Contra-argumentação: Lula não

O amigo Diego postou uma resposta – no espaço destinado a mensagens referentes ao post “Artigo de Francisco de Oliveira” – que merece vir para o centro de debate. Reproduzo aqui ele escreveu.

Parece escusado explicar uma cousa de si tão simples e intuitivamente compreensível. Sucede, porém, que a estupidez humana é grande, e a bondade humana não é notável.“
Fernando Pessoa

Clayton,

Antes de mais nada, parabéns. Seu post do artigo do Chico de Oliveira conseguiu gerar uma grata polêmica. Com a citação acima quis apenas alertar para a “bondade” de meus propósitos… eu, particularmente, trocaria a palavra “estupidez” – que pode vir a ser considerada como agressiva e vulgar – por “persistente cabeçadurismo”. Mas, quem sou eu pra corrigir o poeta?
Não sei se você se lembra, mas poderíamos considerar esta polêmica como uma continuação de uma conversa que começou pouco antes da eleição presidencial de 2002 em um boteco de quinta categoria que fica perto do Sesc Lapa – local onde fomos mais uma vez massacrados em uma partida de futsal por uma equipe adversária (aliás, que novidade…). Já naquela época – e isso é bom que fique claro pra que não me acusem de oportunista agora – eu te dizia que o governo Lula não mudaria em nada nosso País e, baseava minha afirmação no que se deixava entrever na famigerada “Carta ao povo brasileiro” que o dito cujo havia publicado pouco tempo antes da eleição.
Você conhece um pouco de minha história pessoal, por isso não vou aqui querer estabelecer um debate sobre quem militou mais, quem tem mais história de luta, quem é de esquerda, quem age e quem fica parado. Esse tipo de adjetivação serve sempre a quem não tem conteúdo político, nem ideologia sólida para basear suas posições. Mas como vi que alguns posts quiseram descambar pra esse lado deixo a possibilidade de entrar em contato comigo (vc tem meu e-mail) e, com prazer, contarei uma ou outra historinha que acumulei em alguns anos de vida (felizmente não muitos, porém bastante profícuos).
Entrando no tema do debate em si, fiquei pensando como poderia deixar mais clara a minha posição. Como explicar o voto nulo no segundo turno? Como dizer a quem se diz de esquerda que é errado votar no Lula? Como contar que tanto PT como PSDB tem um programa social-democrata? Passei esta tarde pensando nisso, até que me lembrei que sempre é bom recorrer aos clássicos. Sou do tempo em que ser de esquerda significava ter um mínimo conhecimento de Marx, Engels, Lênin, Trotsky, Gramsci, Guevara, entre outros que eu considero verdadeiramente grandes.
Pesquisei um pouco e não precisei chegar tão longe para encontrar uma boa defesa de minha posição. Portanto, segue abaixo a transcrição de parte de uma carta de um eminente esquerdista brasileiro que explica bem a minha posição. Mas, advirto: apreciem com moderação…

[...] Nem o presidente nem muitos dos que estão nos ministérios nem outros que se elegeram para a Câmara dos Deputados e para o Senado da República pediram meu voto para conduzir uma política econômica desastrosa, uma reforma da Previdência anti-trabalhador e pró-sistema financeiro, uma reforma tributária mofina e oligarquizada, uma campanha de descrédito e desmoralização do funcionalismo público, uma inversão de valores republicanos em benefício do ideal liberal do êxito a qualquer preço [...], uma política de alianças descaracterizadora, uma “caça às bruxas” anacrônica e ressuscitadora das piores práticas stalinistas, um conjunto de políticas que fingem ser sociais quando são apenas funcionalização da pobreza –enfim, para não me alongar mais, um governo que é o terceiro mandato de FHC. (Agora o quarto!!!)*

[...] há transformações estruturais na posição de classe de um vasto setor que domina o PT, que indicam uma real mudança do caráter do partido. E, como posições de classe não se mudam com simples mudanças de nomes ou de conjuntura ou de melhoria de alguns indicadores econômicos, considero que o governo Lula está aprofundando a chamada “herança maldita” de FHC e tornando-a irreversível.

[...]O PT trocou a hegemonia que se formava por um amplo movimento desde a ditadura, no qual o próprio partido tinha lugar e função central, a direção moral que reclamava transparência, separação das esferas pública e privada, fazia a crítica do neoliberalismo, organizava os trabalhadores, incluía os excluídos, indicava o caminho do socialismo, pelo prato de lentilhas da dominação.
O PT no governo é um prolongamento da longa “via passiva” brasileira, a expansão do capitalismo da exclusão, a repetição do mesmo, desde o aliancismo desembestado até as políticas dos tíquetes do leite. O PT é hoje o partido de centro no espectro político brasileiro, junto com aquele que escolheu como irmão, o PSDB: se odeiam, mas são irmãos. E o pior é que não sabe disso. Pensa que está reformando o país.

Francisco de Oliveira,
Especial para Folha de S.Paulo, 14/12/2003

Acho que está tudo dito.
p.s.: Parafraseando um outro sociólogo da USP, o artigo do Francisco de Oliveira que o Clayton publicou no seu blog deveria ser chamar ‘Esqueçam o que eu escrevi’.

