As estrelas da blogosfera internacional

blogues

Existem no mundo mais de 112,8 milhões de blogs. Veja mais em artigo meu publicado ontem, que replico aqui.

Clayton Melo
Gazeta Mercantil
30-03

Os blogs também têm suas grandes estrelas

O inglês Tim Berners-Lee, conhecido como o “Pai da Web” por ter, em 1989, inventado a world wide web – o “www” dos endereços da rede -, também é o pioneiro dos blogs. Segundo o estudo a “Blogosfera na América Latina”, da The Jeffrey Group, ele publicou o primeiro weblog da rede em 1992, quando trabalhava no Laboratório Europeu de Partículas Físicas (CERN). Na ocasião, ninguém sabia – nem mesmo ele – como chamar a engenhoca que facilitaria a qualquer cidadão colocar na rede o que lhe desse na telha. Foi só em 1997 que John Berger cunhou o termo “weblog”, abreviado dois anos mais tarde para “blog” por Peter Merholz. Naquela época, o mundo tinha apenas 23 blogs.

Aproximadamente uma década depois de o blog receber nome e sobrenome, sabe quantos representantes da espécie existem no planeta? Mais de 112,8 milhões, com uma média de 175 mil blogs criados por dia, conforme dados do Technoratti, portal especializado no tema, com dados de junho de 2008. A empresa indica que naquele período cerca de 1,6 milhão de posts – textos veiculados nos blogs – são publicados diariamente, a uma taxa impressionante de 18 por segundo! Na América Latina, havia em 2007 por volta de 9,1 milhões de blogueiros. Em dezembro do ano passado, 11,6 milhões de brasileiros acessaram blogs, ante os 9,5 milhões de dezembro de 2007, conforme dados do Ibope Nielsen Online.

A sopa de números quer dizer o seguinte: os blogs vieram para ficar. Mas isso parece não significar muita coisa para alguns, que insistem em relembrar- e com um pouco, mas apenas um pouco, de razão – a imensa oferta de bobagens presente na blogosfera. Um olhar mais aprofundado sobre esse universo, no entanto, mostrará que há blogs capazes de influenciar o voto dos eleitores, a opinião sobre empresas e apontar tendências de consumo e comportamento. E, no cibespaço, a blogosfera ostenta suas estrelas. São blogueiros que conquistaram a confiança de milhares – às vezes milhões – de leitores mundo afora.

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O livro “Blogging Heroes”, de Michael Banks, lançado no Brasil pela Digerati Books, nos traz a história de 30 blogueiros internacionais tidos como influentes e inovadores. Por meio de perfis e entrevistas, a obra mostra como eles se tornaram celebridades da rede e qual o segredo para fisgar os leitores na barafunda da web. Uma boa parte dos blogueiros é composta por especialistas de diferentes áreas profissionais.

Um dos campeões da rede é Dave Taylor, que nos anos 1980 trabalhou na HP e hoje é consultor de negócios para a web. Com mais de 20 obras publicadas, mantém três blogs, todos técnicos e ligados a negócios. Um deles, o AskDaveTaylor (www.askdavetaylor.com), recebe mais de 1 milhão de visitantes por mês. “Um blog pode ajudar você a estabelecer uma voz e uma identidade em sua área de mercado e dar uma excelente saída em relação a aprender mais sobre o que torna seus clientes confiantes”, diz.

O AuctionBytes (www.auctionbytes.com), comandado por Ina Steiner, não fica atrás. Usado como referência por veículos como o The New York Times e o The Wall Street Journal, o blog é o espaço para comerciantes on-line buscarem informações sobre produtos e suporte para empreendimentos digitais. “Essa é uma ótima maneira de oferecer serviço aos seus clientes, fornecendo conteúdo de interesse deles”, defende.

O blog mais popular do mundo, como um dia o chamou o Technoratti, também está lá. Pilotado por Mark Frauenfelder, ex-editor da revista Wired, o BoingBoing (www.boingboing.net), discorre sobre temas que vão de curiosidades a “tecnologias emergentes”. A correção de erros quase em tempo real é destacada por Frauenfelder. ” (Isso aconteceu) quando postei que havia algo relacionado à Fox News (emissora) e as pessoas me mostraram que era com a NBC. Então, apenas entrei no Ecto e fiz aquela alteração, incluindo uma nota (que dizia): não, não era a Fox, era a NBC.”

