Já que o assunto é Isabelle Adjani…

adjani-truffaut2-ed.JPG

Isabelle Adjani e François Truffaut

O que François Truffaut, que a dirigiu em A História de Adele H, diz sobre a atriz ( do livro O prazer dos olhos, de Truffaut; Jorge Zahar Editor):  

 “Às vezes digo a Isabelle Adjani: ‘Nossa vida é um muro, cada filme é uma pedra’. Ela dá sempre a mesma resposta: ‘Não é verdade, cada filme é o muro’”  

“Ela é a única atriz que me fez chorar diante da tela da televisão e , por causa disso, quis filmar com ela, com toda a urgência, pois achava que podia, ao filmá-la, roubar-lhe coisas preciosas como, por exemplo, tudo que se passa num corpo e num rosto em plena transformação”.

 

Isabelle Adjani, em A História de Adele H

O leitor e cinéfilo Carlos Pereira, de Porto Alegre, pediu; e aqui está o pôster da musa no filme de Truffaut que trago pendurado em minha casa.

Olha que beleza! 

 

adele3-ed.JPG

Artista pinta A Mulher do Prefeito

* Da coluna do Pigmaleão Dourado 

Notícia em primeira mão: um pavão esvoaçante acaba de me contar que renomado pintor, conhecido nacional e internacionalmente no meio das artes, está pintando o quadro “A Mulher do Prefeito”.  

Se é uma obra não autorizada ou com consentimento da madame, é o que vamos apurar.  Diz o pavão graúdo entendido em Elite Branca que o quadro tem cenas picantes.  

Pigmaleão Dourado  

Blogueiro do divã

freud2.jpg

              Quem sabe Freud explica a salada que tá virando esse blog?

 No som da sala, às 2h30 da matina.

Robertão 1 – “Essas recordações me matam/por isso eu venho aqui”. (O Divã). 

Robertão 2 - ”Mas agora eu sei  o que aconteceu/ quem sabe menos das coisas/sabe muito mais que eu…”. (Agora eu sei).  

Robertão 3 - “Quantas vezes eu pensei sair de casa, mas eu desisti…Coisas da vida…”. (À Janela). 

 Chama o Odivã que o negócio tá brabo.  

Pigmaleão Dourado, o psicanalista da Elite Branca

Momento de despirocação no Ponto de Fuga. O missivista titular deste blog resolveu, depois de umas talagadinhas de Salinas, ceder aos apelos de Pigmaleão Dourado, um renomado psicanalista da Elite Branca paulistana que, nas horas vagas, diverte-se a falar mal da high society. Sua obsessão no momento é a Mulher do Prefeito (*). Ele quer saber tudo, tudinho dela. Com ele, a palavra.    

 (*) Que fique claro que não é a mulher do Prefeito de Bloganvile, senhoura discreta e de bom gosto.  

 

***************************************************

 A Mulher do Prefeito “causa” na Vila Madalena

gilda-ed.jpg

 O sonho dela era ser Rita Hayworth em Gilda, mas não passa de Hebe Camargo no SBT

Essa aqui é curta e grossa: a Mulher do Prefeito arrasou na Vila Madalena nesta segunda-feira. Quem me contou foi uma Cassandra invejosa do mundo das artes, espécime que sabe até quantos quilos de laquê a Hebe Camargo usa. Diz o linguarudo – só pode ser um caso projeção mal resolvida – que a Mulher do Prefeito, metida num vestidão vermelho-fogo tomara-que-caia e com longas luvas pretas nas mãos, causou na frente do ponto de táxi Pão de Açúcar da Mourato Coelho com a Teodoro Sampaio.

A perua devia estar por ali porque uma jararaca de Higienópolis me contou que ela cismou de saber como vive a gentalha. E diz a Fifi das Artes que os taxistas estenderam até tapete vermelho para ela passar. Borrifaram talquinho no assento dos Gols bolinhas, dos Voyage GLS 83. Teve um que até que meteu um girassol na lapela para impressionar a madame.

Então ela acendeu a piteira, deu uma barofadinha blasé para o alto e, achando-se a própria Rita Hayworth em Gilda,  suspirou: “Eles não são uma gracinha?”  

Pigmaleão Dourado

Noite David Bowie

E lá estava Ziggy Stardust, numa câmara escura, conversando com Inácio e Fradique. Pediu para guardarem suas spiders from Mars enquanto procurava Lady Stardust – no balcão, escondida, ela se divertia com o jeito esquisito de ele tocar guitarra, com a mão esquerda. “É um homem especial”, disse ela. À espreita, o prefeito de Bloganvile espiava por Lady Stardust e pensava que Ziggy era mesmo um sujeito de sorte.   E vem uma China Girl, e vem um Modern Love – livre, intenso e do tamanho da noite.

Me vi um homem a flutuar pelas estrelas – “Let´s dance, Lady Stardust?”. Gosto assim,   quando o passado é futuro e um novo homem se constrói na calada da noite, noite escura, barulhenta em seu silêncio.   

