Sônia Silk, a Fera Oxigenada

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Helena Ignez como Sônia Silk, em Copacabana Mon Amour 

Homenagem: Helena Ignez – microconto delirado pelo editor de Ponto de Fuga, inspirado no filme Copacabana Mon Amour (1970), dirigido por Rogério Sganzerla e com Helena Ignez (Sônia Silk), Paulo Villaça (Dr. Grilo) e Julia Lemmertz no elenco 

É ela, Sônia Silk, A Fera Oxigenada. “Eu não sou tarada!”, berra. “São todos tarados! Ta-ra-dos! Eu não sou tarada!”. Cabelos louros e pele alva, pernas e coxas à mostra – faz ponto em frente a um camburão da polícia. Vestidinho vermelho provocante, anda à solta pelo calçadão, pelas ruas e inferninhos, mas há 365 anos é perseguida pelo Exu Corcovado, desde quando saiu da África num navio negreiro. O Exu a deseja, o Exu quer luxúria. “Sai Satanás! Sai seu tarado. Eu não sou uma tarada!” 

A mãe disse que ela estava possuída pelo demônio e a expulsou de casa. Proibiu-a também de cantar na Rádio Nacional. O desejo de Sônia Silk era ser cantora de rádio. No fundo, queria ter vida de madame. “Tenho nojo de pobre. Minha família é muito rica, tem dez banheiros”. E a juventude é seu troféu. “Tenho pa-vor da velhice. Pa-vor da velhice.”  

Na praia, seu irmão Vidimar come velas, rola na areia e tem ataques histéricos. Macumbeiro bicha, suspira ao cheirar as cuecas de Dr. Grilo, seu patrão. Dr. Grilo o esbofeteia e o prensa no tanque de lavar roupa. “Não tem água, tá tudo fedendo, tá tudo fedendo”. E o cafetão pé de chinelo quer Sônia Silk. “Daqui pra frente você vai trabalhar pra mim. O dinheiro seu vai ser todo meu. A gente vai viver junto num barraco”. “Tá pensando que eu sou otária?”. O malandro jura vingança. No orelhão: “Amigos, Sônia Silk, a Miss Prado Júnior, ela é perigosíssima. Ela e toda a família são comunistas. CO-MU-NIS-TAS. Manda prender todo mundo”.   

No hotel Holiday, Dr. Grilo come Vidimar e depois se esbalda com a Fera Oxigenada. E o santo baixa em todo mundo, na hora H. “Minha filha, tenho uma boa notícia. Você vai se livrar do Brasil e dos vexames do dia de hoje. Depois do último brasileiro, o que vai acontecer?” 

Esta é Sônia Silk: a rainha da chanchada psicodélica, a macaca de auditório. A escandalosa. E sobre as cabeças em Copacabana o sol deixa a todos atônitos, tarados e lelés. São as forças sobrenaturais, os fantasmas esfomeados do planeta.  

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Depois das sandices, vejas abaixo algumas cenas de Sônia Silk em Copacabana Mon Amour. Vale a pena.  

“São todos ta-ra-dos!”


O fantasma persegue Sônia Silk

 

A Escandalosa canta uma rumba
 

Com a benção do Bandido

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Texto e fotos: Clayton Melo

Helena Ignez durante a tarde de autógrafos na Benedito Calixto

A tarde de autógrafos com a atriz e diretora de cinema e teatro Helena Ignez – na Praça Benedito Calixto, em São Paulo, no sábado dia 22 de dezembro – teve o sabor de uma grande roda de cultura. Pais com crianças e seus picolés, rapazes de bermuda e boné, garotas metidas em vestidinhos floridos e grandes óculos de mosca: a praça era um mosaico multicolorido às vésperas do Natal. Apinhado de gente, o Espaço Plínio Marcos recebia velhos e novos amigos, que conversavam sobre a peça que vai estrear, o livro que vai ser escrito, aquela cervejada que precisa acontecer. Todos diziam pelos olhos como era bom estar ali e homenagear a obra de uma grande atriz e seu cineasta, Rogério Sganzerla, de quem foi esposa até a morte dele, em 2004. 