* nota deste humilde polemista…

11:47 AM

Emir Sader e a reeleição de Lula

Como uma pitada polêmica faz bem para a alma e rejuvenesce o coração – basta ver o que as mensagens de ontem provocaram –, PONTO DE FUGA dá mais uma ajudinha para esquentar essa terça-feira reproduzindo um texto publicado originalmente no Blog do Emir, no domingo dia 29 de outubro, dia eleição.

Professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP e coordenador do Laboratório de Políticas Públicas da UERJ, Emir Sader é um daqueles intelectuais que conjugam reflexão teórica com a participação ativa nos grandes debates a respeito do Brasil e do mundo. Extremamente crítico em relação aos rumos seguidos pelo governo Lula, Emir – intelectual de esquerda – não mudou de lado nesta eleição. No texto reproduzido logo abaixo ele explica os motivos.

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29/10/2006
O direito à festa e à luta
Há exatamente quatro anos atrás comemorávamos – tantos de nós na Avenida Paulista, outros tantos pelo Brasil afora e para além daqui -, finalmente a vitória de Lula, a vitória do PT, a vitória da esquerda. Nos encontrávamos com tanta gente que colocava para fora, nas lágrimas, nos gritos, tanta coisa reprimida, que vinha de longe: da lembrança dos companheiros que não puderam comemorar aquilo conosco às frustrações acumuladas de ver o país ser despedaçado pelo governo que terminava – finalmente – derrotado naquele dia.

Comemorávamos, mas com um travo amargo na garganta. Sabíamos que era o nosso governo, mas alguma coisa nos escapava ali. Ganhávamos, fechávamos o governo FHC com sua derrota – o mais importante naquele momento -, mas se desenhavam sombras sobre a vitória, que indicavam que ela nos escapava. Da “Carta aos brasileiros” ao “Lulinha, paz e amor”, de Duda Mendonça a Palocci e – confirmando tristemente as sombras, a Henrique Meirelles -, mais do que algo nos apontava que a nossa vitória não era necessariamente nossa vitória, a vitória da esquerda, a vitória do anti-neoliberalismo, a vitória do “outro mundo possível” pelo qual estivéramos lutando tanto tempo.

Havíamos lutado contra as privatizações, havíamos lutado contra as (contra) reformas neoliberais, de menos Estado, menos políticas sociais, menos regulamentação, menos direitos trabalhistas, menos empregos formais, menos soberania, menos esfera pública, menos educação pública, menos cultura pública. Havíamos luta contra a cassação de direitos dos trabalhadores, dos aposentados, dos trabalhadores sem terra, das universidades públicas, da saúde pública. Havíamos resistido e naquele dia sentíamos que, apesar de tudo o que se havia dilapidado do país, havíamos derrotado ao projeto neoliberal de FHC, havíamos triunfado.

O dia da posse e do discurso de Lula em Brasília pareciam o ponto de chegada de mais de uma década de lutas de resistência, em que o Brasil se havia tornado depositário das esperanças da esquerda de todo o mundo. O Brasil de Lula, do PT, do MST, da CUT, de Porto Alegre, do orçamento participativo, do Fórum Social Mundial.

Nossas desconfianças se confirmaram com mais rapidez do que supúnhamos. Henrique Meirelles, manutenção da taxa de juros, superávit fiscal – eram pontas de iceberg mais profundo: a manutenção do modelo econômico herdado de FHC. Primeiro, chamado de “herança maldita”. Que não foi desembrulhado como pacote, para mostrar o Brasil desfeito e refeito como Bolsa de Valores nas mãos dos tucanos-pefelistas, o Brasil da privataria na educação e na cultura, do maior escândalo da história do país com a privatização das estatais – saneadas com o dinheiro público do Bndes, para em seguida ser vendida a preços de banana de novo com recursos públicos do Bndes.

Em nome da superação dessa “herança” nos foi empurrada uma (contra) reforma da previdência, que desatou um fatal desencontro entre os movimentos sociais e o governo, porque assinalava um caminho de “reconquistar a confiança do mercado” às custas de direitos sociais dos trabalhadores. O nosso governo fazia o que chegou a ser dito que fazíamos “o que FHC não tinha tido coragem de fazer” – sem dizer que era porque não teve força, pela resistência que nós lhe opusemos.

Não demorou para que o modelo – primeiro chamado de “herança maldita” – fosse perenizado, com a manutenção das taxas de juros reais mais altas do mundo, com um superávit fiscal mais alto que o definido pelo FMI, com a ditadura dos “contingenciamento” de recursos pela equipe econômica, que passou a ter o poder de definir quantos recursos iriam (ou não iriam) para as políticas sociais, qual o aumento possível do salário mínimo e tudo o mais que deveria ter sido a referência central do governo, se fosse para cumprir a “prioridade do social” para o qual tinha sido eleito.

Logo se perpetuou o modelo, logo se afirmou que ela era o melhor, se agradeceu em abraço ao antecessor de Lula pela herança – a partir dali rebatizada de bendita – que havia deixado e se afirmou que “dez anos eu tivesse, dez anos manteria este superávit fiscal”. Acompanhava-se um discurso desmobilizador, de auto-complacência, que não apontava quais eram os adversários, os que haviam produzido o pais mais injusto do mundo, que levou Lula à presidência para redimi-lo e não para perenizá-lo.

