Como era doce o meu Bluetooth *

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 ”Ah… mas que bluetooth, hein?” 

Vem cá, meu chuchu, quero fazer um bluetooth em você. Trocar fluídos, energias cósmicas. Mas que banda larga, hein? 2GB de puro deleite e prazer. Vamos fazer um amor wireless, bluetoofar até cair: a bateria aguenta até seis sem tirar. Como é que é? Prefere papai-mamãe? Então cabo na sua porta USB. Agora você vai ver o que é um coaxial de verdade. Como é que é? Você tem quatro portas USB? Poderosa, poderosa.  

Mas vem, minha pururuca, vamos fazer uma festa do bluetooth. Um download a mais não mata ninguém. Deixa fazer mais um bluetooth aí, vai? É rapidinho, cê vai ver. Gostou do meu bluetooth? Então vem aqui, vai, é só chegar perto que…bluetoooooooth!   

* Um diálogo wireless com Bloganvile. 

Amores

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Amores resfolegantes, de pressa. Depressa: alívio, prazer. E dor e dissabores, porque flores também decoram os funerais. Entregas e partidas, encontros e desenlaces. Histórias entrecortadas, vírgulas – reticências.

Para onde vamos? Te amo? Acabou. Eterno recomeço?. Walk on the wild side.

Fim e começo. Tudo começa, sempre, tudo avança. Nem sempre; tudo ao mesmo tempo agora. De novo, vai. Vem, assim, com sede, com fome, à flor da carne. O que sente por mim? Paixão, dó, prazer, tesão, raiva, rancor? Cócegas? Vai, mexe no meu pé, amoreco. Ah, benzinho, adoro esse seu colar de madrepérolas.

 

Déa Trancoso e Tita Parra

Guto Ruocco, meu chapa, produtor cultural que já trabalhou com Caetano, Cássia Eller e outros tantos, passa a dica: show de Déa Trancoso no dia 1° de maio, às 18h,  no Sesc Pinheiros,em São Paulo. 

Guto é produtor do show e conhece muito de MPB – não é conversa fiada; o cabra conhece mesmo.

E as credenciais de Déa são as melhores possíveis. Para começar, a moça papou o Prêmio Tim de 2007 em quatro categorias (disco regional, cantora regional, projeto visual e cantora voto popular). Como se não bastasse, é recomendada nada mais nada menos que por Egberto Gismonti.  

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Déa Trancoso é recomendada por Egberto Gismonti

Veja o que diz Gismonti: “Déa, que beleza o seu tum tum tum, menina! Que bem que faz à alma! E ao coração, então… Que voz bonita! Corta e finge que não quer cortar. Fica com aquele sorriso na capa, cheia de fitas no chapéu, finge que não vai mandar chumbo grosso. Uma beleza. TUM TUM TUM tem cara de coisa inventada por amigos que ficaram felizes e comemoram sem parar. Acho que todo mundo ficou sorrindo na audição final. Está evidente que é música pra fazer a gente feliz. Obrigado”. 

As palavras de Gismonti estão no MySpace da moça. Quem quiser, pode ir lá e conhecer o som dessa mulher nascida há 44 anos em Almenara, no Vale do Jequitinhonha, no seio de uma família de seresteiros.   Não conhecia Déa Trancoso. Conheci agora, ouvindo o MySpace dela. Vi que é trabalho de respeito, coisa de gente criteriosa. E refinada.    No show, participação especial de chilena Titã Parra, neta da gloriosa Violeta Parra.     

Aforismo da besta quadrada

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Complicar é fácil – difícil é ser simples. Eu que o diga.

“Traz o omelete, madama. E bem temperado”

“Quem estiver de sapato não sobra”

Ele entrou na casa do bacana. Na calada da noite.  Lenço no rosto, lanterna na mão. “E vamu logo, acorda aí, dotô, vamu, vamu”. Trancou-o no banheiro.  

Foi até a distinta senhoura, que sonhava com os anjos. “Levanta”. Levou-a até a cozinha, tudo na paz, na calmaria. Tirou o lenço. “Traz o omelete, madama. E bem temperado”.  