A essa altura, você, leitor, deve se perguntar: “E o Brasil? Tem estrelas na blogosfera?” É claro que tem. Mas isso é papo para outro artigo.

Veredas femininas no MySpace e Last FM

laura
Laura Marling lembra ou não a Mallu Magalhães?
E olha que você ainda pode nem ter ouvido o som dela

Fuçar no MySpace e no Last FM - depois no YouTube, para buscar vídeos sobre as descobertas – é, a um só tempo, diversão, conhecimento, prazer, vício. Com o passar das horas, garimpamos um mundo de preciosidades ou, no mínimo, sons bacanas que nos satisfazem os ouvidos e a alma.

Tirei a noite de hoje para isso. E deparei com coisa legais. Como gosto de vocais femininos, da MPB ao jazz passando pelo blues e o indie (que salada deliciosa), fui atrás das mulheres, claro. Hoje, só das indies.

E eis que descubro uma certa Sia Kate Isobelle – ou somente Sia -, uma australianinha que compõe e canta docemente e já gravou com Beck, de quem também gosto muito.

Ou Sarah Slean, canadense – como Leslie Feist -, de 28 anos, que canta, compõe, pinta, fotografa e já gravou sete discos.

Ou Amy Millan, também canadense (como brota de cantora maravilhosa de lá!) e integrante das bandas Stars e Broken Social Scene (ambas valem a pena).


O importante aqui é o som, não o vídeo

E o que dizer de Liz Green, uma inglesa branquinha, timbre grave e uma pegada que lembra o country, o blues e o folk?


Liz Green

E também a encantadora Laura Marling. Esta vale um destaque especial: a moça, inglesa, lembra a nossa Mallu Magalhães. Tem só 19 anos, cara de menina e bebe do folk e blues, assim como Mallu – a voz é que um pouco mais encorpada.

A Laura+Marling“>Ana Paula Freitas, (clique e role a tela para baixo) do Olhômetro (vale conferir, é interessante o blog dela), também gosta da Laura, mas não curte a Mallu. O fato, porém, de associar as duas no mesmo post mostra a semelhança (não é verdade, Ana?).

Reparem em certos closes e momentos da música no vídeo abaixo. O cabelo é mais louro, mas isso não importa. E posso cometer uma heresia agora, mas a voz e a música de Laura, às vezes, me lembraram Joan Baez. Seriam os goles de vinho a mais? Pode ser, mas gostei da moça.

Vejam. Estou delirando?

O Protógenes tem um blog

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Sabiam que o delegado Protógenes Queiroz tem um blog? Eu não sabia. Lá, o estilão adotado na foto é bem diferente do jeitão, digamos, despojado que ele apresenta na imagem acima. Cara de brabo, sério, dedin na boca.

Se fosse ele tomaria cuidado porque o Daniel Dantas pode ficar nervoso e infiltrar um hacker lá para bagunçar o coreto.

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Eu Podia Tá Matando, mas tô blogando

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O blog eupodiatamatando.com valeria só pelo nome, que é sensacional. Mereceria o Prêmio Pulitzer de título.
Mas ele é mais do que isso. Bem-humorado e com ótimas sacadas.

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Ponto de Fuga revigorado

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Imagem fisgada do blog de Gil Giardelli

Amigos do PdF (outrora PF),

o blog ficou fora do ar entre sexta-feira e parte deste sábado por questões técnicas. Sabem a história de trocar o pneu com o carro andando? Pois é, aqui a caranga ficou estacionada. Explico.

A parada nos boxes aconteceu porque meu amigo João Paulo Freitas fez atualizou o PHP do blog (Hããã?). Bom, deixemos os palavrões pra lá.

