Conversas e devaneios via Facebook:”Meia-noite em Paris”, de Woody Allen

Woody Allen recorre ao realismo fanstástico em "Meia-noite em Paris"

* Este post traz impressões sobre a Meia-noite em Paris, de Woody Allen, enriquecidas, confundidas e cheias de graça em função de conversas travadas no Facebook. E que continuarão aqui.

Demorei, mas vi: “Meia-noite em Paris” é excelente! E já estou com caraminholas a respeito desse ótimo Woody Allen: trata-se de um filme sobre a nostalgia, individual e da própria cultura? Cada um de nós tem sua própria golden age, a sua Belle Époque amorosa e intelectual, ou tudo não passará de uma invenção para que suportemos o presente, que sempre nos soa mais enfadonho do que é, mais pobre do que é?

É o tipo de filme que, para quem apenas vai se divertir, é diversão garantida, e, para quem tem um olhar um pouco mais exigente, há provocações a cada cena. Pode ser, como falei acima, um filme sobre a nostalgia da cultura ou pessoal, mas também talvez não seja absurdo ver ali, em outra camada, uma conversa cinematográfica com Truffaut. Essa observação não é minha, é da Beá Tibiriçá, feita num dos tantos comentários trocados em meu mural do Facebook a respeito desse ótimo Woody Allen.

E eu e você podemos nos perguntar: qual a relação com Truffaut? Um palpite, transcrito do meu comentário do Facebook:

Clayton
: Beá, mas que boa provocação? Estou cá a pensar qual a semelhança com Truffaut, de quem sou fã incondicional…Bom, vou palpitar e delirar de novo, diga o que acha. Truffaut e Allen têm, cada um, sua voz cinematográfica (meu Deus, estou falando bonito agora rs) bem peculiar, mas ambos são do discurso – menos piruetas formais e imagens e mais texto. Salvo exceções, na obra dos dois os protagonistas costmam ser homens desconsertados, fora do eixo e da figura masculina padrão, o macho viril. E sempre apaixonados, embora inseguros em relação à aceitação da mulher amada, ou confusos em relação ao amor. Ambos gostam de deixar a cidade falar pela tela – neste caso, Paris para os dois, mas Allen tem o caso clássico de Nova York. Será por aí? Beijos!

Owen Wilson (Gil) com Alison Pill (Zelda Fistgerald)

E eis que ela responde:

Beá: Veja, em “Match Point”, descubro Hitchcock, em “Barcelona”, Almodóvar e neste, Truffaut. Ele faz singelas e maravilhosas homenagens a cada cineasta marcante destas cidades

Fiquei pensando: será isso mesmo?

Ainda estou delirando nessa observação, mas talvez faça sentido. Visualmente faz sentido. Como abordagem faz sentido. Creio que não seja absurdo pensar que a fase européia da Woody Allen, com “Match Point”, “Vicky Cristina Barcelona” e “Meia-noite em Paris”, por exemplo, permita fazer ilações com Hitchcock, Almodóvar e Truffaut, respectivamente.

Truffaut nas filmagens de A Noite americana

Em “Match Point”, há um thriller com nuanças à lá Hitchcock, mas com o jeitão do Woody Allen, enquanto em “Barcelona” temos o amor mais exaltado, personagens mais à flor da pele, entre cores e exageros, que remetem a Almodóvar. Em Meia-Noite em Paris, a leveza, o insegurança infantil de um homem pretensamente maduro, como nos acostumamos a ver em Truffaut-Jean Pierre Léaud …

E lá vem a Nica e Beá:

Verônica Couto: ambos são metalinguísticos. Tratam o filme, a arte, o criador, o fazer cinema, como tema do filme e da arte…
Beá Tibiriça: Lembra de noite americana?

Falou de um filme que gosto demais!

Clayton: Sim, total: a Noite Americana é uma ode ao cinema, ao amor de fazer e ver cinema, e aos profissionais de cinema. Foi um contraponto à visão de Godard em O Desprezo, filme ácido em relação à indústria (Hollywood), que também é metalinguístico.

