Leslie Feist no TIM Festival, em outubro. Vou comprar o ingresso.
Leslie Feist no TIM Festival, em outubro. Vou comprar o ingresso.

Quantas vezes não nos deixamos levar pela vida, sem guiar pelas mãos o próprio destino? E quando o que vemos na verdade não é aquilo que pensamos ver? Uma lente que não revela, mas sabota o olhar? E o que dizer da perplexidade diante do assombro da existência? Da constatação de nosso desatino, a desfaçatez de nossas escolhas? O cruel, o sinistro desejo de viver que se perde com a finitude da matéria? Os caminhos cruzados que embaralham a mente? E o que pensar daquele que sorri ao se perguntar se a vida nada mais é do que uma grande decepção?

Harriet Andersson, em Mônica e o desejo, de Bergman, no close que se tornou um clássico
Ingmar Bergman dizia que nunca houvera feito um filme tão simples como Mônica e o Desejo (1952), obra tocante sobre a aventura da juventude e os dissabores que sobrevém quando da passagem para o mundo adulto. “A bem dizer foi assim: partimos para o arquipélago e gravamos o filme. Aquela liberdade nos encantou. E o sucesso de bilheteria foi considerável”, escreve em Imagens (Martins Fontes), seu livro de memórias cinematográficas, já citado neste blog.
De fato, a liberdade salta das lentes e nos contagia. Liberdade para a câmera ir e vir, entrar no mato, sair, cair na água, no barco a motor, tudo para captar a vitalidade e a vontade de viver de um casal que se apaixona no momento do fim da adolescência. Se hoje esse recurso de câmera é normal, não se podia dizer o mesmo naquele início de anos 50, quando o cinema moderno – do qual Bergman é um dos precursores e um dos expoentes máximos – apenas dava os primeiros passos. A câmera não só não tinha essa liberdade de movimento como o cinema ainda lutava para se libertar de certas convenções, como a obrigatoriedade das filmagens em estúdios, e não em locações abertas, como faz Bergman em Mônica.
Neste que é um dos primeiros filmes do cineasta sueco, alguns dos grandes temas que acompanharam sua obra estão expostos, como o envelhecimento e o mistério da vida, como bem disse Inácio Araújo na aula desta semana do curso de cinema (na categoria Cinema deste blog você encontrará mais posts a esse respeito).
Além disso, lá estão a fuga como necessidade, como uma alternativa à sociedade opressora, característica do pós-guerra, e a idéia de que os personagens se vêem diante de si mesmos, lançados à própria sorte, investigando-se no momento em que assumem os riscos de se embrenharem pela vida.
É belo e doloroso demais o modo como Bergman mostra a passagem da adolescência para a idade adulta dos dois personagens. Finda-se o romance juvenil, forma-se uma família e advém com ela todo o peso que o mundo moderno despeja sobre as costas da indivíduo. Com o nascimento de um filho, o conto de fadas do casal se desfaz em função da luta diária da sobrevivência. Então a natureza que invadia a câmera na primeira parte do filme sai de cena para dar lugar a um quarto escuro, apertado, claustrofóbico.
Como bem mostrou Inácio, dois planos dão a exata medida da mudança de tom no filme: os closes no rosto de Harry (Lars Ekborg) e Mônica (a sensacional Harriet Andersson). De arrepiar. No primeiro caso, ele está na maternidade, em frente ao berçário. À euforia com o nascimento do bebê, sucede-se uma expressão, em primeiro plano, de assombro diante da responsabilidade de ser pai.
Já no caso do close de Mônica, que maravilha: ela está num bar e…bom, é melhor o próprio Bergman contar: “Harriet Andersson é um dos raros gênios cinematográficos. Nas tortuosas sendas da selva que é nossa profissão, só se encontram muito poucos do mesmo quilate.