A tarde também contou com a participação do cartunista Júnior Lopes e do escritor e dramaturgo Austregésilo Carrano Bueno, cuja história inspirou o filme Bicho de Sete Cabeças (de Laís Bodansky).    

Serena e paciente, Helena autografou livros e DVDs durante cerca de cinco horas e ainda conversou com a platéia que rumou para o Espaço Cultural Alberico Rodrigues, ali mesmo na Benedito, para assistir ao documentário Brasil, dirigido por Sganzerla em 1981.   

A empreitada terminou com um jantar no restaurante Consulado Mineiro, lá por volta das 20h. Sim, a jornada foi longa, mas Helena parecia nem ligar. Poderia até estar cansada, mas em vez disso seu olhar transparecia uma imensa satisfação por ter mais uma vez – a exemplo do que faz há anos – ter trabalhado para colocar em destaque a obra de Sganzerla, um cineasta que abraçou a vanguarda e cujo nome está definitivamente gravado na história do cinema brasileiro.   

Acompanhe pelas fotos um pouco da  tarde com Helena Ignez, organizada por Edson Lima, de O Autor na Praça, e pela produtora cultural  Vani Fátima. 

Com a óbvia exceção das fotos em que o missivista que vos fala está presente, todas as demais fotos são de autoria do editor de Ponto de Fuga.  

Para saber mais sobre Helena e Sganzerla, veja alguns posts anteriores neste blog. 

A cantora Fernanda Abreu passou por lá e levou o “Bandido” para casa

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…E  posou para foto ao lado de Carrano

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Como parecia tudo uma grande família, as irmãs Suzana (à esquerda) e Julianna Santos, “tias” de Helena Ignez, passaram a tarde inteira lá. Explico o “tias”: a sobrinha delas se chama Helena Ignez 

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O cartunista Júnior Lopes perdeu a conta de quantos desenhos fez

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Um deles foi inspirado neste missivista  2.0

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Edson Lima, figuraça, e Vani, pessoa bacanérrima, arregaçam as mangas pela cultura

  

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A encantadora atriz Carolina Mesquita “dá uma lidinha”, enquanto Carrano dá uma geral no movimento

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Charlão, vulgo Charlie Brown, amigão de anos, bateu um longo papo com Carrano 

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Repare na satisfação do Edson…

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…É que ele estava lendo a nota sobre o evento publicada no Caderno 2

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Helena também reservou uns minutinhos para folhear o jornal 

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O livro com a reunião de entrevistas concedidas por Sganzerla já está na minha “cabeça”

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Helena assinou o banner dos autores, assim como todos os demais que já passaram pelos eventos de O Autor na Praça

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Para a posteridade: Júnior Lopes, Edson, Carrano, Vani, Alberico Rodrigues e Helena 

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Depois da praça, foram todos para o Espaço Cultural Alberico Rodrigues, onde foi veiculado o filme Brasil, de Sganzerla, seguido de bate-papo com Helena

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Platéia escuta atentamente as histórias Janete Jane e Ângela Carne e Osso

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Edson deu de presente para Helena a faixa do evento. Agora, foi a vez dos convidados fazerem dedicatórias à atriz 

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O clique final, com a turma reunida no Consulado Mineiro

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Réquiem para um mito

Mais uma preciosidade do Reduto Comodoro: o ensaio audiovisual Os Dentes de Netuno, de Carlos Reichenbach.

As deslumbrantes vestais de Carlos Reichenbach

O blog do cineasta Carlos Reichenbach é uma daquelas belezuras da internet que merecem não só uma visita, mas sim figurar na lista nos favoritos.

