A década digital e a convergência de mídias

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Como é praxe, replico artigo meu – publicado nesta segunda-feira – na Gazeta Mercantil. Aqui com uma roupagem, digamos, mais modernosa.

27-Abril-2009
A década digital e a convergência de mídias
Gazeta Mercantil – Caderno C
Opinião
Clayton Melo

27 de Abril de 2009 – O período compreendido entre 1999 e o ano 2000 representa, para muitos estudiosos da cibercultura, o marco inicial da primeira década digital. Ali se delinearam melhor os contornos da sociedade em rede, cujos reflexos são sentidos com maior intensidade agora nos negócios, na comunicação e na cultura. Cravar 1999/2000 como o período-chave para o começo da década digital é apenas uma maneira de delimitar um processo na época já em andamento. Há razões para crer, no entanto, que os acontecimentos deflagrados naquele intervalo aceleraram o florescimento de uma nova cultura da mídia.

Se há uma obra que simboliza essa travessia, ela se chama “Matrix”, e veio embalada num universo midiático que inseriu a comunicação na lógica da convergência de mídias. O estudo do projeto “Matrix” dá pistas para os veículos de comunicação, produtores de conteúdo e profissionais de marketing sobre a melhor maneira de trafegar na sociedade digital.

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Na levada do videogame e de fantásticos golpes de kung fu cibernético, o longa-metragem “Matrix”, lançado em 1999, discute a fluidez entre o real e o virtual e relê velhos mitos, como o do Messias – caracterizado como um hacker -, com a missão de salvar o mundo no ambiente da virtualidade e do embate entre humanos e máquinas superinteligentes. A obra não marcou época somente por sua qualidade estética, mas também por promover a interação de uma série de produtos midiáticos e, assim, desbravar uma vereda: a criação convergente de conteúdos.

Veja bem, não falo de um mesmo produto esparramado por diferentes canais. Em vez disso, temos uma ideia central interconectada a várias mídias e que tem na participação dos fãs um componente fundamental de sua estratégia. Esse fenômeno é um exemplo da narrativa transmidiática de que fala Henry Jenkins, diretor do programa de Mídia Comparada do MIT (Massachussetts Institute of Technology), no livro “Cultura da Convergência” (Editora Aleph).

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Para o autor, a convergência não é um processo tecnológico que une múltiplas funções dentro de um mesmo equipamento (como um celular com voz, web e TV, por exemplo), mas sim “uma transformação cultural, à medida que os consumidores são incentivados a procurar novas informações e fazer conexões em meio a conteúdos midiáticos dispersos“. Nesse contexto, uma “história transmidiática se desenrola por meio de múltiplos suportes midiáticos, com cada novo texto contribuindo de maneira distinta e valiosa para o todo”. É o que se vê em “Matrix”.

Andy e Larry Wachowski, os idealizadores, criaram um universo de conteúdo que se completa em diferentes suportes de comunicação. O anúncio do pré-lançamento do filme provocou os consumidores com a pergunta “O que é Matrix?”, estimulando-os a buscar respostas na web, enquanto o segundo filme da série não recapitula a história inicial e termina abruptamente, para levar o consumidor a assistir ao terceiro filme.

Para encaixar o quebra-cabeça, seria necessário ter experimentado um game. Uma história paralela era revelada em curtas de animação baixados na rede. “Os fãs saíram correndo dos cinemas, pasmos e confusos, e se plugaram nas listas de discussão da internet, onde cada detalhe era dissecado e cada interpretação possível, debatida”, diz Jenkins.

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São poucos os produtos que exploram a convergência tal como o fez “Matrix” – as bem-sucedidas séries de TV Lost e Heroes são outros exemplos. O entendimento de experiências como essas, no entanto, é importante por algumas razões: elas são edificadas em um terreno de linguagem apreciado pelos mais jovens (videogame, interatividade, participação) e exploram o cruzamento de mídias de maneira a potencializar o impacto do conteúdo.

Essa será a forma predominante de entretenimento daqui por diante? É difícil afirmar categoricamente. Mas acredito se tratar de uma experimentação de linguagem em sintonia com os novos hábitos de consumo de mídia. Se bem conduzida, pode representar uma renovação estética e, como ninguém é de ferro, fazer tilintar os caixas das empresas de mídia na era da cultura da convergência.

