Antoine Doinel e os Beijos Proibidos

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Beijos Proibidos, um Truffaut de 1968

Nova onda Truffaut no Ponto de Fuga. Festival de posts, fotos e imagens, porque o amor pede passagem. Sempre – por que não? François filmava o amor com esmero de poeta e uma pitada de molecagem.  Falemos de Truffaut porque falar de amor com leveza e simplicidade, e ao mesmo tempo calar fundo no sentido da emoção, não é para qualquer um. É para Truffaut. Por meio de suas lentes, o amor é urgente; a paixão, um eterno recomeço capaz de revigorar corações entristecidos.

E vamos de Antoine Doinel, claro. Vamos de Beijos Proibidos. Segundo o próprio cineasta, em texto reunido em O Cinema Segundo Truffaut (Editora Nova Fronteira), esse longa-metragem – o terceiro da série Antoine Doinel, seu alter ego encarnado por Jean Pierre Léaud – é um “filme galhofeiro”. “É a primeira vez que fizemos um filme com pretensões cômicas”.   

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Claude Jade e Léaud, amores da juventude

Tem Doinel como desastrado porteiro noturno de hotel, como detetive incapaz de investigar. Pastiche dos detetives do cinema policial americano do tipo B, recurso comum à nouvelle vague e que Godard, ao seu modo, também parodiou em Alphaville e em Acossado.  

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Léaud, alter ego de Truffaut, personagem inesquecível

Tem também um homem misterioso que segue Christine (Claude Jade) por onde ela vai. 

“A meu ver, ele não é tão misterioso assim. A idéia me ocorreu num restaurante. Havia um casal numa mesa e, na outra, um homem que não parava de olhar para a mulher, como se ela não estivesse acompanhada. Para mim, o tipo do filme é louco, mas, como todos os loucos, diz coisas importantes. Diz que os sentimentos são passageiros, que todo mundo trai todo mundo. Ele é louco porque se acredita diferente. O filme inteiro é baseado no provisório e, de repente, aparece alguém que se pretende definitivo”, afirmou Truffaut. 

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Com Truffaut, o amor tinha desilusões, e também leveza

Ele continua:  

“Na verdade, Beijos Proibidos sugeria a cada espectador um tema. Para alguns, era a educação sentimental, para outros, a iniciação, enquanto outros ainda pensavam em aventuras picarescas. Cada um imaginava o que queria mas tudo estava dentro do filme. Tínhamos enchido o filme de tudo o que Balzac chama de ‘um começo de vida’” 

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 Delphine Seyrig, como a fatal Sra Tabard 

 Para mim, não sai da memória Delphine Seyrig na pele da Sra Tabard, o charme da mulher fatal, impossível para o pobre Doinel – a não por uma manhã e nada mais. Também não me sai da retina a doce Claude Jade na flor dos anos, em seu primeiro filme. Bela, sutil, o olhar de menina-mulher que seduz pelo que não mostra, encanta pelas entrelinhas do olhar.   

Agora, um trecho  do filme. Está apenas com  tradução em inglês, o que não impede  sacar o jogo de sedução de Sra Tabard, esposa do “chefe” de Doinel. Resumo da ópera: ela propõe a ele algumas horas de regozijo carnal e estamos conversados. Reparem no jeito aturdido, aparvalhado dele diante da proposta indecente deste mulherão.   

 

Antoine Doinel e O Amor em Fuga

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Jean-Pierre Léaud (Doinel) e Dorothée (Sabine) 

Com Antoine Doinel, o amor em fuga. “Toda a minha vida é correr atrás de coisas que escapam/Jovens perfumadas, buquês de lágrimas de rosas”.  Escapam pelos dedos, mas não do coração – um eterno menino em busca do amor. E tem Colette, Christine, Sabine. “Rápido feito em pedaços/ que cortam e sangram/ E, veja, sobre o piso a porcelana/ Nós não conseguimos segurar a onda”.

Entre beijos proibidos e domicílios conjugais, Doinel carrega no peito a tinta vermelha da decepção, mas também a chama da esperança.  

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Doinel foi casado com Christine (Claude Jade) 

Ele não desiste.  Doinel cola a fotografia, vai atrás de seu amor, corre, pede perdão. Doinel quer Sabine. Doinel escreve cartas, escreve o livro. E pega Sabine nos braços, dança e sente mais uma vez como é bom o gosto da paixão.

 

O cheiro da alma

Busquei na prateleira um livro que me acompanha desde 2001 e ao qual recorro de tempos em tempos. De Pierre Lévy ( ele mesmo, o filósofo da cibercultura), O Fogo Liberador (Iluminuras). Ótimo. Uma espécie de coleção de memórias filosóficas, aforismos existenciais, reflexões. “Um diário de bordo de um início de viagem, da descoberta do viajante. No meu caso, a viagem certamente não terminou”, diz Lévy no prefácio.

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Tamanha a identificação com o que sinto atualmente, essas palavras poderiam ser minhas.                      

Vejam esse trecho escrito por Lévy:

“Que atmosfera reina no seu íntimo? O ódio? A agressividade? O ressentimento? A falta? A voracidade? A cobiça? O medo? A culpa? A autocrítica? A auto-satisfação? A hipocrisia? O recalque? A serenidade de fachada? Ou antes a honestidade, o amor, a abertura ao instante? Observe sem tréguas. Sinta o cheiro de sua alma. 