É uma aula de cinema. Uma cinemateca virtual. Um balcão de achados visuais, seja pelos ensaios audiovisuais feitos pelo próprio, seja pelo desfile de “deslumbrantes vestais”, como ele mesmo diz.  Para demonstrar, selecionei algumas pérolas do Reduto Comodoro. Entre as preciosidades estão vídeos da Série Fragmentos Mais Eróticos do Cinema Mundial. Fantásticos.  

Dessa série, selecionei dois links. Um deles é do filme Il Dio Serpente (1970), de Piero Vivarelli. A “vestal” em cena é Nadia Cassini, que interpreta uma jovem italiana que se entrega a rituais de santeria caribenha e se descobre fascinada pelo deus Jambaya. Ela literalmente “recebe o santo” ao som dos atabaques e da dança lasciva das seguidoras do deus Serpente. Desafio alguém a desgrudar o olho da tela antes do término da cena.

Para ver ou fazer download clique aqui:
http://www.4shared.com/file/32076833/639644b2/Ritual.html
http://rapidshare.com/files/76545961/Ritual.wmv.html
 

O outro vídeo apresenta uma performance de dança como nunca vi igual. Haja energia e, digamos assim, expressividade corporal. Trata-se do vídeo Devi – A Deusa, dirigido por Andrzej Zulawski. A beldade em questão é Valerie Kaprisky. Segundo  Reichenbach, “após 1.879 acessos em apenas um dia, o YOUTUBE foi alertado (por algum babaca) da existência de imagens ‘indecorosas’ em seu domínio e sumariamente ‘deletou’ o vídeo DEVI – A DEUSA de seus arquivos”. “Mas não se avexem; eu já o disponibilizei para download no 4SHARE”, avisa Reichenbach.

Pois aqui está o link. http://www.4shared.com/file/31452053/64042e30/Devi.html 

Divirtam-se.

O dvd

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DVD de o Bandido da Luz Vermelha já está lá em casa.

Com direito à dedicatória  de Helena Ignez.

Uma tarde com Helena Ignez, na praça

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O nome de Helena Ignez ocupa lugar de destaque na história do cinema nacional. Atriz e diretora de cinema e teatro, ela participou de filmes  capitais em nossa cinematografia, como O Bandido da Luz Vermelha, A Mulher de Todos e Copacabana Mon Amour – todos de Rogério Sganzerla, de quem é viúva -, além de ter atuado em O Pátio, curta de estréia de Glauber Rocha, entre tantos outros filmes.  

Com uma vida tão entrelaçada à vida e à obra de Sganzerla, nada mais natural que ela estivesse na dianteira de novidades relacionadas ao nome desse que é um dos maiores e mais inventivos cineastas brasileiros.  Só nesta semana, por exemplo, dois eventos celebram Sganzerla, e em ambos Helena é protagonista.

O começo da conversa foi o lançamento do DVD de O Bandido da Luz Vermelha, no Espaço Unibanco, na última segunda-feira. Além da exibição do longa, a ocasião contou com debate com a presença, entre outros, de Helena,  do cineasta Carlos Reichenbach e do crítico Cléber Eduardo. No fim da noite, coquetel e sessão de autógrafos do DVD, com Helena.  

O segundo passo está marcado para o próximo sábado, dia 22 de dezembro. A partir das 14h, Helena vai estar na Praça Benedito Calixto, em Pinheiros, São Paulo. Ela vai autografar o livro Rogério Sganzerla – Encontros”, (Editora Azougue), além de dar continuidade à divulgação do DVD de O Bandido da Luz Vermelha, que conta versão restaurada e mais  de uma hora de extras.  

