Quase decisão de campeonato brasileiro. Confesso: eu quase deixei de lado Bergman – que eu queria muito ver, pois as obras exibidas na Mostra são raras -, para ver pela TV o Tricolor. Mas, como o filme acabou pouco antes das 17H e a partida começou às 16h, deu para pegar o segundo tempo inteiro (uma breve digressão: o São Paulo jogou muito mais, dominou e teve a vitória na mão, só que vacilou. E ou não é?).

Boteco lotado, olhos vidrados na TV. Gritos e provocações mútuas, mas tudo na boa. A lanchonete-arquibancada fervia. Na “primeira fila”, uns seis ou sete monitores da Mostra dividiam-se, entusiasmadíssimos, na torcida por São Paulo e Palmeiras. Em vez de camisas dos clubes, uniformes da Mostra.

Findada a peleja, empate em 2 x2. Tomaram o último gole da cerveja e voltaram para o trabalho no Cinesesc. A sessão seguinte já ia começar.