O rock desconcertante do Fellini

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Capa de “O adeus de Fellini”, de 1985, primeiro disco da banda paulistana

Na cena musical, a década de 1980 no Brasil é lembrada pela explosão do rock como fenômeno cultural, midiático e de indústria. Os nomes eram Legião Urbana, Barão Vermelho, Paralamas do Sucesso e, em São Paulo, Ultraje a Rigor e Titãs, apenas para citar alguns casos.

Todas essas bandas começaram nos becos e atingiram o estrelato. Mas houve quem escrevesse toda a sua história fora dos holofotes, o que não significava necessariamente não ter atributos para figurar no primeiro time. Quem fica nas sombras às vezes vira cult.

É o caso da banda Fellini.


Grupo toca Last Samba ao vivo na boate OFF, Sao Paulo, por volta de 1987 e 1988

Acostumado a plateias de 30 pessoas, como diziam seus integrantes, o grupo é um típico produto paulistano da década perdida. Em Sampa, mesmo nos anos de globalização incipiente e com o Brasil fechado cultural, política e economicamente, era possível ouvir os ecos da cena roqueira internacional, especialmente a europeia. Pois vinha do Velho Mundo a grande inspiração do Fellini, fundado em 1984 e encerrado em 1990 – houve um revival no início desta década, mas nada muito duradouro.

Pós-punk, new wave, samba eletrônico, rock de vanguarda: tarefa ingrata definir o Fellini. E seria bobagem entrar nessa onda. O importante é que a banda marcou época na cena independente paulistana dos anos 1980 com letras enigmáticas e composições desconcertantes. Centro Cultural São Paulo, Lira Paulistana e Madame Satã eram alguns dos palcos do Fellini.

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Os integrantes do Fellini

Você deve pensar com o seu mouse porque cargas d’água este missivista 2.0 tirou da cachola a ideia de um post sobre esse grupo que nunca tocou no Chacrinha. Simples: porque no sábado estive na Baratos Afins, lendária loja de discos da Galeria do Rock cujo selo nos deu a oportunidade de ouvir em casa os LPs de Voluntários da Pátria, Salário Mínimo, Golpe de Estado, Itamar Assumpção, Bocato, A Chave do Sol, Patrulha do Espaço e…Fellini.

Vi os álbuns remasterizados dos caras e não pensei duas vezes: tasquei 20 merréis em um único CD que reúne os dois primeiros discos da banda de Cadão Volpato, Jayr Marcos, Ricardo Salvaqui e Thomas Pappon: “O Adeus de Fellini” (1985), o de estreia, e “Fellini Só Vive 2 Vezes” (1986). Outros três trabalhos foram lançados: “3 Lugares diferentes” (1987), “Amor Louco” (1989) e “Amanhã é tarde” (2002), já no clima de revival. Somente o último não foi lançado pela Baratos.


“Chico Buarque Song” tem ou não a pegada do Joy Divison?

Conheci o Fellini em 1995 quando pilotava as pick ups de um programa de rock na Rádio XI, emissora livre (pirata, diriam alguns) ligada ao Centro Acadêmico XI de Agosto, da São Francisco (USP). O estúdio ficava no terraço da Casa do Estudante, edifício cujas janelas davam para o Minhocão ( opa, foi sem maldade!) e abrigava de tudo um pouco em seus corredores.

O culpado por me apresentar ao Fellini foi o Rodney Brocanelli, amigo que comandava uma atração de rock independente lá. É do próprio Rodney as entrevistas com o vocalista Cadão Volpato, jornalista (ex-Veja, Época e Metropólis), e Thomas Pappon, baixista, disponíveis no blog A História Oral do Fellini. Outro texto que fornece um bom panorama sobre o grupo é o B* Scene.

Separei para este post uma entrevista com o Cadão feita pelo Thunderbird, ex-MTV. Também sugiro os vídeos com apresentações da banda, um pouco mais acima. Direto do túnel do tempo. Graças ao YouTube.

Bom, agora vou ouvir sosssegamente o grande hit (!) da banda, “Rock europeu” (rock europeu/ rock europeu/ um punk varrendo/ palácios e cores que falham/ Você nem imagina o que não conheceu/ agora é tarde é tarde/ meu saco já encheu”).


Entrevista de Thunderbird com o vocalista Cadão Volpato

Descobri o segredo do Frank Zappa

Era a bicicleta, tinha de ter uma explicação. Para fazer aqueles sons pirados e sensacionais, que misturavam rock, jazz e erudito, não podia ter começado de uma maneira, digamos, convencional.

Mas não sei se o mais inusitado é o Zappa tocar bicicleta ou vê-lo de terninho, cabelinho cortado e barba feita num programa de auditório.

Dica passada por André Abujamra via Twitter.

O começo do mito

O editor do Ponto de Fuga:

* ouvia Michael Jackson quando criança;
* imitava a dança dos passos;
* não perdia um concurso de imitadores de Michael Jackson no programa do Barros de Alencar, na Record, sábado à tarde;

* é óbvio que tinha o bolachão de Thriller, que ouvia sem parar.


Michael Jackson no The Jackson Five, o início do astro

* e quando cresceu continuou a gostar – só que de Bad em diante a coisa ficou trash. Mas o astro já tinha cumprido sua missão artística.
* assistiu hoje várias ao clipe de Thriller, dirigido por John Landis, e mais uma vez achou aquilo sensacional. Como cinema e como música.

E é isso.

E por falar em Sarney…

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Sarney mandou avisar que não vai autografar o Marimbondos de Fogo
para quem criou falso Twitter para ele

Tempos férteis para o anedotário político. Foi só ver o brochinho de Fiscal do Sarney que me entusiasmei e procurei outras homenagens na rede ao excelentíssimo presidente do Senado. E eis que constato o carinho dos twitteiros com o literato do Maranhão. Mas o ilustre ex-presidente não gosta de nada que se limite a 140 caracteres.

O autor de Marimbondos de Fogo, esse clássico da literatura nacional (um dos livros mais vendidos e lidos desde um 3000 AC, constate), ameaçou fazer a justiça arder no engraçadinho que criou um Twitter falso para ele. (veja aqui)

Dias atrás, estava no ar a “página” do senador, com tweets como esse, registrados pelo blog do Jamildo, do JC Online:

“Minha secretária já deixou outro comprimido. Vou dormir.”

“Alguém aí foi meu fiscal? A idéia da campanha foi Maílson e a arte do broche foi de algum estágiário da UnB”

“Meu novo plano para limpar o senado será um marco na política brasileira. Ele será bem diferente do Plano Verão e do Plano Bresser”.

E personagens célebres deixaram “mensagens”. Um deles foi Paulo Coelho. “@paulocoelho avisa na academia que faltarei ao nosso tradicional chá nessa semana. Estou tendo um pouco de serviço do DF“.