O importante a destacar é que agora o PdF tem novidades em campo (meu instinto marqueteiro criou essa sigla, PdF, para Ponto de Fuga, em vez de PF; gostaram? Inventei sozinho. Se não tiverem gostado, aí não fui eu, não)

Vamos à escalação

Na lateral esquerda (dá olhadinha lá, ó), mais avançado, vocês podem acessar o Twitter. Garoto prodígio, habilidoso, capaz de encantar as multidões com dribles rápidos e fulminantes.

Vai pras cabeças, mas é de poucas palavras (só agüenta 140 caracteres). Ágil e perspicaz, embora também livre para abarcar todo o tipo de bobagens, aposta nas intervenções em tempo real para levar equipe aos três pontos.

Também no flanco esquerdo, só que vindo de trás (ôpa!), entram MySpace, Facebook e Orkut. Este já é velho conhecido da torcida varonil. Não tem firulas, faz o feijão com arroz e não tem toquinho de lado. Alguns o consideram ultrapassado, mas é ainda campeão na preferência nacional. Adora aparecer para dar um “oi”.

Já o Facebook, contratação mais ou menos recente vinda do estrangeiro, já aprendeu a falar português há algum tempo e exibe mais recursos técnicos. Como diriam os boleiros de botequim, tem um “toque mais cadenciado”.

O MySpace, bem, este joga por música! Maestro para todos os estilos e gostos, é quase completo, refinado. E esteja certo: suas jogadas afinadas ainda vão cair nas graças da galera.

Para terminar, do lado direito a Blogolândia. Renovada, essa seleção terá fôlego para agüentar os 90 minutos mais a prorrogação. Se precisar, bate pênalti.

Na meio-campo, claro, está o cérebro e o coração do escrete ponta-fuguense. Por isso a ordem do professor é para o pessoal da meia-cancha diversificar as jogadas (pois as laterais estão reforçadas), fazer lançamentos profundidade de temas e estar atento à movimentação dentro e fora da blogosfera.

E tudo com catiguria e cuidado para não dar muitas caneladas.

“Quem foi que mandou tirar o blog do ar?!”

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Calma, querida, já voltou. No próximo post eu explico tudinho.

Eu vou nº 2: Buddy Guy

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Agora é a vez do blues! PF blueseiro.

Buddy Guy, hoje no HSBC Brasil. Eu vou!

Será a terceira vez que assistirei a um show deste bluesman highlander, que inspirou Eric Clapton e Jimi Hendrix.

Ambas foram no início da década. Portanto, a saudade bate forte. Em uma das vezes, ele desceu do palco tocando guitarra, andou pelas laterais da casa (acho que era o Via Funchal, não tenho certeza agora), num solo enlouquecedor. Entrou no banheiro. Acho que era o feminino! Depois de alguns minutos, voltou. Tudo isso tocando. A galera foi ao delírio.

Ir a este show me fará relembrar o período em que estudei gaita e tentava (veja bem, “tentava”) tocar acompanhando meu comparsa Dú Rocablu (mundialmente conhecido na Cidade Ademar como Dú Lima). Este,sim, cabra bom da harmônica.

Saiba mais no MySpace de Buddy.

E eis um vídeo (First Time I Met The Blues), para dar água na boca aos chegados do blues.

Belle and Sebastian

Amigos do PF,
um som-entre-livros para vocês.

O xavequeiro da lan house

stress

Frequentar lan house também é ouvir a conversa alheia, especialmente quando a criatura da cabine ao lado vale-se de alguns decibéis além da conta.

“Mari, não te liguei ontem porque não deu. Estava na balada, se eu atendesse não ia adiantar”.

Como é que é?

“Você ia ouvir aquela barulheira e não ia entender nada”.

Deu pra sacar que o camarada estava se explicando porque foi pra gandaia enquanto a moçoila sonhava com os anjos. No mínimo ele deve ter dito que estaria de pijama e pantufas na noite em questão.

Mas o distinto confessou um crime inafiançável: estava na balada, ouviu o celular tocar, olhou a bina e fingiu-se de morto! E confessou tudinho, de cara lavada, nem aí.