Bom, isso é apenas um pensamento mal rascunhado, meio mal ajambrado. São apenas minhas primeiras impressões, enriquecidas pela conversa facebucana. Fica o assunto para a meditação dos que lerem esse post.

E o filme também nos provoca por sua leitura do passado e sua conotação na cultura, até mesmo no plano individual. Sobre isso, Verônica Couto, a Nica, também deu uma contribuição poderosa. Ela citou um trecho de T.S Eliot matador sobre a questão do passado. Vejam:

Verônica Couto: “O tempo presente e o tempo passado/Estão ambos talvez presentes no tempo futuro/E o tempo futuro contido no tempo passado./Se todo o tempo é eternamente presente/Todo tempo é irredimível./O que poderia ter sido é uma abstração/Que permanece, perpétua possibilidade,/Num mundo apenas de especulação./O que poderia ter sido o que foi/Convergem para um só fim, …

A caranga que transporta os personagens para a Paris dos anos 1920

Meu comentário:

Clayton Melo
: “Nica, gostei demais desse poema do T.S. Eliot, que, aliás, aparece do realismo fantástico do Woody Allen no filme ( ele dá uma carona para o Gil entrar no “túnel do tempo”, lembra?) . Esse tema – o passado – me atrai porque o passado pode, de alguma forma, perturbar, ainda que estejamos caminhando para a frente. Este trecho do Eliot: “O que poderia ter sido é uma abstração/Que permanece, perpétua possibilidade/Num mundo apenas de especulação… É fantástico! “Perpétua possibilidade! É isso: nossas memórias não são inocentes, são recriações vistas com os olhos do presente. Bom, sei que posso estar viajando, mas é que estou sob o impacto do filme”

Como se vê, o filme dá pano para manga e ainda vamos pensar a respeito. Para fechar, recorro ao camarada Evandro Lima, que comentou:

Evandro Lima: Muito bom mesmo, Clayton, saí do cinema com uma vontade de ler todos os livros do mundo e uma certeza, ainda que controversa, de que o bicho homem tem uma bela história.

Evandro, faço minhas as suas palavras.
Até o próximo post.

Mais sobre a história sexual da MPB

Mais de “História sexual da MPB“. Eis uma pérola do cancioneiro libidinoso: ‘Tenho’, de Sidney Magal. Abstraindo a estética brega e o festival de clichês – que, à distância, têm seu valor ou, pelo menos, são engraçadíssimos -, a música é ótima. O trecho abaixo é do filme Amante Latino (1979). Olha a letra sacana: ‘Tenho um mundo de sensações/Um mundo de vibrações/Que posso te oferecer’.

A história sexual da MPB – bem sacana, aliás

Comecei a ler o ‘História sexual da MPB‘ O livro parece muito bom: a pesquisa vai da malícia do lundu até hoje. Nossa música tem machismo, mulheres fatais, libido, romances com açúcar e com afeto e entre tapas e beijos. É um olhar diferente sobre a canção brasileira. Tem também o programa, no Canal Brasil. O vídeo aí discute a libertação feminina. É, cá entre nós, a nossa música é bem sacana, hein?

O clipe interativo do Móveis Coloniais de Acaju

Ótima ideia e belíssima execução do clipe de O tempo, do Móveis Coloniais de Acaju. Gravado com transmissão ao vivo, em plano sequência, teve a participação do público via Twitter. As pessoas postavam uma hashtag específica e seus nomes foram pintados pelos artistas em um vidro. Detalhes: só ao final da transmissão foi revelado que ali estava sendo gravado um clipe. E com a colaboração dos tuiteiros. Veja mais aqui.

Eis o clipe.

Aqui vai o making of.