Nunca sentimos tanta amargura. Porque uma coisa era ver o país ser despedaçado pelos que nos haviam derrotado, outra era ver uma equipe no Banco Central completamente alheia a toda a tradição dos economista do PT se dar o direito de predominar sobre o que notabilizou o PT – suas políticas sociais. Outra coisa era ver grandes empresários fazerem predominar seus interesses agro-negocios-exportadores, de disseminação dos trangênicos, sobre os sem terra, a reforma agrária, a economia familiar, a auto-suficiência alimentar no nosso governo. Outra coisa era ver as rádios comunitárias serem reprimidas em lugar de serem incentivadas, a imprensa alternativa sobreviver a duras penas, enquanto o governo continuava a alimentar os grandes monopólios anti-demcráticos da mídia privada. Outra coisa era ver os softwares alternativos serem subestimados ou descartados em favor dos grandes lobbies das corporações privadas. Pelo nosso governo.

Foi duro, foi muito duro. Talvez tivesse sido mais fácil – se tudo fosse pensado do ponto de vista da biografia individual de cada um – ter rompido, ter ido embora, ter dito tudo o que o governo merecia ouvir, com todos os tons e sons. Mas teria sido dizer que tínhamos sido irremediavelmente derrotados, que tudo o que tínhamos feito nas décadas anteriores tinha desembocado numa imensa derrota. Teria sido abandonar as trincheiras de luta que tínhamos construído com tanto esforço e sacrifício.

Dava vontade. Em certos momentos teria sido muito mais fácil deixar correr solta a palavra, aderir à teoria da “traição”, refugiar-nos nas denuncias e abandonar a possibilidade de construir uma alternativa concreta.

Como se não bastasse tudo isso, vieram os “escândalos”: Waldomiro Diniz, Roberto Jéferson, “mensalão”, “sanguessugas” – cada um como uma nova estaca no nosso coração. A imagem ética do PT, construída como a menina dos nossos olhos era revertida. Nos tornávamos o partido dos “maiores escândalos da história do país”. A palavra “petista” passava a ser revestida de uma desconfiança de “corrupção”. Nada de pior poderia acontecer a um partido que tinha nascido, crescido, se fortalecido e se tornado vitorioso com as bandeiras da “justiça social e da ética na política”. Não éramos fiéis nem a uma nem à outra.

No entanto, não nos fomos. Ficamos. Seguimos tentando encontrar os fios para retomar o caminho de que nos havíamos desviado. Sabíamos que os grandes enfrentamentos ainda estavam por ser dados. Sabíamos que nossa política externa era a correta e se havia tornado essencial para o continente – agora povoado de governos progressistas, como nunca na história da América Latina. Sabíamos que nos podíamos orgulhar da Petrobrás – que quase havia se tornado Petrobrax nas mãos criminosas dos tucanos -, da autosuficiência em petróleo, de que uma das maiores empresas do mundo havia resgatado o Brasil da crise do petróleo através de uma tecnologia de pesquisa e extração de petróleo em águas profundas, com tecnologia nacional e pública. Sabíamos que a privataria na educação, que havia feito proliferar faculdades e universidades privadas como verdadeiros shopping-centers que vendiam educação como big-macs, havia terminado. Que se fortaleciam as universidades públicas, que passávamos a ter, pela primeira vez, políticas públicas de cultura, abertas à criatividade e à diversidade popular. Que Lula não era FHC, que o PT não era o PSDB. Que os movimentos sociais não eram mais criminalizados e reprimidos. Que a relação com a Venezuela, a Bolívia, Cuba, a Argentina, o Uruguai – era de irmandade e não de preconceitos de quem olha par ao Norte e para fora. Que a Alca tinha sido brecada e derrotada pela nossa política externa. Que o Brasil tinha sido o principal responsável pela reaparição do Sul do mundo no cenário internacional com o Grupo dos 20 e as alianças com a África do Sul e a Índia. Que as políticas sociais do governo, mesmo não sendo as que historicamente haviam caracterizado ao PT, mudavam, pela primeira vez o ponteiro da desigualdade – a maior do mundo, o maior desafio da história brasileira – no sentido positivo. Que nem que fosse por solidariedade com a grande maioria dos brasileiros – pobres, miseráveis, excluídos, discriminados, humilhados e ofendidos secularmente -, tínhamos que valorizar essas políticas sociais.

Ficamos também porque sabíamos que ir-se seria recair na velha e infértil tentação do refúgio no doutrinarismo – caminho justamente que o PT se havia proposta a superar. Seria retomar o velho circulo de Sísifo, interminável de avanços, vitória, “traição” e retomada da resistência. Como uma tragédia grega que havia condenado a esquerda a ter razão, mas ser sempre derrotada. A ter vergonha e desconfiança da esquerda que triunfa. Dos desafios que a construção de uma hegemonia alternativa coloca diante de nós.

Valeu a pena termos ficado, termos continuado na luta, termos acreditado que este é o melhor espaço de luta, de acumulação de forças, de construção de alternativas para o Brasil. Não porque tenhamos triunfado nas eleições . Claro que também por isso. Porque derrotamos o grande monopólio privado da mídia, demonstrando que é possível e indispensável construir formas democráticas de expressão da opinião pública, tirando-a das mãos oligopólicas das quatro famílias que se acreditavam donas do que se pensa no Brasil. Claro que porque derrotamos o bloco tucano-pefelista – e de cambulhada mandamos para a aposentadoria política a Tasso Jereissatti, a ACM, a Jorge Bornhausen, a FHC -, derrotamos a direita.