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Busquei a página no Twitter (digite Jose Sarney no Twitter), mas acabou-se o que era doce. No ar, apenas uma breve perfil do ex-quase twitteiro maranhense:

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“josesarney Sen. José Sarney
Presidente do Senado brasileiro, devoto da causa pública e comprometido com a ética e a cidadania.
1,447 followers · from Amapá · updated 3:52 PM Jun 19th

Quem é fiscal do Sarney aí?

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Para os órfãos da Nova República.

Quem aí ligava para a Sunab quando sumia carne no supermercado? Discava 198, tá ligado?

Quem anotava na cadernetinha o preço das embalagens e, se visse que o valor tinha sido alterado depois, chegava para o dono do armazém e bradava, a plenos pulmões: “Tome tento porque sou fiscal do Sarney!”.

E, se o dono do secos e molhados enchesse seu saco, chamava o Funaro para botar ordem na casa?

Em tempos de ato secreto, de “Secreta” que apita em tudo, da sarneylândia proliferando mais rápido que a gripe suína, recordar é viver.

Essa eu pesquei do mural do Facebook do do Maurício Machado, que por sua vez pinçou a pérola do mural do Ricardo Sá Fortes. Será que ele era fiscal do Sarney?

Vamos de Barão de Itararé

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Essa eu tirei do Bloghumor do Novaes, chargista companheiro da Gazeta Mercantil.

Novaes, boa ideia relembrar o Barão de Itararé, o sarcástico jornalista que fez história na imprensa brazuca.

E aí, alguém rebate a máxima do glorioso Barão?

O que o diretor-geral do MySpace Brasil tem a dizer

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Emerson Calegaretti comanda a operação do site de música,
que fechou as portas no País

Um dos responsáveis diretos pela fundação do Google e do MySpace no Brasil, o nome de Emerson Calegaretti é bem conhecido no meio digital. Como jornalista que cobre a área digital, acompanho as empresas que comanda ou comandou, embora só tenhamos nos conhecido pessoalmente na semana passada, quando ele fez uma ótima palestra sobre redes sociais no curso de comunicação digital da ESPM (leia mais no post sobre Paulo Henrique Amorim e sobre os protestos no Irã, nesta mesma página).

Ao final do encontro, meu amigo Gil Giardelli, curador do curso (veja mais no blog dele), me apresentou ao Calegaretti, a quem pedi uma entrevista (que seria em vídeo, para o blog). Convite prontamente aceito. Faltava apenas agendar a data.

E veja como são as coisas, amigo do Ponto de Fuga. Sujeito atencioso e alto astral, Calegaretti se vê agora diante de um momento delicado, uma semana depois.

Ele é diretor-geral do MySpace, uma das maiores redes sociais do mundo e que anunciou há poucos dias que encerrará atividades no Brasil. A companhia controlada pelo magnata da mídia Rupert Murdoch cortou 30% da força de trabalho nos EUA e passou a faca em suas demais operações espalhadas pelo mundo.

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Empresa cortou 30% da força de trabalho nos EUA

Destaco aqui a postura do Calegaretti diante do episódio. Em vez de se resumir a uma comunicado frio e impessoal, assinado pela corporação, ele optou por fazer um post no MySpace para explicar aos usuários do site e aos demais interessados o que se passa com a companhia no Brasil. Em primeira pessoa, diga-se.

Pode parecer pouco, mas não é, se observarmos como costumam se comportar executivos de grandes corporações diante de obstáculos desse porte.

“Muitas coisas ainda estão por resolver por aqui. Mas sem crise. Já tive tempo de dar vários rolês de moto que deixaram minha mente limpa. Mais ainda, tive todo o amor da minha família e amigos para reforçar isso”, escreveu em seu blog no MySpace (veja aqui).

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Site continua a operar em português, mas
sem produção de conteúdo

Deixo aqui um compilado de sua palestra. Em seguida, a apresentação dele no curso da ESPM.

• As redes sociais digitais são importantes porque mudam a relação das pessoas com a cultura, consumo, economia, política e família etc.

• A Geração X (a que cresceu com a internet) é composta por jovens conectados, que valorizam muito a opinião dos amigos, buscam satisfação instantânea, querem encontrar conteúdo ou entretenimento quando, como e no lugar que desejarem e não se submetem a hierarquias rígidas.

• Uma empresa, entidade ou pessoa física que queira ter uma atuação eficiente nos canais digitais precisa saber qual sua reputação na rede (o que dizem de você nos sites, blogs etc). No caso das companhias, também observar o que dizem de seus concorrentes.

• A comunicação de Obama foi eficiente porque sua mensagem catalisou sentimentos opostos aos que Bush despertou. Depois de o presidente da guerra ter acirrado os ânimos do mundo contra os EUA, visto como beligerante e dominador, Obama se colocou como agente da mudança, da esperança, do diálogo. E o digital foi a aliado nesse objetivo. Ele usou seu site e redes sociais digitais para iniciar uma conversa com a população, especialmente os mais jovens.

• Um projeto de comunicação na rede precisa ser constante. Não adianta criar uma ação hoje e amanhã engavetá-la.

Veja a apresentação do Calegaretti.

Kind of Blue, 50, a obra-prima de Miles Davis

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Capa do álbum Kind of Blue

Bill Evans, pianista de jazz que bebeu da fonte de Debussy, Ravel e Chopin, disse que em Kind of Blue, talvez a maior obra-prima de Miles Davis, “você irá escutar algo que está próximo da pura espontaneidade”.
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Davis tocou Charlie Parker ( à esquerda) no início da carreira

“O grupo nunca havia tocado estas peças antes da gravação, e creio que, sem exceção, a primeira interpretação completa de cada uma foi tomada como um take”, escreve Evans no prefácio do livro “Kind of Blue: a História da Obra-Prima de Miles Davis” (Barracuda), de Ashley Kahn. Tenho o prazer de ter este livro, importado, que comprei por volta de 2002 – a edição em português veio alguns anos depois.

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John Coltrane, Cannonball Adderley, Miles Davis e Bill Evans durante
as gravações de Kind of Blue

Integrante do grupo Davis no período, Evans participou de Kind of Blue ao lado de John Coltrane (sax tenor), Julian “Cannonball” Adderley (sax alto), Paul Chambers (contrabaixo) e Jimmy Cobb (bateria).

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Último trabalho de Davis, Doo-Bop
é tido como precursor do acid jazz

Mais palavras e Evans:

“A improvisação em grupo coloca um desafio a mais. À parte o problema técnico de pensar coletivamente de modo coerente, existe a necessidade muito humana, social até, de que a simpatia por parte de todos os integrantes se coadune em prol de um resultado comum. Penso que esse difícil problema é lindamente abordado e solucionado nesta gravação”.

É deste álbum a música So What (veja aqui, rolando a tela para baixo), um de seus grandes sucessos, com participação marcante de Coltrane.

O vídeo abaixo traz performance de All Blues, presente no álbum. Mas trata-se de uma apresentação da década de 1960 e com uma formação na banda diferente da que tocou em Kind of Blue. Tem Ron Carter no baixo, Herbie Hancock no piano e Wayne Shorter no sax. Em todo caso, é uma ótima peça para degustação sonora coletiva.