 

40 Anos de O Bandido da Luz Vermelha, o faroeste sobre o Terceiro Mundo. Um filme de Rogério Sganzerla, nas páginas da Gazeta Mercantil desta sexta-feira, dia 18 de abril. Nas bancas.

 

E logo mais outras novidades em Ponto de Fuga. 

“A solução para o Brasil é o extermínio! Extermínio totaaaal!

Tattoo deixa Ilha da Fantasia e arrebenta na Coréia

Fabinho Reis, o branco-negão do swing digital, o mesmo que tirou uma onda com a Trufa de chocolate (veja post sobre Coltrane), mandou uma para Ponto de Fuga que é impagável.

O dileto camarada descobriu no blog Libera o Badaró que o melhor baterista do mundo está na Coréia, como se pode constatar no vídeo abaixo. O cara é um samurai das baquetas ( já o guitarrista parece personagem dos filmes do Bruce Lee – embora um pouco gordinho, é verdade).

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Tattoo deixou Sr Roarke na mão para fazer sucesso no show business coreano

Apenas completo observando que a criatura, na verdade, é o Tattoo, que fugiu da Ilha da Fantasia e correu para os braços da Miss Lantejoulas de Prata (seriam lantejoulas?)          

Um post cinéfilo-colaborativo

A caríssima Hurricane, leitora, amiga e cinéfila, enviou um comentário dias atrás que, pela consistência do teor e pela bonita homenagem que presta ao cinema, merece virar um post. Um post cinéfilo-colaborativo em Ponto de Fuga (a estrada está aberta para outros amigos de PF também).

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Visconti, o fanstástico Conde Vermelho 

Hurricane, Visconti é um dos meus prediletos (clique aqui para ver mais), De Sica está na história e adoro Sangue de um poeta, de Jean Cocteau. E Wong Kar-Wai é um dos expoentes atuais que quero conhecer melhor. Por hora, só vi o episódio de Eros, do qual gostei muito.  

E Antonioni, Godard, Bergman? Você pegou pesado. Citou três dos que estão no topo da minha cinemateca pessoal, está que carregarei pela vida toda, ao lado do Truffaut, do já citado Visconti, Rosselini, Sganzerla, Glauber, Orson Welles, Hitchcock.

Bem, mas agora vamos ao post de Hurricane. Sem edição, sem arrumar a falta de acentos por causa do teclado de algum smartphone da vida. Até!  

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Antonioni, olhar aguçado para as relações humanas

HURRICANE disse: April 11th, 2008 at 12:13 pm

“Godard e Bergman, sempre, sempre semmpre! Antonioni, uma maravilha. Mas tambem amo Visconti (adoro a fome de vida de seus aristocratas, um tanto quanto libertarios, por isso mesmo poeticos) e De Sica , com sua gente do povo, com uma alegria desafiadora e, por isso mesmo poetica). Acho um privilegio ver esses dois polos em Boccaccio 70. No filme do Visconti, Romy Schneider faz o marido nobre, bonitao e infiel provar de seu proprio veneno. No De Sica Sophia Loren eh a prenda de uma rifa em uma feira agricola-parque de diversao numa cidadezinha qualquer da Italia. Ela precisa da grana (soldi,soldi, soldi…) E existe toda uma etica nela e em seu amigo que vende a rifa. Eh lindo, Clayton.

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Godard é fundamental para o cinema moderno

Ah, Sidney Lumet… Papai gostava muito. Vi Gloria, Mulher de certa especie (faz tempo, nao sei se o nome era esse) e tenho em casa o ultimo filme do River Phoenix, um ator que nao deveria morrer, ne? Running on empty…Dos atuais acho q voce devia provar mais do Kar-Wai. Cores saturadas e amores intensos que explodem de delicadeza na tela. As trilhas sao belas, se quiser te empresto, acho q a de My Blueberry Nights esta no carro.

Dos antigos, lembrei do Cocteau, multimidia em sua epoca – o homem transitava por tudo: cinema, teatro, poesia, mais moda (era amigo da Chanel, que fez figurino para suas pecas e ele, me parece, a cenografia de um desfile dela) e joalheria (o anel Trinity, classico da Cartier com tres argolas entrelacadas – uma em ouro branco, outra em amarelo e outra em vermelho – tem a ver com uma historia de amor dele e tem design tao atual q existe para vender ate hoje). Uma frase sua, que o define: sem saber que era impossivel, foi la e fez. Ai, ai, ai.