Crônica de Ano Novo sobre amor e tecnologia: ou revisitando arquivos de um PC aposentado

Experimente religar um computador seu há anos aposentado e repassar sua vida digital a limpo. O passado vira presente, mesmo que por instantes

Escritos de cinema, posts para blogs, documentos. Minhas imagens, minhas músicas, minhas pastas compartilhadas. Planilhas de Excel que nunca usei direito.

Fotos, poesias, projetos. Boletos vencidos. Mensagens que nunca li, e-mails que nunca responderei.

Downloads de diversos timbres – do rock ao jazz, do tango ao samba. Tem até punk e heavy metal. Reportagens prontas e inacabadas. Transcrições de entrevistas, títulos pela metade. Pautas e sonhos sonhados – realizados ou não. Ideias para artigos e outros rabiscos. Fotos de quando era mais cabeludo.

Críticas de filmes. Resenhas, delírios, minutos gravados numa câmera digital. As baladas que me fizeram a cabeça. As mulheres que me fizeram o coração. Registros de festas, de tristezas e andanças, de soluços e contas a pagar. Skype e messenger mudos.

Erro de proteção contra gravação. Remova a proteção contra gravação ou use outro disco. Disquete de 3 ¹/², antivírus desatualizado. Remover hardware de segurança.

E lá está ela tocando violino… Cabelos curtos, levemente ondulados.

Tão linda, tão delicada, tão minha.

O clipe de “Nada mais que cinema”

Compartilho um projeto do qual tenho orgulho de ter dado uma ajudinha: o videoclipe “Nada mais que cinema”, música do meu grande amigo Thiago Pimentel. No vídeo, ele e outro grande chapa, Tuco Oliveira, interpretam essa bela música. A direção do vídeo é do grande brother Daniel Rubio. Fiz a seleção de imagens. Está repleta de filmes com os quais chorei, me emocionei, sorri e que, penso, traduzem o clima da música.

Amy Macdonald, YouTube e a música na web

Gosto dessa liberdade que a web estimula: violão, uma boa voz e uma câmera no terraço. E com vigor, emoção, simplicidade. A ótima Amy Macdonald em versão acústica de This is the life.

“A felicidade paradoxal”, de Gilles Lipovetsky

A “A felicidade paradoxal” (Gilles Lipovetsky, de A Era do Vazio). Ele analisa as implicações de o “capitalismo de consumo” ter tomado o lugar do “capitalismo das economias de produção”. “De um consumidor sujeito às coerções sociais da posição, passou-se a um hiperconsumidor à espreita de experiências emocionais e de maior bem-estar, de qualidade de vida e de saúde, de marcas e autenticidade, de imediatismo e de comunicação”. Parece-me um retrato preciso de nossos tempos. Leitura vai longe.

Pelé faz seu último gol em superprodução da web

Post meu publicado originalmente no Nave Digital, meu blog no IDG Now!

Pelé disse que tinha um sonho. O Rei do Futebol queria que seu último gol tivesse sido com a amarelinha, e não com a do New York Cosmos, o clube americano pelo qual encerrou a carreira na década de 1970.


Pelé entrou em campo para curta em sua homenagem

Então uma legião de mais de 600 profissionais, entre diretores de publicidade, técnicos, iluminadores etc etc – e mais de mil figurantes – ficaram dois dias enfurnados no estádio do Morumbi. O objetivo era tornar “realidade” o sonho de Pelé.

Eles estavam lá para filmar “1284”, curta-metragem criado pela Young & Rubicam, com produção da O2 Filmes, para a Vivo. O título é uma referência ao total de gols de Pelé em sua carreira – foram 1283, ou 1284, com o “gol” que o curta proporciona ao Rei do Futebol.


Filme com o Rei quer fisgar internauta pela emoção

Com requintes de superprodução e cerca de sete minutos, o filme tem um detalhe que o torna diferente: você não o verá na TV; ele foi pensado e criado para a internet.

Um novo paradigma de produção?

