Sessão especial de O Sétimo Selo

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Atenção, atenção: Bergman no cinema. Em homenagem ao cineasta sueco, que morreu ontem, o HSBC Belas Artes, em São Paulo, vai exibir O Sétimo Selo, um dos grandes filmes do diretor. É sessão única, marcada para sexta-feira, dia 03 de agosto, às 19h10. Imperdível.

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Duas perdas

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 Monica Vitti e Alain Delon em cena do filme Eclipse

Como a vida – ou seria a morte? – faz umas sacanagens com a gente de vez quando, não? Se ontem veio a notícia da morte de Bergman, aos 89 anos, hoje está na internet que nesta segunda-feira também morreu, à noite, aos 94, Antonioni… Tudo bem, os dois já estavam bem velhinhos e certamente viveram tudo o que tinham direito. Mas a questão é que, numa tacada só, lá se vão dois dos homens cujos filmes mais me emocionam e intrigam e com os quais tenho aprendido – ontem, hoje e amanhã – um pouquinho mais que sobre o que seja essa coisa complicada chamada ser humano.  

Com Antonioni, descobri que se deve lutar para evitar o arrefecimento das paixões, o esvaziamento das relações e que no fundo do peito, aflito, há sempre um coração pedindo socorro. Para dar um exemplo, conforme relembrou um crítico certa vez, veja o que Antonioni disse, durante as filmagens de Eclipse, bonito filme de 1962: “Tudo o que consigo pensar é que, durante o eclipse, provavelmente até os sentimentos ficarão parados”.   

Já com Bergman, o questionamento e as conseqüências do que fizemos ou deixamos de fazer de nossas vidas. Em ambos, os conflitos do homem moderno, um sujeito deslocado e perdido, que tenta reencontrar sua essência em meio aos escombros do passado.  

 

Antonioni…

…você também? E no mesmo dia?  

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Ingmar Bergman (1918-2007)

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Acabo de ler na internet que Ingmar Bergman morreu, aos 89 anos. Imediatamente senti um negócio estranho. Não tive aquela simples reação diante da morte do grande artista, mas uma melancolia tão intensa, dessas que nos vão gotejando, até transbordar o coração revolto. Me lembrei na hora de Morangos Silvestres, um dos filmes mais belos e especiais em minha vida. Outros filmes dele também me tocaram profundamente, como O Sétimo Selo, Persona, Sonata de Outono, Fanny e Alexander. Mas algumas obras acabam adquirindo um significado particular, especial, que dificilmente se explica pela razão. Simplesmente nos comovem, e pronto, como Morangos Silvestres.    

Assisti a esse longa pela primeira vez há uns 13 ou 14 anos e de lá para cá o revi um punhado de vezes, em momentos diferentes. Na época, me descobria no mundo, prestes a iniciar a minha jornada, abrir as próprias trincheiras. Minhas dúvidas eram em relação ao futuro, meus sonhos, o ímpeto de viver intensamente. Nada mais paradoxal, pois o filme trata de um velho que se volta para o passado, repassando a vida diante da perspectiva da morte. Um homem em contato com os próprios demônios e seu inferno pessoal, revirando os escombros da memória, as dores e as paixões, os sonhos partidos.  Disse Bergman certa vez, em entrevista à Reuters: “Os demônios são inumeráveis, aparecem nos momentos mais inconvenientes e criam pânico e terror”.  

Na época, os meus começavam a se manifestar, e eu gostava daquilo. 

Talvez isso explique porque ver na tela o rosto atormentado daquele velho professor, o protagonista, interpretado pelo cineasta Victor Sjöstrom, tenha sido por demais revelador para os olhos de um garoto perplexo diante da vida. 

 

Ruminações

Naqueles dias ele andava muito estranho. Parava, sentava, acendia um cigarro. Aspirava fundo, depois soprava, deslizando a fumaça por entre os dentes. Divertia-se pensando na forma da nuvem que nublava a vista. Schubert – ele escutava com o ouvido colado no aparelho. “Amansa os demônios”, pensava. Cravou os olhos na ponta do cigarro. Um maestro sem orquestra, sustenidos e bemóis ardendo no silêncio. Sem filtro. E o solista que se liberta do fraque – é possível a harmonia para as almas em conflito?   Passeou os olhos sobre os livros, os quadros, a taça de vinho da noite anterior. A prateleira de DVDs. Flashs, e o corte seco: o homem elefante. Os olhos esbugalhados diante da própria desfaçatez.   

Um lugar na platéia

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Assisti hoje, no cinema, ao filme Um lugar na platéia (Fauteuils d’orchestre, França, 2006), dirigido por Danièle Thompson. Sem grandiosidades, modesto, simples como nos convém em determinados momentos. Mas generoso e capaz de comover ao expor fragilidades que podem perfeitamente ser as nossas.  

O Tango de Rashevski

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Em O Tango de Rashevski, explode suavemente perante nossos olhos as incertezas do pertencimento, as raízes que se quebram ao mesmo tempo que ensaiam renascer. Enxergamos nossa frágil condição de Ser e Estar com a perplexidade comum aos que se perdem no redemoinho das gerações.  E o som de nossa tragédia a perscrutar o coração inquieto. O tango que nos conforta e reconcilia.

Mais que uma questão de identidade, ser aceito – num grupo, família ou o que for –, significa ser amado. O inverso, já se sabe. No centro da câmera, o esvaziamento das relações e o fio de esperança que mantém vivas as chances de recomeçar.  

O filme
Título no Brasil:  O Tango de Rashevski
Título Original:  Le Tango des Rashevski
País de Origem:  Bélgica / Luxemburgo / França
Gênero:  Drama
Tempo de Duração: 90 minutos
Ano de Lançamento:  2003
Estréia no Brasil: 29/06/2007

Estúdio/Distribuição.:  Europa Filmes
Direção:  Sam Garbarski

Onde ver: clique aqui

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