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Doze homens e uma sentença, de Sidney Lumet, é uma obra-prima 

Esses comentarios estao maiores que seus posts, o que pode ferir a etiqueta dos blogs (rs). V nao precisa responder na mesma proporcao, ate pq na internet os textos devem ser curtos, certo? Fazer o que? A conversa vai ficando defasada diante das afinidades. Ou nao, como diria o baiano?Sim, Clayton, perdoado pelo Coltrane.E com ajuda de Leslie Feist. Poesia nao eh coisa de se falar. Audiencia esperta logo entende que bom mesmo eh ser musa. Ate quando nao se eh.
Beijinho, H.”

I feel it all, de Leslie Feist

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Leslie Feist: do folk ao indie, sempre com qualidade

Um bálsamo para os ouvidos e os olhos: vi no site dela o novo vídeo de Leslie Feist, I feel it all, que agora exibo por essas bandas. A música está do disco Reminder, o mais recente desta maravilha que vem do Canadá.

 

Para ver mais sobre Leslie em PF, clique aqui.

 

 

Arte na Praça, com Ivald Granato

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Artista multmídia, Granato estará na Maladena

Há muitos anos a Praça Benedito Calixto, na Vila Madalena,

em São Paulo, ganhou um brilho especial com o Projeto Autor na Praça, capitaneado pelo produtor, guerrilheiro cultural, boa praça e meu chapa Edson Lima (veja mais em Ponto de Fuga e aqui). Pois eis que agora o inquieto camarada, junto com os batalhadores do Jornal na Praça, lançam agora o Arte na Praça.  

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Tela de Granato. As demais imanges também são de obras dele

A história é a seguinte: uma vez por mês, sempre nas tradicionais tardes de sábado na Benedito, o Espaço Plínio Marcos estará aberto para um artista visual. E empreitada começa bem: com Ivald Granato. Haverá tarde de autógrafos do livro Ivald Granato Art Performance, da Coleção Portfolio Brasil (J.J. Carol Editora). Além de dar uma canetadas nos livros, Granato também fará uma performance. O que será que vem dali, hein?   

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  Granato é um nome importante da arte brasileira que, a partir dos anos 70, ganhou renome com a realização, por exemplo, de performances e intervenções, muitas delas com uso de vídeo e  fotografia como forma de registro. Influenciado no início de carreira pelo cubismo, sua obra também passeia pelo desenho, pintura, gravura e escultura.

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Fica a dica. Estarei lá. E já sei como a brincadeira acaba: como sempre, com uma cervejada no Bar do Jeová , o botequinho que fica mesmo na Teodoro Sampaio, de frente pro crime.  Está aí o Edson para não me deixar mentir, né? 

Se algum leitor-leitora-cumpadre-comadre aparecer, prometo pago uma rodada.

 

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Atenção para o serviço:  

Arte na Praça com Ivald Granato e convidados.Espaço Plínio Marcos – Tenda na Feira de Artes da Praça Benedito Calixto – Pinheiros Dia 12 abril de 2008, sábado, a partir das 14h. 

Mais detalhes Jornal da Praça/projeto Arte na Praçahttp://plazajornal.blogspot.com / plazajornal@gmail.com / (11) 3083-7788 

Edson Lima/projeto O Autor na Praçaedsonlima@oautornapraca.com.br / (11) 3746-6938 / 9586-5577  J.J.Carol Editorahttp://www.jjcarol.com.br / jacques@jjcarol.com.br / (11) 3871-1888 

 

 

 

 

John Coltrane e seu A Love Supreme

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 A Love Supreme, de 64, de Coltrane, abalou as convicções sobre o jazz

Tá bom, tá bom. Depois de uma avalanche “truffauniana”, chegou a hora de mudar de ares, creio. É isso que dá comprar duas caixas de DVDs e assim ver e rever filmes do mesmo cineasta um atrás do outro. Não tem mais fim. E tenho a mania de mergulhar fundo quando algo me intriga. Mas é bom, né? E percebi que faria bem mesmo mudar o tom quando recebi e-mail do meu comparsa Arnaldo Comin tirando uma onda. “Esse bloguinho tá afrancesado demais. Truffaut, Jane Birkin……Coisa de veado, Clayton!” 