Um exemplo: o verão chegara ao termo. No café, Lelle (amante de Mônica) põe em marcha um juke-box. Durante a barulheira swing, a câmera é dirigida para Harriet, e ela então faz o seguinte: deixa de olhar o ator com quem contracena e olha fixamente para a objetiva. Pela primeira vez na história do cinema um ator estabeleceu um contato direto e impudico com o público.”
É essa mesma Harriet Andersson que, vinte anos depois, em Gritos e Sussurros, urra do fundo das entranhas uma dor que não é só física, mas também a dor de existir.

Escrevo – e então me desconheço. A cada palavra, sou escrito. No limite das incertezas. Avanço e recuo, observo o duplo que se situa entre mim e o outro – nesse jogo de espelhos, não estou do outro lado. Escrevo para domar demônios; ou para celebrá-los. E me desfaço, para então voltar a ser.
Deixo-me viver, para que assim me reconheça além de minhas fronteiras

Pensador da cibercultura, Lévy dará palestra hoje em São Paulo. Conteúdo será transmitido pela web e ficará disponível na rede
Um dos principais estudiosos da cibercultura, o filósofo Pierre Lévy dará palestra hoje (dia 16 de agosto), das 18h às 21h30, no Laboratório de Inteligência Coletiva (LInc), no bairro da Bela Vista, em São Paulo. Organizado pelo LInc em parceria com a Fundação Paulo Vanzolini, o encontro tem como tema da “Inteligência Coletiva, Interdependência e Projetos Sociais – Os desafios da atuação colaborativa em rede: um encontro com Pierre Lévy.”
Caso você não possa ir, não tem problema. A palestra de Lévy será transmitida ao vivo pela internet, às 18h30 (horário de Brasília). Se você não puder acompanhar em tempo real, também não precisa se preocupar. Acabo de ligar para a Fundação Paulo Vanzolini, que me informou que o conteúdo ficará armazenado e disponível para acesso no site. Como se vê, tudo conspira que escutemos o que o pensador tem a dizer.
E tem bastante. Autor de obras como Cibercultura, O que é o virtual e As tecnologias da inteligência – todos pela Editora 34 – Pierre Lévy tem na relação entre a internet e a sociedade seu campo de estudo. Uma de suas principais teses é a de que os computadores interligados em redes podem favorecer o surgimento da Inteligência Coletiva, conceito que pode ser entendido, bem resumidamente, como um novo modo de construir o pensamento, com base em conexões sociais formadas a partir da internet. Um exemplo disso é a Wikipedia, a enciclopédia virtual formada de modo colaborativo. As listas de discussão e os blogs também podem ser instrumentos para a inteligência coletiva.
É um assunto interessantíssimo e que merece maior atenção. Faz tempo que pretendo publicar numa área específica do blog uma matéria que fiz no início do ano sobre o impacto cultural provocado pelos recursos móveis, como os smartphones e os próprios celulares, hoje munidos de acesso à web. A reportagem apenas esbarra na questão da inteligência coletiva, mas a entrevista que fiz na ocasião com o filósofo Rogério da Costa, da PUC e coordenador do LInc, discorre mais a esse respeito. Pensei em adaptar para o formato de pergunta-e-reposta e publicá-la aqui.Também estudioso da inteligência coletiva, o professor Rogério é capaz de nos dar um panorama analítico instigante sobre os efeitos da cibercultura. Não por acaso ele trabalha (ou trabalhou, não sei dizer agora) com o próprio Pierre Lévy.
Quem quiser saber mais pode se inscrever num curso que ele ministra atualmente no Espaço Barco Virgílio, em São Paulo. O tema: Estudos sobre as Redes Sociais e a Inteligência Coletiva: afeto, potência e multidão. Este curso começou no primeiro semestre, e eu participei do primeiro módulo, sobre Espinosa – é isso mesmo, um curso de redes sociais que toma alicerça na filosofia de Espinosa. Infelizmente tive de optar entre continuar esse curso – que é excelente – ou fazer um curso de ano inteiro de cinema Ismail Xavier. Foi difícil, mas optei pelo cinema…
Bem, já falei demais. Vamos ao serviço:
Encontro-laboratório:
“Inteligência Coletiva, Interdependência e Projetos Sociais – Os desafios da atuação colaborativa em rede: um encontro com Pierre Lévy”
Data: 16 de agosto, quinta-feira
Horário: das 18h30 às 21h30
Local: Auditório da Telefônica – Rua Martiniano de Carvalho, 851, em São Paulo/SP
Transmissão ao vivo pelo site:
www.vanzolini-ead.org.br
Um rapidinha midiática: vi na banca neste final de semana o primeiro número da versão brasileira do Le Monde Diplomatique, do mensário francês Le Monde Diplomatique.
