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“Vai, desembucha. Cadê o cara do blog?”

Me serve um café que o mundo acabou

 

Carlota resolveu morrer bem na hora do meu café. “Levanta, me serve um café”. Repeti, e nada. Eu estava de bode, mas mesmo assim implorei, ajoelhei aos seus pés, beijei-lhe a face ainda levemente ruborizada. Nada. Chacoalhei suas ancas, os peitos, braços, os beiços ainda borrados de batom. Nada de novo. Absolutamente nada

 

Telefonei pro programa do Datena, quem sabe ele não me ajudava. Caiu numa loja de sex shop. Deixei para lá.

 

Voltei para a cozinha, Carlota poderia ter desistido dessa bobagem de morrer bem na hora do meu café. Fiz glu-glu perto dela, assim, ó, com beicinho, do jeitinho que ela gostava.  Prometi que ela nunca mais seria barrada no baile e concordei em trocar meu cachorro por uma criança pobre. Fiz até psiu. Também não adiantou. Carlotinha, querida, agora quem é que vai fazer a mistura?

 

 

Nesse momento começou a tremer, o prédio começou a tremer. O pôster do Agnaldo Raiol e o vidro de alfazema da Carlota despencaram. Meu LP com os 12 finalistas do primeiro Rock in Rio foi para o além. Só restou a foto do Gilliard, impávido, quase um colosso sorridente. Quando queria um chamego, ela sussurrava no pé do meu ouvido. “Aquela nuvem que passa/lá em cima sou eu…”. 

 

O tremor aumentava. Do lado de fora, tudo explodia; o povo corria, histeria, sirenes, o caos. “Ó, Deus, Nostradamus, Forças do Bem e da Maldade, Vudoo, calamidade, juízo final. Então és tu?”.

De repente perdi a paciência, resolvi mostrar quem é que manda e ordenei. “Carlota, levanta e me serve um café que o mundo acabou!”

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