Mas a Mariana – este é nome da estridente namorada – não pensava assim. “Mari”, ele repetia o nome dela toda hora, “você está brava à-toa. Não fiz nada, só fiquei tomando cerveja com meus amigos”.

Ele tentava emendar as frases, mas ela cortava aos berros, dava para perceber. A orelha do sujeito devia arder.

“Não, não olhei pra menina nenhuma!”. Alguém tem dúvidas de qual foi a acusação?

A garota devia espumar, babar de raiva. “Mari, para, para. Por que você fica assim? Vamos conversar como gente civilizada?”. Temos de reconhecer: o cara é profissional no embromation, tem tanta experiência na parada que nem se constrange.

“É simples: se eu atendesse, não ia adiantar nada, já falei. Você ia ficar mais pê da vida ainda. Então não atendi”.

Mais direto impossível. O sujeito falava com segurança, firme, e alternava a entonação – ora na retranca, ora cão sem dono. Era talhado para o cargo, embora o julgamento estivesse em última instância . Talvez fosse um mitômano, como diria a Marta ao Maluf.

Bem, foi essa lenga-lenga um tempão. Dez, 15, 20 minutos. Fiquei me perguntando quem estava pegando a conta do celular.

Ah, bom. Eles estavam no Skype.

Nostalgia, adrenalina e caos no show do Iron

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Foto do UOL: Bruce Dickinson durante show em São Paulo

Ah, o show do Iron. Mais de 63 mil pessoas em Interlagos, o maior público na história da banda fora de um festival. Como o autódromo forma uma espécie de vale, era possível uma visão panorâmica da multidão extasiada. Havia os isqueirinhos acesos, especialmente em Fear of the Dark. O gostoso clichê rock and roll, mas agora misturado às luzes de celulares e câmeras fotográficas.

Como a nos lembrar que estamos na era digital, embora os highlanders fãs da Donzela de Ferro insistam – e ainda bem – na homenagem “analógica”. Eu, Fabião e Mônica fomos de isqueirinhos.

Mas isso era só uma concessão melódica, porque Iron é paulada. Cabeças balançando – ou não, porque, num show de banda trintona com capacidade para renovar seu público, nem só de headbangers é feita a plateia. Relembrei os tempos de moleque chacoalhando a cabeleira, recordando as idas à Galeria do Rock comprar os bolachões do Iron, Led, Deep Purple etc etc.

Me lembrei de 1992, quando vi o Iron pela primeira vez, no Parque Antárctica, e delirei vendo o Eddie entrar no palco. Eu tinha 16 anos e começava a descobrir a vida. A minha adolescência é uma das joias que carregarei para sempre.

Viajei no tempo. Passado e presente – e por que não futuro? Uma nostalgia do que virá, uma saudade que posso ser. Devaneios, devaneios. Um bom show de rock faz isso comigo. Os momentos vividos naquele dia foram de intensa alegria, ao lado de Fábio e Mônica, queridos amigos (como foi bom ir ao show com vocês!). Alegria pelo som, pelo prazer de ouvir, ver e sentir uma banda que faz parte da minha história pessoal.

Faz parte da minha vida assim como o Fabião, amigo do peito desde os tempos em que o André, irmão dele, pegava os discos do Fábio e me emprestava. Eu e o André éramos moleques, uns 15 anos. O Fábio é mais velho. Devia ter o quê? Uns 18. Já era tiozão, né?

Sim, havia uma clima geral de nostalgia no show. O Iron só tocou os clássicos: Run to the Hills, The Number of the Beast, Aces High, Phantom of the Opera, The Trooper…Para fãs inveterados, melhor impossível.

Os dinossauros também se emocionam ( o dinossauro não sou eu, é a banda; se bem que…bom, deixa pra lá).

Agora, a boca no trombone: organização chinfrim

Não fiz aqui “análise técnica” do show. É um depoimento de fã. E ponto. A banda, impecável. Mas a organização (refiro-me à empresa responsável pelo evento) … uma lástima. Pisou, e pisou feio. Uma fila apenas para que uma multidão ingressasse na pista. Resultado: horas, horas de espera.