Sob responsabilidade do Instituto Pólis – embora viabilizado a partir de alianças de várias instituições e pessoas – , o jornal chega ao Brasil com tiragem de 40 mil exemplares, em formato tablóide e periodicidade mensal.
Foi uma grata surpresa, porque não é nada fácil viabilizar comercialmente um projeto como esse, cujo perfil editorial é mais à esquerda e voltado à reflexão política e cultural, no sentido amplo do termo.
Me lembro de ter feito matéria sobre a tentativa de lançamento da versão brasileira do Le Monde Diplomatique por volta do ano 2000 ou 2001, não me lembro o ano exato. À época, não vingou, creio que pela questão comercial, claro. O site, no entanto, está no ar há um tempão e vale a leitura.
Ainda não li inteiramente a edição impressa e, portanto, não avançarei muito nas minhas observações. Mas digo de bate pronto: como já era de esperar, percebe-se que as pautas são pertinentes e o conteúdo, de alto nível; projeto gráfico que abre espaço para textos mais longos, sem deixar de ser atraente; veículo busca a reflexão, na tentativa de pensar o mundo a partir de uma ótica humanista e contrária ao pensamento único.
Alguns dos destaques do primeiro número:
- Entrevista com Noam Chomsky ( sempre fundamental)
- Artigo “Os intelectuais e a rede mundial do saber”, do filósofo Pierre Lévy (imperdível)
- Crônica de Ferrez (vale a leitura)
- Artigo “Contra o ‘tudo em inglês’”, de Bernard Cassen (editor geral do Le Monde Diplomatique francês).
Cena de O Gabinete do Dr. Caligari (Robert Wiene)
Aviso aos navegantes (em forma de pílula, porque o tempo urge): começa hoje, às 21h, a I Jornada do Cinema Silencioso, na Cinemateca Brasileira, aqui em São Paulo. São 41 filmes – entre inéditos ou outros raramente exibidos nas telas brasileiras. Além da delícia de ver na telona filmes como O Gabinete do Dr. Caligari ( Robert Wiene, 1920), marco da escola expressionista alemã, outro atrativo da jornada é a realização de sessões com acompanhamento musical, ao vivo, como se costumava fazer na época em que os filmes não tinham som – muitos estudiosos de cinema preferem chamar esses filmes de “silenciosos”, em vez de “mudos”.
André Abujamra, Arrigo Barnabé, Michelle Agnes, Maurício Takara, Jorge Peña, Wilson Sukorski, os grupos Patife Band e Frame Circus, entre outros, são alguns dos convidados. O cineasta Carlos Reichenbach e o maestro Julio Medaglia também foram chamados a preparar trilhas sonoras.
A I Jornada terá oficinas de criação musical para filmes silenciosos com músicos internacionais. A programação também prevê debates. O trabalho de restauração de filmes e o desenvolvimento de pesquisas sobre cinema mudo no Brasil estão entre os assuntos discutidos. E não pára por aí. Haverá exposição de objetos antigos e equipamentos de cinema e exposição de fotos do período silencioso.
A mostra vai de hoje até dia 19 de agosto. A entrada é grátis, com exceção das oficinas com as instrumentistas alemãs convidadas. Endereço e outras informações, no site da Cinemateca.
No grito, sussurro.