Mas principalmente porque recuperamos a possibilidade de construir um “outro Brasil” – caminho que parecia fechado em meio a tanto superávit fiscal, a taxas de juros exorbitantes, a tantas denúncias.

Recuperamos, especialmente no segundo turno, porque chamamos a direita de direita. Dissemos um pouco das desgraças que eles fizeram para o Brasil – finalmente abrimos o dossiê da “herança maldita”. Criminalizamos as privatizações, possibilitando que aparecesse à superfície a condenação majoritária dos brasileiros a um processo embelezado e sacralizado pela mídia e pelos arautos do grande capital privado dentro dela. Porque apelamos à mobilização popular, porque fizemos uma campanha de esquerda no segundo turno. Porque comparamos o governo deles com o nosso que, mesmo com todas as suas fraquezas, mostrou-se inquestionavelmente superior ao deles. Foi isso que triunfou. Triunfamos pelo que mudamos, não pelo que mantivemos. Ganhamos porque nos mostramos diferentes e não iguais a eles.

Comemoramos agora de novo, na Avenida Paulista ou em tantos outros lugares – antes de tudo nesses milhões de casas de beneficiários da Bolsa Família, da eletrificação rural, dos micro-créditos, do aumento do salário mínimo, mas principalmente os dignifica, ao se sentirem contemplados e representados. Nessas casas onde nunca se duvidou que este governo é melhor que todos os outros. Que nos deram a lição da tenacidade e da resistência contra as campanhas terroristas da mídia.

Comemoramos com o mesmo travo amargo na garganta, mas com esperança e com mais confiança. Comemoramos o direito de ter outra oportunidade. Comemoramos a força que conseguimos construir e reconstruir. Comemoramos o direito de sair da política econômica conservadora que impediu o crescimento econômico e poderia bloquear a extensão do crescimento social – caso perdurasse a ditadura dos “contingenciamentos” de recursos. Comemoramos o direito de banir essa maldita expressão – “contingenciamento” – do vocabulário político do governo.

Comemoramos o direito a reabrirmos espaços de luta e de esperança que nossos erros haviam ameaçado de fechar. Comemoramos porque conseguimos nos salvar de uma derrota que teria condenado a esquerda – e com ela, o país – a muitos anos de novos retrocessos. Comemoramos porque bloqueamos a possibilidade de regressões na América Latina e seguimos nos somando aos processos de integração. Comemoramos porque neste momento assinamos acordo com a Bolívia, demonstrando que o caminho do diálogo e do entendimento com os paises amigos é o caminho correto.

Não foi fácil manter a dignidade e a esperança, mesmo durante a campanha. Mas resistimos, com dignidade, até que triunfamos. E reconquistamos o direito à esperança. Principalmente no segundo turno, com uma campanha de esquerda, de reivindicar o Brasil que queremos, enunciando os inimigos de um Brasil justo e solidário – as forças políticas, midiática, econômicas: as elites tradicionais.

Ganhamos o direito a lutar, a lutar por um governo que finalmente promova a prioridade do social, seja um governo posneoliberal, trabalhe pela construção de uma democracia com alma social.

Comemoremos, porque merecemos a vitória, apesar dos nossos erros. Mas para estar à altura da nossa vitória, temos que fazer dela uma vitória da esquerda. Uma vitória que esteja à altura do emocionante apoio que o governo recebeu, ao longo de toda a campanha, dos mais pobres, dos mais marginalizados, dos que constituem a grande maioria dos brasileiros, dos que trabalham mais e ganham menos. Dos que souberam, como ninguém, resistir à enxurrada de propaganda que a mídia despejou sobre todos. Fazer do novo governo, antes de tudo o governo deles. De todos os brasileiros, mas sobre tudo dos que sempre foram marginalizados, excluídos, reprimidos, que sempre viveram e morreram sobrevivendo, no anonimato, no silêncio, no abandono.

Comemoremos, mas juremos nunca mais deixar que o nosso governo se desvie do caminho do desenvolvimento econômico e social, das políticas de universalização dos direitos, de democratização da mídia, de socialização da política e do poder. Nunca mais aceitarmos que o nosso governo se confunda com o governo dos outros, faça e diga o que os outros disseram e nos legaram a “herança maldita”.

Comemoremos e retomemos a luta, em condições melhores, por um “outro Brasil possível”, que está ao alcance de nós, do governo, do PT, da esquerda, dos movimentos sociais, da intelectualidade crítica, das militância política e cultural. Dessa luta depende o segundo governo Lula, que conquistamos com muito sofrimento e tenacidade.

Soubemos dizer “Não à direita”, saibamos dizer “FHC nunca mais”, saibamos construir a “prioridade do social”, saibamos derrotar a direita em todos os planos, saibamos construir um Brasil justo, solidário, democrático e humanista. Para voltarmos a comemorar daqui a quatro anos, sem travos amargos, sem desconfiança, com o coração e a mente orgulhosos do país que soubemos construir.

