Grandes amigos

O poeta Miró da Muribeca, durante uma performance entre goles de cervejas e boas risadas

Miró é um desses cabras porretas que encontramos pela vida. Sujeito bacana, agradável e muito, muito talentoso. Camarada que fica feliz em viver a vida ao lado dos amigos. E da poesia.

Poeta recifense com uma íntima relação com Sampa, Miro é um cronista das cidades, um repórter da poesia. Seus versos brotam das esquinas, dos bares, dos becos, das veias esburacadas vestidas de asfalto.

Miró é um velho-novo amigo que me foi apresentado por outro amigo do peito, o Dom Pixote Edson Lima, do Autor na Praça (da Benedito Calixto, em Pinheiros).

Edson Lima, uma grande figura

>Produtor cultural dos bons, Edson é um apaixonado por literatura. É daqueles que nadam contra a corrente não por achar bonito ser do contra, mas por insistir em seguir o coração, no que ele faz muito bem.

Edson é um devoto da cultura. Uma formiga cujo trabalho – por vezes sutil, que poucos vêem – produz frutos poderosos. Frutos para a cultura, por fomentar atividades vitais que se alastram subversivamente nos corações; para os amigos, por ser sincero e leal.
Mais que isso, Edson é um apaixonado por pessoas. Sua especialidade é conectar uns aos outros. Fazer com que gente interessante se conheça, tornando a vida uma jornada mais saborosa.


Poeta Miró – Ataque Cardíaco from Pedro Bayeux on Vimeo.

E assim conheci, de fato, Miró, com quem tomei contato rápido pela primeira vez há um ano, durante uma tarde sábado em que Edson o levou para um almoço organizado por outro amigo, o Cordeiro.

Um ano depois, Edson me “escala” – é isso mesmo, escalou – para um almoço com Miró. “Ele vai estar aí, vocês vão bater um papo muito legal”. Dito e feito.

Na Benedito, depois de algumas cervejas e bolinhos de bacalhau na barraca da Vera, esposa do Edson (outra pessoa iluminada), segui com Miró para o Museu da Língua Portuguesa, onde ele participaria de um encontro de poesia.

Mais tarde, foi a vez de Miro me apresentar outras grandes figuras – Ricardo, Mile e Silvana. Resumo da ópera: às 4 da manhã, sanduíche no Bar do Estadão, no centro, e a certeza de ter feito novos grandes amigos.

Feliz Natal!


Poeta Miró – São Paulo from Pedro Bayeux on Vimeo.

Amores cruzados


Foto: autor desconhecido

Não resta mais nada. Há muito tempo que não resta mais nada. Onde estavam as eternas juras de amor? Onde estavam as palavras e os beijos que embalaram tantas noites? Procurou-os nas gavetas, no porta-retratos, na geladeira – e nada. No criado-mudo, na garagem, atrás do sofá – e nada. Para ele não havia a menor lembrança de nada. E então voltou sossegadamente a fazer suas palavras cruzadas.

O menino, o futebol e a vida


Foto: autor desconhecido

Na hora do apito final, o peito explodiu e as lágrimas escorreram. Não foram apenas umas gotinhas, dessas que pedem licença – foi um choro desbragado, de soluçar, de lavar a alma. Um choro que de tão alegre me fez voltar até um tempo feliz que guardo na memória: a recordação das épocas de menino em que brincava de astro de futebol, driblando a solidão de filho caçula que desenhava jogadas que só eu sabia como eram belas e mágicas.

Nos jogos imaginários na garagem de casa, eu sempre vestia a camisa do time do coração. Eram bordadas à mão pela minha mãe, que unia em vermelho, branco e preto os sentimentos mais valiosos que um ser humano pode dedicar ao outro. As camisas eram de algodão grosso, como não se fazem mais.

As partidas eram disputadas enquanto meu pai e sua Brasília laranja estavam fora, o que significava campo aberto para cobranças de falta na forquilha, cruzamentos de trivela, lançamentos em profundidade.


Foto: Araquém Alcântara

A camisa trazia invariavelmente o 11 às costas – o número do primeiro ídolo do futebol de minha vida. “Ele gosta do Zé Sérgio”, dizia minha mãe, referindo-se a um dos mais habilidosos e ágeis pontas-esquerdas que o futebol brasileiro produziu. Ainda hoje, se o assunto vier à tona, ela certamente se lembrará de tudo isso – e me fará sorrir.

Antes mesmo do apito final soar na partida entre São Paulo e Goiás, lá em Brasília, no Bezerrão, eu também me lembrava das primeiras vezes em que fui ao estádio. Meu pai querido, os três irmãos, mais velhos, cada um ao seu modo um espelho para mim.

