
Mar de barracas
Fotos: editor do blog, direto do Campus Party (Sampa)
Hackers, fissurados em videogames, geniozinhos que desenvolvem e modificam softwares, blogueiros, gente que pensa no ritmo de bits e bytes, jornalistas, internautas curiosos e baladeiros digitais – sim eles existem, e estão todos no Campus Party, o nosso Woodstock digital.
Trata-se do maior evento de entretenimento eletrônico em rede do mundo, criado a partir de uma reunião de universitários na Espanha em 1997 e que agora chega à terrinha. O Brasil foi escolhido para ser o primeiro país fora da Espanha a sediar o evento pelo fato de ser um dos expoentes mundiais da internet, tanto em número de usuários, tempo de navegação e facilidades de adaptação às novas tecnologias.
Serão sete dias de oficinas, debates, espaço para jogos eletrônicos (e não só, tem futebol de botão e sinuca, entre outros) e muita, muita diversão.
O mais curioso de toda a história, e o que dá o tom baladeiro da parada, é que cerca de três mil participantes irão acampar no local. É um mar de barracas azuis, com toalhas penduradas e recadinhos na porta (“Tem gente”, “aqui já era, é meu”).
Mas não pára por aí: os inscritos irão acampar devidamente munidos de seus computadores… de mesa. É isso mesmo: os “campuseiros” vão de mala, cuia e PC debaixo do braço.
Uma matéria minha foi publicada na segunda-feira,dia 11, na Gazeta Mercantil a respeito dessa divertida jornada (clique aqui para ler na íntegra). E estive lá ontem à noite, na abertura. Vi coisas bacanas.
Sem exagero, um desavisado poderia pensar estar vendo um punhado gente partir para um acampamento selvagem na praia, com mochilões, bermudas e apetrechos de viagem. Gente desencanada, outros nem tanto, mas todos com vontade de curtir ao máximo a novidade.
A mídia também está lá. Pelo que os organizadores me falaram, mais de 300 jornalistas se credenciaram para a cobertura. Na mídia eletrônica, saíram na frente TV Cultura, que montou um estúdio no local, e CBN. Estadão, com o Limão, também marca presença, só para citar alguns casos. Há debates e oficinas sobre inclusão digital, software livre, astronomia, música e DJs, blogs etc.
Bom, tem muita história para contar. Deixo que as imagens falem daqui por diante. Voltarei ao Campus Party nos próximos dias.
Para saber mais, veja o blog da jornalista e uma das organizadoras Lucia Freitas, a Ladybug (ela deixou um comentário aqui esses dias), também é uma boa pedida. Divirtam-se.
Esta é a imagem da área onde ficam os computadores. São imensas bancadas para os campuseiros plugarem seus micros. Era o primeiro dia, e já tinha bastante gente.

Videogames e jogos em rede estão entre as principais atrações. O povo não desgruda o olho da tela.

Segura peão!
Senti uma saudade da época em que jogava futebol de botão. Jogava muito, era viciado. Juro que era bom nisso

Paulo Markun, que comanda a Fundação Padre Ancheita, mantenedora da TV Cultura, estava lá. Mantivemos uma breve bate-papo, apresentados por Roque Freitas, jornalista da emissora e meu conhecido de outros carnavais. Roque me contou detalhes da nova fase da Culgura, que aposta nos experimentos de redações jornalísticas convergentes (multimídias, com imagem, texto e áudio), e aproveita o Campus Party mostrar isso na prática. Ele trabalha diretamente nesse projeto, que se chama Radar.

Espaço onde a TV Cultura vai apresentar alguns programas. Sabrina Parlatore estava lá (os marmanjos podem me xingar, mas acabei não batendo foto dela, não deu, foi meio correria)

Milton Jung, âncora da rádio CBN, falou sobre as transformações no jornalismo provocadas pelo digital.

Tive o prazer de encontrar Walmir Cardoso, professor de Física e idealizador do programa Olhando para o Céu, exibido na TV Cultura nos anos 1990. Especialista em astronomia, eu o entrevistei em 1997 para a Revista Educação. Ele é amigo de meu irmão Wolney Melo, professor de física e outro apaixonado pelas estrelas.

Esta área aqui é o CampusBlog, espaço destinado aos blogueiros.
E vejam quem eu encontro lá: ela, Marimoom, a Rainha dos Fotologs, a mais nova VJ da MTV (veja post anterior). Ela me disse que estreou ao vivo esses dias. “Dá um friozinho fazer ao vivo. Mas agora me ‘desvirginei’ diante das câmeras, está mais fácil”, brincou.

Não falei que o espírito baladeiro estava presente? Esse aí não agüentou a maratona – deve ter chegado de viagem, vai saber. Reparem que tem uma moça hibernando lá dentro da barraca. Fiquei com receio de o flash da câmera despertar o casal do sono dos justos.