A felicidade pode ser tudo – até mesmo dar murros em ponta de faca. Pode ser uma noite em que as estrelas se escondem do frio, um encontro fortuito a nos encher de alegria. A felicidade é isso o que não sinto, que não sei o que é nem como é. Apenas é. Loucura? Quem sabe não seja a certeza de que viver é uma surpresa atrás da outra?
Recomeçaram ontem as aulas de história do cinema ministradas por Inácio Araújo, crítico da Folha de São Paulo, depois de um breve recesso para as férias de julho. Neste semestre, o curso ingressou no cinema moderno, com ponto de partida em Orson Welles. Como sempre, aula muito pertinente e esclarecedora. A análise do Inácio se concentrou, claro, em Cidadão Kane, filme que, a partir de 1940, influenciou “tudo que conta no cinema”, conforme prefácio de François Truffaut publicado no livro Orson Welles, de André Bazin (Jorge Zahar Editor).
Minha vontade era discorrer páginas e mais páginas sobre o que aprendi ontem. Mas serei sucinto, guardando algumas cartas na manga para quanto tiver mais tempo. Mas abordarei aqui algumas observações do Inácio que me clarearam mais o entendimento a respeito de Welles, cineasta de quem gosto muito.
O Inácio começou a aula contextualizando a transição do clássico para o moderno no cinema. Welles surge com Cidadão Kane (1941) quando o cinema “já se vê dotado uma história, com um passado, o que pressupõe um domínio da linguagem clássica”, disse Inácio. Isso não é pouca coisa: se do primeiro cinema – com os filminhos de Lumière e Méliès –, passando por Griffith, pelas escolas dinamarquesa e alemã e John Ford o cinema forjou sua linguagem, Welles foi um dos que ajudaram a sintetizar esse percurso de formação cinematográfica e delinearam a modernidade.
Ponto importante nesse trajeto é a mudança na percepção, a partir do moderno, de como o cinema vê o mundo. Se no clássico o espectador pisava num chão firme (ele sabia como a história começaria e terminaria, havia uma ordem clara no universo, as coisas – após um breve desequilíbrio – geralmente se acertavam no final do filme), com a modernidade esse sistema torna-se complexo. O mundo é feito de ambigüidades, é precário, instável. Mais importante do que a intervenção do artista é o fato em si. Como diz Inácio, valendo-se da teoria de Bazin, no moderno o fato não deixa de ser fato, mas vem envolto em abstração.
É justamente aí que entra Welles. Uma das principais inovações que surgem com o diretor de A marca da maldade – ou ganham contornos mais precisos pelas suas mãos – é que o espectador adquire autonomia para organizar o próprio olhar. A contrário do clássico, cujo enquadramento dirige o olhar do espectador para onde o diretor deseja, em Welles os enquadramentos ampliam a experiência da observação. Exemplo: ele explora com mestria a profundidade de campo, com foco na frente e no fundo da cena, o que permite ao espectador escolher o que acompanhar, e não só aquilo que o diretor focaliza. Em resumo, conforme Inácio: com Welles, o espectador torna-se parte ativa na construção do filmes.
Profundidade de campo permite espectador olhar a cena em toda a sua amplitude
Além dos aspectos técnicos, Inácio mostrou que, para Welles, a grande pergunta é “o que é o homem?”. Questão para a qual não há resposta ou, no mínimo, cuja resposta se esvai como fumaça.
Sei que esse post pode ter ficado meio viajandão ou etéreo demais. Portanto, uma dica: a melhor solução é ir à locadora hoje e alugar Cidadão Kane. Uma ótima companhia nessa empreitada é ler o livro de Bazin, que comentei acima. Leitura agradável e iluminadora.
Além do prefácio de Truffaut e dos ensaios de Bazin, no final do livro há a filmografia e uma entrevista feita pelo autor – ao lado de Charles Bitsch e Jean Domarchi – com o Orson Welles. Para aguçar a curiosidade, transcrevo aqui um pedacinho do depoimento do diretor de A dama de Shangai.