(Gazeta Mercantil/Caderno A – Pág. 3) CLAYTON MELO* – Editor de ComunicaçãoE-mail: cmelo@gazetamercantil.com.br)

Download dos “1001 discos para ouvir antes de morrer”

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Lembram-se do livro “1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer” (Robert Dimery, Editora Sextante), lançado há alguns anos? A obra seleciona, a partir de avaliação de 90 jornalistas internacionais, os 1001 álbuns que eles consideram imprescindíveis. Prevalecem na lista o rock e o pop, mas há jazz, soul, blues etc.

Relembro a obra para dizer que o blog Nobrasil.org dá o caminho das pedras para fazer o download das preciosidades. Recebi a dica pelo Twitter do publicitário Ricardo Guim, de Belém do Pará (o Twitter dele é ricardoguim), que por sua vez ficou sabendo do link por meio de uma twittada do Danilo Moraes, de São Paulo (endereço dmoraes).

Clique aqui

Se Matrix rodasse em Windows e a cultura do remix

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>Como o Ponto de Fuga anda na toada de Matrix por esses dias, trago aqui um vídeo que, além de divertido, abre espaços para entendermos algumas das características principais das redes sociais digitais e da relação entre elas e o que poderíamos chamar de “mídia tradicional ( o mainstream da comunicação, como TV, cinema, revistas, jornais). Vou explicar melhor.

O Marcelo Coutinho, que é um estudioso de cibercultura (diretor do Ibope Inteligência, doutor em comunicação pela USP e professor de mestrado da Cásper Líbero), me falou em diferentes momentos sobre a cultura do remix no ambiente digital.

Nas redes sociais, observa ele, a remixagem de produtos culturais é uma realidade. Ou seja, filmes, vídeos, programas de TV etc, ganham nova forma ao serem reprocessados na rede por qualquer um. Dessa forma, os produtos têm vida prolongada e adquirem um novo significado, graças à participação e à interatividade. Esse fenômeno trará repercussões diretas na lógica da criação e no consumo de conteúdo por empresas e indivíduos daqui para frente. Mas, por hora, paremos por aqui. Mais adiante voltarei ao tema.

Depois desse preâmbulo, vamos nos divertir um pouco com a cultura do remix.

O vídeo abaixo é um exemplo desse fenômeno. É um barato.

Como seria se a Matrix rodasse no Windows XP? Bom, seria mais ou menos assim:

• Um dos problemas é que a bichinha ficaria lenta para chuchu se você baixasse uma pá de filmes:
• O Oráculo ofereceria a Neo ( o protagonista de Matrix) uns cookies e lembraria que, quando surgisse algum problema – e surgiriam vários, uma avalhanche –, seria necessário optar entre enviar ou não um relatório de erros;
• Neo iria implorar para aprender lutar kung fu em segundos para escapar do vilão da história, o agente Smith (“Mr Anderson, Mr Anderson, Mr Anderson, Mr Anderson) , e Cypher diria a ele que é impossível porque a versão gratuita de teste do referido software expirou;

Vá, veja logo antes que trave tudo e você tenha de dar um “reset”.

O dia em que Roberto Carlos foi para o paredão

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No dia 19 de abril Roberto Carlos faz aniversário. E Ponto de Fuga comemora os 68 anos do Rei (que bom seria se ele tivesse parado de compor e cantar nos anos 1970…) com um trecho de “Quem tem medo da verdade?”, exibido pela Record de São Paulo e retransmitido pela TV Rio entre 1968 e 1971. Apresentado por Carlos Manga, o programa tinha jurados do quilate de Alik Kostakis (agora entendi de onde vem a figura, que anos depois se tornou figurinha carimbada no Troféu Imprensa), Silvio Luiz e Aracy de Almeida. A atração “julgava” personalidades no ar.

No vídeo abaixo, Silvo Santos defende fervorosamente RC, que, debaixo dos caracóis dos seus cabelos e entre anéis extravagantes e medalhões suspeitos, seria uma má influência para os jovens. Seu figurino escandaloso seria, digamos assim, um convite à degradação da juventude brasileira. Em resumo, era praticamente um devasso, um libertino, vejam vocês.