A tarde sganzerliana não pára por aí. Após a sessão de autógrafos, programada para o Espaço Plínio Marcos, ali mesmo na Praça, haverá a exibição do documentário Brasil, de Sganzerla, filmado em 1981 por ocasião do cinqüentenário do cantor e compositor João Gilberto. O filme foi realizado durante a gravação do disco “Brasil”, com a participação de Caetano Veloso, Gilberto Gil e Maria Bethania. A exibição será no Teatro do Espaço Cultural Alberico Rodrigues.  Toda essa jornada é assinada pelo Autor na Praça – projeto capitaneado há muitos anos por Edson Lima, produtor cultural, grande figura -, e Vani Fátima, produtora cultural. A Associação dos Amigos da Praça Benedito Calixto e a Mercúrio Produções  também figuram entre os realizadores da empreitada.   Minha torcida é para que as atividades como essas, relacionadas à obra de Sganzerla e à de Helena, estejam só no começo. E salve o Bandido da Luz Vermelha!  

Anote na agenda:   Local: Espaço Plínio Marcos – Tenda na Feira de Artes da Praça Benedito Calixto – Pinheiros, São Paulo.   Data: Dia 22 de dezembro de 2007 (sábado)Horário: a partir das 14h. Quanto: entrada franca. 

* A exibição do documentário Brasil será feita em duas sessões: às 18h30 e às 19h00, no Teatro do Espaço Cultural Alberico Rodrigues – Praça Benedito Calixto, 159 – Tel. 3064 3920. Informações: Edson Lima – Tel. 3746-6938

 

O Bandido da Luz Vermelha

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Elas não resistiam ao charme de Luz

O Bandido da Luz Vermelha está entre nós. Graças a Deus! E ao Diabo. Ele vive de roubo e de empréstimo dos amigos. Grandes óculos escuros, o lenço envolto no rosto – o angu de pólvora na boca da mocinha. “Eu sou um boçal”, diz. 

 Janete Jane tava lá também. A escandalosa. Um dia me contou o que Ângela Carne e Osso falou pra ela.  “Os homens são todos uns boçais”.  

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 Janete Jane arrebatou o coração de Luz

No Espaço Unibanco, eu vi O Bandido da Luz Vermelha. Ele se sentou ao meu lado, no chão, no meio da sala apinhada de gente. Um espantoso tarado sexual, um pobre diabo saído de Freud ou da Boca do Lixo.  “Terceiro mundo vai explodirrrrrr. Quem tiver de sapato não sobra!” O anão histérico, profeta: “Não pode sobrar, NÃO PODE SOBRAR. É O EXTERMÍNIO TOTAL, EXTERMÍNIO TOTAAAAAL!  

O Bandido está entre nós. “Traz um omelete, madame”.

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O terror da Boca do Lixo 

 A polícia continua caçando o Bandido. Mas o delegado Cabeção não tá com nada. Carlão tava lá também, todo mundo tava, todo mundo viu. E ninguém fez nada. “Se der um milhão eu passo fogo nesses carango todo. Taco fogo e me mando pra Acapulco, no México”; palavra do Bandido.   

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Janete Jane, escandalosa e irresistível

E o Bandido descabela a madame no tapete, enfia-lhe a mão entre as pernas, nos peitos – arranca-lhe a roupa no dente. Ela grita, esperneia, e se entrega com o fervor e gratidão. 

Janete Jane tava lá também, e contou tudo, tudinho pra polícia. 

 

Jenny, siliconada e escultural

Ele premeditou tudo. Imaginou-a vestida para matar, num vermelho-paixão de tirar o fôlego. Jenny, siliconada e escultural, a mulher com quem sonhava em seus devaneios secretos. Ombros à mostra, coxas soltinhas, o quilômetro de pernas a lhe indicar o jardim das delícias. Ah, as coxas… Só de pensar o sangue sobe a ladeira e as pernas tremem. “Ah, safada. É hoje que você não me escapa”. 

E lá foi ele. Armani devidamente alinhado, gel no cabelo, galã – taças de cristal à mesa, um convite a Dionísio. O olhar fatal, por trás da grossa armadura preta. “É hoje, é hoje!”.  

