Mostra Internacional de Cinema

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Cartaz oficial da Mostra, com Hector Babenco

Que raio de blog é esse que tem o cinema como tema principal e que, quase aos 45 do segundo tempo, não coloca uma linha sobre a Mostra Internacional de Cinema, realizada aqui em São Paulo? É o cúmulo, uma pouca vergonha. Bom, também ninguém morreu por causa disso.

(Tá bom, não vou culpar pelo meu desleixo a loucura de trabalho e nem o fórum de TV 2.0, promovido pela Converge, que estou cobrindo – falarei sobre isso em breve, tema apaixonante; aguarde porque tenho muito a dizer a respeito da efervescência digital que estamos vivendo.)

Sobre filmes, comento a seguir. Agora, falo como paulistano amante do cinema: a cidade fica diferente durante os dias da Mostra. Sim, para muitos a Mostra não quer dizer nada. Ou se é indiferente ou ela é motivo de irritação porque piora o trânsito na região dos cinemas, especialmente o entorno da avenida Paulista, rua Augusta, Frei Caneca e adjascências. E alguns devem espumar: “ainda tem esse bando de chatos falando de filmes da Tunísia e da Taiwan!”

Mas eu adoro tudo isso.  

Para meus olhos, nos dias de Mostra a cidade vira um imenso set de filmagem, com as lentes voltadas para nossas agruras e desventuras, nossos desejos inconfessáveis, nossa vocação para metrópole castiça, mas devassa; pudica, mas assídua dos inferninhos da Augusta.

E, acima de tudo, cosmopolita, embora regada a pitadas por um certo provincianismo decadente e burguês que nos impregnou de tal forma que o fantasma  quatrocentão ainda nos assombra, acolhido por um certo reacionarismo ainda presente entre nós.      

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                                     Fila para uma sessão da Mostra 

Mas deixemos isso pra lá. O que interessa é que durante a Mostra  alguma coisa acontece. A cidade se move num outro ritmo. São filas e mais filas, pessoas falando de cinema nos cafés e bares, comentando o novo longa do Tarantino ou a obra de um certo Hirokazu Kore-Eda.

É um vaivém de gente com roteiro de filmes na mão, outro tanto que lê as críticas do Estadão e da Folha penduradas no mural e outros que aproveitam para comprar um livrinho no sebo porque o preço até que não tá dos piores.

É assim: uma polifonia exasperada, cujos ecos balançam os corações de pedra. Durante a Mostra, capturamos uma São Paulo que se revela nos detalhes, às avessas, disponível apenas para quem se entrega aos seus caprichos.       

Dois trintões na adrenalina rock and roll

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                                             Juliette Lewis, no TIM Festival 

* ôpa, rolou um fuso horário, mas aqui está: blogada em pool com o Bloganville.

Fui ver Bjork e descubro Juliette Lewis – e me bateu um revival dos tempos de garoto…  

Metros e mais metros quadrados de adrenalina rock and roll, uma deliciosa fauna esparramada pelo asfalto a perder de vista – isso até o momento em que o mundaréu começou a chegar e só o que se via era uma grande onda humana a dançar freneticamente.

Tá, sei que é festival com nome de operadora celular, o circo armado para a patacoada marketeira, mas não adianta chorar: hoje em dia é assim. No Brasil, é assim há pelo menos uns 20 anos, com maior freqüência, isso sem falar no começo da conversa, lá nos anos 80 com Rock and Rio.

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     Isso é que é rock. E que eslasticidade!

 

E lá estávamos no último dia do TIM Festival em Sampa, eu e o Márcio, prefeito do Bloganville – o blog mais surreal e esquizofrênico que conheço –, à espera de Bjork. Em meio a uma molecada que ia de uns 14 aos vinte e poucos, dois trintões à espera da musa islandesa, com aquele som sofisticadamente alucinado, aquela esfinge roqueira que nos inebria e faz cambalear num mar de fantasias.

Desconfio que os demais trintões ali presentes em boa parte também foram atrás de Bjork, embora o Arctic Monkeys e The Killers também sejam ótimos e atraiam não apenas a garotada ( ah, teve o Hot Chip, bela descoberta, mais isso é outra história). 

    

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                  A musa  islandesa em um show memorável

Mas eis que fui para ver Bjork e descubro Juliette Lewis! Que mulher! Que requebrado rock and roll era aquele? É a energia crua do rock, regada a doses cavalares de uma sensualidade explosiva – como há muito fazia falta ver novamente, à profusão. Chega da lenga-lenga pop rock. Eu quero é rock!