Bowie rolando sem parar, eu no meio da pista, rolando sem parar, dançando como se assim não parasse para lembrar, como se assim o riso e o choro fossem uma coisa só.

Mergulho em Space Oddity levando na boca uma vida inteira. A moça ao lado então me pergunta – ou comenta, ou fala qualquer coisa que não me lembro direito, só me lembro de sua voz segura, mulher feita:  “O cantor tem o timbre de voz do Bowie, não?” ou “Você gosta mesmo de Bowie, né?” ou ainda “Você canta todas as músicas”.  Cabelos curtos, pretos,  gestos suaves. “Entra no site da minha editora que você encontra meu e-mail”, ela disse, para logo emendar.  “Você é jornalista, né?”. Como sabe? Deve estar escrito na minha testa.

Surge Rebel, Rebel, e eu chamo novamente Major Tom, para tomar uns goles, flutando acima da Lua. O mundo é mesmo azul, e vejo então como as estrelas podem parecer diferentes hoje.  

mutum-2.jpg

Mutum, de Sandra Kogut, é uma maravilha de filme. É Guimarães Rosa (Campo Geral), mas é cinema, acima de tudo. E da melhor qualidade.  

Onde ver

A Via Láctea, de Lina Chamie

avialactea.jpg

A Via Láctea é um transe poético, a cidade entrando nas veias, cuspindo o ódio, paixão, ira, nosso amor dilacerado. A câmera ora nervosa, ora pedindo um chamego, participando de nossas agruras e desejos. É Sampa arrebatada pela loucura do amor perdido, mas embalado pelo sonho do recomeço. A Via Láctea são as estrelas que costuramos num céu de asfalto. Onde ver

 

Crimes de Autor, de Claude Lelouch

crimes-de-autor02.jpg

Dominique Pinon e Fanny Ardant

Se dois posts atrás me derramei para Fanny Ardant, eis me aqui em novo transbordamento: ela está em Crimes de Autor, novo longa do veteraníssimo Claude Lelouch (Um homem, uma mulher), exibido na 31º Mostra Internacional de Cinema e agora em cartaz em São Paulo. Ótimo filme, e mais uma vez Fanny mostra porque é uma grande atriz.

Ela interpreta Judith Ralitzer, uma sedutora  romancista famosa por escrever histórias policiais.

Ela é suspeita de matar seu ghost writer (o também ótimo Dominique Pinon). Judith se torna alvo das investigações porque, com a morte de ghost writer, se veria livre da ameaça dele de alardear aos quatro cantos que era ele que escrevia os romances que ela assinava como autora.

Resumi bem a história, mas o importante é o seguinte: Crimes de Autor é hábil ao criar uma trama para discutir a questão da autoria, e vale-se para isso de um roteiro - escrito por Lelouch e Pierre Uytterhoeven – que favorece o suspense, construído com leveza pela direção. 

crimes-de-autor1.jpg

                    Dominique Pinon e Audrey Dana

Vale o destaque para a sexy Audrey Dana, que interpreta Huguette, uma cabelereira neurótica que altera o rumo da história.

Um curiosidade: Lelouch chegou a assinar o projeto sob o pseudônimo de Hervé Picard, mas teve de assumir a autoria para se inscrever no festival de Cannes.

Onde ver 

Retrospectiva Zé do Caixão

zedocaixao.jpg

Já estão em andamento, mas ainda é possível acompanhar duas boas pedidas da programação da Cinemateca Brasileira: 

 1)    Retrospectiva José Mojica Marins (Zé do Caixão) – 50 Anos de Carreira, de 10 a 25 de novembro; 

 2)     América Latina – Diversidade e Semelhança, de 19 de novembro a 1 de dezembro.  Local: Cinemateca Brasileira (Largo Senador Raul Cardoso, 207, Vila Clementino, São Paulo)   

Clique aqui para ver a programação completa e obter mais detalhes   

Série musas do cinema:Fanny Ardant

No cinema, temos as musas - nosso obscuro objeto de desejo

fanny-ardant1-ed.jpg 

Um convite aos prazer dos olhos  - à poesia

fanny-ardant2-ed.jpg 

                 Com uma beleza serena, embora forte,

fanny-ardant-3.jpg

ela nos seduz não pela carne,

mas pelos intervalos do olhar

fanny-ardant-6-ed.jpg

Los Hermanos e o nosso Forrest Gump

Maluquice congênita, um novo método de expressão corporal ou simplesmente um parafuso a menos?

Não faço a mínima idéia. Mas, seja lá o for, a receita resultou numa performance sensacional de Bruno Medina, tecladista de Los Hermanos, nesse vídeo que está aqui embaixo.

Trata-se de uma “segunda versão” para o clipe de O Vencedor, música bacanérrima da banda carioca (encontrei a pérola performática justamente porque buscava clipes do Los Hermanos, de quem gosto muito e lamento a pausa nas atividades).

O cara é um Forrest Gump tresloucado, um Corra Bruno Corra versão Zona Sul, inspirado nos passos de Michael Jackson.

|