50 anos de um clássico de Dave Brubeck

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Álbum Time Out, de Dave Brubeck Quartet,
ampliou os horizontes do jazz

Em 1959, The Dave Brubeck Quartet, um dos principais grupos jazzísticos da história, lançava o disco Time Out, que trouxe uma das músicas mais tocadas, regravadas e ouvidas do jazz em todos os tempos: Take Five, composta pelo saxofonista do grupo, Paul Desmond.

O título do disco é Time Out pelo fato de as músicas utilizarem tempos diferentes do tradicional 4/4, que predominava no gênero. Take Five, por exemplo – sucesso até hoje! -, foi feita no compasso 5/4.

No mesmo ano também foi lançado Kind of Blue, de Miles Davis, outro gigante, com um álbum que igualmente lendário. Mas isso é papo para outro post.

Vale a pena relembrar e ver – e ouvir – o quarteto tocar Take Five. Reparem no solo de bateria do Joe Morello. Show à parte.

Paulo Henrique Amorim: “Quero ser um portal”

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O blogueiro Paulo Henrique Amorim (foto retirada da internet)

Ele chega à porta do auditório da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing), em São Paulo, e para por alguns instantes. Seu terno é bem cortado; sua postura, alinhada. O penteado não ostenta nem um fio fora do lugar.  

Enquanto passeia os olhos pela platéia, ergue a cabeça e abre ligeiramente a boca. Parece admirado e curioso. Praticamente lotada, a sala recebe cerca de 70 pessoas, que estão confortavelmente sentadas em cadeiras estofadas que se localizam em um nível inferior e de costas para quem adentra o ambiente.

Os instantes de observação são breves, porque logo ele é chamado por Gil Giardelli, seu anfitrião, para ocupar o lugar de destaque da noite.  Paulo Henrique Amorim está preocupado. O relógio já crava 20h, trinta minutos além do horário marcado para iniciar sua palestra no curso de Ações Inovadoras em Comunicação Digital, na ESPM.

Paulo Henrique Amorim, o jornalista veterano, vai contar suas aventuras num universo que ainda deixa desbaratado um bocado de gente com muitas primaveras a menos, incluindo vários coleguinhas da imprensa.  Vai relatar sua experiência de blogueiro. Contará como é ser jornalista na era digital.

 “Olá, tudo bem?”, ele diz.

Ele começa pelo cumprimento peculiar, a marca registrada que todos se acostumaram a ouvir em seus programas de TV. Claro, claro: com a mesma entonação característica, a voz anasalada, rouca, inconfundível.

 

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Ele não se furta a falar de web e jornalismo em palestras país afora

Vai logo pedindo desculpas pelo atraso. Ele odeia se atrasar. Culpa o trânsito e faz troça dos tucanos. Diz que os engarrafamentos colossais de São Paulo têm o bico dessa espécie de ave política que se mostra incapaz de dar um jeito no problema ( ele gravou um buzinaço feito por motoristas irritados e transformou em podcast em seu blog).

Com um humor que vai da ironia ao sarcasmo num piscar de olhos, Paulo Henrique  falou de tudo e mais um pouco. Falou que sua experiência profissional na internet começou há um punhado de anos, com projetos de web TV no UOL. Contou que um dia teve uma ideia sensacional, que mudaria o mundo e poderia enriquecê-lo. Algo de gênio, que ninguém nunca antes neste país havia pensado: fazer um chat sobre mercado financeiro assim que a Bolsa encerrasse o pregão. Um programa para que as pessoas entendessem a temperatura das finanças.  

“Conversei com o Marcelo Lacerda, fundador do Zaz (que posteriormente virou o Terra). Ele adorou”. Buscaram patrocinadores, o produto foi ao ar e, embora certa vez tenha tido a audiência do ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga  (“Era o único na sala de bate-papo no dia!”), teve desconectar o projeto de sua vida. “Foi um retumbante fracasso”

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Blog dá audiência, mas o ganha-pão mesmo vem do trabalho na Rede Record 

A transformação da mídia em função da tecnologia digital é um dos temas sobre os quais dedica atenção. Perguntei  se ele concordava com a ideia de que o noticiário factual tenderia a ficar nas mãos de pouquíssimas agências de notícias (notícia como commodity), enquanto a demanda por conteúdo contextualizado e analítico abriria brechas para microempresas digitais criadas por jornalistas, como o seu Conversa Afiada, blog independente responsável por uma audiência mensal de 3 milhões de usuários únicos. Ele concordou.

“Está todo mundo buscando um novo modelo de negócios na área de mídia”, disse. E ressaltou a importância de investir em bom conteúdo. “Mandar quatro correspondentes para Bagdá custa caro. Quem vai pagar por isso?”

Sistemas de financiamento baseados no filantropismo de entidades ou investidores, que sustentariam coberturas ou projetos jornalísticos especiais, podem ser uma alternativa viável. “Esse é um caminho estudado agora nos EUA”.

 
YouTube tem vídeos com suas opiniões sobre a blogosfera

Sua aposta no meio digital é tamanha que ele quer transformar o Conversa Fiada em um produto bem mais amplo. A inspiração vem do bem-sucedido e balalado The Huffington Post, blog político americano que recebeu, em 2008, investimento de US$ 25 milhões – aplicado pela Oak Investment Partners, de Palo Alto, na Califórnia- , o que fez a empresa alcançar o valor de US$ 100 milhões.
O valor supera o de várias empresas de jornalismo impresso dos Estados Unidos. “Quero ser a Ariana Huffington. O blog dela, que é agressivo politicamente, se transformou em um portal”, afirma, taxativo. Ele se refere à fundadora do The Huffington Post. E completa, para não deixar dúvidas: “Quero se um portal!”.

Twitter no Irã e a dancinha que arrastou uma multidão

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Twitter e blogs impulsionam protestos no Irã e exemplificam
nova face da mídia

O principal assunto no mundo hoje é o Irã. Protestos contra a vitória de Mahmud Ahmadinejad, acusado de fraudar as eleições do país. Mais uma vez as redes sociais digitais surgem como protagonistas de mobilização popular em torno de um tema político. Em abril, movimento semelhante ocorreu na Moldávia.
Protestos organizados pelos iranianos nas ruas foram impulsionados por mensagens enviadas pelo Twitter, blogs e outras ferramentas digitais.

O governo do Irã restringe o trabalho da mídia profissional, mas o tiro sai pela culatra; a blogosfera se encarrega de furar o cerco à informação e grita para o mundo a sua revolta. Ahmadinejad e os aiatolás estão perdendo a guerra da informação graças, em grande parte, às redes sociais digitais.

Isso me lembra Howard Heingold e sua ideia de smart mobs.

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Governo restringe trabalho da grande mídia, mas redes sociais divulgam protestos

É importante ver como, neste novo ambiente, as mídias tradicional e digital se intercalam, se relacionam e se alimentam mutuamente. Uma precisa da outra: os veículos tradicionais – assim chamados por falta de nomenclatura melhor – obtém informações (com vídeos, fotos e relatos escritos) sobre o desenrolar das manifestações e medem a temperatura social por aí.