Eu tinha cinco anos, mas me lembro bem daquele domingo de sol – que terminou com uma baita chuva – em que a festa deu lugar à desilusão e em que pela primeira vez vi uma multidão chorar. O Tricolor perdera a final do Brasileiro para um outro tricolor, o do Sul – o mesmo que agora disputou com o meu São Paulo o título de 2008.

Enrolado numa bandeira gigante – para mim tudo era gigante -, eu não entendia direito, mas sabia que alguma coisa muito triste havia acontecido diante de meus olhos. Por isso também chorei. Foi assim que aprendi aquilo que depois soube se chamar cumplicidade.


Foto: Caio Murilo

E assim também conheci a tristeza, que tinha um nome – Baltazar, o centroavante do inimigo – e bateu em nossos corações depois de uma matada no peito e um tirambaço da entrada da área. Uma tristeza classuda, de categoria, mas nem por isso menos dolorosa.

Foi ao sabor dessas reminiscências que comemorei o título de campeão brasileiro de 2008 pelo meu São Paulo – campeonato que teve como rival na reta de chegada o mesmo tricolor gaúcho que há 27 anos me apresentou a tristeza. Se naquele domingo de 1981 eu experimentava um dos sentimentos mais marcantes da vida, ao ver o nosso capitão Rogério erguer a taça tive a impressão de descobrir alguma coisa a mais sobre mim.

E assim me senti, pelo menos por breves instantes, como o menino que fazia jogadas incríveis com bolas de meia e tabelava com os próprios sonhos diante de um futuro que se desenhava a cada drible, a cada grito de gol.

Parabéns ao aniversariante do dia!

Tá bom , tá bom, posso até exagerar com o “TRIpost” sobre o São Paulo. Mas, em época de TRIcampeonato, nada mais adequado.

E também porque hoje, 16 de dezembro, é aniversário do glorioso hexacampeão.

Que beleza!

Esse time só me dá alegrias!

Vamos, São Paulo!

Dona Vanda não quer sair do Messenger

Replico aqui um artigo meu publicado na Gazeta Mercantil desta segunda-feira (1 de dezembro).
Vai junto o tradicional bico de pena do jornal, publicado junto com o texto. É engraçado me ver nesses traços. Clique aqui para ler na íntegra

Blogs / ArticulistasClayton Melo
Gazeta Mercantil
01/12 – 00:00

Dona Vanda não quer sair do Messenger

1 de Dezembro de 2008 – “Você me ensina a usar o Messenger?”, pediu dona Vanda, mãe de uma amiga minha, referindo-se ao sistema de comunicação do portal MSN que permite a troca rápida de mensagens pela internet. “É que minhas amigas começaram a usar. Queria ter também, para poder conversar com elas na rede”, reforçou. Enquanto eu instalava o programa e a orientava, ela escutava atentamente, tirava dúvidas e anotava tudo num caderninho. “É para não esquecer.”

O que me chamou a atenção nesse episódio é que dona Vanda – que tem mais de 50 anos e ficou viúva há cerca de um ano – e suas amigas são donas-de-casa, começaram a navegar na web recentemente e não são sintonizadas com a tecnologia. São apenas pessoas que descobriram uma nova forma de convívio social. Elas não querem mais ficar fora de um mundo ao qual os filhos e, especialmente, os netos tiram de letra. Não se trata de deslumbramento tecnológico, mas sim da busca de afetividade. É sinal de que as relações na sociedade se digitalizam a passos largos.

A essa altura do campeonato, você, leitor, pode se perguntar o que isso tem a ver com o mundo dos negócios. Saiba que a relação é muito mais estreita do que parece.

A história de dona Vanda demonstra que a comunicação na sociedade atravessa um período de profundas mudanças, com reflexos no modo de fazer negócios. A alteração fundamental é que pela primeira vez na história o cidadão comum tem voz ativa no processo. Até o surgimento da web 2.0 – a fase atual da internet, de cunho colaborativo e interativo -, as pessoas se limitavam a coadjuvantes do espetáculo. Agora, com os blogs e as redes sociais digitais – os sites que permitem a interação entre as pessoas, como Orkut, Facebook e MySpace -, todos podem criar e distribuir seu próprio conteúdo na web. Podem louvar e destruir marcas com alguns poucos cliques.

Um estudo comandado pelo pesquisador Marcelo Coutinho, diretor do Ibope Inteligência, ajuda a compreender o processo.

Estudioso de longa data do universo digital, Coutinho quer entender como funcionam as redes sociais digitais e quais as principais características de uma estratégia digital bem-sucedida.

(o texto ainda não acabou; clique aqui para ler o final).

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