”As acusações, sinceramente falando, são muito frágeis. ‘Roberto Carlos usa roupa colorida’. ‘Roberto Carlos fez com que a juventude usasse colares, usasse medalhões, usasse anéis, usasse o amarelo, o vermelho e o azul’. E disseram até que essa juventude, talvez por causa de Roberto Carlos, estivesse se ‘desmasculinizando’, estivesse efeminada”, disse o Homem do Baú em defesa do Rei.

“Ora, desde quando os colares, a roupa, desde quando os anéis ‘desmasculinizam’ o homem? Os grandes guerreiros romanos quando entravam em Roma para comemorar as suas vitórias não entravam multicoloridos (..) e (por isso) deixavam de ser homens com H maiúsculo?

Pois é, pegaram no pé logo do bom moço, do certinho, do educadinho Roberto Carlos? Tudo bem, eram outros tempos. Mas qual é!

Aprenda inglês com os Beatles

O vídeo abaixo me fez lembrar a clássica “Maxuell Jump! Jump! Maxueeeeeeeel Jump”, do Van Halen.

Bob, o que serão nossos tempos modernos?

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Post escrito ao som de Bob Dylan, às 2h38

Este post pode ser uma tremenda bobagem. E talvez seja mesmo. Pode ser uma conversa fiada, uma lengalenga inútil, um imbróglio de palavras que leva o nada a lugar nenhum.

Pode ser um cachorro-quente frio, um gole de cerveja vencida.

Mas vou fazê-lo, sob o risco de não dormir, de não ouvir a voz das estrelas, de simplesmente não esquecer de ontem, de anteontem, de amanhã – esquecer por que raios eu tinha de pensar o que pensei. Pensar? Mas quem pensa os neurônios espanta.

Bob, o que serão os nossos tempos modernos?

Convergência de mídias 2: dez anos de Matrix

Imagens: do Matrix
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A cultura da convergência pode desembocar numa nova forma de participação política?

Alguns posts atrás escrevi sobre a convergência de mídias (role a página e encontrará rapidinho). Pois falei que voltaria ao tema. E aqui estou.

Vou rascunhar mais algumas ideias levantadas a partir da leitura de “Cultura da Convergência”, de Henry Jenkins (esse livro que está me virando a cabeça!).

Direto ao ponto: que reflexões podemos fazer sobre o significado do processo de convergência de mídias e quais as implicações desse fenômeno na sociedade, na economia e na produção de conteúdo? Para pensar a respeito, vale sintetizar novamente o raciocínio dele aqui, com todos os riscos dessa simplificação.

O ponto central do autor é que a convergência de mídias não ocorre nas máquinas, na tecnologia, mas sim “nos cérebros dos consumidores individuais e em suas interações sociais com os outros”. Ou seja, devemos enxergar a convergência a partir da relação cruzada – e interconectada – que as pessoas passam a ter com as mídias.

Se meu entendimento sobre o que diz Jenkins estiver na linha certa, a convergência estaria muito mais associada à maneira como a informação (num sentido bem amplo) é recebida, processada e re-elaborada pelas pessoas – sempre lembrando que esse movimento se dá em múltiplos canais de comunicação e a partir da interação de muitos com muitos. As palavras interação e a cultura participativa são fundamentais nesse percurso.

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É nesse sentido que se aplica a afirmação de Jenkins de que o consumo se tornou um processo coletivo – o autor aproxima a ideia de convergência de mídias à de inteligência coletiva desenvolvida por Pierre Lévy. “A inteligência coletiva pode ser um fonte alternativa de poder midiático. Estamos aprendendo a usar esse poder em nossas interações diárias dentro da cultura da convergência”, escreve.

Como resultado do desenvolvimento da cultura da convergência nasce a narrativa transmidiática. “A narrativa transmidiática refere-se a uma nova estética que surgiu em resposta à convergência de mídias – uma estética que faz novas exigências aos consumidores e depende da participação ativa das comunidades de conhecimento. A narrativa transmidiática é a arte da criação de um universo”.