Trata-se de um fato que merece atenção do mercado, dos profissionais de web e também dos internautas que querem ver na tela do PC ou smartphones produções de qualidade: raríssimas vezes no Brasil, se é que houve alguma (alguém aí lembra de outro exemplo?) um curta-metragem com linguagem cinematográfica, embora servindo a objetivos institucionais de uma marca, foi bancado por uma empresa.

Veja o curta e mais detalhes sobre a produção no meu blog no IDG Now!, o Nave Digital.

Quem matou o carro elétrico?


Documentário aborda o projeto EV1, da GM

Carro elétrico, a hidrogênio, híbrido – carros do futuro, com os olhos voltados para o desenvolvimento sustentável? Há muitas interrogações no ar. Com tantos protótipos na praça – inclusive no Brasil -, parece-me a tecnologia não é o entrave para a comercialização em série, por exemplo, dos carros elétricos (menos poluentes), embora ainda seja necessário resolver problemas, como o da autonomia. O xis da questão é político e econômico, sempre.

Na semana passada, o anúncio do programa brasileiro de estímulo ao carro elétrico foi cancelado de última hora por divergências no próprio governo – há quem tema prejuízos ao flex, bandeira do Brasil no exterior.

Bom, foi diante da curiosidade em torno desse tema que assisti ontem, em DVD, ao documentário “Quem matou o carro elétrico?” (Chris Paine, 2006, EUA). Ele aborda a criação e o fim misterioso do EV1. Projeto de carro elétrico concebido pela GM nos anos 1990, nos EUA, o veículo foi recolhido do mercado americano pela própria montadora.

Se ele era rápido, eficiente e havia conquistado a aceitação por parte dos consumidores, por que o fim abrupto? Segundo o documentário, as montadoras, o setor petrolífero e o governo americano são os responsáveis pelo atestado de óbito do EV1. Vale assistir.

O plano-sequência de O Jogador, de Robert Altman

O plano-sequência na abertura de O Jogador, de Robert Altman (1992), é marcante: mais de 8 minutos de pequenas histórias que se ligam – sem cortes. Diz muito sobre o fazer cinema. Quem quiser ler mais respeito, o crítico José Carlos Avellar explica.

“A imagem é contínua, a ação que ela narra é absolutamente descontínua.
Um plano só. Dentro dele, tudo é montagem: nenhum corte, mas um sem número de pequenos incidentes, conversas interrompidas, fragmentos de gestos que só aparecem por inteiro quando montados ao lado de outro fragmento.”

Veja análise na íntegra no blog dele.

Agora veja o plano-sequência. Vale a pena.

Easy Rider, a contracultura vai ao cinema


Easy Rider ecoou a rebeldia da geração hippie

Easy Rider (Sem Destino) foi lançado em 14 de julho de 1969, num cinema chamado Beekman, em Nova York. A administração do local nunca tinha visto uma cena parecida por aquelas bandas: espectadores cabeludos e rebeldes sentavam-se na calçada, sem sapatos, e fumavam maconha nos banheiros, diz Peter Biskind no livro “Como a geração sexo, drogas e rock and roll salvou Hollywood” (Editora Intrínseca).

“Sem Destino deixou a contracultura estatelada com o choque do reconhecimento”, diz Biskind.


Filme contou com Hopper, Fonda e Nicholson

Road movie que conquistou seu espaço na história do cinema, especialmente como um dos que provocaram a derrocada na Velha Hollywood, na transição das décadas de 1960 e 1970, Easy Rider conta a história de dois caras (Dennis Hooper, também diretor do longa, e Peter Fonda, produtor; Jack Nicholson também atua) que cruzam o sul e o sudoeste dos EUA em suas motocicletas.

Talvez tenha sido o primeiro filme a captar as vísceras da contracultura – basta lembrar que Woodstock foi realizado no mesmo ano. A trilha é fantástica, com Steppenwolf e Jimi Hendrix, por exemplo).


Personalidade difícil de Hooper complicou produção

O filme causou barulho em seu lançamento tanto quanto durante sua própria produção. O período de filmagens foi uma tormenta, uma confusão atrás da outra. Depois de maluquices mil de Hopper – um sujeito difícil de lidar -, a equipe começou a debandar no meio das filmagens. Para piorar, Hopper e Fonda tiveram uma briga feia.

