Declaração de amor de um cinéfilo

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Depois de Anna Karina, viver a vida tornou-se uma aventura muito mais colorida, poética, bela.  

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Com Anna Karina, uma mulher não é só uma mulher.

 

Por Anna Karina eu me tornaria o melhor dançarino do mundo, só para acompanhá-la nessas dancinhas. Faria até sapateado, tocaria corneta. Depois de Anna Karina, eu vivo a vida feliz da vida.

Godard, Rolling Stones e o mítico 1968

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Godard e os Stones durante de “One Plus One”

 

Jean-Luc Godard é quase certamente o cineasta mais odiado, amado, idolatrado e xingado da história do cinema. Gênio ou um chato de galocha? Artista de primeira grandeza ou um enfadonho fazedor de filmes que levam do nada a lugar nenhum? Cada um toma seu partidoÉ fácil compreender o porquê de tanta reação quando o assunto é Godard.

Talvez o nome que melhor simbolize  as experiências estéticas do princípio do cinema moderno, evidentemente que alargando a trilha aberta pelo neo-realismo italiano, Godard foi ao limite na busca na (des)construção da linguagem cinematográfica. Sem ter esse contexto em mente, assistir a muitos de seus filmes pode não passar de uma sessão de tortura visual.   

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Até os Panteras Negras são retratados

 

Tudo isso me vêm à cabeça ao assistir a  “One Plus One”, filme que traz os bastidores de um ensaio no qual os Rolling Stones repassam a faixa Sympathy for the Devil. Lançado no mítico 1968, o longa traz  não só os ventos revolucionários daquele maio histórico na França, mas também a marca da vanguarda.

Como bem apontou um crítico, trata-se de um Godard-repórter, antes de um Godard-romancista. Equilibrando-se na linha tênue entre o documental e a ficção,  “One Plus One” dá voz às questões de seu tempo, como maoísmo, marxismo-leninismo, racismo, feminismo, ressaca do nazismo  e contracultura.

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Colagem pop no deixa escapar nem o nazismo

 

Com uma narrativa fragmentada, usa e abusa da colagem, ao melhor estilo pop, e delimita como espaço para as reflexões a sociedade de consumo que explodia a partir dos anos 1960.

Com tudo isso quero dizer o seguinte: “One Plus one” tem os Rolling Stones, mas vai dar com os burros n’água quem assisti-lo pensando se tratar de uma cinebiografia ou algo do gênero. Não estamos falando de um filme com ou sobre os Stones, pois Godard não estava para brincadeira.

 

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Godard brigou com os produtores do filme

É um longa que dialoga com a rebeldia de seu tempo, seja no que se refere à linguagem, seja no olhar original com que trafega no delirante e extremado 1968. O DVD está fresquinho nas lojas, com direitos a ótimos extras.

Em tempo: é possível comprar tanto “One Plus One”, filme montado e aprovado pelo próprio cineasta, como “Sympathy for the Devil”, versão que sofreu interferência dos produtores e é execrada por Godard. Já comprei os meus e ninguém tasca.  

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