E a danada tem.  É atriz de cinema, tem uma banda porreta e esbanja talento. Ta aí: Juliette Lewis. Claro, com Bjork, que fez um show requintado e no ritmo oposto ao de Juliette, mais poético que sobressaltado, como era de se esperar.  

Gostei. Não fazia tanto tempo assim que não ia a megashows, mas me bateu um revival adolescente. Da época em que passava madrugadas na rua, dormindo em pontos de ônibus durante a volta de shows no Morumbi, Parque Antártica, Praça Charles Muller (Pacaembu) – nessas ocasiões, não havia mais ônibus, ninguém tinha carro e muito menos dinheiro para táxi. Hollywood Rock, Phlillip Monsters of Rock ou shows “avulsos”, como o de Iron Maiden ( 1992, Parque Antártica), Rolling Stones ( Pacaembu, 1995) ou  AC/DC ( Pacaembu, 1997 ou 1998?).  

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                 Bjork rima com criatividade e poesia

E mais os shows no estacionamento do Anhembi ( onde hoje é o Arena Skol, onde foi realizado o TIM Festival), Praça do Relógio na USP, entre tantos outros. Ira, Lobão, Inocentes, Devotos de Nossa Senhora de Aparecida, Golpe Estado etc etc. Como eu gostava de Golpe de Estado…  

Eu e mais uma turma: Claudio Dongo, Alemão, Paulo Polenta, André e Fábio Bárbara, Fumaça, Boca e tantos outros (deixei alguém de fora?).     

 

Saudade de um tempo bom que me ajudou a ser quem sou hoje. E ao lado de amigos que ainda me acompanham na jornada e aos quais estou certo de que os chamarei  de amigos ao longo de uma extensa jornada. São histórias assim que nos tornam mais leves e fazem da vida uma deliciosa aventura.

Uma aventura escrita com risos, às vezes lágrimas, mas sempre com intensidade e muita paixão por viver.  

Até a próximo show! 

Confira mais no www.bloganville.zip.net   

*Fotos: Alexandre Schneider/UOL

Um post-imagem para Bjork

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Contagem regressiva para Bjork, no TIM Festival. Hoje. Estarei lá!

 

O ano em que meus pais saíram de férias

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Atenção, parem as máquinas (ou não, né?): texto meu publicado no Digestivo Cultural, site de cultura bem bacana.

Tema: algumas idéias sobre “O ano em que meus pais saíram de férias”, filme dirigido por Cao Hamburger que representará o Brasil no Oscar 2008.  

Título da missiva: “O ano em estou pouco me lixando para o Oscar”.

Dê uma espiadinha lá, assim, como quem não quer nada…       

Ponto de Fuga, 1 ano

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   Hei, Marilyn, apaga a velinha pro Ponto de Fuga, vai!

Fazendo vídeo

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Andei sumido, né? Que coisa feia. Trabalho demais, vida louca vida, mas aqui estou cheio de histórias para contar.  A primeira delas: fiz na semana passada o curso Câmera e Luz, na DRC, escola de vídeo digital aqui de São Paulo. De segunda a sexta, das 19 às 23h. Gostei.

Para mim, são os primeiros passos com vídeo, já que sou jornalista que vem do meio impresso e que nunca havia se aventurado pra valer com  imagens em movimento (sobre ser “jornalista de impresso”, farei comentários nos próximos dias, pois essa distinção não faz mais sentido com a Web 2.0, que é só o começo da brincadeira; agora, ou somos multimídias, convergindo imagem, texto e áudio, ou um abraço).   

Aprendi os conceitos básicos de iluminação (luz de três pontos), operação de câmera, enquadramentos – e conheci pessoas muito legais. Turminha porreta. De lá já estão surgindo parcerias com outros doidos também com muita vontade de fazer vídeo. Como o Marcus e o casal Fábio (Che Guevara) e Luara.  

Mas este time pode crescer. Afinal, Giam e Igor, que já trabalham na área de vídeo, também estão na mesma toada. E Jaime, baiano que é comerciante, veio para Sampa com uma bela câmera HD disposto a ingressar no mercado de vídeo. E Toshio, homem das mil e uma câmeras sensacionais. Há também o Neto, músico e sonorizador que veio de Franca só para fazer o curso.  

O Fábio e o Marcus trabalham na área digital da Exame, e vivem a mesma situação que eu atualmente, que trabalho no Portal VP: atuam com Web TV, gravando entrevistas e outros programas jornalísticos em vídeo que depois ficam disponíveis na rede.  

Vale o registro para o professor do curso, Haroldo Sanches. Camarada despachado, divertido e bom no que faz. E sósia do Edgar Scandurra, do Ira! 

Bem, o melhor de tudo é que acabou em cervejada no boteco da esquina.   

O próximo passo é fazer curso de edição: Premiere.  

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