Ela chega. Cruza as pernas, descruza – o tampo da mesa, de vidro, não esconde a visão do paraíso. Ele se lembra de Sharon Stone. “O cabelo é preto, mas o efeito é o mesmo”. Ele não agüenta. “É agora”.  Num rompante de loucura, ele tira a roupa e avança, vai de óculos mesmo.

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Entregue ao desvario, deita-a na cama e arranca-lhe o vestido, no dente. Sussurra em seus ouvidos palavras de luxúria e volúpia. Loucura, loucura! E aumenta o ritmo, e vai, e vem, ela faz qualquer coisa, e ele sente o vulcão a mil, o êxtase correndo as veias, e vai, e vem, e vai…

Depois acende um cigarro e cumpre o script: “Hey baby, foi bom pra você?” 

* Livremente inspirado no editorial de moda sobre a boneca erótica Jenny, do fotógrafo André Schiliró, que será publicado na edição de janeiro da revista mag!, conforme publicado na sexta-feira, pela Folha de S.Paulo (acesso livre para assinantes do jornal ou do UOL)       

A Vida dos Outros

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Tocado pela Arte, Gerd Wiesler (Ulrich Mühe) é um agente do regime que  muda de lado

O que faz um agente da ditadura socialista mudar de lado e proteger um escritor e outros artistas suspeitos de subversão? Que força é essa? Seria a Arte capaz de despertar o humano num coração programado a caçar quem não reza da cartilha do Regime? Este é A Vida dos outros, de Florian Henckel von Donnersmark (Alemanha, 2006).  

Melhor dizendo, é isso e muito mais. E fique tranquilo pois não há pieguices nem jogo de facilidades neste longa, que levou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2007 

Com uma trama costurada no suspense e nas sutilezas, temos uma teia de ambigüidades que torna tênue o limite entre traidor e vítima, entre beijar a mão do carrasco e não sucumbir; temos o florescimento da solidariedade em meio ao Arbítrio – com mediação da Arte, esta força que nos sustenta para enfrentar a crueza da vida.  

Onde ver

Com as bandas de fora

* Da coluna do Pigmaleão Dourado

Notinha venenosa – “A Mulher do Prefeito ataca novamente” 

A Mulher do Prefeito ( não o de Blongavile, que fique claro) foi vista na Praia Grande com suas belas bandas almofadadas à mostra – apenas um mísero fiozinho de esperança separava a plebe do deleite geral.  Disseram que ela arrraaaasoooooou na praia. “Tava uma delícia”, disse-me um embasbacado sorveteiro, ainda bestificado com o esplendor da paisagem.

 Pigmaleão Dourado

O nome dele é Maicow Nite

No blog da Ana, minha amiga mineirinha gente boa que sempre aparece por aqui, tem uma pérola, que vem à tona impulsionada pelo tio dela, responsável pelo vídeo abaixo. Estou falando de Maicow Nite. Ele mora em Palmeirópolis, sul de Tocantins.  Não vou falar muito mais, vejam  o vídeo. Só um toque: reparem que tem até eco! Trabalho vocal apuradíssimo. E legendado então é uma coisa fantástica. Esse vídeo já está virando um hit mundial do YouTube.  

ps: “Maicow Nite” (na verdade, Michael Knight) era o protagonista da A Super Máquina, seriado que passava na TVS. Alguém lembra? A caranga preta, estilosa, tinha até luzinha vermelha que ficava girando pra lá e pra cá. Era o máximo.

Let’s Fall in Love, Diana

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Diana Krall, no show do Parque Villa Lobos, no domingo

Domingo no parque. Cachorro, gato, família, namorados, gente de bicicleta e capacetes coloridos. Jazz. Diana Krall, linda, leve, solta. De bem com a vida, mamãe de dois filhos, a mesma classe de sempre. O mesmo jazz que me acompanha há anos e faz rir e sonhar – às vezes provoca também o choro, porque a beleza não escolhe a cor dos sentimentos.  