* Para acessar o Blog do Emir, clique aqui

Artigo de Francisco de Oliveira

Texto publicado na Folha de S.Paulo desta segunda-feira

Voto condicional em Luiz Inácio

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Votei por uma nova chance de reabrir espaços onde a esquerda, inclusive a que ficou no PT, possa influenciar em alguma medida o novo mandato presidencial
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FRANCISCO DE OLIVEIRA
ESPECIAL PARA A FOLHA

A “insustentável leveza” do meu voto em Luiz Inácio Lula da Silva poderá pregar-me uma peça, mas, de qualquer modo, o voto já foi dado, e como bem me lembrou meu amigo Renato Guimarães, o arrependimento só traz salvação na Igreja Católica.
O presidente já está reeleito, com as urnas confirmando apenas o que as pesquisas de intenção de voto já apontavam. Meu voto, assim, isoladamente, não terá sido o que o reelegeu, mas nem assim a minha responsabilidade é menor. Suas razões aparecem neste texto, escrito antes da eleição, a pedido da Folha, para ser publicado no domingo. Por motivos editoriais, fui informado ontem que ele sairia na segunda.
Votei em Luiz Inácio porque a urna eletrônica tinha apenas o seu nome e o do seu adversário, o já manjadíssimo e em derretimento “picolé de chuchu”, segundo charge do Maringoni na “Carta Maior”. Que, advirta-se, não é fascista, como muitos do PT se esmeraram em rotulá-lo, como se a rotulação fácil resolvesse o enigma de seus 40% de votos no primeiro turno.

Votei por uma nova chance de reabrir espaços onde a esquerda, inclusive e talvez principalmente a que ficou no PT, possa influenciar em alguma medida o novo mandato. Sou céptico a respeito. Não penso que a política econômica vá mudar; aposto apenas que, até por dever de demagogo, Luiz Inácio prometa que “o céu é o limite” e que as esquerdas e alguns dos principais movimentos sociais possam articular-se para pressionar seu governo.

É preciso criar problemas para o novo mandato, tornar o Bolsa Família incompatível com os superávits primários. Uma lição freqüentemente esquecida é que foram as políticas sociais que conduziram o capitalismo no êxito dos “Trinta anos gloriosos”: sem o seguro-desemprego, sem as políticas anticíclicas da teorização keynesiana e também, infelizmente, sem o keynesianismo de guerra, o sistema capitalista teria sido levado à breca.

As esquerdas precisam aprender com o “pequeno grande sardo” Gramsci: a luta política no capitalismo é uma permanente “guerra de posições”, e a pregação falsa de unidade acima de tudo somente serve para deixar os flancos abertos para as forças contrárias à transformação social. Assim, em certas conjunturas, a palavra de ordem pode ser “dividir para lutar melhor”: foi o que uma parte não muito grande das esquerdas fez ao deixar o PT, entre as quais me incluo para melhor dar conta da complexidade da nova situação, muito acima da simplificação que os sectários fazem.
Estão comemorando com euforia de embriagados o governo cujo primeiro mandato finda-se agora; esqueceram tudo. Nada mais longe do que ocorreu: o primeiro mandato de Luiz Inácio foi um rotundo fracasso, em todos os sentidos.

Não me demorarei a mostrar com números, de que todo mundo anda farto. Mesmo na escala internacional dos “emergentes”, o fracasso é mais que evidente. Nenhuma das grandes questões nacionais foi sequer tocada: não me venham com o Bolsa Família, que na verdade é uma reunião dos cacos de antigos programas, que vêm desde o “leite de Sarney” -sim, em política boi dá leite- passando por todos os tíquetes de FHC: Vale-Gás, Bolsa-Escola etc. Cujo inventor, da última modalidade, foi ninguém menos que Cristovam Buarque, quando governador.

O Bolsa Família, que minha ética cristã -como marxista, fui educado, como quase todos nós, na ética cristã, que é uma aquisição civilizatória- impede-me de olhar cinicamente, é uma confissão do fracasso, uma capitulação neoliberal, um reconhecimento de que não existe mais a nação, pois trata-se de um programa-limite, um programa de sobrevivência no dizer de um Agamben. É o programa do Homo Sacer, isto é, dos descartáveis.

Sem a pressão das esquerdas e dos movimentos populares, o segundo mandato pode transformar-se no neopopulismo da era da globalização. Não nos enganemos com as promessas falsas do progressismo: está aí na 30ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo o filme “Infância Roubada”, título em português sobre a tragédia da África do Sul. O país, que conseguiu abater o apartheid, um dos regimes mais funestos de que se tem notícia no último século (mesmo se incluído no século do nazi-fascismo), levantando uma onda de otimismo mundial, sucumbiu frente ao neoliberalismo. Trata-se de uma dominação sem mediações: um acordo aparentemente civilizado, obra maior da política, que abriu as portas para uma exploração desenfreada, cujo retrato são as favelas de Johannesburgo, de Durban e da Cidade do Cabo: talvez, responda-me Dante, o último patamar do Inferno. Réplica de Heliópolis, Rocinha e todos os nossos casos.
Um acordo sem rupturas pode dar nisso: se Luiz Inácio governar sem a crítica contundente das esquerdas, e se esta não tiver a capacidade de fazê-lo mudar, podemos aguardar pelo último patamar. Este texto deveria ser para explicar por que votei em Luiz Inácio: está explicado. Votaria nulo, que considero ser também um voto político. Votei no nome do presidente, que, espero, se traduza em transformação. Com um pé atrás. Este artigo é também a continuação da crítica que fiz ao primeiro mandato e que continuarei no segundo.