– Mas vou lhes fazer uma confidência mais terrível: só gosto de cinema quando estou filmando; então é preciso saber não ser muito tímido com a câmera, violentá-la, acuá-la em suas últimas trincheiras, pois não passa de vil mecanismo. O que conta é a poesia”.
Regina Spektor! Esse é o nome da minha mais nova paixão musical. Depois de Bjork, PJ Harvey, Cat Power e Leslie Feist – da linha rock, sem entrar no jazz, que adoro, mas deixo para outro momento –, agora é a vez dessa russo-americana de voz suave e poderosamente poética arrebatar meu coração. Mal a conheço, para a verdade acabei de encontrá-la na internet.
É que o Last FM – dá uma clicadinha aí do lado esquerdo da tela – agrega à lista pessoal sons do mesmo estilo dos que o usuário costuma ouvir. Assim, como gosto muito de vocais femininos, ele inseriu em minha lista, para minha agradável surpresa, essa doçura chamada Regina Spektor. Foi paixão à primeira audição.
Estou tomado de amores. Os Strokes também adoram a moça. E posso estar alucinado, mas a voz e a interpretação dela, em certos momentos, me lembram ora Leslie Feist, ora Bjork. Não sei nem o que falar. Fã mesmo, despudoradamente. Portanto, vou até deixar aqui no corpo do post um vídeo dela ( Better). Duro foi escolher o clipe que colocar, pois adorei inúmeras faixas.
Nouvelle Vague – Dance with me

Ainda sob o impacto da morte de Bergman-Antonioni, esses dias peguei novamente para ler Imagens (Martins Fontes), livro em que Ingmar Bergman revisita seus filmes. Por meio de comentários, histórias de bastidores da produção e reflexões, o cineasta se revela nas angústias, desencontros e alegrias daquilo que mais amava fazer na vida. Faz uns três meses que comprei esse livro, e não o li inteiramente ainda. Fui deixando que a curiosidade me levasse por páginas aleatórias, degustando pedaço por pedaço. É como um amigo que vem de vez em quando e, com sua sabedoria e compaixão, nos acalma a alma – mas não sem antes provocá-la, instigá-la, perturbá-la, tirá-la da zona de conforto para que então se encha de luz.
Para escrever este livro, lançado originalmente em sueco em 1990, Bergman teve de rever seus filmes, experiência pela qual não passou ileso. Veja que passagem linda ele escreve:
– Por algum motivo que até então nunca me empenhei em saber, tenho sempre evitado rever meus próprios filmes. As vezes em que tenho sido obrigado e outras em que fui movido apenas por curiosidade pessoal, sem exceção e independentemente de que filme se trate, essa experiência tem me deixado sobressaltado, com necessidade de ir ao banheiro, angustiado, com vontade de chorar, zangado, com medo, infeliz, nostálgico, sentimental e não sei que mais.Devido a esse tumulto inoportuno tenho evitado meus filmes, pensando neles com indulgência, mesmo no que diz respeito aos maus. Sei que fiz o melhor que pude, e que de cada vez a experiência foi muito interessante. Costumo dizer: ouça, vou contar a você como foi interessante daquela vez! Depois viajo durante uns momentos pelos bastidores suavemente iluminados das recordações.

Cena de Saraband, filme para TV dirigido por Bergman
Com são demais os perigos desta vida para quem tem paixão, também não passo incólume ao investigar o que sou, o que sinto, o que desejo e espero da vida. Assim como Bergman, quero também poder dizer: olha, vem aqui que tenho uma história bonita para contar.
Esta é a beleza e o desafio da vida: buscar-se intenso, em tudo o que se faz e se sente; reconhecer nossa complexidade e paradoxo. Deixar as portas abertas à emoção, fazer do inventário pessoal uma ferramenta para o autoconhecimento. Alimentar o coração com a certeza que a vida pode ser colorida, embora também devamos apreciar a poesia de um retrato em preto e branco – o que não vale é não ser senhor dos próprios caminhos. E o mais importante é chegar lá na frente, olhar para trás e dizer: a vida valeu a pena.
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