B.O número 2, este muito mais perigoso: na saída, caos geral. Trataram o público como gado. O caminho até o portão foi um martírio. Funil humano. Os mais exaltados começaram a derrubar tudo o que viam pela frente. Temi pelo pior. Até quando será assim?

O “esquenta” para o show: vídeos do Iron

Tô na pilha. Portanto, segura a pauleira.
Aces High!

Iron Maiden: eu vou!

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Em 1992, no Parque Antarctica, eu estava lá. Dezessete anos depois, refaço a aventura: show do Iron hoje, no autódromo de Interlagos. Fabião e Mônica, não vejo a hora!

Palavra (En)cantada

Estou curioso para ver Palavra (En)cantada, documentário de Helena Solberg que estreia hoje em São Paulo. Depoimentos de Adriana Calcanhoto, Chico Buarque, Lirinha, Lenine, Maria Bethânia etc. Como o nome indica, trata íntima relação entre letras e música na MPB. Uma indagação sobre a língua, no dizer de O Estado de S. Paulo.

Veja o trailer.

Estou com pena dos bilionários

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Bill Gates se distrai com bonequinhos e cavalinhos para
não se lembrar de que está menos rico

A nova lista da Forbes, sobre os donos da bufunfa no mundo, mostra que os bilionários (coitados!), sofrem com a crise. Esses senhores estão US$ 2 trilhões menos ricos. Culpa da crise, essa marvada.

Bill Gates, com muito empenho, dedicação e esquema tático bem definido, não é o Ronaldo, mas é um fenômeno: embora tenha visto evaporar US$ 18 bilhões de sua conta bancária, retomou a liderança no ranking com uma fortuna pessoal de US$ 40 bilhões. O investidor (?) Warren Buffet, que em 2008 era o primeiro, agora é o segundo, com US$ 37 bilhões – era US$ 62 bilhões ano anterior.

Ah, e o número de bilionários no planeta caiu de 1.125 para 793.

Será que eles vão ter procurar o analista – não o financeiro, mas o das almas – para se livrarem do trauma?

A diplomacia descobriu o “reset”. E deu tilt

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Lavrov e Hilary bem que tentaram “desligar e ligar”
as relações entre Rússia e EUA

Percebo que nossos técnicos de informática, que parecem chegar ao nirvana quando nos mandam desligar e ligar o computador sempre que a máquina tem um resfriado, estão fazendo escola. Mas, só pra contrariar, o boot não funcionou!

Da Folha de S. Paulo
LAPSO EM TRADUÇÃO GERA BRINCADEIRA

Hillary Clinton (secretária de Estado dos EUA) preparou a jogada propagandística de presentear o colega russo Serguei Lavrov (ministro das Relações Exteriores) com o botão vermelho marcando o reinício das relações bilaterais. Mas o presente gerou sorrisos amarelos, pois a palavra em inglês “reset” (reiniciar) foi traduzida para “peregruzka”, termo russo que significa sobrecarregar. Ao ser informada por Lavrov do erro, Hillary, brincando, disse ao russo: “Não deixaremos vocês fazerem isso conosco”. Eles então apertaram o botão, que, segundo Lavrov, irá enfeitar sua mesa de trabalho.

O marketing na era do narcisismo

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Caravaggio, Narciso, c. 1597, Palazzo Barberini, Roma

Mais um artigo meu, publicado na Gazeta Mercantil ontem.

Algumas ideias sobre Big Brother, web 2.0, marketing etc.
Se quiser ler no site, clique aqui.

Opinião

03/03 – 01:09
O marketing na era do narcisismo

Clayton Melo

3 de Março de 2009 – Você, leitor, já pensou por que um reality show em que moças turbinadas e rapazes sarados, entre fuxicos e remelexos debaixo dos lençóis, continua a hipnotizar milhões de telespectadores? Já analisou a razão pela qual as campanhas publicitárias usam cidadãos comuns como estrelas (vide Brahma, com um gari que trabalha no sambódromo do Rio de Janeiro) e grandes eventos (como o festival musical Skol Beats, cuja programação foi influenciada pelos internautas) converteram-se em tendência nos projetos de marketing?