Dois símbolos da narrativa transmidiática são Heroes e Matrix, diz Jenkins. Matrix, aliás, é classificado pelo autor como o “filme cult emblemático da cultura da convergência.”

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Isso porque, escreve Jenkins, no contexto da convergência,

para viver uma experiência plena num universo ficcional, os consumidores devem assumir o papel de caçadores e coletores, perseguindo pedaços da história pelos diferentes canais, comparando suas observações com a de outros fãs, em grupos de discussão on-line, e colaborando para assegurar que todos os que investiram tempo e energia tenham uma experiência de entretenimento mais rica. Alguns escreveram que os irmãos Wachowiski, que escreveram e dirigiram os filmes de Matrix, forçaram a narrativa transmidiática além do ponto que a maioria do público estava preparada para ir.”

Em outros termos, cria-se um universo ficcional, interconectado em diferentes canais de comunicação, cujo sentido só é plenamente depreendido quando o conteúdo é experimentado em todo o seu conjunto.

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Bem, poderia ir longe aqui na descrição do raciocínio de Jenkins, mas creio que esses pontos já sejam suficientes para fazer as seguintes indagações:

* O fenômeno é descrito pelo autor no universo da indústria cultural. Será que o engajamento convergente das pessoas pode se estender um dia para questões políticas e sociais? Não estaríamos diante da possibilidade de uma forma de participação política? Qual o possível efeito disso?

* Quais são as indagações certas que devemos fazer no momento de pensar uma atuação eficaz num ambiente de convergência de mídias? Imagine o caso de alguém que queira montar um projeto de conteúdo no ambiente da web 2.0, por exemplo.

* A “criação de um universo” no qual um determinado produto cultural é inserido, a exemplo de Matrix e Heroes, será de fato a arma mais poderosa para congregar as pessoas em torno de um produto cultural ou projeto?

* A partir desse cenário traçado por Jenkins, quais seriam os conceitos-chave para um uso eficiente da convergência de mídias por parte de diferentes atores sociais (podem ser empresas, veículos de comunicação, organizações sociais, culturais etc)?

E aí, é punk? Ô, teminha que dá pano pra manga.

Ponto de Fuga em ritmo de aventura

- Você disse que o Roberto Carlos está preso em lugar seguro?
- Disse.
- E onde é que está o Brasa?
- Lá!

Brrrrruuuuuuuuum!!!!

Psicodelia visual

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 O que acham dessa foto aí? Não por quem aparece nela, é óbvio, que de resto não interessa e até atrapalha a paisagem. Mas pelos efeitos lisérgico-noturno-visuais? Malucona, né? Gostei pacas, tanto que a coloquei na página que define o perfil deste escriba digital no blog. Foi tirada numa esquina qualquer de Sampa há poucos dias.

 

A proeza é do Daniel Teixeira, meu camarada, amigo das perambulações jornalísticas.

 

O Daniel é fotógrafo profissional da melhor qualidade. Além de tecnicamente muito bom, é criativo, o que faz a diferença. Não se contenta com o básico.

 

 

Um de seus mestres é o João Bittar, com quem trabalho e de quem tenho o prazer de ser amigo.

 

Fotógrafo de jornalismo de primeira grandeza, o João trabalhou ou publicou fotos em veículos como Última Hora, Realidade, Veja, Folha e Estadão, entre outros. Em outras palavras, é um highlander da imprensa brasileira.  

 

 

João é um profundo conhecedor de história do fotojornalismo, tema sobre o qual dá aulas na Imã Foto Galeria, na Vila Madalena, em São Paulo.  

 

 

Clique aqui para ver uma entrevista sobre o assunto concedida pelo João.

 

 

E saiba mais sobre o Daniel aqui.

 

 

 

Sou um dos Trezentos

 

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Desde hoje sou um dos Trezentos. Quer dizer, desde anteontem, quando, no Sujinho, selei minha participação nessa confraria digital. Mas… quer saber? Sou há muito tempo, dada a ligação afetiva e intelectual com pessoas valorosas como o Serginho Amadeu – a quem conheço desde 1994 -, o provocador que idealizou essa rede de blogs chamada Trezentos. Serginho é boa praça, é camarada, é gente para ir pra vida toda.