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FRANCISCO DE OLIVEIRA, 72, professor titular aposentado de sociologia do departamento de sociologia da USP, é autor de, entre outros, “Crítica à Razão Dualista” (Boitempo)

Lula reeleito: que país teremos?

Eleição terminada, Lula reeleito: que país teremos? De uma coisa, tenho certeza: o fantasma da Opus Dei foi exorcizado. O fundamentalismo religioso e moral foi aplacado. A fúria neoliberal, privatizante, recebeu uma ducha de água fria. O discurso preconceituoso foi colocado novamente nos seus devidos lugares.

Dito isso, que fique claro: os argumentos acima de modo algum representam um “salve Lula”, um canto de louvou a alguém que subjugou uma trajetória de lutas progressistas pura e simplesmente para se manter no poder; de modo algum significa passar uma borracha nos atos de corrupção que vimos ao longo de quatro anos. Na eleição que terminou ontem, estava em jogo muito mais que a disputa entre situação e oposição. Havia sim uma disputa entre a possibilidade de um diálogo e uma brecha para levar o país para uma vertente um pouco mais progressista, com conquistas no campo dos direitos humanos, das ações afirmativas, da posição do Brasil no cenário internacional – ainda que não se possa esperar muito desse governo, é bom repetir – e a truculência quatrocentona, o ranço neoliberal em sua máxima instância. Estavam em jogo duas visões de mundo distintas, ainda que aparentemente ambas pudessem ser confundidas.

Agora, cabe a cobrança por parte da sociedade.

Cobrança para que, no segundo mandato, não tenhamos de ouvir a mesma cantilena, aquela que diz que é preciso árduo sacrifício da nação para pagar o superávit primário, reduzindo os recursos vitais para o desenvolvimento do país; para não assistirmos mais uma vez a um governo que se submete ao pensamento único, sem ao menos tentar dar um passo para um novo modelo de país.

A história só será diferente se as vozes progressistas pressionarem, não derem trégua. Será possível? Pode não dar certo. Mas pelo menos temos uma chance. Com Alckmin, certamente tudo estaria perdido.

Feitas minhas humildes considerações, passo a palavra para Francisco de Oliveira, sociólogo, cujo artigo publicado hoje na Folha de S.Paulo exprime bem o que eu e muitas outras pessoas pensam a respeito desta eleição. Para destacar melhor o texto, colocarei-o no próximo post.

Palavras de Cioran

“A vida só é tolerável pelo grau de mistificação que se coloca nela” (Cioran)

Fazendo coro ao que diz Nietzsche (veja o post “Temos a Arte para que a Verdade não nos destrua”, publicado aqui dias atrás), Emil Michel Cioran também nos ajuda a refletir sobre o papel do indizível, daquilo que não se traduz verbalmente, daquilo que escapa ao real.

Rogério Duprat


Na imagem do alto, o maestro, em foto mais recente. Abaixo, na capa do lendário LP Tropicália ou Panis etc Circenses – marco do tropicalismo -, Duprat segura um penico.

Poucos movimentos estético-culturais marcam profundamente o imaginário de uma nação. O Tropicalismo foi um deles. Filhos do Modernismo, os tropicalistas reviraram do avesso concepções de um velho tempo. Repisaram paradigmas – estéticos, morais – para que dali florescesse uma nova identidade brasileira. Ou novas identidades, com toda a riqueza que a pluralidade de nossa herança cultural, multifacetada, colorida, pudesse proporcionar.

Provocou um país para ele se descobrisse por inteiro: em sua cafonice, em sua vocação para o paradoxo, no choque provocado pela industrialização abrupta,embora tardia.

Se Caetano, Gil, Torquato Neto, Tom Zé e Mutantes – e outros tantos –, lançaram a centelha, com propostas musicais inovadoras e uma atitude provocadora, o contorno estético da Tropicália não seria o mesmo sem, entre outros, o maestro Rogério Duprat.
Carioca que adotou São Paulo a partir da década de 1950, o maestro, que compôs trilhas para filmes de Walter Hugo Khouri (“A Ilha”, “Noite Vazia” e “Corpo Ardente”), foi o responsável direto pela sonoridade dos tropicalistas.

Duprat morreu na quinta-feira passada, depois de anos de reclusão forçada por conta de problemas de saúde.

Mas ainda sinto este país balançado por seus arranjos delirantemente perturbadores. Os ecos de Panis et Circenses ainda estão por aí…

Disco voador em Brasília

Contribuição do amigo Márcio Zamboni – que hoje mora no Piauí -, sempre sintonizado com assuntos ufológicos.

Ele envia ao Ponto de Fuga um vídeo que foi postado no YouTube. A imagem mostra um OVNI sobrevoando Brasília (segundo informação de quem colocou o vídeo, claro, porque no céu não tem legenda).

É sugestivo o fato que os Visitantes estivessem sobrevoando Brasília. Talvez a região tenha sido escolhida porque lá, bem no buriburinho do poder, haja alguns espécimes peculiares que interessam sobremaneira a um estudo sobre os humanos.