Ou então já se perguntou o que levou à explosão extraordinária das comunidades virtuais, como Orkut e Facebook? Por que os blogs, espaços onde qualquer um é o protagonista, são acessados por mais de 11,6 milhões de pessoas por mês no Brasil?

De onde vem esse desejo irrefreável de participação, colaboração e exposição na sociedade contemporânea, fenômeno que a web 2.0 – modo como é definido o estágio atual da internet – deu novos contornos? O livro “A Era do Vazio – ensaios sobre o individualismo contemporâneo” (Editora Manole), do filósofo francês Gilles Lipovetsky, nos dá a chave para a compreensão desse complexo e fragmentado modo de vida.

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FRANCIS Bacon, Série de Auto-Retratos (1971/72)

Mesmo publicado no distante 1983, “A Era do Vazio” nos fornece uma análise atual sobre um processo que só se acentuou de lá para cá. Se hoje vivemos o reinado do indivíduo, as bases para essa realidade foram pavimentadas há algumas décadas, notadamente dos anos 1980 em diante.

O vazio a que se refere o título do livro é a “era pós-moralista, o fim de uma época de valorização do sacrifício e de condenação do prazer”, escreve na apresentação da obra Juremir Machado da Silva, doutor em Sociologia pela Sorbonne, Paris V. Assim, estamos mais soltos, livres e perdidos e menos engessados pelas regras sociais. É o “crepúsculo do dever” e a exaltação do efêmero como atmosfera cultural.
Para Lipovetsky, trata-se de um modo de socialização e de individualização inédito, que rompe com o que foi instituído a partir dos séculos XVII e XVIII. É a segunda revolução individualista. “Negativamente, o processo de personalização remete à fratura da socialização disciplinar; positivamente, ele corresponde ao agenciamento de uma sociedade flexível baseada na informação e no estímulo das necessidades, no sexo e na consideração dos ‘fatores humanos’, do culto ao natural, da cordialidade e do humor.”

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E o que a web 2.0 e o Big Brother Brasil, da Rede Globo, têm a ver com isso? É que o diagnóstico feito por Lipovetsky – quando a internet comercial nem existia – constata que chegamos ao “individualismo total”, uma espécie de neonarcisismo. Época em que tudo muda pela comunicação, interação, contato e a livre escolha.

“Assim como a idade moderna foi obcecada pela produção e pela revolução, a idade pós-moderna é obcecada pela informação e pela expressão”, analisa Lipovetsky. “(…) trata-se de uma aspiração de massa cujo último avatar é o extraordinário aumento das rádios livres. Somos todos DJs, apresentadores e animadores: ligue na FM e será envolvido por uma onda de músicas, de mensagens rápidas, de entrevistas, de confidências (…). Democratização sem precedentes da palavra: todo mundo é incitado a ligar para a central telefônica, quer contar algo a partir de sua experiência íntima, ou pode se tornar um locutor e ser ouvido.” O filósofo completa ao dizer que, “quanto mais a gente se expressa, menos há o que dizer”. “Esse paradoxo é reforçado também pelo fato de que ninguém, no fundo, está interessado nessa profusão de expressões, com uma exceção que deve ser levada em conta: o próprio emitente ou criador.” Onde Lipovetsky escreve rádios livres, poderíamos perfeitamente colocar a palavra blogs.

Depois de ler o trecho acima, você pode pensar que o filósofo francês é mais um chato de galocha que está louco para lançar a mídia e a internet, essas criações do Coisa Ruim, no fogo do inferno. Não é nada disso. Embora crítico, Lipovetsky não se coloca nessa posição – muito menos eu. Antes, quer nos mostrar que já não somos os mesmos, pois cultural e moralmente mudamos de pressupostos, observa Juremir Machado da Silva. Talvez assim possamos sintonizar com outros olhos o Big Brother Brasil e então compreender melhor o tempo em que vivemos.

Recarregando as baterias

Amigos, sei que estou devagar com este blog. É a trabalheira. Mas logo retomarei o ritmo de cachorro louco. Se isso é bom ou ruim, só um psiquiatra pra dizer.

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