A rede Trezentos nem acabou de nascer direito. Trata-se de um pólo que reúne pessoas com uma visão humanista e gosto por compartilhar o conhecimento. Blogs de toda a ordem, diversidade, pontos de vista os mais variados. Mas sempre com a intenção de serem um contraponto ao marasmo, uma multidão de vozes que não se encerra no virtual.     

Lá manterei um blog (podem me achar pelo nome, Clayton Melo, em Autores, ou pela foto) e travarei uma boas conversas à mesa de bar. Convido a todos para uma visita à casa dos Trezentos. Podem pedir porque ela vem gelada.

Por que Trezentos? Perguntem ao Mário. Que Mário? Xiiiii.

 “Eu sou trezentos, sou trezentos-e-cincoenta,
As sensações renascem de si mesmas sem repouso,
Ôh espelhos, ôh Pireneus! Ôh caiçaras!
Si um deus morrer, irei no Piauí buscar outro!”

(MÁRIO DE ANDRADE, EU SOU TREZENTOS)

Çábia filozofia

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Uma análise obânica da Atoladinha

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A minha descoberta de hoje é a Atoladinha. É isso: descobri a Atoladinha. E admito: até hoje não tinha tocado a Atoladinha, para minha infelicidade. Só agora sei o que estava perdendo.

Descobri-a por recomendação de Sérgio Amadeu, o mentor do Trezentos, “Irineu Franco, o Perpétuo”, Silvio Rocha e Mariel. Estávamos no glorioso Sujinho, hoje à noite, quando eles me contaram do famoso funk cujo lastro cultural é invejável.

E o fizeram para falar do curta caseiro L´ Atolerette, feito a partir da letra do funk Atoladinha. Sensacional, de verdade. Uma aula de linguagem cinematográfica. A Atoladinha à lá Godard, à lá nouvelle vague, com planos longos, poucos diálogos, o ar blasé que tanto nos acostumamos a ver no Cinema Moderno. Que Jean Seberg; que Anna Karina que nada. O negócio é A Mulher da Areia, a Atoladinha.
Gamei. Bom, mas deixemos o vídeo para um próximo post.

Melhor é uma explicação epifânica que Tom Zé fez de quem? Da Atoladinha.

Primeiro foi no Globo, depois no Jô Soares.

Trata-se de uma explicação obanicamente – não macainquicamente nem bushimente – feita por nosso bardo a respeito do refrão “Tô ficando atoladinha, tõ ficando atoladinha.”

Analisa Tom Zé:

“ O refrão de Atoladinha é uma metarefrão microtonal e polissemiótico”.

Hã?

“É uma das ondas concêntricas que a bossa nova fez desencadear”.
Fantástico. Bravo!

“Uma moça qualquer estava com esse rapaz e disse: “Tô ficando a-to-la-di-nha. Tô ficando a-to-la-di-nha. Que liberdade essa mulher lançou no mundo!

Inenarrável!

“A professora Carmita Abdo, diretora de departamento de sexologia da USP – vejam, o mundo mais civilizado do Brasil, o mais educado-, fez uma pesquisa com as meninas da USP, de 15 a 25 anos. (Constatou que) 68%, 75% das meninas da USP não GO-ZA-VAM. Não GO-ZA-VAM. E eram vocês que não gozavam!

Impagável. Vale a pena conferir.

Cibelle, quer casar comigo?

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Cibelle tem estilo

Cibelle Cavalli, ou simplesmente Cibelle, é minha nova paixão. Nova para mim, porque ela está por aí há alguns anos. Já a havia encontrado pelas navegações da vida, mas, paixão mesmo, pra valer, só agora.

Cibelle é charmosa, bela e talentosa. Quer mais? Tem estilo, é refinada e descolada. Mais ainda? Está conectada com o mundo, seja pela natureza cosmopolita de suas canções (com referências diversas, como MPB, bossa nova, jazz, eletrônico, indie, folk), seja pelo uso inteligente que faz da rede (está no Facebook, seu MySpace é uma viagem agradável e vários de seus clipes são encontrados no YouTube).