Refeição no banheiro



Sente-se confortavelmente numa privada, reluzente e cheirosinha. Se quiser, pegue uma revista de variedades, enquanto espera o cardápio. Quando vier o garçom, peça aquela comidinha que dá água na boca, que será servida num belo mictório ou bidê, e coloque os copos numa banheira.
A cena pode parecer um tanto pitoresca, mas ela é vista com naturalidade em Shenzhen, na província de Guangdong, na China, onde foi aberto recentemente um restaurante decorado como um banheiro. Será que a moda pega por aqui?

Zé Ruela, a seu dispor

Elsa Penteado, minha amiga, envia uma colaboração no mínimo galhofeira.

Está circulando pela web uma matéria que informa a existência dele, sim, daquele ser quase onipresente, a quem todos recorrem quando querem homenagear um amigo com um sinônimo para a alcunha de Vacilão: o Zé Ruela.

Segundo a suposta matéria (vai saber se isso é verdade?), Zé Ruela é engenheiro e trabalha na Bacia de Campos.

Se não for verdade, pelo menos agora o Zé Ruela ganhou uma feição mais definida, como se pode se pode ver na foto acima.

E também resta saber se Zé Ruela é cumpadi do Um, Dois, Três de Oliveira Quatro.

Divulgue seu livro

Está no ar o Portal Cultura Livre, que surge com a proposta de divulgar livros independentes. Funciona da seguinte maneira: se você quer promover uma obra sua, basta enviar o material de divulgação por e-mail e pronto: vai para o ar. O serviço é grátis. Mas, como se trata de um projeto voluntário, toda ajuda é bem-vinda. Caso o internauta deseje, pode repassar uma pequena quantia obtida com as vendas efetuadas por meio do site. O porcentual sugerido é 5% ou 10% do valor do livro.

O Cultura Livre foi criado por Sylvio Carlos Machado Antunes, também escritor independente.

Fogo amigo: fala Afanásio Jazadji (PFL)

Contribuição do amigo Cláudio Camundongo, que envia um vídeo curioso que está saracoteando na internet.

Será que o Afanásio está saidinho porque ele já considera o representante do Pindamonhagaba cachorro morto na eleição? Será que o Geraldinho mexou no queijo no ex-candidato a cacique do pefelê? Ou será que o Afaná “magoou” porque a filha do Picolé de Chuchu não separou uns presentinhos da Daslu para ele? Entre cobras e largartos, o veneno respingou até na primeira dama.

FESTIVAL ANGELI

Crítica, deboche, tiração de sarro, tapa com (e sem) luvas de pelica. E boas risadas. Lá vai Angeli.



O Danç-êh-sá de Tom Zé

Sem palavras, mas com muitos discursos. Com gemidos e grunhidos, mas também com berros e murros em ponta de faca. Uma atitude – sonora, existencial, de palco – que implode idéias pré-fabricadas e ergue no lugar um monumento ao caos. A purificação da mediocridade.
É assim que soa aos meus ouvidos Danç-êh-sá – Dança dos Herdeiros de um Sacrifício, novo disco de Tom Zé, lançado de forma independente. Com esse trabalho, fica claro que, nas mãos desse artista baiano, até um panfleto se transforma em fina poesia – desconstrução para uma nova ebulição. Derrida?

Saí do show de Tom Zé no sábado – acabou de estrear a turnê, no Sesc Pinheiros, em São Paulo – extasiado e perplexo: como pode um músico soar tão original quando tudo parece já ter sido inventado, mastigado, copiado? Como pode ser capaz de estar à frente no tempo sendo, paradoxalmente, tão atual e antenado com nossos dias? Não sei, continuo aturdido com as pancadas sonoro-existenciais de Tom Zé. Afinal, ele explica para confundir, como escreve no livro Tropicalista – Lenta Luta (Publifolha), lançado concomitantemente ao disco.

É o próprio Tom Zé diz quem Danç-êh-sá é um disco sem palavras, mas com inúmeros discursos. Nasce da estupefação dele com os resultados de uma pesquisa da MTV que constata que os jovens de hoje não estão preocupados com o bem comum, a solidariedade, projetos coletivos, uma sociedade melhor, nada – assumem-se hedonistas, consumistas e egoístas. Por isso fez um disco cujas músicas não têm letra, assim “como acontece com a internet”, diz no show, não exatamente com essas palavras.
Embora a inexista o verbo no novo CD, as (des)canções de Tom Zé são petardos, quem sabe para ver se a juventude se sacode e sai do imobilismo. Como caminho para mudar esse cenário desalentador, ele propõe uma reflexão a partir de nossas raízes africanas, que forjaram a alma do povo brasileiro.

A esperança numa postura diferente por parte da juventude perante o mundo fica clara no encarte do CD: “… corro para a juventude com este cd cantado sem palavras. Aposto que a resposta dos jovens na pesquisa é provisória e berra um grito de socorro na cara dos formadores de opinião. Provisória, porque logo os antropólogos, jornalistas e cineastas se mobilizarão, concorrendo para que o ‘coração de estudante’ se engaje no projeto otimista que é ser o Negro que somos, herdeiros do sacrifício de várias nações africanas, cujo sangue depurou a arte e a religião de 3 Américas: vejam-se o samba e a Tropicália; ou o soul, o hip hop e o reggae.”