Hopper queria trazer à tona a carga emocional da morte da mãe de Fonda, que havia se suicidado, para uma cena em que o parceiro faria uma série de reclamações para uma estátua de Nossa Senhora. Depois de ingerir várias bolinhas e ficar doidão, Hopper falou para Fonda:

- Eu quero que você vá lá se sente no colo dela, essa é a versão italiana da Estátua da Liberdade, bicho, eu quero que você se sente no colo dela e pergunte à sua mãe porque ela abandonou você.
- Hoppy, você não pode fazer isso. Você está se aproveitando da situação – disse, irado, Peter Fonda.
- Ninguém vai saber, bicho. Tem que fazer isso, bicho.
- Todo mundo vai saber, todo mundo sabe o que aconteceu.

A tensão entre ambos chegou a tal ponto que os olhos de Hopper se encheram de lágrimas. Então Fonda subiu na Estátua e, com esforço, falou:

- Você é uma boba, mãe. Eu te odeio tanto.

“Essa foi a primeira vez que vocalizei alguma coisa desse assunto”, disse Fonda posteriormente. “Na verdade, eu também comecei a sucumbir. Estava aos soluços”.


Fonda atuou e produziu o longa

Easy Rider foi um sucesso: com um custo de U$S 501 mil, rendeu US$ 19,1 milhões e colocou Hooper na lista do grandes da contracultura, ao lado de John Lennon e Timothy Leary, relata Suskind, o que aguçou a megalomania do diretor.

“Sem Destino mostrava os rebeldes, os fora de lei e, por extensão, a contracultura como um todo, como vítimas. Estavam sendo exterminados pelo mundo careta, por Lyndon Jonhson, pela maioria silenciosa de Richard Nixon ou seus imitadores”, escreve Suskind.

A cena abaixo retrata bem o clima do filme – fotografia que explora a paisagem, a liberdade da estrada ao ritmo frenético de Born to be Wild.
Que começo de filme, não?

Bob Dylan, o Twitter e o futuro

Leio em “Crônicas-Volume 1″, de Bob Dylan (Ed Planeta), ele relembrando que nasceu na Segunda Guerra, época de transformações profundas. “Se você tivesse nascido por volta dessa época ou estivesse vivo e antenado, poderia sentir o velho mundo acabando e o novo começando”.

E o que dizer de hoje, com as mentes alvoroçadas diante da revolução tecnológica, da contínua conexão de tudo e todos, com efeitos diretos em corações e mentes? Novas maneiras de criar, organizar e expressar ideias? Visões de mundo em 140 caracteres ?

Necessidade de reinventar as formas de participação política, cultural e de fazer relacionamentos? Ou tudo passaria apenas de mais uma jornada insana da humanidade, um delírio de início de milênio? Bom, se eu estiver devaneando demais, esqueça tudo. Apenas veja e ouça o velho Bob.(com Joan Baez, melhor ainda).

Para o Pomplamoose, videoclipe é ver o que você ouve

Para a ótima dupla franco-americana Pomplamoose, conceito de clipe é: você vê o que você ouve.

Repare como o vídeo é feito: os cortes seguem a lógica do som, o que cada instrumento faz e quem está em destaque – se Nataly Dawn, a vocalista, ou Jack Conte, o instrumentista, ou ambos.

E gosto das versões que eles fazem, como é o caso de Mrs Robinson (Simon and Garfunkel, abaixo), ou Beat it. Sem falar no espírito 2.0 (simples, feito em casa, mas com qualidade). Eles bombam no YouTube.

(Mrs Robinson, original de Simon and Garfunkel)

Podcast: onde vai parar a pendenga Google x China?

Comentário meu em podcast na rádio CBN (boletim CBN Tecnologia da Informação) sobre a pendenga China X Google.