Pois é, o Jece Valadão voltou (lembra disso, Comã?)

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 Com a A Love Supreme, aventurou-se pela

 música indiana e o espiritualismo

E eis que me vem Fabinho Reis, outro membro da gang, e faz chacota: 

“Pô – adoro Trufa! Principalmente de chocolate”. 

Aí me rendi. E, como a voz dos camaradas é a voz do Ponto de Fuga (também tenho meus acessos populistas, claro), mudo da água para o vinho, embora continue na esfera dos grandes artistas. Jazz e cinema, duas paixões.

Por isso lanço mão de John Coltrane, que, pelo que lembro, os dois camaradas também gostam. Coltrane sempre me acompanha, assim como Charlie Parker e as loucuras de Ornette Coleman.

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 John William Coltrane nasceu na Carolina do Norte, 1926

Resolvi postar sobre isso também porque estou lendo A Love Supreme – A criação do Álbum Clássico de John Coltrane, do jornalista Ashley Kahn (Editora Barracuda).

Conta a história do processo que culminou no lançamento de uma das obras-primas – se não a obra-prima – de Coltrane.

A Love Supreme foi para Coltrane o que Kind of blue foi para Miles Davis, com quem tocou, aliás (Ponto de Fuga já falou disso, veja). O livro Kind of Blue – A História da Obra-Prima de Miles Davis, também foi escrito por Kahn. 

 

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Coltrane tocou no quinteto de Miles Davis 

A Love Supreme fundiu a cuca de críticos e público, que rejeitaram, em princípio, as inovações do disco. Uma saraivada de críticas caiu sobre a cabeça de Coltrane, à época já um músico renomado.O disco é um manifesto espiritual, quase uma profissão de fé.    

Em outro momento escreverei mais a respeito. Por hora, deixo um vídeo com Coltrane e cia tocando My Favorite Things, um de seus clássicos. Uma maravilha.  

 

O Homem que Amava as Mulheres, o filme

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Bertrand Morane (Charles Denner) é o homem que amava as mulheres. O solitário rodeado de damas gentis e solícitas em busca de prazer e afeto – assim como ele. “A verdade é que elas querem o mesmo que eu: elas querem amor. Todo mundo quer amor, todos os tipos de amor”.

Seu fetiche eram as pernas. Pernas magras, esguias, esbeltas, ou também roliças. “As pernas das mulheres são compassos que percorrem o globo terrestre em todos os sentidos dando-lhe equilíbrio e harmonia”, dizia Morane.

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Truffaut dizia que Charles Denner era perfeito

para o papel por não ser galã

Sempre sozinho, ia a restaurantes inspecionar o mulherio. “Você acha que gosta de amar, mas é só o conceito que você ama. Você é um tolo, mas quando me acaricia, penso em você”, afirmou uma tantas que lhe preencheram noites de solidão e ausência. Talvez Bertrand Morane fosse um homem impossibilitado para o amor. Para a entrega do amor. Um homem que sonhava amar e ser amado, mas impedido de exercer a plenitude amorosa. Um coração interditado.

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Brigitte Fossey faz a editora e amante que publica o livro de Betrand 

“Bertrand pensava que em quantidade encontraria a felicidade. Por que sentimos que temos de procurar em tantas pessoas o que nos foi ensinado que pode ser encontrado em uma única?”, diz no filme Brigitte Fossey, que interpreta uma das amantes, a editora responsável pela publicação de seu livro de memórias. Em tempo: Brigitte Fossey é a menininha de Brinquedo Proibido, de René Clement.  

Trata-se, na verdade, de um menino escondido atrás do homem. E que não conseguiu se libertar do fantasma da ausência e desprezo da mãe durante a infância. “Cadê o bebê?”, perguntou a babá que contratou certa vez. “O bebê…sou eu”.    

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Truffaut não traçou o perfil de um conquistador barato

 Diz Truffaut,

em O Cinema Segundo Truffaut: “Com as mulheres, temos as relações que tivemos com as mães. Agradava-me a idéia de ir além da suposição de que Bertrand tinha apenas sido vítima de uma mãe detestável. Ele tinha também sido seduzido por ela, e é isso que tenta reviver com as mulheres que encontra”.