“Do you like jazz?” E a multidão (quantos milhares?) delira, brinca, pula. Quer jazz, quer Diana, quer curtir o domingo no parque Villa Lobos. “Let´s fall in love”, todos, agora. Tem gente a perder de vista. Eu é que não vou lá no meião nem a pau. Fico aqui, na lateral, no fundão, e deixo-me levar pela voz grave, suave, pelo Cole Porter que ela carrega por onde anda. “I’ve Got You Under My Skin…” 

Da última vez, há dois anos, assisti a dois shows de Diana em São Paulo, em dois dias seguidos, em casa fechada; vinho na mesa e que-tais. Em um dos dias, vi-a de pertinho. Era possível saber onde ela centrava os olhos.

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Naquele momento, Diana falou-me de um modo todo especial. Havia razões para isso. Agora, também falou, embora de uma forma diferente. Ao ar livre, na praça, pra todo mundo ouvir. O sabor do recomeço tem um frescor que a gente não esquece.    

E essa lua que nos esquenta o sangue, a alma. “Tá muito quente”. Tá sim, ai se tá.  E não dá nem pra se proteger direto do calorão, porque nessa vasta área de gramado não há árvores frondosas – quando existe alguma, é um toquinho de madeira. Só benezinhos de patrocinador. Será que foi de propósito?

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“Já comprei cachorro quente e suco, vem logo”, diz uma mulher, com o tal boné de patrocinador na cabeça e guloseimas nas mãos. E a outra passa correndo, chama a amiga e diz: “Vem, aqui tá melhor”. Cabaninhas de cangas montadas. Meninas de shortinho, barriguinhas de fora, óculos escuros espalhafatosos, como grandes olhos de mosca? É poesia, minha gente, poesia para meus olhos.

E eu que não encontro Felipe nem Priscila. Celular. “Não dá pra estacionar”, dizem. Minha bateria prestes a descarregar. “Tô do lado esquerdo do palco, perto de uma ambulância”. Sobe Diana, não a vejo. A multidão se agita. Não vejo Diana numa batinha azul, óculos escuros no rosto, ora nas mãos. Não vejo que como ela sorri gostoso, como acena pra multidão. Mas, hoje, tudo bem. Basta-me sentir e deixar-me levar por Diana.    

Fotos: Fotos de Alexandre Scheneider

Vamps lésbicas e vingativas

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Ah, Claudia Liz (no alto),  Monique Lafond e Lucia Veríssimo…

Belas e sedutoras mulheres esculhacham com o “macho adulto branco sempre no comando”. Batem com pau (ops) no saco de garotinho e de marmanjo que pensa ser Jack Stripador - ambos enlouquecem vendo um esfrega-esfrega de dois  mulherões de tirar o fôlego. Ficam traumatizados, assustados com o mulherio.    

  O masculino com o rabo entre as pernas, sem lenço nem documento num mundo pós-feminismo dos sutiãs queimados. Vamps pós-modernas, lésbicas; fatais, sedentas de vingança por décadas  de opressão peniana. “Homarada” sem eixo cai na loucura. Quebra tudo, dá bofetada, beija a sarjeta.    

As Feras, de Walter Hugo Khouri, que acabo de ver no Canal Brasil. Com Nuno Leal Maia como protagonista.

E musas e mais musas. Claudia Liz, linda, embora deixe a desejar como atriz; Monique Lafond e Lucia Veríssimo, num affair lésbico: onde andam essas que povoaram a fantasia masculina nos anos 80? Tem até Vanusa Splinder!, um zero à esquerda no filme, mas vale por Vanusa Splinder (!)  – aqueles cujos hormônios começavam a pulular freneticamente no final dos anos 80 sabem muito bem de quem estou falando. Ou não? Uma busca no Google sacia rapidamente a curiosidade.     

E são Vamps sem compaixão – e haverá (com)paixão? Trocadalho infame. São as feras, meu amigo, as feras… 

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