Clique aqui para ouvir.

Ou aqui para ouvir mais comentários: o segredo da Apple.

Pílulas de cinefilia: A fotografia de O Poderoso Chefão


Fotografia escura realça o mal em Don Corleone

O visual sombrio, escuro mesmo de O Poderoso Chefão, de Francis Ford Coppola, causou estranheza e críticas na época do lançamento do filme, em 1972. Naquele tempo, a estética de Hollywood primava pela ambientação bem iluminada, limpa. “As cenas eram tão iluminadas que dava para ver cada canto de cada banheiro e armário no set”, descreve Gordon Willis, diretor de fotografia da obra-prima dirigida por Coppola.

Mas Willis mandou às favas a convenção e mergulhou na escuridão – uma maneira de realçar o aspecto nebuloso da máfia, personificada na figura de Don Corleone, magnificamente interpretado por Marlon Brando.

Veja o que o diretor de fotografia diz sobre a cena inicial, que, em muitos aspectos, mostra a que veio o filme.

“O desenho da luz veio da justaposição da festa de casamento no jardim, ensolorada e alegre, e a sombra do que se passava naquela casa escura. Usei iluminação vinda de cima porque Don Corleone era a personificação do mal e eu não queria que a plateia pudesse ver os olhos dele, ver o que ele estava pensando, queira mantê-lo nas sombras.”

Mais:

“…quando aquelas imagens escuras começaram a aparecer na tela, aquilo deu um tremendo susto em gente que estava habituada a ver filmes de Doris Day (…)Evans perguntou a Bart: ’será que ainda estou de óculos escuros?’”

Detalhe: a primeira frase do filme é “Eu acredito na América”, uma ironia fina do roteiro, dado o fato de ser dita por um homem que implora ao mafioso a vingança de sua filha. É a chave para o entendimento do que o filme discute: o fracasso do sonho americano de nação ideal.

Vale relembrar a sequência.

Fonte: o ótimo livro “Como a geração sexo, drogas e rock and roll salvou Hollywood”, de Peter Bisking (Editora Intrínseca)

“A Fronteira da Alvorada”, de Philippe Garrel

“A Fronteira da Alvorada”, de Philippe Garrel, entortou um parafuso na minha cabeça.

“Um só pecado”, de François Truffaut

Quem não cometeria um só pecado por Françoise Dorléac?

Quando um poema nos arrebata

Reprodução(TantU de Arte, UFMG)

Adriana Calcanhoto, uma de minhas artistas minhas prediletas há muitos e muitos anos, disse que ficou chapada quando conheceu o poema Traduzir-se, de Ferreira Gullar, poeta que também admiro e leio de tempos em tempos.

E eu digo: ao tomar contato com o texto, fiquei não só chapado, mas completamente absorto, consumido, entregue.

O sentimento foi reforçado porque o conheci a partir da música de Adriana, também de uma beleza arrebatadora.

Isso aconteceu minutos antes de escrever este texto – como, sendo fã e me considerando um bom conhecedor do trabalho de Adriana, nunca tinha ouvido essa versão tão linda?

Embora leia Gullar, não o conheço em profundidade, o que não impede de pensar: como não conhecia um poema magistral como esse?

É isso o que se sente quando a Arte nos toca de modo tão profundo.

O texto – logo abaixo está o vídeo com a música.

Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
alomoça e janta:
outra parte
se espanta.
Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir uma parte
na outra parte
_ que é uma questão
de vida ou morte _
será arte?

Folia, marchinhas e Twitter no lançamento do Bloco de Notas no Carnaval 2010


Ala das Princesas alegrou a noite no O do Borogodó

Aguardem: nos próximos dias, a cobertura completa do lançamento do Bloco de Notas, o bloco de carnaval dos profissionais de comunicação de São Paulo, lançado no sábado, no O do Borogodó. Jornalista para contar a história é o que não falta.

Quem estava online acompanhou em tempo real a cobertura pelo Twitter! É a folia 2.0