A blogosfera tem seus esforços ampliados quando jornais, revistas e TVs de todo o mundo reverberam seus esforços. Se CNN, BBC, New Yor Times e outras não noticiassem, sem dúvida o impacto seria bem menor.

Resumo da ópera: o novo ambiente de mídia é muito mais complexo, sofisticado e até mesmo caótico e não se caracteriza pela substituição de uma mídia pela outra.

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Mahmud Ahmadinejad talvez não acreditasse na força da internet

Ao escrever sobre esse post, me lembrei das palavras de Emerson Calegaretti, presidente do MySpace Brasil, no curso Ações Inovadoras Digitais em Comunicação Digital organizado por Gil Giardelli e Sandra Turchi na ESPM. Na aula que ministrou nesta semana, Calegaretti (ex-Google e UOL), deu um panorama sobre as redes sociais digitais e fez algumas análises. Mas este é um assunto para o próximo post.

Antes do ponto final, vejam o vídeo abaixo. Tem tudo a ver com o que dito aqui.

Alguns podem considerá-lo bobo, no máximo engraçadinho. Mas ele vai além. É exemplo do acontece quando o poder de atração de um, dois ou três indivíduos é muito forte e contagiante. É uma boa metáfora do que acontece no meio digital. Peço desculpas pelo palavrão, mas é um vídeo metalingüístico, porque o episódio (um show ao ar livre, parece um Woodstock 2.0 desengonçado e meio nerd), foi captado por uma câmera de vídeo instalada numa máquina fotográfica, postado n o YouTube, esse oráculo visual de nossa era, e espalhado para o mundo por meio de blogs.

Enquanto apenas um faz a dancinha, é só mais um doidão. Quando outros dois de juntam, trata-se do início de uma multidão, como bem apontou Seth Godin, editor do blog onde vi o vídeo, depois de Ângelo Chaves, meu colega do curso sobre comunicação digital na ESPM.

A conexão digital do DJ Kid Vinil

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Kid Vinil, de herói do Brasil a desbravador cibernértico

No dia 11 de maio, foi publicada na Gazeta Mercantil uma entrevista que fiz com o Kid Vinil, músico, pesquisador musical e DJ. Profissional com mais de 30 anos de carreira e líder da banda Magazine, sucesso nos anos 1980, Kid analisa a nova face da música na era digital, com o avanço de equipamentos como iPod e MP3. E, claro, fala de sua paixão por discos vinil e CDs, intocável mesmo entre mil e um downloads que ele faz ao pesquisar tendências.

Veja mais no site do Kid, que atualmente escreve para o Yahoo e o Portal MTV.

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O número do telefone já não é o mesmo, mas de vez em quando Kid tem um ter tic tic nervoso
com a banda Magazine


A conexão digital do DJ Kid Vinil

Gazeta Mercantil
Clayton Melo

São Paulo, 11 de Maio de 2009 – Em 1978, um rapaz chamado Antonio Carlos, funcionário da gravadora Continental, esteve pela primeira vez em Londres. Ficou fascinado com a efervescência da cena punk inglesa, embalada por bandas como The Clash e Sex Pistols. Ao voltar para São Paulo, seguiu o lema dos punks (“faça você mesmo”) e montou um grupo. Foi por essa época que adotou o nome Kid Vinil e passou a comandar um programa de rock alternativo na rádio Excelsior. Suas andanças pelo underground resultaram, em 1983, num dos conjuntos mais divertidos do rock nacional: o Magazine, que estourou nas paradas com os hits “Eu sou boy” e “Tic Tic Nervoso”.

Embora sem os mesmos holofotes daqueles tempos, a banda continua na ativa, movida pelo prazer de tocar. Prazer que Kid Vinil sempre cultivou pelo estudo da história da música, especialmente do rock, o que fez dele uma referência quando o assunto é a evolução do cenário pop.

É com base nessa vivência que Kid Vinil, atualmente blogueiro contratado do Yahoo e do Portal MTV, analisa nesta entrevista as transformações na indústria fonográfica e os reflexos dos novos formatos de distribuição nos hábitos de consumo. “Acho que o independente sobreviverá. Para as grandes gravadoras, a situação é mais complicada, porque ela não pode mais pensar em milhões de cópias”, afirma Kid, que, amante da chiadeira das vitrolas, também se aventura pelos mares agora navegados de iPods, blogs e podcasts.

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Foto da primeira visita a Londres, em 1979, fonte de referências sonoras

Gazeta Mercantil – Além de ter uma longa trajetória como DJ, músico e pesquisador, você é responsável por uma das maiores coleções do Brasil, com cerca de dez mil CDs e dez mil discos de vinil. Qual sua opinião sobre a digitalização da música?

Nunca tive nada contra. Adaptei-me a essa realidade. Faço podcasts, vou ao MySpace e tenho iPod. Não sou um radical. Todos os formatos são válidos. A mudança tecnológica faz parte da vida do ser humano.
Gazeta Mercantil – Você acredita que hoje, com a digitalização, a música tenha se tornado descartável?
Exato. Há coisas que entram por um ouvido e saem pelo outro. Eu mesmo me questiono. Puxa vida, ouvi tal banda, era tão legal, mas aí já passei para outra. Não existe uma longevidade. O disco do ano não será mais lembrado no ano que vem. A internet, com a possibilidade de as pessoas fazerem download de tudo, acelerou esse processo. Antes, havia a luta para conseguir um disco. Então ele era ouvido várias vezes, degustava-se o disco. Hoje, você baixa, coloca no iPod e pronto.

Gazeta Mercantil – O CD e o vinil tinham o poder de tornar a música perene?

Por causa do fenômeno do download, outro dia me perguntaram qual a importância, no futuro, de um disco com doze faixas. O artista continuará a lançar uma obra completa, baseada num conceito, como sempre foi feito? É esse conceito de um trabalho contido no disco que está se perdendo. Mas ele é importante.

Refiro-me ao pensamento que vai desde a capa, o enredo, as doze faixas guardam uma relação entre elas. Há uma história por trás daquilo. Com a era do download, quando as pessoas não valorizam mais com o conceito, como será no futuro? Essa é uma questão que está na minha cabeça. Até agora, tudo bem. As bandas ainda se preocupam com isso. Não sei se no futuro será assim. Acho isso meio perigoso, porque vai tornar a música mais descartável.

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Pose para o clique promocional do do LP “Magazine” (1983)

Gazeta Mercantil – Quais são as perspectivas para as gravadoras?

Acredito muito no mercado independente. No exterior, tudo parece que correu para esse segmento, principalmente as bandas independentes que estavam nas grandes gravadoras. É o caso do Sonic Youth (dos EUA), que deixou a gravadora Geffen e foi para o selo Matador Records. Esse povo independente tem noção de que a venda de discos, para eles, não significa tanto. Ele faz prensagem limitada, de mil cópias, e pensa de um modo diferente da grande gravadora. Para essas bandas, o disco é um cartão de visitas. Não é ali que elas ganham, mas sim nos shows.