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Geneviéve Fontanel, na pela da amante de cabeleiras ruivas  

 A despeito da vocação para sedutor, não estamos falando de um Don Juan ou um Casanova. Bertrand Morane não era o machão típico; era, sim, um homem da modernidade. Da explosão do mundo pop, da sociedade de consumo, da era da libertação feminina.  “Sabe como te vejo, apesar de jeito melancólico? Como um homem que não tenta provocar a sua virilidade. E sabe como vejo seu livro? Como um testemunho das relações homem-mulher no século XX”, diz a editora e amante.

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Bertand era democrático: ia de morenas, garotinhas, maduras e louras

No fundo, Betrand Morane era um homem que carregava no peito a dor de uma terrível desilusão. “Um cena de reencontro com uma antiga relação indica claramente que outrora esse homem volúvel experimentou sentimentos de uma tal violência que adquiriu para sempre o medo doentio de senti-los novamente…Pois o paquerador é também alguém que tem medo do amor”, afirmou Truffaut, para quem o personagem não é tão autobiográfico como alguns seriam capazes de supor.

Com Bertrand Morane, Truffaut coloca em cena um certo tipo de homem moderno, que expõe  fraquezas, sofrimentos e desejos, embora continue na pele do caçador. Mas é um caçador de si mesmo, ainda que para isso precise da figura feminina, na esperança de um afago que torne a vida um pouco menos dolorosa.   


Veja este trecho que intreressante:

Truffaut, o homem que amava as mulheres

Mais umas palavrinhas sobre Truffaut. Vem comigo, vale a pena.

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 François Truffaut e a urgência do amor 

Uma das coisas que aprendi na vida é respeitar os sentimentos, os nossos e os dos outros. Mas não aprendi assim, de pronto. Foram necessárias algumas derrapadas pelo caminho, algo que, no fundo, me trouxe mais ganhos que perdas. Seguramente. Assim crescemos e podemos olhar a estrada com mais alegria e esperança.  Quando vejo um Truffaut, essas coisas me vêm à cabeça, e percebo mais uma vez a capacidade do cinema – e da Arte – de nos ensinar um pouquinho mais sobre nós mesmos.

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Léaud, Bisset e Truffaut: filmagens de A Noite Americana 

Truffaut mostrava a vida sob o signo do afeto e do amor, talvez pelo fato de que, em sua infância e adolescência, ele próprio não tenha experimentado plenamente esses sentimentos. Sentia-se abandonado por pai e mãe. Só no mundo, no sentido existencial do termo. E, talvez por não se sentir amado, exaltava nas telas o amor com tamanha força e beleza.

Seus personagens pareciam gritar: “diga que me ama, eu quero ser amado!” Truffaut é a busca do amor, não apenas o da paixão, mas também o de viver. O amor urgente. Personagens em busca da paixão, da entrega, do sabor de uma nova história. Caiam e se levantavam, choravam e logo sorriam.   

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O Homem que Amava as Mullheres

Vejamos Fanny Ardant e Gérard Depardieu em A Mulher do Lado; Catherine Deneuve e de novo Depardieu em O Último Metrô; Jeanne Moreau e os dois amantes em Jules e Jim; o triângulo amoroso em As Duas Inglesas e o Amor. O Homem que Amava as Mulheres.  

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O Último Metrô

E vejamos Doinel, da criança de Os Incompreendidos ao menino-adulto-pai de Domicílio Conjugal e O Amor em Fuga – sim, um tanto imaturo, um eterno menino, faltava-lhe encarar a vida como um homem feito. Mas isso não tornava menor. Pelo contrário. Como personagem, forjava-se aí sua riqueza e ambigüidade, o traço humano que nos faz ver nele alguns de nossos temores, inseguranças, anseios juvenis por um braço, um colo, um cafuné.   

Doinel, e isso é o que importa pra valer, era movido pela paixão, vivia como se fora o último momento. Doinel é a certeza de que, com amor, é possível suportar a crueza da vida.

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Léaud, imortalizado como Antoine Doinel

 

 

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