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Cibelle é serelepe

Cibelle é São Paulo, com nossas misturas culturais deliciosamente malucas; é Brasil, como suas raízes musicais não deixam mentir. E é do mundo: além de meio nômade – vive entre São Paulo, Londres e outras conexões -tornou-se conhecida primeiro na Europa, para só mais recentemente ser lembrada por nossas bandas.

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Cibelle em ação

Seu CD solo de estreia, “Cibelle”, foi definido pelo jornal inglês Independent como “simultaneamente sem igual na Terra e a tudo o que você já ouviu antes”. Pode ser exagero, mas compreende-se: é o encantamento com o belo. Seu segundo, The Shine of Dried Electric Leaves, é de 2006.

É desse álbum a canção Green Grass, de Tom Waits (de quem também sou fã).

Ouçam e vejam que bela música e que clipe bacana, dirigido Guimarães e Adams Carvalho.

Depois me digam se os elogios são fruto de uma paixão desenfreada que me “cegou” os ouvidos ou se Cibelle realmente é uma joia rara.

O que significa essa tal convergência de mídias?

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Vocês, meus amigos, devem repetidas vezes ouvir, ler e ver citações sobre a convergência de mídias. O termo costuma ser evocado como referência à reunião de vários tipos de conteúdos num mesmo suporte. Como exemplo, pensem nos celulares, que se transformaram numa maquininha maravilhosa que tem web, vídeo, música, Excel, Word, fotos, joguinhos etc. E que até servem para falar com alguém.

Mas será que a convergência de mídias é isso mesmo?

Mais: já paramos para pensar em qual a serventia desse troço no qual todo mundo fala? De que forma ela interfere na vida em sociedade?

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As coisas começaram a ficar mais claras para mim a esse respeito a partir do momento em que comecei a ler um ótimo livro chamado “Cultura da Convergência”, (Editora Aleph) de Henry Jenkins, pesquisador e professor do badalado MIT (Massachussetts Institute of Technology). Com um texto agradável e descomplicado, Jenkins nos apresenta uma visão muito peculiar e inovadora desse fenômeno.

O ponto central de Jenkins é o seguinte: o importante em relação à convergência de mídias não é a tecnologia, a máquina (celular, TV, PC), mas sim as pessoas, ou seja, o uso convergente que fazemos do conteúdo (entendido aqui de maneira bem ampla) nesse liquidificador digital em que se transformou o mundo.

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Vejamos o que o autor escreve:

Meu argumento aqui será contra a ideia de que a convergência deva ser compreendida principalmente como um processo tecnológico que une múltiplas funções dentro dos mesmos aparelhos.”

Ele continua:

“Em vez disso, a convergência representa uma transformação cultural, conforme os consumidores são incentivados a procurar novas informações e fazer conexões em meio a conteúdo midiáticos dispersos.”

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Mais algumas palavras, para clarear.

“A convergência ocorre dentro dos cérebros de consumidores individuais e em suas interações sociais com outros.”

Qualquer semelhança com a produção, distribuição e consumo de conteúdo nas redes sociais não será mera coincidência.

Ao falar em convergência de mídia, Jenkings nos remete à inteligência coletiva, conceito desenvolvido por Pierre Lévy, e à cultura participativa, da qual a web 2.0 é a face mais visível.

A interatividade modifica o modo como nos relacionamos com a mídia e com as demais pessoas por meio das mídias, o que tem repercussões diretas na economia, política (vide Obama), cultura, publicidade e educação.

Por hora, é isso. Logo voltarei ao tema.

Sarau da Ademar

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Meus queridos amigos chegam à oitava edição do Sarau da Ademar.

O evento cresce e se torna mais importante.

Força aí, pessoal!

Uma ode aos camaradas

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JP, eu e o Prefeito

Desenho do Prefeito Márcio de Bloganvile, feito nos idos de 2007.

Eu, ele e JP,, o web designer responsável pelo visu do PdF, depois de uma partida de sinuca num boteco sujo sensacional chamado A Gruta, nas entranhas do centrão de Sampa. De madrugada, entre tiozinhos que jogavam xadrez e posters de Deep Purple, AC/DC e congêneres nas paredes.

Grandes amigos, grandes aventuras: som, cinema, literatura, boemia,blogs – amizade pra vida toda.

Bora pra Gruta de novo?

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