Por isso acho que o independente sobreviverá. Para as grandes gravadoras, a situação é mais complicada, porque elas não podem mais pensar em milhões de cópias. Ainda existem exceções, como os EUA, um mercado relativamente aquecido, embora não se saiba até quando. Há quem ainda venda bem por lá. Como o poder aquisitivo é alto, o americano pode se dar ao luxo de comprar CD. Mas as gravadoras grandes enfrentam esse problema, principalmente no Brasil.

Gazeta Mercantil – Como você avalia a parceria das gravadoras com operadoras de telefonia, para que os álbuns sejam lançados pelo celular?

É uma forma para as gravadoras ganharem grana. Como a venda de discos não é mais como era antes, elas precisam encontrar caminhos alternativos. Hoje o dinheiro está na mão das empresas de telefonia, e as gravadoras vão atrás. Há companhias que têm rádio, como a Oi. Nota-se que a programação é feita com as gravadoras. Tudo o que toca ali é dinheiro da indústria fonográfica. É uma forma também de ampliação de receitas para as empresas de telecomunicações.

Gazeta Mercantil – Com o enfraquecimento do modelo tradicional da indústria fonográfica, que alternativa de negócios pode surgir no lugar? Os selos menores podem ser favorecidos?

Sim. A tendência é pensar pequeno em termos de gravadoras. Como está tudo liberado para downloads, a pessoa não adquire mais tantos discos como tenho aqui em casa (rs).

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Com o grupo Heróis Do Brasil, ao lado de André Cristovam, ao vivo no SESC
Pompéia em 1988

Gazeta Mercantil – A cultura do colecionador pode ser o combustível para o mercado de discos, ainda que de modo bem segmentado?

É essa cultura dos independentes que está salvando a indústria lá fora. Mesmo esse resgate do vinil é algo para apreciadores, fãs.

Gazeta Mercantil – Num ambiente em que as pessoas têm acesso a todo o tipo de música quando e da forma que quiserem, como ficam as emissoras musicais de FMs?

Com as mudanças provocadas pelos novos formatos – podcasts, rádios on-line -, elas perdem terreno. O número de ouvintes de rádio caiu muito. Não escuto mais ninguém falar “estou ouvindo determinada canção no rádio”. Antes, havia essa referência. Hoje, elas ouvem no MySpace, baixam da rede. Daí é possível concluir que o rádio já não tem o papel de divulgar.

Ele está aí, mas também corre o risco de acabar. Quer dizer, acabar não vai. O rádio se segmentou. As pessoas ouvem as emissoras especializadas em notícias, como CBN e BandNews – essa foi uma bela sacada. Musicalmente, pode-se ouvir no carro. Mas a FM perdeu muito porque hoje há outras opções.

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Trocando figurinhas com apresentador de TV e rádio Barros de Alencar,
que abriu espaço para novas bandas na década de 1980

Gazeta Mercantil – Você participou, como jornalista e vocalista da banda Magazine, da chamada geração anos 1980 no Brasil, que culminou na explosão do rock nacional. Qual sua avaliação sobre aquele período?

O punk e a new wave tinham chegado aqui, e assim tivemos uma geração interessante na década de 1980. As gravadoras e a mídia abriram as portas. Caso contrário, não teria havido movimento nenhum. As gravadoras perceberam que havia uma juventude que poderia comprar discos. O setor enfrentava dificuldades na época, porque a MPB havia ficado estranha, velha e sofisticada demais. Não gerava a receita que as empresas precisavam. A indústria fonográfica buscava uma música imediata, que tocasse no rádio, fosse para a TV e vendesse discos.

O rock que aparecia naquele momento proporcionava isso. E vinha a calhar para uma juventude pós-ditadura que queria se divertir e não era engajada. Assim surgiram várias danceterias, todo mundo querendo viver um pouco mais a vida e esquecer os anos ruins do militarismo.

Gazeta Mercantil – E hoje? Você identifica algum movimento de juventude?

Se formos comparar, não existe nenhum. Hoje o movimento é a molecada ligada na era digital. É o movimento do iPod (rs).

“Minha denúncia é a minha alegria”

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Vídeo com o poeta Miró da Muribeca agora está no YouTube e no Ponto de Fuga

Agora, sim: o vídeo Miró da Muribeca em São Paulo, que eu e Daniel A. Rubio fizemos (veja detalhes no post anterior ), está no YouTube. Para facilitar, replico-o neste post. Para que o YouTube comportasse o material, tivemos de dividi-lo em dois: Parte 1 e Parte 2. Sugiro assisti-los na seqüência.

Eis algumas frases de Miró frases extraídas do curta:

Sou poeta pernambucano, tenho 48 anos, oito livros publicados e nasci no bairro da Encruzilhada. Aí já começou a tragédia: nascer na Encruzilhada”

A poesia me deu a oportunidade de conhecer o País”

“Quando estava na oitava série, uma professora pediu para fazer uma redação. Então disse: ‘Chove um sol lá fora’. Ela falou: ‘Meu filho, como pode chover um sol lá fora?’. E respondi: ‘A senhora já ouviu falar em metáfora?’”

“Tenho um poema que diz: “Jesus não vem: prepara-te”. Porque todo mundo diz ‘Jesus vem’. E se não vier?

“Minha denúncia é a minha alegria”

“Sou ‘Alegrista’, gosto de pessoas simpáticas, que riem. A maior frase do Alegrismo é da minha mãe. Ela diz sempre: “Meu filho, fuja de gente que não ri. Gente que não ri é perigosa”.

PARTE 1

PARTE 2

Ponto de Fuga produz vídeo sobre o poeta Miró

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Ao lado do documentarista Daniel A. Rubio, este blogueiro fez vídeo sobre o poeta pernambucano Miró

Clique aqui para ver o vídeo (ao acessar o site, basta esperar alguns segundos para o filme começar automaticamente a ser exibido, no alto da tela, à esquerda).

Miró da Muribeca é um peregrino das palavras. Poeta pernambucano, anda de um lado a outro do Brasil colecionando histórias e amigos, risos e lágrimas. Joga conversa fora e bisbilhota outras tantas em esquinas e becos com a mesma facilidade com que declama um poema – eis sua especialidade, a isca com que fisga ouvidos e corações. Sua carpintaria poética se faz das agruras e belezas urbanas, dos semáforos, das conspirações de botequim, da urgência da contemporaneidade.

Em janeiro, eu e o Daniel A. Rubio, documentarista chileno que mora no Brasil, nos juntamos para fazer um vídeo sobre o Miró. A ideia surgiu por acaso. Resolvi transformar meus agradáveis bate-papos com o poeta – de quem me tornei amigo por meio outro amigo do peito, o produtor Edson Lima, de O Autor na Praça (produtor-associado do filme)– em entrevista. Poderia oferecer a pauta como frila para alguma publicação impressa. A força do personagem e a qualidade de sua poesia poderiam render um belo perfil. Por essas contingências cotidianas, não batalhei esse frila imediatamente, sempre deixando para depois.