Embalados por uma miscelânea sonora que encanta e embaralha os ouvidos (vulcão movido a samplers, pick-ups, sanfonas e ritmos africanos), Tom Zé dispara mísseis contra o cheiro de podridão na política brasileira; o sabor do amargo do desencanto; a hipocrisia brega dos corredores da Daslu. Faz tudo isso com as vozes digitalizadas da era da “Globarbarização” – o termo veio dele, no show –, sem se esquecer do megafone. É o poder da linguagem à flor da pele

Ainda bem que temos Tom Zé.

Veja o vídeo da cotovelada de Collor

O Karatê Kid de Alagoas está de volta. Depois de alguns anos em retiro espiritual, aperfeiçoando seus dotes marciais para novamente defender os descamisados contra os feios, sujos e malvados, Fernando Collor de Mello demonstrou que continua fiel aos ensinamentos do saudoso Senhor Miyagi.

Que o diga o repórter Rodrigo Asfora, da TV Jornal do Recife, retransmissora do SBT. Recentemente, enquanto cobria uma caminhada de Collor, perguntou se o ex-presidente esperava liderar as pesquisas para uma vaga ao Senado em tão pouco de campanha. Então Collor – que talvez, naquele dia, estivesse um tanto acabrunhado com os impropérios desferidos contra ele pela ex-mulher, Rosane, em templos evangélicos (sim, agora ela é uma serva do Senhor) – novamente exibiu aqueles olhões esbugalhados que o Brasil conhece e não esquece. O Lobo Mau preparava-se para o bote.

Com as bochechas ruborizadas, aquelas mesmas que foram regadas a muitos banhos de leite de aveia Davene, o velho Karatê Kid aristocrata mostrou que está em forma. Confira:

O vídeo está no YouTube e em outros sites, como o Kibe Loco. A matéria com mais detalhes da história pode ser lida no Comunique-se.

E assim falou F.W Nietzsche

“Temos a Arte para que a Verdade não nos destrua”

Jornada literária sobre Guimarães Rosa

Adentrar o universo de João Guimarães Rosa é sempre um prazer. Pois uma ótima oportunidade para tomar contato ou se aprofundar mais no universo roseano é a V Jornada de Literatura, promovida pela PUC-SP. Com o título “Guimarães Rosa pelas Veredas do Grande Sertão”, o encontro se propõe a refletir sobre a obra do escritor. A atividade conta com palestras, debates e apresentação teatral.

Quando: dia 21 de outubro
Horário: das 8h30 às 17h30
Onde: PUC, no campus Monte Alegre, São Paulo
Quanto: R$ 28 ( alunos e ex-alunos do latu sensu e da graduação da PUC-SP/Cogeae)
R$ 32 ( demais interessados)

Se quiser saber mais, acesse o site ou ligue para (11) 3670-3300.

Visita no blog

Veja que grata surpresa: Carlos Melo, do Língua de Trapo, visitou o Ponto de Fuga. Deixou um post.

Carlos, que o Língua ainda tenha muitas outras Conchetas pela frente!
Abraço e volte sempre.

Poesia cubana

Quem são os poetas cubanos e o que dizem? Uma ótima oportunidade para conhecer a resposta é o encontro Poesia Cubana – a Ilha e a Diáspora. Na ocasião, serão discutidos poetas como José Mario, Luis Rogelio Nogueras, Raúl Rivero, José Kozer e Pío Serrano, entre outros. Anote aí: está marcado para a terça-feira que vem, dia 24 de outubro, às 19h30, na Casa das Rosas. O endereço é avenida Paulista, 37, São Paulo. Entrada grátis.

Curso de filosofia com Marilena Chauí

Quem gosta de filosofia, prepare-se. A professora Marilena Chauí, livre-docente da USP, vai ministrar o curso “ A instituição da política em Espinosa”. No programa, questões como medo, esperança, guerra e paz; sujeito social, sujeito político: os conflitos. As aulas serão realizadas nos dias 10, 17 e 24 de novembro, das 20h às 22h, na editora Bregantini (Praça Santo Agostinho, nº 70, 10° andar – Paraíso, São Paulo). O valor é R$ 240 – sai por R$ 190 para professores e estudantes. As inscrições podem ser feitas por meio do site da Revista Cult .

O banqueiro e o assaltante

Essa é do Millôr Fernandes.

Apotegmas do vil metal

Vi o milionário saltar da limusine, caminhar tranqüilamente para dobrar a esquina e penetrar na mansão onde mora. Antes de dobrar, exatamente na dobra da esquina, e nas dobras da noite, lhe saiu um trintoitão na cara acompanhado da voz surda de um sujeito que ele mal viu por trás de galhos: “Passa tudo e não chia!”

Homem do mundo, acostumado aos azares e venturas da economia da vida, o rico banqueiro não se deixa assustar. Apenas aconselha: “Calma, amigo. Passo tudo e não chio, que não sou besta. E vou te dizer uma coisa, reconheço o teu valor – você faz o que pode para conseguir o que precisa.

Como me assalta deve saber quem sou, um banqueiro, um capitalista. Mas, curiosamente, não sabe quem é, pois aceita o vergonhoso epíteto de assaltante. E, no entanto, você é um capitalista igualzinho a mim. Só que, até agora, conseguiu capital apenas pra se estabelecer com um trinta e oito. Boa noite. Posso ir?