Das lembranças e descobertas

Me lembrava de você. – É? e eu de você – olhar suave, uma elegância só. E você um pouco mais velho, veterano, digamos assim. - Não muito, e aqui estamos de novo; o que fez nesses anos? Viajei pelo mundo, tantos mares.  – Posso ver ondas em seus olhos. Muito trabalho, mas também foram tempos de flores. – Me acompanha em mais um chope?

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Dois Perdidos Numa Noite Suja

Enviado por Joana Levi e Laila Garin, diretoras do espetáculo e amigas. No elenco, Leonardo Ventura e Marcelo Valente.  

Recomendo. A equipe é talentosa e batalhadora – nem preciso falo do texto do grande Plínio Marcos, porque aí seria chover no molhado. Aproveitem, pois sairá de cartaz dia 29 de março.

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Ateliê das almas

Daquele momento em diante, não mais o vale das sombras, o temor do que não foi. Mesmo que já fosse tarde, do silêncio fiz meu canto, e do orvalho de meus olhos a cura de minha sede. Agora solto a voz, com fome, como se fora o último grito, a última prece. Seus faróis iluminam meus pés, minha paixão de viver. Eu tinha sede, mas não encontrei água.  

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Mar grande

Deram-se as mãos, serenamente.

Velas ao mar, e depois navegaram-se noite adentro.

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O intervalo do olhar

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Jean Seberg e Jean Paul Belmondo, em Acossado, de Godard

Vamos marcar, sim. Onde iremos? Conversar, sair por aí. Claro, assunto é o que não falta – sem chance para monólogos. Lembra daquele tempo? Mal nos conhecíamos. De vista, apenas. Corredores; um sonho de primeira página. Mas aqui estamos de novo. Anos depois. Com histórias na bagagem, uma imagem feliz de mulher. Um coração que sorri. A sutileza no intervalo do olhar.  

Jane Birkin 2

Agora, sim, fotos de Jane Birkin no Bourbon Street, na terça-feira passada. Tocou Leãozinho, de Caetano, com um sotaque francês e folha de papel na mão, à vontade. Levantou a platéia.  

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Crédito fotos: Tiago Queiroz (Agência Estado)

 O estilo despojado provocou reações, a maioria de aprovação, com a de meus amigos Alexandre Staut e Fabiana Gitsio, meus amigos de Gazeta Mercantil (veja comentário dela no post que ele fez sobre o show). Por mim, aprovadíssimo. Gosto desse estilo “elegantemente descolado” (!) de algumas mulheres. 

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 Já a imaginou sussurrando coisas assim em seu ouvido?  Veja e ouça.

Eu fui com Jane Birkin

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Jane Birkin esteve em São Paulo.   A foto acima é de show em Montevidéu

 

Com um charme irresistível, ela bailou pelo palco, passeou entre as mesas, distribuiu sorrisos. E cativou corações. Chanson regada à jazz. Vestida para um café entre amigos, sem afetações. Jane Birkin, a musa de Je t’aime … moi n’on plus, o amor de Serge Gainsbourg, a mãe de Charlotte – a estonteante do primeiro nu frontal do cinema. Blow Up, de Antonioni.  Jane Birkin, a mesma que me levou longe, me fez voar, esquecer do tempo.

No embalo de Bob Dylan

 crédito da foto: Marcos Hermes/ divulgação  

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 O show do velho Bob, em São Paulo, foi marcante 

Modern Times. Com o velho Dylan, não se estaciona no tempo. Busca-se um outro sentido, uma nova estrada, um novo arranjo para a vida. Like a rolling stone: na cadência rouca, às avessas – de arrepiar, de tocar fundo a paixão de viver. De guardar para sempre a memória do instante. Estou aprendendo a viver como quem rola à toa na vida.  

E com o velho Dylan vejo ainda mais poesia nessa moça que vai à praia e me sorri, volta da praia e me sorri; deixa-se para o mar, sorri para o mar. Sorri em mim, todo o dia. Eu me perco na doçura de seus olhos. E meu coração rola solto, ao sabor do vento, das pedras do Arpoador. Azul da cor do mar.  

 

Bob Glauber Melo

Distintos Paulo D’Auria e Prefeito de Bloganvile,

os senhores podem explicar o que isso swingnifica?

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Like a Rolling Stone today and sunday

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A contagem regressiva já começou

Depois de tanto cantarolar hits do ilustre folkman por aí, o “Eduardo Blowin’ in the Wind Suplicy” colocou sua verve roqueira para o bem dos ouvidos públicos: ele sugeriu à prefeitura de São Paulo viabilizar uma apresentação gratuita do velho Bob na cidade. Mr Kassab parece que gostou. 

O show pode ser no domingo, dia 9, no museu do Ipiranga ou no Parque Ibirapuera. 

Estou na torcida!  

Será que rola?

Mallu Magalhães

A menina é talentosa e tem futuro. Grande dica, João.

O céu é o espelho dos famintos

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Intensidade

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Eu quero quem sabe /o segredo da madrugada / o desvelo, o sexo, uma jangada / Eu quero talvez o incerto,o incesto /o cerco dos laços de cetim/ E assim me vou: desnudando o olhar da libido / Embebendo em sigilo o orvalho de seu rosto.  

Da liberdade e outras veredas

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Da liberdade de abrir as próprias veredas, sair da trincheira, pé na estrada. Da liberdade de olhar o futuro, sem amarras, conhecer fraquezas e desejos, defeitos e virtudes. Da liberdade de sorrir à toa. Da redescoberta, da desconstrução  que edifica. Da liberdade de cantar em silêncio. Da liberdade de existir, simplesmente.

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