Então numa tarde de sábado no espaço de O Autor na Praça, na praça Benedito Calixto, em Pinheiros, São Paulo, saquei meu bloquinho e botei Miró para falar.

E Miró falou tanto, mas tanto de sua vida e seu processo de criação que Daniel, que estava de antenas ligadas ali perto, sugeriu que fizéssemos, naquela mesma hora, um vídeo. Como eu e ele já pensávamos em levar adiante alguns projetos de vídeos, fomos então ao estúdio-apartamento do Daniel, distante algumas quadras dali. À noite, amigos recepcionaram Miró em uma festa, o que também serviu de matéria-prima para nosso trabalho. E assim nasceu o vídeo agora disponível no site Artver.

Convido aos amigos para uma sessão com “Miró da Muribeca em São Paulo”, que tem direção e edição do Daniel e produção e entrevista a cargo deste blogueiro.

Basta clicar aqui ver o vídeo.

Carta de um exilado

Reginaldo Pujol, jovem contista de Porto Alegre, escreveu um texto divertidíssimo e refinado, com animação do Estúdio Makako. Um ato de desagravo a um injustiçado da reforma ortográfica, essa ditadura. Vi no blog do João Paulo Freitas, o Outro.

A crise da imprensa e a nova mídia

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Foto de Genésio
Marcelo Coutinho é doutor em sociologia e pesquisa
o impacto da tecnologia na indústria da comunicação

Um mês antes do fim da Gazeta Mercantil, publicamos, ne editora de Comunicação, uma entrevista concedida a mim por Marcelo Coutinho, um dos principais pesquisadores de mídias interativas e negócios da comunicação no País. Essa foi uma das tantas entrevistas que fiz com Coutinho ao longo dos oito ou nove anos em que nos conhecemos. Todas instigantes e elucidativas.

Como o assunto está quente – futuro da imprensa diante da tecnologia digital e novo modelo de negócios da mídia -, a matéria gerou um bom interesse na rede e foi replicada em vários blogs, entre eles o do Paulo Henrique Amorim e Luis Nassif , com uma intensa troca de comentários.

Nova cultura da mídia muda valor do conteúdo

27/04
Gazeta Mercantil/Caderno C – página 8
Clayton Melo

São Paulo, 27 de Abril de 2009 – Doutor em sociologia pela Universidade de São Paulo e professor da pós-graduação da Faculdade Cásper Líbero, na capital paulista, Marcelo Coutinho é um estudioso do impacto da tecnologia na economia e na comunicação. Além da experiência acadêmica, seu olhar sobre as mudanças na mídia é lapidado pelo trabalho como diretor de análise de mercado do Ibope Inteligência. Nos últimos anos, tem se dedicado a estudar dois campos que, entre tapas e beijos, parecem fadados a um casamento inadiável: a internet e o setor de mídia. Enquanto a primeira avança e transforma a sociedade, o segundo tenta adaptar seu modelo de negócios aos novos tempos. “O que as empresas de comunicação pensam ser uma ameaça, na verdade é uma oportunidade”, diz Coutinho. “Elas têm a possibilidade de repensar um modelo de negócios no qual o conteúdo desempenha um papel central e que leva a sociedade a se mobilizar em torno disso”, reforça o pesquisador, que prefere não ter web em casa para que, aos finais de semana, possa se dedicar a livros, jornais revistas – todos impressos, que fique bem claro.

Gazeta Mercantil – O senhor já afirmou em outra ocasião acreditar que a profundidade das transformações provocadas pelo digital será maior nos próximos dez anos do que o foram na última década. Por quê?

Isso se deve, por um lado, a aspectos quantitativos. Embora não tenha as estatísticas precisas aqui, é fato que o número de usuários de internet no final dos anos 1990 era muito menor. Vamos chegar ao final desta década numa situação muito diferente no mundo. No caso do Brasil, dados do Comitê Gestor e de institutos como o Ibope e o Datafolha apontam para algo entre 60 milhões e 65 milhões de usuários. Algo como 30% da população brasileira. Já é um fenômeno numericamente expressivo. Só que muito mais importante é o fator qualitativo. Estamos assistindo, com o surgimento da economia colaborativa, à possibilidade de uma nova cultura midiática. Embora a cultura da mídia ainda seja muito passiva, com a maior parte dos consumidores recebendo passivamente o conteúdo, vemos nos jornais, na TV e na própria web que as pessoas querem interferir e interagir com o conteúdo de alguma maneira. Há um fenômeno que o pesquisador Henry Jenkins, do MIT, chama de a cultura do fã. O que é isso? É a possibilidade de as pessoas interagirem e rediscutirem aquele conteúdo. É a ideia da calda longa trazida para o mundo do conteúdo. Explico: milhões de pessoas serão impactadas pela série Lost na TV, e alguns milhares de espectadores vão prolongar a vida desse conteúdo por semanas ou até meses, na medida em que discutem esse material. Veja – e por isso digo que provavelmente as transformações serão mais acentuadas nos próximos dez anos – que o controle do conteúdo e das marcas publicitárias começa a sair da mão das grandes organizações produtoras de conteúdo. Não acho que o modelo “broadcast” – conteúdo feito por grandes grupos econômicos para atrair audiência e, assim, gerar receita publicitária – vá desaparecer, é bom destacar. Mas, se esse sistema reinou sozinho praticamente durante toda a segunda metade do século XX, agora ele vai ter de conviver com outro modelo, que é o de produção de conteúdo na “calda longa dos fãs”. Ou seja, o conteúdo que uma organização produz também tem de ser pensado como um produto que pode ser trabalhado, recriado e rediscutido por pessoas que tenham alguma relação com uma marca.

Gazeta Mercantil – O que o senhor descreve é exemplo da narrativa transmidiática da qual fala Jenkins, experimentada por séries de TV como Heroes e Lost ou Matrix, no cinema.

Exatamente. Esses são bons exemplos. Talvez mais importante que impactar uma grande massa de pessoas, será se aproximar daquele grupo que tem uma relação profunda com o conteúdo que sua empresa torna disponível. Isso nos faz pensar numa outra coisa: o que as empresas de mídia pensam ser uma grande ameaça, na verdade pode ser uma grande oportunidade, que talvez só tenhamos visto na época do aparecimento da televisão.

Gazeta Mercantil – Que oportunidade é essa?

