
Show intimista de Cat Power combinou com a noite chuvosa de São Paulo
Sob luzes azuis e roxas, ela subiu ao palco pouco depois das 22h. Nada de telões e fotos com flashes – colocado sobre um dos amplificadores, um incenso espalhava fumaça por entre os instrumentos. Havia um clima intimista e aconchegante no ar.
Enquanto ajeitava o microfone, a saudação tímida e carinhosa. “Oi”, disse baixinho e em português, com um sorriso. Olhava para baixo, como se fora aquela menina nova do colégio com quem trocávamos as primeiras conversas e nos apaixonávamos em seguida. Foram suas únicas palavras dirigidas ao público durante o show.
Vestia calça escura – seria jeans? -, camisa e uma gravatinha preta, afrouxada. Luvas que deixavam os dedos à mostra. Nada de grandes gestos, mas sim a sutileza dos detalhes.
Embora precário, esse vídeo captado por um expectador durante
o show de ontem serve como registro. A música é Metal Heart
Foi imerso nessa atmosfera de introspecção, cuidadosamente desenhada pela produção, que vi o show de Cat Power em São Paulo. E assim tive a sensação – é a minha viagem, nada mais – de que estava ouvindo Robert Johnson ou Bob Dylan na jukebox de um bar vagabundo ou perambulando por aí numa das tantas madrugadas.
Foi tudo um grande blues, posso dizer. Não necessariamente pelas músicas, porque não é apropriado dizer que o repertório de Cat seja feito pelo som do Mississipi ou o folk, embora sejam essas algumas de suas influências. Mas sim pelo espírito, pelo clima pé na lama, pelos gritos e sussurros capazes de aquecer a alma numa noite de frio.
O que mais poderia dizer depois de ouvir Don´t explain, marcada na voz Billie Holiday, ou Metal Heart, ambas presentes em Jukebox, o álbum mais recente de Cat?
E este vídeo aqui, também da lavra de algum fá, mostra a última música do show, Angelitos Negros, e a despedida calorosa da musa indie
A viagem terminou com uma Cat sorridente, feliz, distribuindo rosas brancas para a plateia, que, entregue, a aplaudiu de pé por vários minutos. Nesses instantes, nossa cantora já não estava apenas no canto do palco. Andando de um lado a outro para cumprimentar as pessoas, Cat Power, pelos menos naquele momento, era a perfeita tradução de uma pessoa feliz.