É a possibilidade de repensar um modelo de negócios no qual o conteúdo desempenha um papel central e que leva a sociedade a se mobilizar em torno disso. Aqui entramos no terreno das redes sociais: para que serve o conteúdo, a informação? Para gerar prestígio social. Por que uma notícia de jornal ou um filme visto na TV, na web, são importantes? A importância vai além do fator econômico, é também social. As pessoas conversam sobre o conteúdo. Ao conversarem sobre ele, contribuem com o mercado social – reforçar os laços de amizade, prestígio dentro de um determinado grupo. Tudo isso já ocorre muito antes da web. Mas a digitalização possibilita às empresas produtoras de conteúdo rastrear esse conteúdo, coisa que não podiam fazer antes. O que veremos nos próximos dez anos é o rastreamento e a mensurabilidade desse marketing viral. E a possibilidade de medir como isso impacta no comportamento das pessoas. Este é o desafio das empresas de mídia e das agências de publicidade: sair de um modelo de negócio baseado exclusividade na exposição do conteúdo para um calcado no impacto do conteúdo. Em outras palavras, na circulação do conteúdo nas diversas redes sociais.

Gazeta Mercantil – Pode dar um exemplo adequado ao contexto de um jornal ou revista?

Gosto de citar o The New York Times. Se você perguntar para qualquer pessoa da minha geração, de 40 anos para cima, qual é o slogan do NYT, ela dirá “all the that´s fit to print”, ou seja, tudo o que um grupo de editores julgou adequado ser impresso. E qual o slogan do NYT na internet? “Onde as conversas começam”. Isso é muito bem sacado e demonstra a compreensão dos mecanismos que estão diante da mídia. Mais que algum conteúdo para ser impresso e distribuído, busca-se um material que circule entre as pessoas. Como isso pode ser feito e medido? Esse é o Santo Graal que todo mundo persegue. Temos de um lado um mercado de conteúdo produzido por grandes corporações. De outro, um mercado social (os Orkuts, os LinkdIns, os Twitters da vida) no qual os conteúdos circulam. O desafio é fazer com que o conteúdo produzido no mercado econômico também seja medido no mercado social e passe a ter um valor financeiro dentro desse mercado social. Exemplo: existe alguma maneira de gerar receita com uma notícia da interessante da Gazeta Mercantil que eu leve para meu Orkut, Facebook ou Twitter? Acho que existe, mas ainda não conseguimos encontrá-la. A indústria da mídia se encontra diante da mesma oportunidade que surgiu com o aparecimento da televisão. Mas ficar demonizando as mudanças não resolve. Tem de encontrar uma solução.

Gazeta Mercantil – Por que as transformações provocadas pelo digital são tão poderosas?

Porque elas vêm do consumidor. O Ibope Inteligência divulgou duas pesquisas. Uma foi feita no evento de tecnologia Campus Party, em janeiro, e outra agora, sobre a relação dos jovens das classes ABC com as marcas de material esportivo. Esses estudos mostram que, para esse público (que não está na média dos consumidores brasileiros, pois são adolescentes e fissurados em tecnologia), a importância da opinião de outros consumidores é mais importante que a comunicação de massa dos meios tradicionais, como a publicidade em TV, rádio etc. Isso como fonte de informação para decisão de compra. Você pode dizer que hoje eles são adolescentes. Mas, durante a próxima década, esse pessoal vai ingressar com tudo no mercado de consumo.

Gazeta Mercantil – O senhor falou que o conteúdo continuará a ser um item muito importante no cenário que se desenha para o mercado da comunicação. Mas que tipo de conteúdo é esse que será valorado? Quais as perspectivas para a produção jornalística?

O conteúdo tem relevância na medida em que ele é uma moeda social. É o fato de ter acesso a um material interessante, diferente e reproduzi-lo em uma rede, que pode ser digital ou não – é preciso entender que há as redes sociais que não são digitais. As pessoas falam das redes sociais como se elas tivessem surgido com a internet. Mas a sociologia começou a estudá-las por volta de 1890. A novidade é que elas passaram a ser mensuráveis a partir da digitalização. Então, que conteúdo é importante? Claramente percebemos que é aquele que vai além da instantaneidade. De que me vale ver na capa de um jornal a seguinte manchete “Obama é eleito”. Não faz sentido. Vamos analisar o assunto por partes. Pense no jornalismo hard news (notícias factuais), que pode ter alto impacto, mas tem vida útil curta. Esse tipo de conteúdo será comercializado talvez por um grupo muito restrito de organizações internacionais com escala para uma produção global. Estamos falando de dois, talvez três grandes conglomerados. Esse tipo de produto vai morrer como suporte para comunicação publicitária, porque ninguém vai esperar 24 horas para ler a notícia num jornal. A hard news continuará importante, mas o valor percebido nela, no sentido de gerar um modelo de negócios, será cada vez menor. Minha impressão é que caminhamos para a valorização do conteúdo contextualizado. Assim, creio que teremos produtos de mídia na linha da The Economist, com análise e contextualização. Não acredito que as organizações de mídia terão um modelo economicamente viável baseado na exploração de hard news. Esse vai ser um jogo para duas ou três companhias globais, que fornecerão para todo mundo.

Gazeta Mercantil – O senhor se refere a agências de notícias como AFP e Reuters, entre outras?

Provavelmente haverá uma concentração ainda maior entre elas. Já houve a compra da Reuters pela Thomson, por exemplo. Se por um lado há a tendência de concentração no conteúdo hard news, de outro há uma tendência de “capilaridade” da interpretação desse material, algo que é proporcionado pelas tecnologias digitais. Ou seja, muitas vezes são grupos de mídia menores, com equipes compostas por uns dez analistas que contextualizam aquelas notícias. Um exemplo interessante disso – não digo que seja modelo, mas apenas um exemplo – é o blog Huffington Post, da Ariana Huffington, nos EUA. Ela tem uma equipe renomada de especialistas. Esse grupo analisa os fatos para o blog. No auge da crise, em setembro de 2008, um banco americano de investimentos comprou 25% do Huffington Post por US$ 25 milhões. Trata-se de um blog avaliado em US$ 100 milhões. No mesmo dia em que li essa notícia, vi a cotação de alguns grupos regionais de mídia dos EUA na Bolsa de Valores. Muitos valiam menos que o Huffington Post. Eram companhias com 16 jornais locais e estações de rádio valendo menos que um blog. E você poderia perguntar que empresa é essa que poderia se beneficiar desse cenário. Seria um aventureiro, o Zorro? Não. As organizações de mídia tradicional ainda estão repletas de profissionais talentosos, experientes e que entendem como ninguém a importância de um bom conteúdo.

Gazeta Mercantil – Qual o papel dos jornalistas nessa nova configuração?

Respondo a essa pergunta com uma historinha comum nos anos 1990. Na época, dizia-se o “conteúdo é rei, ninguém entende mais de conteúdo que as empresas de mídia, então dominaremos o século XXI”. Mas nos esquecemos do seguinte: para as pessoas terem acesso ao conteúdo, elas precisam chegar a ele. E a forma como elas o alcançam não é só mais o caminhão que entrega o jornal e a revista, mas também os softwares e hardwares de grandes grupos de telecomunicações. Isso mostra que novos integrantes entraram na cadeia da informação, o que provoca um rearranjo de valor. Além desse aspecto, houve uma explosão de conteúdo disponível. E aqui vale a lei da economia: quanto maior a disponibilidade de um bem, menor o seu preço. Há um deslocamento da geração de valor. Quando vivíamos num mundo de conteúdo escasso, todo a informação produzida era consumida. A lógica hoje é outra. Como vivemos num mundo de conteúdo abundante, as pessoas consumirão aquilo que for organizado de uma maneira lógica para elas, consumidoras. O valor do conteúdo deixa de estar totalmente concentrado na produção e distribuição – as receitas das empresas de mídia vinham daí – para a ser gerado também na organização dele. Pelo sistema tradicional, as companhias cobravam um preço para criar e distribuir, algo que era pago pelos anunciantes, que queriam falar com os respectivos consumidores. Todo o valor vinha daí. Num mundo de explosão do conteúdo, o consumidor não dá conta de tudo isso. Assim, ele começa a ver valor em quem organiza a informação para ele. Os blogs tentam se firmar com um agente nesse processo. Como não temos tempo de dar conta de filtrar tudo o que acontece e chegar a uma conclusão sobre o que é socialmente valioso para nossa rede de relacionamentos, vamos aos blogs de fulano e beltrano, que podem tanto ser jornalistas de mídia tradicional como comentadores independentes. Por confiar na capacidade de filtro de determinado blogueiro, a pessoa lê o que ele escreve. E leva as informações para a sua rede social – para o Twitter, por exemplo.

Gazeta Mercantil – A maior demanda por análise decorreria disso?

Sim. Está no poder da filtragem.

Gazeta Mercantil – E como os veículos podem gerar receita nesse cenário?

Essa é a grande questão. A indústria não sabe muito bem como fazer isso. O mercado busca no momento métricas para mostrar para quem sustenta o processo – os anunciantes – que a “filtragem” dá retorno. As empresas de mídia ainda não conseguiram isso. Mas essa transformação virá, porque vem de pressão do consumidor. Tudo o que lemos sobre a situação dos grupos de mídia, especialmente nos EUA, com fechamento de jornais ou migração para o on-line, é motivado por essa realidade. Esse processo não é como um tsunami, mas sim uma maré que vai subindo, subindo. Não há como fazê-la recuar.

Gazeta Mercantil – Diante desse contexto, qual deve ser o perfil de um jornal impresso?

Também caminha para a análise.

Gazeta Mercantil – Aproximaria-se assim do perfil de revista?

Bom, ingressamos agora num terreno complexo. Não sei se o jornal diário – distribuído todos os dias, é bom salientar – fará muito sentido daqui a dez anos. Talvez passem a ser distribuídos dia sim, dia não. Mas veja que a notícia hard news continuará importante. Basta ver os jornais gratuitos. As pessoas colocam a mão para fora do ônibus para pegar o exemplar. Mas elas não estão mais dispostas a pagar por isso. Se os jornais pagos se tornarem mais analíticos, será necessário um novo perfil de jornalista e uma nova maneira de garantir a viabilidade econômica dessa operação. Talvez seja o caso de cobrar mais caro do anunciante, porque o jornal conseguirá atingir um grupo pessoas cujo envolvimento com o conteúdo será muito maior.

Homenagem e notícias internacionais sobre a Gazeta

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O blog Madrilenhas, que replicou post sobre a GZM, fala de jornalismo, cultura, política, economia e a vida na Península Ibérica

Existem amigos que temos a impressão – posso bem usar a palavra certeza – de que nos acompanharão por toda a vida. Chapas para toda a ocasião. Arnaldo Comin é um desses. Somos comparsas há dez anos.

Jornalista que atualmente mora na Espanha e já trabalhou no Valor e no Meio & Mensagem, o Arnaldo prestou uma bonita homenagem aos últimos moicanos da Gazeta Mercantil.

Ele replicou em seu blog, o Madrilenhas, o post que fiz aqui sobre os instantes finais do jornal.

E acrescentou a indicação de links que noticiam o fim da GZM. Caso do 233 Grados, site espanhol que aborda a crise mundial da imprensa. Ao fuçar da nota do Grados, vejo que o site replicou a informação de outro endereço, o Media Management, cuja matéria traz mais detalhes.

Clique aqui para ir ao Madrilenhas.

Dilema moral no meio do inferno

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Salomon Sorowitsch (interpretado por Karl Markovicz) é o ambíguo protagonista de Os Falsários

Entregar um companheiro é um crime moral inafiançável. Mas o que dizer de uma delação que tem objetivo salvar pessoas da morte – incluindo a si próprio – ou minimizar um sofrimento, embora essa atitude possa fortalecer o opressor? Mais: será imoral colaborar com o inimigo para se livrar da câmara de gás e obter certos privilégios – leia-se não levar pancadas ou ser fuzilado – sabendo que outros companheiros não têm direito à mesma sorte?

Em poucas palavras, esse é o dilema moral vivido por Salomon Sorowitsch (interpretado por Karl Markovicz) em Os Falsários, longa-metragem vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Sem julgamentos de personagens e envolta em flashbacks, a obra provoca e emociona o espectador. O filme está em cartaz. Assisti-o ontem à noite.

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Salomon se desentende com Burger, que é contra colaborar com os nazistas

O diretor Stefan Ruzowitzky leva às telas uma história real. Durante a Segunda Guerra, judeus com talento para a falsificação de dinheiro, especialmente Salomon, um expert no assunto, são obrigados a produzir cédulas em série para os nazistas. O objetivo era salvar a Alemanha do endividamento e desestabilizar a economia de países aliados, como a Inglaterra.

O talento de Salomon o leva à condição destacada perante um dos chefe nazistas, que o livra dos espancamentos. Salomon então passa a liderar um grupo de trabalho dentro da prisão. Mas um companheiro, Burger, começa a sabotar a falsificação de dólares porque não quer ajudar os nazistas. Os demais presos perseguem Burger, pois temem morrer.

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…mas não entrega o amigo, mesmo sob o risco de ser fuzilado

Salomon por vezes parece subserviente aos alemães, dono de um instinto de proteção que beira o servilismo. Mas, mesmo colocando o pescoço a prêmio, não delata Burger. Pelo contrário, protege-o. O que o move? A solidariedade? Mas como ser solidário num campo de concentração? E será que, ao esconder a sabotagem de Burger, ele não condenou seus demais amigos à morte? Esta questão percorre todo o filme.

Bonita a história de Os Falsários. E tratada sem maniqueísmos pelo diretor Stefan Ruzowitzky.

Entrevista de emprego

Eis um comercial da Pepsi repassado pela Lu Collet.
Estratégia um tanto heterodoxa, digamos.

Caia no Gandara

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Foto feita pelo Nicola Turdo. Da esquerda para a direita: Iolanda Nascimento, Costábile Nicoletta, Luciana Collet, Ana Saito, Cleide, Sérgio, Jaime Soares, Marcel Salim e este escriba digital. Ao fundo, contando estrelas no teto, Ronaldo Eleutério (camisa azul e gola vermelha)

Um clique da despedida na sexta-feita no Gandara, o nosso Bar Esperança (chama o Hugo Carvana).

Porque, como diria o Rei, “o importante é emoções eu vivi”.